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Valência

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Recordar é Viver

Recordar é Viver | O Valência de Hector Cúper

Acabará por ser cómico, quando olharmos para trás e vermos, na segunda década do novo milénio, as contradições existentes entre a imensa influência de Guardiola no desenvolvimento do jogo, com todas as equipas a competirem incessantemente na busca pelo mais apurado sentido estético, que de algum modo se fixou em pressupostos fáceis de entender, por muito que exista a tentação de tornar a receita complexa: o passe curto e a ocupação eficiente do espaço, e a conservação estoica dum legado anacrónico sob assinatura de Diego Simeone. O ‘Cholismo’, cercado pelo revivalismo holandês, sobreviveu como último reduto do anti-fútbol e sua mais avançada expressão, com todo o sucesso que se conhece, tornando e mantendo o Atlético como terceira grande potência da La Liga. Antes, já Héctor Cúper tinha sido fiel a esses ideais para levar o Valência a duas finais de Liga dos Campeões seguidas, apoiando-se nos mesmos entendimentos de como o jogo deve ser jogado – a disciplina, a agressividade e o pragmatismo enquanto pilares do sistema. Mendieta poderia elevar a nota artística e tornar o futebol mais sexy, mas Cúper é o elo anterior a Simeone na cronologia dessa tradição, como o Valência 1999-2001 o é do Atlético da década passada.

Pedro Cantoneiro · 6 min de leitura
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