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O sonho concretizou-se! Chora-se de alegria, das bancadas ao relvado, por tudo o que o apito final naquele jogo significa – o nome do clube imortalizado num conto de fadas em que um “pequenino” bateu o pé aos “gigantes” num percurso notável, de contínua superação, terminado de forma gloriosa aos três apitos do árbitro do encontro. Os adeptos, por presenciar história, e a equipa, pelo facto de a terem feito, vão morrer sem esquecer aquele dia.
Este é um momento transversal aos campeões que se apresentam nesta lista. Todos eles fizeram os adeptos viver um dia que julgavam distante ou mesmo impossível de acontecer. Deixaram marca na história e fizeram cair queixos um pouco por todo o mundo ao superar os poderes estabelecidos nos respectivos campeonatos.
Passado tão pouco tempo de um momento tão marcante na história do futebol e da Premier League em particular (sim, está incluído nesta lista), e tendo em conta a recente ascensão competitiva do Red Bul… Perdão, RasenBall Leipzig na Bundesliga – disputa a liderança com o favoritíssimo Bayern depois de ter passado 2015/2016 no segundo escalão -, a liderança do Nice (a par do Mónaco) na Ligue 1 e a aproximação do Sevilha ao primeiro lugar da Liga Espanhola, parece-nos pertinente olhar para trás e ver quais os campeões que chocaram o mundo com as suas conquistas.
Pela impossibilidade de incluir num top10 todos esses campeões, teve de se restringir a lista a alguns critérios. O primeiro passa pelo tempo – apenas a última década estará em análise –, e o segundo passa pelo impacto competitivo do campeonato – não analisámos os campeonatos da Bulgária, da Suécia ou semelhantes, não por termos menos respeito por eles, mas pelo facto de estes não terem dado a conhecer grandes conquistas a nível continental, isto é, olhámos apenas para aqueles que deram a conhecer mais campeões ou finalistas europeus ao longo da história (Espanha, Itália, Alemanha, Inglaterra, Portugal, Holanda e França).
Colocadas as restrições (que podem desaparecer, num artigo posterior, de forma a completar esta análise, caso este tenha bom feedback), ficaram os dez finalistas. Não foram difíceis de escolher, dada a raridade do feito; o complicado foi mesmo colocá-los por ordem, com excepção do “útlimo” classificado, aquele que causou menos surpresa entre os dez que analisamos – O Borussia de Dortmund de 2010/11. O Signal Iduna Park é o ponto de partida da nossa viagem ao passado recente de campeões-surpresa…
10. BVB Borussia Dortmund – 2010/11

Fonte: UEFA
Pensava-se que os tempos de glória se tinham esfumado no tempo, que o Borussia já não conseguiria voltar a ser a potência que em 1996/97 (Paulo Sousa era o tampão do meio-campo) ergueu a Liga dos Campeões e que em 2001/02 conquistou de forma brilhante (ultrapassou um Leverkusen que levava cinco pontos de vantagem para as últimas três jornadas) a sua última Bundesliga. Mas pensava-se mal.
Diziam que, por muita genica e muita vontade que existisse, ter muitos jovens numa equipa seria um problema. Dizam que um campeão, ainda por cima na Bundesliga, com tantos miúdos era coisa impossível. Diziam mal.
Calculava-se que os problemas financeiros que o clube atravessara recentemente (o rival Bayern predispôs-se a ajudar) lhe iriam diminuir a capacidade competitiva. Calculava-se mal.
Lucas Barrios (servido por Gotze), primeiro, e Lewandowski, depois, encarregaram-se de o comprovar, com dois golos ao Nuremberga (que ao intervalo fez entrar… Gundogan), derrotado na tarde de 30 de Abril de 2011 que confirmou o Dortmund como campeão alemão com um par de jornadas por disputar. Na equipa inicial, para além do autor do segundo golo, constavam mais seis “miúdos”: Hummels, Subotic, Schmelzer, Grosskreutz, todos nascidos em 88, ou seja, com 23 anos ou menos), Sven Bender (22) e… Mario Gotze (19).
