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Nanú, Anderson, Sarr, Grujic: As novas caras do campeão nacional

João Pedro Rocha · 7 min

Foto: FC Porto

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A janela de transferências terminou terça para quarta-feira à 00h00 em Portugal com o FC Porto a ser um dos maiores agitadores da reta final do mercado. Ao que tudo indicava, não haveria muitas alterações no plantel na semana anterior, no entanto, o empréstimo de Danilo ao Paris SG (quatro milhões de euros + 16 compra obrigatória) e a venda de Alex Telles ao Manchester United (15 milhões de euros + três objetivos) deixaram os dragões desfalcados, principalmente pela saída do brasileiro, que era o jogador mais influente da equipa.

Este cenário obrigou a direção portista a dar garantias de que Sérgio Conceição se conseguisse equiparar ao maior rival e reforçar o estatuto de candidato ao título. Além disso, a derrota contra o Marítimo deixou um impasse no seio portista, e o técnico azul e branco deixou para o ar que já haviam jogadores com a cabeça fora do clube.

Mesmo que ambos tivessem a máxima vontade de vencer aquela partida e já estivessem a contar com uma transferência, há partidas menos felizes que outras e é desumano duvidar do profissionalismo destes dois senhores que muito deram ao FC Porto. Posto isto, chegariam quatro reforços para atacar troféus em 2020/2021: Nanú, Felipe Anderson, Malang Sarr e Marko Grujic.

As notícias lançadas pela comunicação social davam conta do interesse do FC Porto em inúmeros jogadores durantes os últimos dias e o clube foi negociando sem grande alarido, conseguindo adquirir três reforços nas últimas horas, embora todos por empréstimo. Também Lucas Veríssimo foi associado, contudo, não chegou a acordo total.

Ingressaram no clube dez reforços durante este mercado: Carraça, Cláudio Ramos, Zaidu, Taremi, Evanilson, Toni Martínez, Nanú, Sarr, Felipe Anderson e Grujic. Muitos destes nomes prometem fazer furor já a curto prazo e e há uma enorme expectativa para perceber como será a reinvenção da equipa a nível tático para esta temporada e quais serão as novidades no onze inicial.

Esta última investida no mercado veio garantir mais consistência ao plantel e dar mais estabilidade na gestão da equipa. Além da entrada de reforços para colmatar lacunas deixadas pelos jogadores transferidos, a direção do clube fez questão de dar mais soluções a Sérgio Conceição.

O que não foi de todo bem visto por uma parcela da nação portista foram as contratações a título de empréstimo porque na sua ótica não serão jogadores rentabilizados financeiramente. De qualquer das formas, não deixam de ser soluções viáveis e que à primeira vista parecem bem interessentes e mais do que suficientes para atuar neste campeonato.

Ainda assim, existem mais competições para ganhar e o clube vai também disputar a Liga dos Campeões, o que implicava um alargamento do plantel, que se encontra quase com 30 jogadores disponíveis. Este dado é um auxílio numa fase mais avançada quando o conjunto sentir mais o desgaste e até mesmo o problema das lesões.

Quem são então as mais recentes contratações do FC Porto? Análise disponível nas páginas seguintes.

4.

Felipe Anderson – Uma das sensações deste mercado de transferências, senão a mais sonante, chega diretamente da liga inglesa e custou 38 milhões de euros ao West Ham há cerca de dois anos atrás. Felipe Anderson é um autêntico craque e tem tudo para vingar em Portugal, bem como capacidade para ser o melhor jogador da liga. Não é tão deslumbrante como Corona no momento do drible, mas partilha uma característica fulcral com o mexicano – a noção de tempo e espaço.

Felipe Anderson sabe quando tem que acelerar ou pausar o jogo, tem um QI futebolístico elevado, é um desconcertante com a bola nos pés, um exímio cobrador de bolas paradas (substituto da tarefa de Alex Telles) e adquire maturidade acima da média para encaixar nesta liga. O brasileiro de 27 anos tem também um remate forte e colocado, embora possa melhorar ainda a sua finalização.

Esta transferência deixou os adeptos surpreendidos, pois de todos os jogadores para determinadas posições que iam sendo referenciados aos azuis e brancos, um extremo talvez não fosse o mais urgente. Porém, é excelente neste caso poder contar com um jogador deste calibre, que tem futebol a mais para esta realidade.

Será um dos decisivos na Liga dos Campeões. Corona é o senhor e dono de uma das linhas, contudo, Luis Díaz estará muito possivelmente mais tapado na equipa, embora seja um diferenciador no momento da entrada.

3.

