Quem me conhece sabe que adoro a Taça de Portugal. Recordo com saudade um Eléctrico - Sporting, no velhinho e pelado Estádio do Matuzarense em Ponte de sor, completamente cheio.
FC Porto | Quando a coerência cai, o balneário sente
Com Francesco Farioli, o FC Porto tinha algo que no futebol vale ouro e raramente faz barulho, estabilidade. Uma defesa a funcionar, números claros, quatro golos sofridos, uma dupla de centrais sólida, Jan Bednarek e Jakub Kiwior, rotinas consolidadas, confiança instalada, aquela base silenciosa que sustenta uma equipa competitiva sem precisar de discursos grandiosos. E depois muda-se. Não por rendimento. Não por quebra de forma. Muda-se por nome. Quando entra Thiago Silva no onze do FC Porto, caem várias coisas ao mesmo tempo. Cai uma regra que foi defendida durante meses, a do pé dominante. Cai a lógica da continuidade. Cai a hierarquia construída dentro do campo. E quando tantas referências caem de uma vez, o balneário sente. Sempre sentiu. Vai sempre sentir. O futebol pode mudar sistemas, modelos, ideias, mas há princípios humanos que não acompanham as modas.