No final das contas, Jurgen Klopp sorriu com todos os dentes que tem ao seu primeiro título e ao facto de ver singrar um projecto no qual pegou desde a raiz, impondo a sua força perante favoritos como o Bayern, que ficou a sete pontos de distância.
9. FC Twente – 2009/10

Fonte: FC Twente
Já se desconfiava do poderio do Twente. Deixara de ser o clube que, há 4/5 anos antes, se contentava com vitórias morais e campeonatos tranquilos. Não, este Twente era diferente, já tinha quase estatuto europeu consolidado e o 2º lugar na temporada anterior, ainda que a 11 pontos do primeiro, era um sério aviso à concorrência.
Porém, mesmo avisados, os rivais não foram capazes de travar a cavalgada triunfal de um dos campeões com mais pontos da história da Eredivise.
O feito ganha maiores contornos se tivermos em atenção que esta equipa manteve luta intensa com um Ajax demolidor (104 golos) e, pela sua tradição, tarimbado para este tipo de situações e com cultura de vitórias, e nunca baqueou, nem mesmo quando recebeu o Feyenoord, na penúltima jornada, depois de tropeçar em Alkmaar, numa altura em que a vantagem para a equipa de Amesterdão ficou reduzida a um ponto. Bateu os de Roterdão por 2-0 e manteve a vantagem para a ronda de todas as decisões. Aí, deslocou-se ao terreno do NAC Breda e aos 23 minutos já estava com vantagem numérica no número de jogadores e no resultado, beneficiando de uma expulsão e do golo, dois minutos depois, de Bryan Ruiz. Aos 73, surgiu o 2-0, por Stoch, que setenciou a partida… e o campeonato.
O costa-riquenho foi a grande figura desta equipa, terminando o campeonato com 24 golos apontados, apenas superado pelos 35 de… Luis Suarez.
8. Bordéus FC – 2008/09

Fonte: Le Monde
O poder estava instalado na Ligue 1. O Lyon partia para a época 2008/2009 com o heptacampeonato no bolso que lhe garantia a hegemonia do futebol francês. A cultura de vitória existia e a forma como a equipa se revelava competitiva na Liga dos Campeões fazia com que não se vislumbrasse outro símbolo que não o do Olympique no horizonte próximo do futebol francês.
Porém, sucessões de resultados menos conseguidos fizeram com que a equipa fosse caindo, deixando os adversários espreitar uma eventual liderança. Aproveitaram Bordéus e Marselha, que disputaram entre si o “brinde” do heptacampeão que, porém, foi mais amigo de um que do outro: na antepenúltima jornada foi ao Vélodrome e derrotou o Marselha por 3-1 (bis de Benzema), deixando o Bordeus, que vencer por 3-2 o Le Mans, isolado na liderança.
Os girondinos agarraram a oportunidade e venceram os dois jogos que faltavam disputar, sagrando-se campeões pela sexta vez na sua história, e a 1ª desde 1999.
Estava quebrada a hegemonia do Lyon, por uma equipa que se revelou sempre competitiva e cerebral na gestão dos encontros, obra de Laurent Blanc.
Gourcouff fez uma época extraordinária, assinando 8 assistências e conduzindo o ataque da sua equipa com mestria, sendo o principal fornecedor de jogo da temível dupla Chamakh/Cavenaghi (26 golos).
7. AZ Alkmaar FC – 2008/09

Fonte: AZ
Era um clássico. O favorito a ganhar qualquer edição da Eredivise estava sempre entre o trio Ajax-Feyenoord-PSV e era na escolha de um dos três que casas de apostas pagavam menos por valor apostado. Não só por ser quem habitualmente erguia o título, mas também pelo fluxo de dinheiro que entrava em cada um destes nomes para vencer a Liga Holandesa.