Nanú – Passando para a lateral-direita, chega-nos um conhecido destas andanças. Na temporada transata pelas boas razões, quando entregou de bandeja o campeonato ao FC Porto com duas arrancadas supersónicas que aniquilaram o Benfica, e este ano pelas más pois selou o encontro da última semana de forma mortífera. Nanú foi o responsável pela primeira derrota caseira contra o Marítimo em toda a história azul e branca.

O luso-guineense é um dos mais recentes reforços portistas, custou aproximadamente dois milhões de euros e tem as características que agradam a Sérgio Conceição. É muito veloz, possante e resistente, o que lhe possibilitará uma eventual titularidade com a adaptação a esta nova realidade. Mesmo que não o seja, será bastante útil ao longo da época devido à sua aptidão física, capaz de rebentar qualquer defesa numa fase mais avançada do jogo. Para clássicos e jogos partidos, será um nome a reter.

Resta agora saber se conseguirá agarrar a titularidade, tendo em conta que Manafá está a superar as expectativas e não deverá sair do onze, para já… Um ponto que beneficiará Nanú é a saída de Alex Telles, porque existe também a possibilidade de Manafá atuar do lado oposto, em alternativa a Zaidu Sansui. Logo, esse cenário entregaria a ala direita ao ex-Marítimo. Ou seja, nas laterais o clube conta com Zaidu (DE), Manafá (ambos), Nanu (DD) e Carraça (DD). Este último foi o primeiro reforço do defeso e ficou de fora dos inscritos da Liga dos Campeões.

O reforço seguinte beneficia igualmente de uma polivalência neste setor e é também uma possibilidade para substituir Alex Telles.

2.

Malang Sarr – A posição de defesa-central fica mais completa com a chegada de Malang Sarr, transferido por empréstimo do Chelsea. O internacional jovem francês fez toda a sua curta carreira no Nice e foi comprado recentemente pelos “blues”, que planeiam um empréstimo de um ano para que possa evoluir e fazer parte do plantel na época seguinte. Sarr tem apenas 21 anos e é um central muito forte e agressivo. T

em baixa estatura para a posição (1,82m), é dotado tecnicamente e apresenta qualidade de passe, o que o possibilita igualmente de desempenhar a posição de defesa-esquerdo. O que tem a corrigir é a atração ao erro. Demonstra ainda fragilidades defensivas, principalmente no momento do desarme, e Sérgio Conceição não admite esse tipo de erros aos seus defesas-centrais, daí sempre optar pelos mais cumpridores.

Todavia, Malang Sarr tem tudo para dar um salto evolutivo tremendo no campeonato português e triunfar brevemente na Europa, isto porque vem representar o FC Porto apenas por um ano, essa cedência custou dois milhões de euros aos cofres portistas e o mais natural é que comece a ser aposta no centro da defesa.

Por outro lado, a dupla que conquistou a dobradinha na temporada passada não mudou nesta fase inicial, embora Pepe já vá a caminho dos 38 anos. Malang Sarr, mesmo nesta tenra idade, é um defesa de alto calibre e o mais certo é aos poucos entrar no onze e de lá nunca mais sair.

1.

Marko Grujic – Resta Grujic, possivelmente o menos abordado destes quatro, mas geralmente esses são os que triunfam mais rapidamente. O médio é internacional sérvio e representa o Liverpool FC desde 2016/2017. Foi uma das escolhas de Jurgen Klopp e teve passagens por empréstimo no Cardiff e no Hertha Berlin, no qual passou as duas últimas temporadas.

Grujic chegou a disputar oito jogos pelos reds na sua primeira época no clube, mais seis na segunda e fez parte do plantel inicial durante este início de temporada, no qual chegou a fazer um golo ao Lincoln a contar para a Taça da Liga inglesa. Realizou também os 90 minutos na partida frente ao Arsenal na última semana, para a mesma competição.

O sérvio de 24 anos é um jogador que embora tenha 1,94m tem qualidade de passe e destaca-se tecnicamente. É um jogador ideal para um 4-3-3, pois embora tenha um perfil mais defensivo, tem chegada à área e tem por hábito realizar a pressão na primeira linha de construção adversária. A sua utilização neste sistema encaixaria que nem uma luva, pois permite-lhe confiança e segurança para subir no terreno sem deixar a equipa descompensada, e ainda permitia a colocação de Otávio na zona central, onde é mais influente.

Não tem as mesmas qualidades defensivas de Danilo, mas é superior na saída com bola e no passe. O substituto do capitão, ao que tudo indica, não tardou em aparecer.

João Pedro Rocha

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