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João Prates

39 artigos

Tribuna VIP

FC Porto | Quando a coerência cai, o balneário sente

Com Francesco Farioli, o FC Porto tinha algo que no futebol vale ouro e raramente faz barulho, estabilidade. Uma defesa a funcionar, números claros, quatro golos sofridos, uma dupla de centrais sólida, Jan Bednarek e Jakub Kiwior, rotinas consolidadas, confiança instalada, aquela base silenciosa que sustenta uma equipa competitiva sem precisar de discursos grandiosos. E depois muda-se. Não por rendimento. Não por quebra de forma. Muda-se por nome. Quando entra Thiago Silva no onze do FC Porto, caem várias coisas ao mesmo tempo. Cai uma regra que foi defendida durante meses, a do pé dominante. Cai a lógica da continuidade. Cai a hierarquia construída dentro do campo. E quando tantas referências caem de uma vez, o balneário sente. Sempre sentiu. Vai sempre sentir. O futebol pode mudar sistemas, modelos, ideias, mas há princípios humanos que não acompanham as modas.

João Prates · 3 min de leitura
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Opinião

O mercado de inverno visto do banco

O mercado de inverno existe, muitas vezes, para colmatar erros cometidos no verão. Erros de avaliação, de construção de plantel, de leitura do contexto, simplesmente de tempo ou financeiro Janeiro não é, na maioria dos casos, planeamento puro, é correção. Mas nem todas as equipas chegam a janeiro pelo mesmo motivo. Há clubes que lutam pelo título, outros por lugares europeus, outros pela permanência. Os objetivos são diferentes e, por isso, as razões para ir ao mercado também o são. Janeiro não é só urgência, também pode ser oportunidade. Reduzir o mercado de inverno a desespero seria injusto. Há clubes que utilizam este período para:

João Prates · 2 min de leitura
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Tribuna VIP

Entre o banco e a direção: quando a liderança falha no futebol moderno

O futebol moderno gosta de falar em projeto, identidade e liderança. Gosta de palavras grandes. O problema é que, na prática, continua a cometer erros básicos de governação. Um deles repete-se com uma frequência preocupante: contratar treinadores com uma ideia clara e, pouco depois, retirar-lhes o poder para a executar. Os casos recentes de Ruben Amorim, Enzo Maresca e Xabi Alonso ajudam a expor um problema que vai muito além dos nomes. O problema não está apenas no banco. Está acima dele.

João Prates · 3 min de leitura
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Tribuna VIP

Quando a ideia serve o jogador (e não o contrário)

Há momentos em que o futebol nos obriga a parar e a fazer uma pergunta simples, mas incómoda: a quem deve servir a ideia de jogo, ao treinador ou aos jogadores? As recentes declarações de Luís Pinto ajudam a recentrar o debate no essencial. Não se trata de abdicar de identidade, nem de “trair” convicções. Trata-se de compreender o contexto, as características do plantel e o momento competitivo.

João Prates · 2 min de leitura
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Tribuna VIP

Quando o treinador percebe que já não controla o contexto

Há conferências de imprensa que dizem mais pelo tom do que pelas palavras. Há silêncios que explicam melhor uma época do que qualquer estatística. Após a derrota na meia-final da Taça da Liga, Rui Borges não parecia um treinador à procura de desculpas. Parecia um treinador cansado. Cansado de perder jogadores. Cansado de adaptar planos. Cansado de competir com variáveis que já não controla, as lesões. Com mais duas lesões a juntar-se a uma lista já pesada, o problema deixa de ser tático e passa a ser estrutural. E é aqui que começa uma realidade que o futebol raramente quer discutir.

João Prates · 2 min de leitura
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Tribuna VIP

Quando o VAR deixa de ser tecnologia e passa a ser ruído

O futebol sempre conviveu com o erro. Árbitros erram, treinadores erram, jogadores erram. Faz parte do jogo. O que já não pode fazer parte do futebol moderno é a indecisão prolongada e a sensação de que ninguém assume responsabilidade. O episódio recente no jogo Santa Clara x Sporting, em que o jogo esteve doze minutos parado à espera de uma decisão do VAR, para no final se assinalar um penálti, ultrapassa o erro pontual. Entra no território do surreal. Para quem vê de fora, é apenas mais um lance polémico. Para quem está dentro, não é.