2008/2009 não começou de forma diferente. Afinal, o PSV era tetracampeão, praticava futebol convincente e tinha melhor equipa que os rivais. O Ajax fazia um esforço para regressar ao título que lhe fugia há 5 temporadas. O Feyenoord partia por fora. Havia outros, há sempre os outros, mas nunca se pensa que os outros consigam superar os grandes. Sobretudo num país como a Holanda, que desde 1964 não tinha tido “outro” campeão além dos três referidos.
Passados 45 anos, a normalidade passou a ser relativa. O AZ Alkmaar, apesar de já ter disputado uma meia-final europeia, estava longe de ambicionar algo mais para além de uma qualificação para as provas continentais, mesmo com o reforço do corpo técnico (Louis Van Gaal assumiu o comando), porém, não só foi campeão como ainda conseguiu ser muito superior aos seus adversários, acabando a época com mais de 10 pontos de diferença para todos os rivais “directos”: Twente ficou a 11, Ajax a 12, PSV a 15 e o Feyenoord a…35!
A campanha do AZ foi, portanto, diluindo a surpresa e quando se sagrou campeão não foi um choque assim tão grande para o mundo. Porém, é mais do que assinalável e surpreendente a forma como a equipa orientada por Van Gaal se impôs às que tinham os poderes instaurados na Eredivise, quebrando um ciclo de quatro décadas.
Munir El Madaoui foi a figura da equipa, sagrando-se melhor marcador da Eredivise, com 23 tentos apontados (mais de um terço dos da equipa), mais um que Luis Suárez.
Nesta equipa, figuravam ainda nomes como os de Sergio Romero (agora no Manhcester United), Grazziano Pelle (Southampton), Mousa Dembélé (Tottenham) ou Stjin Schaars (ex-Sporting).
6. LOSC Lille – 2010/11

Fonte: BBC
O Parque dos Princípes vestiu-se de gala para voltar a receber história. Em campo entrava o “seu” PSG e o Lille, que estava na liderança do campeonato e a quem bastava fazer o mesmo resultado do Marselha para se sagrar campeão.
As coisas começaram bem ao Lille, com um golo de Obraniak, anulado, sob o apito final da primeira parte por Hoarau, que seria expulso no reatar do encontro. Isto galvanizou o Lille que chegou ao 1-2 por Mousa Sow. Porém, Bodmer empatou para os parisienses. 2-2 no final do encontro… o mesmo que o Marselha registara no Velódrome.
Explodiu-se de alegria, abriu-se o champanhe e gritou-se “vitória”, num momento que se julgava nunca vir a acontecer a uma equipa que, nos últimos anos, se contentava por lutar pelas competições europeias.
Mas aconteceu. Foi o culminar de um bom trabalho realizado por Rudi Garcia e o ano de afirmação de talentos como Obraniak, Gervinho, Mousa Sow (melhor marcador, com 25 golos) ou Eden Hazard (melhor futebolista do ano da Ligue 1), que encantavam, pelo dinamismo ofensivo que imprimiam em cada jogo.
5. Estugarda FC – 2006/07
A época 2006/2007 não era aguardada com grande expectativa em Estugarda. A equipa terminara o campeonato anterior na 9ª posição e uma qualificação europeia já seria encarada com agrado.
O início de época revelou uma equipa meio destrambelhada, somando duas derrotas caseiras nos primeiros jogos no seu reduto. Aliás, só ao quarto jogo em casa é que a equipa assentou. Não era o começo mais auspicioso, mas mantinha aceso o sonho de uma qualificação europeia.
Depois dessa vitória, diante do Leverkusen, a equipa entrou numa espiral positiva de resultados e, no final da primeira volta, aos dois empates somados até à 7ª ronda, somou mais três e às duas derrotas acrescentou uma, normalíssima, em casa do Bayern de Munique. Contas feitas, e em 17 jogos o Estugarda tinha vencido por 9 vezes, empatado 4 e perdido 3. Estava bem colocada para uma qualificação europeia.
