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As Conversas da Europa no World Scouting Congress

Redação BnR · 7 min

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O Bola na Rede está no World Scouting Congress e chegou à conversa com representantes de alguns clubes nacionais e internacionais.

Nesta reportagem falamos com Vítor Matos, treinador que foi do FC Porto para o Liverpool FC, fazendo agora parte da equipa de desenvolvimento do campeão europeu, com Abel Pimenta, analista do Sevilha, onde convive com Monchi, um dos maiores diretores desportivos do mundo e, no capítulo de diretores desportivos, chegamos à fala com André Vilas Boas para falar do Rio Ave e do seu percurso no passado mercado de transferências.

Vítor Matos, treinador no departamento de desenvolvimento de talentos no Liverpool FC

Fonte: Liverpool FC

BnR: Sentiu muita diferença ao mudar de uma estrutura como a do FC Porto para uma estrutura como a do Liverpool FC?

Vítor Matos [VM]: Primeiro, o FC Porto e o Liverpool FC são dois grandes clubes, o FC Porto tem uma estrutura fantástica, com uma grande cultura de vitória, uma grande cultura de desenvolvimento, a do Liverpool também, a dimensão do clube é tremenda, mas acima de tudo é um clube familiar e onde as pessoas são afáveis e sentem-se contentes por te fazer sentir bem e em casa. Foi isso que eu encontrei, pessoas fantásticas com vontade de oferecer as melhores condições aos jogadores e treinadores para que toda a gente consiga estar nos níveis de superação que nós desejamos, e pronto, tem sido assim.

BnR: O Pep Ljinders considerou-o a transferência do ano do Liverpool FC, isso teve muito mediatismo aqui, o que é que tem a dizer destas palavras?

VM: Acima de tudo, o Pep é um amigo já de nove anos e para mim é sempre um prazer poder voltar a trabalhar com ele. Ele é alguém que é, acima de tudo, uma fonte de inspiração para qualquer um de nós, a paixão que ele tem pelo trabalho, o profissionalismo que põe, a sua preocupação pelo detalhe, a sua forma de preocupar-se com o desenvolvimento coletivo e individual, ou seja, mais do que receber elogios, é conseguir com o meu trabalho e a minha forma de estar cumprir os objetivos que eles pretendem.

BnR: A si, como elemento da equipa de desenvolvimento do Liverpool, pergunto-lhe: qual vai ser a nova estrela que veremos por aí saída da formação do Liverpool?

VM: O clube e a equipa técnica acreditam que, mais do que existir uma cultura de individualização e existir determinado tipo de ego ou jogador, tem que ser uma cultura coletiva, de que a equipa vale pelo seu todo mais do que pelas partes. Mais do que eu referir qualquer tipo de jogador, é mais importante referir a relação entre eles, entre a linha defensiva e o meio-campo, entre os três da frente, na forma como o lado coletivo está, é aí que somos realmente fortes, que o Liverpool é realmente forte, e isso também permite que qualquer jovem da formação tenha mais oportunidades e mais sucesso quando joga pela equipa principal.

BnR: Relativamente ao seu futuro, está no Liverpool FC, num clube muito grande. Há ambição para chegar à cadeira que agora é ocupada por Jürgen Klopp?

VM: Não, a minha única é preocupação é ajudá-los em tudo o que precisam, é isso que me alimenta todos os dias quando vou para lá, para dar o melhor de mim. Acima de tudo é isso.

Abel Pimenta, analista do Sevilha FC

Fonte: WSC

BnR: Sabemos que o Sevilha FC esteve ativo no mercado de verão. Enquanto analista, qual é o trabalho que teve de desempenhar para corresponder às exigências de um clube como o Sevilha, que apresentou bastantes reforços?

Abel Pimenta [AB]: Primeiro, deixa-me aclarar que existem dois tipos de analistas: os mais relacionados com a análise dos jogadores e outros mais relacionados com o contexto a nível de equipa. Em relação aos que analisam a performance dos jogadores, o Sevilha FC tem uma estrutura com várias pessoas, mais de uma dezena, que durante o ano vão construindo uma base de dados de jogadores com diferentes perfis, que depois permitem tomar decisões em função do treinador e do diretor desportivo que estão nesse projeto, que agradem a ambas as partes, que correspondam ao perfil que agrada à estrutura e que correspondam ao contexto económico do clube.

BnR: Tendo o Sevilha um dos maiores diretores desportivos do mundo, que influência tem o Monchi em termos de contratações, do renome e da qualidade dos jogadores que chegam ao Sevilha FC?

