Publicidade

Análise do Grupo A | Euro2020

Carlos Ribeiro · 9 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

O Grupo F é, de longe, aquele que podemos considerar o “grupo da morte”, mas esta edição do Europeu de Futebol 2020 – apesar de ser jogado em 2021 – tem ainda outros grupos que são muito interessantes de seguir. É o caso desde Grupo A, aquele que irá inaugurar a competição e aquele onde eu imaginava facilmente as quatro equipas a passarem à fase seguinte. Claro, mas as probabilidades não são exactamente as mesmas para isso acontecer.

3…2…1… ESTÁ AÍ O EURO 2020! A ESPERA ACABOU E TUDO COMEÇA COM UM JOGO MUITO INTERESSANTE ENTRE ITÁLIA E TURQUIA. EM QUEM APOSTAS? SEGUE JÁ PARA A BET.PT!

A Itália de Mancini, que tem tido uma nova vida com a geração de futebolistas transalpinos atual, é a principal favorita ao primeiro lugar, Suíça e Turquia surgem logo a seguir e, por último, País de Gales parece-me a que tem menos argumentos das quatro, mas a excelente campanha no Euro2016 e a sua competitividade podem sempre ser fatores a ter em conta, sobretudo nesta competição, onde passam à fase seguinte os quatro melhores “terceiros”.

TURQUIA

A SELEÇÃO

À semelhança do que acontece com Itália, a Turquia também está a passar por um processo de renovação, com muita juventude nos 26 eleitos, que vão beber a nova geração que se adivinha muitíssimo talentosa. Claro que as “caras” desta nova geração são Soyuncu (de quem falarei a seguir) e Demiral, mas não eclipsarão os jovens Kokcu, Omur ou Yacizi, apenas para citar alguns.

A ESTRELA

A Estrela – Burak Yilmaz – De volta ao seu melhor. O experiente goleador é mais um daqueles exemplos que demonstra, aos 35 anos, que velhos são os trapos. Fulcral na caminhada do Lille OSC para o título francês em 2020/21, Gunes espera agora que ele seja igualmente importante numa boa prestação da sua seleção no Euro2020, algo que eu também espero (porque sou fã deste tipo de ponta-de-lança “matador”).

A REVELAÇÃO

Çaglar Soyuncu – Patrão da defesa do Leicester City FC, juntamente com outra estrela em ascensão (Fofana). Com Johny Evans como modelo a seguir e Brendan Rodgers a treinar, reuniu-se os ingredientes necessários para fabricar um dos melhores defesas-centrais da atualidade, que penso poderá aqui mostrar o porquê de já estar a ser cobiçado por meio-mundo. Fortíssimo nas bolas aéreas (defensivas e ofensivas), costuma ter um posicionamento certo e uma saída de bola a partir de trás. Não fossem as lesões, penso que o Leicester City FC podia mesmo ter garantido a “Champions” mais cedo e não ter sofrido o dissabor que sofreu no fim.

O SELECIONADOR

Senol Gunes – Depois de ter sido bem-sucedido no Besiktas JK, mudou-se para a seleção na temporada de 2018/19 e, francamente, em boa hora o fez. As melhorias na qualidade de jogo são claras e evidentes, fruto de uma aposta contínua na renovação do plantel à sua disposição e de uma ideia de jogo mais acutilante.

ATÉ ONDE PODEM IR?

Penso que esta seleção pode ser uma das surpresas deste Euro2020. Considero que passarão em segundo lugar do grupo, e depois, dependendo do adversário, têm possibilidades reais de chegar até aos quartos-de-final. Seria já uma boa participação, mas veremos se estou enganado… Em excesso, ou por defeito!

PAÍS DE GALES

A SELEÇÃO

Muito boa a selecção de 26 escolhida pelo estreante nestas andanças Robert Page. Muitos jovens de qualidade ao lado de nomes como Bale ou Ramsey, que são os líderes espirituais deste grupo. Muita atenção ao que poderão fazer, caso os onzes sejam bem trabalhados.

A ESTRELA

Gareth Bale – Pouco mais haverá a dizer sobre aquele será eventualmente um dos três melhores jogadores da história do País de Gales (ao lado de Giggs e Ian Rush). Alguns rumores apontam para o facto de este poder ser o seu último grande torneio, e, reputando-os de fidedignos, penso que irá tentar demonstrar mais uma vez porque é que custou o que custou ao Real Madrid CF e tem o palmarés que tem. Será sempre Bale mais dez nesta seleção.

A REVELAÇÃO

David Brooks – Podia ter escolhido Harry Wilson, Tyler Roberts ou até Daniel James, mas opto por David Brooks. Sou fã deste jogador. Enquanto o AFC Bournemouth esteve na Primeira Liga Inglesa e ele esteve bem fisicamente, tinha de jogar sempre, mesmo sendo novo. Fantástico com a bola nos pés seja no remate, drible ou passe e sempre com um posicionamento exímio. Quase me dá vontade de lhe chamar de “Dele Alli galês”. Penso que não deve faltar muito para dar o salto para um clube com outras ambições.

O SELECIONADOR

Robert Page – O novo selecionador, se assim lhe podemos chamar. Depois das polémicas com Ryan Giggs, Page assume o comando “definitivo” desta seleção e ainda é uma incógnita aquilo que poderá fazer para melhorar a qualidade da última participação no Euro2016, algo que não será obviamente fácil (caiu nas meias-finais aos pés da Seleção Nacional, que acabou por se sagrar campeã). Não será esse o objetivo, se formos lúcidos na análise, mas pelo menos terá a ambição de passar a fase de grupos.