A equipa manteve a capacidade competitiva e à medida que as boas performances e os bons resultados apareciam, a crença no cumprimento dos objectivos aumentava, ainda que houvesse adversários de respeito. Porém, estes foram caíndo. O Bayern desiludiu na recta final e restavam três equipas na luta pelo topo. O Schalke 04 e o Werder Bremem eram encarados como naturais favoritos a ficar com o primeiro lugar, o Estugarda era o outsider. Mas o que viesse a mais era bónus. Nesta altura, estava garantido o sonho de uma qualificação europeia.
Chegou-se à jornada 33 e estava tudo em aberto. O Schalke liderava com 65 pontos, seguido de Estugarda, com 64, e Bremem com 63. Os dois primeiros deslocavam-se a Dortmund e Bochum, respectivamente, o Bremem recebia o Frankfurt. Vantagem teórica para o Bremem. Porém, o melhor ataque da Bundesliga baqueou e perdeu. O Schalke também saiu derrotado do Signal Iduna Park. O Estugarda parecia ir pelo mesmo caminho, vendo-se a perder ao intervalo. Porém, os golos de Mario Gómez e Cacau catapultaram a equipa para a vitória e para a liderança no campeonato. Estava em jogo muito mais que uma qualificação europeia.
Chegados à última jornada, a equipa mais jovem da liga tinha a oportunidade de fazer história ao sagrar-se campeã. O adversário era o Energie Cottbus. O jogo começou mal, com um golo de Stefan Radu, porém, Hitzlsperger empatou a partida e o intervalo chegou de forma relativamente tranquila. O reatamento da partida trouxe um Estugarda em busca de um título histórico, onde se destacou…. Sami Khedira. O agora jogador da Juventus assinou o 2-1 final. O Estugarda, capitaneado pelo “nosso” Fernando Meira ganhou muito mais que uma qualificação europeia. Fez história na Bundesliga e no futebol mundial.
Para além do ex-Real Madrid e do antigo internacional português, esta equipa contava com nomes como os de Cacau, Gómez, Tomasson, Boka, Hildebrand ou… Farnerud (os dois últimos viriam a representar o Sporting).
4. Montpellier FC em 2011/12

Fonte: LFP
O campeonato francês era e continua a ser um dos que mais vencedores diferentes teve em todo o mundo. Nessa perspectiva, devem ser esperadas surpresas no topo da tabela quando o assunto é a maior competição de clubes francesa. Porém, para 2011/2012, nada disso se perspectivava. O PSG tinha-se reforçado de forma absurda e tinha de ser encarado como um seríssimo candidato ao título, sendo expectável que fosse atrás dele com a fome de quem não o conquistava há 18 anos. Havia também o Lille, campeão em título, que continuava forte, e o Marselha e o Lyon, que procuravam recuperar o caminho das conquistas.
Os dois últimos cedo ficaram pelo caminho. O PSG e o Lille foram conseguindo manter acesa a chama da luta pelo título que ambicionavam… com um intruso pelo meio – Montpellier. A equipa orientada René Girard ia dando mostras de competitividade e revelou-se um osso duro de roer frente a todos os adversários que teve pela frente, sobretudo a nível defensivo, contando com uma dupla de centrais seguríssima em Hilton e Bedimo. No meio-campo, a presença de Belhanda iluminava o processo ofensivo, que desaguava no miúdo Olivier Giroud. Uma espinha dorsal sólida que, a meio da época, fazia antever uma campanha bem sucedida. Foi muito mais que isso.
O Montpellier foi mantendo a solidez, desviando-se do foco mediático e da possibilidade de se sagrar campeão. O empate em casa, diante do Evian, a três jornadas do fim fazia antever a possibilidade dessa possibilidade ruir. Porém, o foco estava “jogo-a-jogo”, e a equipa comprovou a sua competência emocional ao vencer o Rennes, no jogo seguinte, por 2-0, num dos jogos mais complicados da época. Faltavam duas jornadas.