AB: O Monchi é uma referência no que é a direção desportiva, no entanto o Monchi está inserido num clube que tem uma estrutura muito grande e ele tem a qualidade de aproveitar as valências dessas pessoas e conseguir o máximo rendimento delas, para depois obter a tal base de dados a nível de jogadores que  permite ter uma atuação mais eficaz no momento de ir ao mercado. O nome Monchi tem uma importância muito grande porque quando és um jogador e o Sevilha toca à tua porta e essa pessoa comunica contigo, tu sabes que o projeto, em função de tudo o que o clube conseguiu nestes últimos anos, é sustentado e tem nome no mercado. O Sevilha FC é um dos maiores clubes a nível de Espanha e a nível europeu, e nesse sentido, ele tem alguma influência.

André Vilas Boas, Diretor Desportivo do Rio Ave FC

Fonte: Bola na Rede

BnR: André, foi jogador do Rio Ave FC, capitão, esteve no Scouting do clube e agora está a diretor desportivo. Como é viver tantos anos, mesmo depois de acabar a carreira enquanto jogador, nesta casa que é o Rio Ave?

André Vilas Boas [AVB]: É uma casa acolhedora. Eu sou de Vila do Conde, entrei lá com nove anos, é desde aí a minha casa, mas o mesmo se passa com os jogadores que vêm de fora. Sentem o clube como um clube acolhedor, é por isso que toda a gente gosta de estar cá e mesmo quando saem têm saudades, porque além de estarem numa cidade boa, é um clube que dá tudo o que um jogador precisa, além do acompanhamento pessoal, das infraestruturas de treino, é um clube bom para se estar.

BnR: O Rio Ave FC, além do técnico, teve contratações sonantes, nomeadamente o Taremi e o Mané. Acha que realmente foi um bom defeso por parte do scouting do clube?

AVB: Sim. O departamento de scouting foi criado há três anos, fui eu que o criei, e cada vez mais estamos a tentar evoluir. O futebol é sempre uma oportunidade e tentamos estar à frente de outros nas oportunidades de mercado que surgem. Para este mercado de transferências do verão que passou, optámos por uma política de espera, ou seja, haver jogadores que, em junho não conseguíamos contratar, então tivemos de ter alguma paciência, como o Diogo Figueiras, o Mehdi Taremi, o Carlos Mané, são jogadores difíceis de contratar, tivemos de ter alguma paciência e não cair naquela tentação de ir buscar outro porque poderíamos conseguir esses jogadores, focamo-nos realmente em contratar esses jogadores e conseguimos.

BnR: Como foi gerido este investimento do Rio Ave, que contratou jogadores com algum relevo mas manteve-se dentro dos valores normais do clube? O que fez o clube para os jogadores aceitarem baixar os salários e virem para Vila do Conde?

AVB: Há muitos jogadores que vêm para o Rio Ave para seguir outros casos de sucesso que por cá passaram. Este último ano, a partir de janeiro, tivemos o Rúben Semedo, que foi o sucesso que foi, e outros casos para trás. Eles vão um bocado ao encontro desses casos. O caso do Taremi não foi desse género, ele queria vir para a Europa e prescindiu de muito dinheiro no Catar para vir para a Europa, acreditou no Rio Ave, acreditou num treinador conceituado, o Queiroz também falou muito bem do clube, que era um clube bem estruturado e ele veio nessa vertente do clube em si, viu também os jogadores que por cá passaram, o Oblak, o Ederson, esses jogadores todos, e essa é uma forma boa de chamar os jogadores para o Rio Ave porque já passaram por cá outros bons jogadores.

BnR: Acha que este plantel do Rio Ave é o mais valioso dos últimos anos em termos de notabilidade dos jogadores no imediato?

AVB: É difícil ver isso, nós fizemos anos muito bons em que tivemos grupos em que se calhar não se dava o valor tão alto numa venda, mas em termos de equipa eram muito fortes. Tudo bem que este ano temos jogadores que se calhar poderão valer um bocadinho mais, esta época até vendemos um guarda-redes por cinco milhões, se conseguirmos fazer outra igual é ótimo. Mas temos jogadores de valor, o Nuno Santos, o Mané, o Borevkovic, o próprio Taremi. Temos jogadores de valor, mas nos outros anos também tivemos grandes equipas, tão ou mais fortes que esta.

BnR: Qual é o objetivo desportivo do Rio Ave para esta época?

AVB: O Rio Ave pensa muito no momento e jogo a jogo, não mete muitos objetivos para o fim da época. Se gostamos de bater aquilo que fizemos anteriormente? O nosso máximo de pontos na Liga é de 51 pontos, o objetivo é sempre bater esses 51 pontos, mas é tudo vivido semana a semana. O Rio Ave não pode pensar como um FC Porto ou SL Benfica, que lutam pelo título, nós vamos criando os nossos objetivos semana a semana.

Artigo de Pedro Diniz e João Brandão

Foto de Capa: Bola na Rede

Artigo revisto por Diogo Teixeira

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