João Prates · 2 min de leitura
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Sub-17: O Mundial que ganhámos e as carreiras que podemos perder

Portugal voltou ao topo do futebol juvenil mundial, agora em Sub-17. Ser campeão do mundo Sub-17 é um feito que poucos países conseguem e prova que continuamos a produzir talento de elite. Mas quem trabalha no terreno, como eu, que já passou por vários balneários em Portugal e no estrangeiro, sabe que o perigo começa quando a festa acaba. Ao longo dos anos, vimos jovens brilhantes perderem-se aos 19 porque não tiveram orientação. E vimos outros, menos exuberantes aos 17, chegarem ao topo porque tiveram estrutura. É por isso que este título mundial é uma oportunidade, mas também um alerta. O que acontece quando os holofotes se apagam? O padrão repete-se demasiadas vezes:• Expectativas irreais colocadas em adolescentes.• Pressão mediática e comparações constantes.• Agentes, propostas e ruído externo.• Um regresso ao clube onde, muitas vezes, tudo continua igual.

João Prates · 3 min de leitura
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Portugal: o pequeno país que voltou a provar que é um gigante no futebol mundial

Portugal disputou a final do Campeonato do Mundo Sub-17 e só isso já seria uma vitória. Mas transformou presença em grandeza e acabou campeão do Mundo. Mais uma vez, Portugal esteve no centro das grandes decisões internacionais, confirmando uma tendência que não é acidental, nem episódica, nem fruto do acaso. É cultura, metodologia , escola, conhecimento acumulado e muita paixão pelo jogo. Portugal é pequeno em território, mas enorme na forma como pensa, pratica e vive o jogo. Nas últimas décadas, a presença recorrente das nossas seleções , seniores e jovens  em fases finais, meias-finais e finais tornou-se um padrão. E padrões não surgem sozinhos.Não é surpresa, é o resultado de um modelo sólido

João Prates · 3 min de leitura
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Cristiano Ronaldo: Marca, País ou Mercado?

O debate em torno da ida de Cristiano Ronaldo tornou-se, demasiadas vezes, refém de ideologias fáceis e leituras enviesadas e até agressivas. Em vez de se olhar para o fenómeno com neutralidade e racionalidade, procuram-se ângulos políticos ou morais onde não existem. E isso impede que se veja o essencial: Ronaldo é um caso extremo de mérito, disciplina e construção de valor. É impossível ignorar que Ronaldo já não é apenas um desportista. É uma marca global. E isso não diminui Portugal; amplia-o. Tal como tantas marcas nasceram num país e se tornaram património do mundo, também Ronaldo ultrapassou há muito as fronteiras de origem. A identidade é portuguesa, mas a escala é planetária.

João Prates · 2 min de leitura
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Irlanda 2-0 Portugal: Horrível

Portugal não deve ignorar o que aconteceu em Dublin. Ao contrário do que o selecionador afirmou, este não é um jogo para esquecer. É um jogo para recordar, analisar e compreender, porque expôs problemas que já foram percebidos noutras partidas, mas que continuam sem resposta. Foi o segundo match point para garantir a qualificação para o Mundial. E voltou a falhar. Falhou com uma exibição fraca, pouco intensa, sem ideias e sem capacidade de adaptação. E falhou frente a uma Irlanda que mostrou que há várias formas de chegar ao resultado, mesmo sem ter a qualidade individual de Portugal. Os números desmontam qualquer tentativa de narrativa positiva: 77% de posse de bola, mas 14 remates permitidos aos irlandeses. Portugal teve bola, mas nunca teve controlo. Dominou o tempo de jogo, mas não dominou o jogo em si.

João Prates · 2 min de leitura
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A Taça e o Qarabag provam o talento que existe nas divisões inferiores de Portugal

Talento que Portugal exporta porque cá a meritocracia ainda joga pouco. O Qarabag soma sete pontos na Liga dos Campeões, onde derrotou o Benfica na luz com seis jogadores que passaram pelos relvados secundários de Portugal. Kevin Medina jogava no Moura em 2015. Leandro Andrade, hoje peça essencial, representava o Fátima em 2020. Camilo Durán esteve no Lusitânia dos Açores em 2023. Kady Borges jogava no Vilafranquense em 2020. Pedro Bicalho no Santa Clara em 2022. E Dani Bolt passou pelo Torreense em 2024.