O jogo seguinte foi contra um rival directo. O Lille espreitava a possibilidade de reduzir a diferença para dois pontos e pressionar o adversário na última ronda. Não conseguiu. Apesar do sufoco do então campeão, o 0-0 manteve-se até ao minuto 90, altura em que uma bola rechaçada foi ter aos pés de Giroud, que pegou nela, passou por uma defesa descompensada, levou-a até à linha de fundo e serviu um menino da casa, Karim Ait-Fana, que fechou a partida e as ambições do Lille.
O último jogo, ainda encarado como se de mais um tratasse, poderia consagrar o Montpellier, bastando um empate ou a derrota caso o PSG não vencesse o Lorient. As coisas não começara da melhor maneira na deslocação a Auxerre. Kapo inaugurou o macador aos 21 minutos. Porém, 12 minutos depois, surgiu Utaka a empatar a partida e a equipa ficou ainda mais sólida. O campeonato era cada vez menos um sonho e tornou-se realidade quando o avançado nigeriano bisou, a um quarto de hora do fim do jogo.
O 1-2 permaneceu até final e, um ano depois de ter terminado no 14.º posto, o Montpellier sagrou-se campeão francês. A 27ª equipa a consegui-lo na história da prova.
3. Club Atlético Madrid – 2013/14
Desde 2003/04 que a Liga Espanhola tinha apenas dois nomes diferentes entre os seus vencedores. Depois do Valência, orientado por Rafa Benítez, se ter sagrado campeão, apenas Barcelona e Real Madrid tinham conseguido erguer o troféu, impondo-se às restantes equipas não só pela sua qualidade, mas pelo peso histórico que as camisolas acarretavam.
O Atlético era visto, desde há pouco tempo àquela parte, como um outsider, depois de conseguir sair da penumbra da Segunda Divisão. O clube estabilizou, ganhou competitividade e conseguiu vencer duas Ligas Europas nesta premissa. Faltava, porém, trazer isso para La Liga de uma forma consistente. Conseguiu-o e em 2012/13 foi 3º classificado fruto de muita garra e querer. Porém, de um último lugar do pódio a achar-se que poderia disputar a Liga com os crónicos vencedores, ia uma distância enorme, até porque estes era detentores daquelas que eram consideradas pela maioria da crítica as duas melhores equipas do mundo.
Nem o Atlético terá pensado no título desde o início da temporada e Simeone não abdicou das palavras que tinha sempre à mão quando o questionavam acerca de objectivos: “partido a partido”. Pois assim foi. Cada jogo era um jogo disputado como se de uma batalha se tratasse. Não se facilitava e a entrega era tanta que, quem via de fora, não duvidava da disponibilidade daqueles jogadores morrerem em campo pela camisola que envergavam ou pelo treinador a quem respondiam.
O começo foi auspicioso, com duas vitórias em campos dificeís (Sevilha e Real Sociedad foram derrotadas em casa) e outras tantas, inapelávels, em casa, diante de Rayo e Almeria (5-0 e 4-2). A saga manteve-se, e o Atlético cometeu a ousadia de ir vencer o Real Madrid ao Santiago Bernabéu num percurso imaculado que só terminou à passagem da jornada 9, aquando da visita a Barcelona para enfrentar o Espanyol. Até lá, 8 jogos, 8 vitórias.
A equipa soube reagir à adversidade, repsondeu com um 5-0 ao Bétis e manteve-se no trilho das vitórias chegando à última jornada da primeira volta do campeonato com apenas mais um “desaire” – empate no Madrigal. Ou seja, 18 jogos, 16 vitórias, 1 empate e 1 derrota. Faltava um jogo. Contra o Barcelona, em casa. Pensou-se que a equipa iria baquear, que iria ceder à pressão e cair. Nada mais falso. Empatou a 0 num jogo em que demonstrou, mais uma vez de que fibra era feita.