ATÉ ONDE PODEM IR?

Se todas as seleções deste grupo jogarem como sabem, penso que não passarão à próxima fase. Em termos de qualidade dos jogadores, são a selecção mais debilitada. No entanto, não quero com isto dizer que são uns coitadinhos. Têm uma palavra a dizer e, no limite, este jovem conjunto pode dificultar a passagem a algum dos seus adversários.

ITÁLIA

A SELEÇÃO

Tal como já referi, considero que a Itália é a seleção mais forte deste grupo e, sobretudo, é uma das que em melhor forma se encontra a nível europeu. Uma tremenda mistura entre juventude (Di Lorenzo, Bastoni, Barella e Sensi) e veterania (Bonucci, Chiellini, Verratti ou Insigne) que tem tudo para correr bem. Depois de uma autêntica travessia no deserto que pautou as últimas grandes competições, o rejuvenescimento dos “Azzurri” nota-se e vai dar que falar.

A ESTRELA

Lorenzo Insigne – Com 30 anos feitos recentemente, parece ter finalmente alcançado a qualidade que todos lhe almejavam. A experiência e a liderança que tem em Nápoles amadureceram um jogador que tem velocidade, remate forte e, sobretudo, golo. Em 35 jogos feitos até ao momento em que este artigo está a ser redigido, conta com 19 golos marcados. Está pronto com vontade de assumir o protagonismo desta seleção e causar muitas dificuldades às sólidas defesas deste grupo.

A REVELAÇÃO

Nicoló Barella – Assumir a batuta de um Inter de Milão campeão, quebrando a supremacia da Juventus FC, aos 24 anos, é “obra”! Precisamente por isso mereceu a confiança do seleccionador (não poderia ser de outra forma) e penso que será uma pedra fundamental de Itália neste Euro2020 na posição de “8”. Barella é um médio de ligação moderno, que alia executa o “box-to-box”, com uma capacidade de passe acima da média.

O SELECIONADOR

Roberto Mancini – Depois de passagens bem-sucedidas por clubes em Itália, Inglaterra, Turquia e Rússia, Mancini assumiu em 2018 o comando técnico de uma Itália que estava à deriva e está agora a conseguir fazer a renovação necessária, ao mesmo tempo que coloca a equipa a jogar bom futebol, algo que há uns anos estava “desaparecido” do seu ADN.

ATÉ ONDE PODEM IR?

Até à fase a “eliminar” certamente, mas acredito mesmo que a Seleção Italiana poderá chegar às quatro melhores selecções do velho continente, ou seja, às meias-finais. A partir daqui tudo é possível e este elenco tem claramente qualidade para chegar ao título. Considero que a França é a maior favorita (pela qualidade superlativa do seu elenco), mas se tivesse que escolher uma “segunda linha” que pode conquistar este Europeu, a Itália está lá inserida, juntamente com outros três/quatro nomes.

SUÍÇA

A SELEÇÃO

Uma convocatória quase tão certa como um relógio suíço. Já sabemos que Vladimir Petkovic, que tem feito boas prestações nas grandes competições nos últimos anos, não gosta muito de “inventar”. Tem um núcleo duro de quem gosta muito, experiente e de quem não abdica. Na minha opinião, muito bem: se dá garantias de boas prestações, mantém-se. Apesar de não ser de uma novidade, destaco a presença do avançado benfiquista, Haris Seferovic, nos eleitos. Sempre serve como elo de ligação ao público nacional.

A ESTRELA

Xherdan Shaqiri – Apesar de já estar numa fase descendente da carreira (29 anos, mas com muitas lesões) continua a fazer a diferença na seleção do seu país, muito mais do que ao nível dos clubes que vai representando. Penso que as lesões acabaram por lhe “cortar” um pouco daquele que era o seu potencial, mas não deixa de ser um mágico com a bola nos pés e um exímio executante de bolas paradas. Não creio que continuará no Liverpool FC, mas penso que isso lhe fará bem: mudará com certeza para um clube onde terá mais espaço para jogar com regularidade.

A REVELAÇÃO

Kevin Mbabu – Uma das principais figuras do VFL Wolfsburgo, essencialmente na época passada, visto que nesta, com a ascensão de Ridle Baku – um dos mais promissores jovens da actualidade – teve mais dificuldade em afirmar-se. Penso que poderá “vingar-se” aqui e ter o tempo de jogo que não conseguiu no seu clube. Aos 26 anos é um jogador que aprecio: tem muita qualidade no controlo da profundidade, eficiente no 1×1 defensivo e ofensivo e com muita capacidade no jogo aéreo.

O SELECIONADOR

Vladimir Petkovic – São já sete anos ao leme desta selecção, por isso há muito pouco a dizer. Selecionador com ideias de jogo conservadoras, que prefere uma defesa sólida. É daqueles que prefere um 1-0 do que um 5-4 e não há nada de mal nisso, aliás, para os suíços, tem sido uma boa receita: desde que ele entrou, ainda não falharam nenhuma fase final de um Europeu ou de um Mundial.

ATÉ ONDE PODEM IR?

Realisticamente creio que a falta de juventude neste elenco pode prejudicar um pouco as suas ambições. Foi uma época exigente do ponto de vista físico e mental, sendo que muitos destes jogadores já não vão para novos, o que pode condicionar um pouco a intensidade dos jogos. No entanto, a minha aposta vai para o terceiro lugar deste Grupo A, que pode servir para chegar pelo menos aos oitavos-de-final.

Carlos Ribeiro

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.