João Prates · 2 min de leitura
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Opinião

Abel Ferreira é a melhor definição de sucesso

Há vitórias que valem mais do que uma final. A remontada do Palmeiras de Abel Ferreira frente à LDU Quito, depois de uma derrota por 3-0, não foi apenas um resultado, foi uma lição de identidade, coragem e persistência. O futebol fala muito em sucesso, mas raramente o entende. Muitos entendem o sucesso apenas com ganhar o campeonato, a liga dos campeões, reduzimo-lo a taças, estatísticas e manchetes. Dentro uma competição, a qualificação para a Europa, evitar a descida, valorizar jogadores também é sucesso.

João Prates · 2 min de leitura
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Tribuna VIP

Portugal entre o talento individual e o acerto coletivo com duas faces do mesmo problema: O paradoxo da Seleção

Portugal vive um paradoxo competitivo. Tem uma das gerações mais talentosas do mundo, mas continua a revelar fragilidade estrutural nos momentos em que o jogo exige controlo, seja com bola (frente à Irlanda), seja sem bola (frente à Hungria). A qualidade individual tem conseguido compensar a ausência de um modelo coletivo coerente, e é aí que o rendimento se torna vulnerável. Diante da Irlanda, Portugal teve bola, mas faltou-lhe ideia. A circulação foi previsível e feita de forma muito lenta e previsível. A equipa jogou em largura, mas raramente fez movimentos de profundidade que obrigasse a linha defensiva da Irlanda a desmontar-se, Cristiano Ronaldo jogou longe da zona onde define Faltou ligação entre médios e avançados, muito passe lateral, pouca ocupação racional dos espaços interiores, poucas sobreposições dos laterias.

João Prates · 2 min de leitura
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Jogos Olímpicos

João Prates: O desafio de exigir medalhas Olímpicas num país sem Cultura Desportiva

O Desafio de Exigir Medalhas Olímpicas num País sem Cultura Desportiva. Em ano de Jogos Olímpicos, a expectativa por medalhas para Portugal torna-se um tema recorrente nas conversas e nos meios de comunicação. A nação anseia por conquistas que elevem o nome de Portugal no cenário internacional, mas essa expectativa precisa ser ponderada com uma reflexão crítica sobre as condições em que os nossos atletas se preparam para a competição. Portugal, infelizmente, ainda está longe de ser uma nação com uma cultura desportiva enraizada, e isso reflete-se directamente nos resultados alcançados pelos nossos atletas. Portugal é o país da União Europeia onde a maior percentagem da população nunca pratica desporto. Este dado por si só, já seria suficiente para questionar a legitimidade das expectativas de medalhas olímpicas, mas é apenas a ponta do iceberg. O sonho olímpico dos nossos atletas é, na maioria das vezes, um acto de superação individual num contexto que não lhes oferece as condições, infraestruturas, investimento e apoios necessários para competir de igual para igual com a maioria dos seus rivais internacionais.

Redação BnR · 3 min de leitura
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Campeonato da Europa

João Prates: 2 destaques positivos e 2 destaques negativos do Euro 2024

Espanha: O Renascimento da Fúria Roja A Espanha entrou no Euro’2024 sob a liderança de Luis de La Fuente com a tarefa árdua de redescobrir sua identidade e, ao mesmo tempo, renovar a sua equipa com jovens Pedri, Yamal e Nico Williams e com os experientes Nacho, Rodri, Fabian Ruiz. Conseguiu reinventar o seu estilo de jogo, mesclando a tradicional posse de bola com uma abordagem mais dinâmica e vertical. A tática do selecionador mistura o famoso "tiki-taka" com transições rápidas e eficazes na procura do golo, mas consegue manter o equilíbrio defensivo, sendo a única seleção na competição que ainda não sofreu um golo.

Redação BnR · 3 min de leitura
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