Depois de uma primeira volta extraordinária, esperava-se que a equipa caísse. E caiu. Afinal, tinha também a Liga dos Campeões para disputar e estava a fazer grande campanha (chegou à final e perdeu no prolongamento, contra o Real, estando a vencer até ao minuto 90). O Barcelona e o Real aproveitaram para reduzir distâncias, e chegou-se à última jornada com muitos nervos. Apenas Barcelona e Atlético podiam ser campeões. E jogavam entre si. No Camp Nou. Mas esta equipa foi feita para estes momentos, e apesar de se ver a perder, com golo de Alexis Sanchez, soube estabilizar emocionalmente, entregar-se à luta e empatar. Godín, aos 49 minutos, numa cabeçada que tinha a força do sacrifício, do trabalho e do querer atirou para o fundo das redes. Era o golo de que a equipa precisava para fazer história. E fê-la, segurando o resultado até final. O Atlético era campeão.
Simeone, no discurso de campeão, perante uma Plaza Neptuno a abarrotar, disse que este campeonato era uma lição que iam além dos relvados: “Quando se tem crença e se trabalha, pode-se”.
2. VFL Wolfsburgo – 2008/09

Fonte: Wolfsburg
A Bundesliga 2008/09 começou com o mesmo grau de incerteza que as mais recentes. Sabia-se que qualquer equipa podia ser campeã, apesar do Bayern ter de ser encarado como o grande favorito a vencer a competição, não só por serem os detentores do título mas pelo peso do seu nome.
Estugarda, Werder Bremem, Schalke 04, Hamburgo ou Leverkusen eram tidos como “outros candidatos”. Uma lista larga, tendo em conta o número de competidores (18), e onde não constava o nome do Wolfsburg, uma equipa que surpreendera toda a gente ao conseguir um quinto lugar que a apurou para a Taça UEFA na época anterior, precedida de uma luta dura pela manutenção (terminou 2006/07 no 15º lugar, a 3 pontos da despromoção). Era impensável o cenário em que “a equipa da Volkswagen” se sagrava campeã nacional.
Mas ele concretizou-se. A vitória sobre o Werder Bremem, de forma contundente, confirmou-o, pondo termo a uma disputa aguerrida pelo maior título do futebol alemã. Os 5-1 da última jornada fazem entender o mérito deste Wolfsburg no título conquistado, aproveitando o deslize do Bayern Munique, na última jornada, para ganhar dois pontos de vantagem sobre os favoritos.
Nesta equipa, constava o português Ricardo Costa, o ex-Nacional Diego Benaglio e claro, o temível conjunto da frente, servido de forma sublime por Misimovic: Edin Dzeko e Grafite. A dupla de avançados fez nada mais nada menos que 54 golos (o Wolfsburg terminou o campeonato com 80). O brasileiro foi o melhor marcador, com 28 golos, o agora avançado da Roma terminou a temporada com 26.

Fonte: Leicester
A época 2014/15 tinha tido o predomínio de uma cor: azul. O Chelsea de Mourinho impôs a sua força e levou a melhor sobre toda a concorrência, terminando o campeonato com 8 pontos de vantagem para o segundo classificado Manchester City, o único “sério” rival nesta disputa, pelo que se previa que o vencedor de 2015/16 tivesse os mesmos tons da anterior. E teve. Mas o vencedor foi tudo menos esperado, interrompendo uma tendência de previsibilidade no vencedor da Premier League, que desde há 20 anos se cingia a quatro clubes: Arsenal, Manchester United, Chelsea e Manchester City, todos eles integrantes da lista de elite dos “Big 5” (onde também cabe o Liverpool, sem títulos desde a criação da Premier League).
Não, não foi o Everton. Foi uma equipa que duas épocas antes tinha vencido a Championsip (segunda divisão inglesa) e que, na anterior, a 10 jornadas do fim, ocupava a última posição, com um diagnóstico reservado quanto à sobrevivência na Premier League, com escassos 19 pontos. Porém, superou-se, e em 8 jogos somou os mesmos 19 pontos, garantindo a hipótese de voltar a disputar o campeonato mais visto em todo o mundo.
Pensou-se que a equipa iria voltar a sofrer, até porque tinha dispensado o treinador que tinha garantido a miraculosa manutenção, dando lugar a um senhor de quem pouco se esperava (“Raniery… Really?”, disse a crítica). Mas esse senhor, soube enquadrar-se no contexto e não pediu processos de jogo sofisticados aos seus jogadores. Foi inteligente e sagaz. Os seus jogadores foram tanto ou mais. E apresentaram uma ideia de jogo previsível, mas difícil de contrariar.
Kanté, com o devido amparo de Drinkwataer, ocupava toda a largura do terreno, destruia e saia a jogar na frente, onde Mahrez construia e Vardy finalizava. Lá atrás, estava uma defesa de guerrilha liderada pelo capitão Morgan. Havia simplicidade e laivos de magia sustentados pela concentração do muro defensivo.
A época começou muito bem, com duas vitórias consecutivas nos primeiros encontros e uma série de 6 jogos sem perder (ainda que com alguns solavancos no processo defensivo), abruptamente interrompida por uma derrota caseira diante do Arsenal por… 5-2. Ranieri disse “Vamos ver de que fibra somos feitos”. A equipa respondeu: cinco viórias e um empate nos seis jogos seguintes. Vardy esteve em evidência. De tal forma que chegou à 14ª jornada com a possibilidade de bater o recorde de jogos seguidos a marcar, detido por Ruud Van Nistelrooy. Marcou, pelo 11º encontro consecutivo e, ironicamente, frente ao United, fez história. Um dadoq ue reforçou a confiança da equipa, que só voltou a perder à 18ª jornada, dobrando a primeira volta extraordinariamente bem classificada para assegurar um lugar… na Premier League do próximo ano, tendo feito uma primeira volta à campeão.

Fonte: ESPN
Duvidou-se da capacidade de se aguentar a pressão, perante adversários tão bem cotados no mundo inteiro. Mas a equipa de quem nada se esperava ficou “picada” com o que se dizia sobre ela e partiu para a segunda volta cheia de vontade de mostrar que sim, que era capaz de ombrear com os gigantes. E foi. Aliás, superou-os. Foi ao Etthiad vencer o City por 3-1 depois de derrotar, em casa, o Liverpool, por 2-0.
Depois, apesar de ter caído em casa do Arsenal, foi aproveitando os deslizes dos rivais e cimentando um lugar no topo. Acreditou-se no “sonho impossível” de se concretizar. A dada altura, o rival já só era o Tottenham e, passado pouco tempo, já só era a própria equipa. Seria capaz de não cair? Foi. Deslocou-se a Old Trafford com a possibilidade de se sagrar campeã, começou a perder com um golo aos 8 minutos, mas 9 minutos depois respondeu. Manteve o empate e torceu para que, em Stamford Bridge, o Chelsea travasse o rival.
O Tottenham dominou a primeira parte e foi ao intervalo a vencer por 2-0, prespectivando o aumento da ansiedade para os lados da equipa que procurava o “sonho impossível”. Porém, Cahill, aos 58 minutos deu esperança. 1-2. O jogo permaneceu numa toada morna, com o Chelsea a fazer dele mesmo (amorfo). Porém, num rasgo genial, Hazard recebeu de Diego Costa, e atirou ao canto superior esquerdo da baliza defendida por Lloris, no único espaços onde cabia a bola, fazendo o 2-2. Até final, muitos nervos, mas o sonho concretizou-se.
O Leicester, sim!, sagrou-se campeão, tornando-se na equipa que mais surpreendeu o mundo nos últimos anos.
No discurso de vitória, Ranieri disse “Não acordem, continuem a sonhar!”. De facto, todos nós pudemos sonhar, naquele dia. Quaisquer que sejam as contrariedades, a glória está no rumo de quem se alimenta a esforço e dedicação.
Foto de Capa: CNN













