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Ao pormenor | Diário do Mundial #11

Redação BnR · 5 min

Argentina Polónia Mundial 2022
Foto: FIFA

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Dia de emoções fortes no Mundial do Catar com a última jornada nos grupos C e D. Se, por um lado, a França já sabia que tinha vaga reservada na fase seguinte, ainda que sem garantias sobre a sua posição final, apesar de bem encaminhada para vencer o grupo, também se jogava o futuro de outras seleções que, à entrada para o jogo três, ainda tinham uma palavra a dizer.

No Grupo D, poucos ficaram surpreendidos com a vitória no grupo dos atuais campeões do mundo. Contudo, importa salientar as dificuldades vivenciadas no desafio frente à Tunísia, jogo que acabariam por perder, ainda que este resultado não tenha beneficiado ou prejudicado, em termos práticos, qualquer uma das equipas. No mesmo grupo, surpresa para o apuramento da Austrália que, depois de entrar a perder com a França num jogo em que mostrou algumas dificuldades, acabou por vencer os dois jogos seguintes, inclusive o de hoje frente a uma Dinamarca de quem se esperava muito mais.

Nos últimos dois jogos do dia, tudo por decidir, existindo a possibilidade de, por exemplo, a Argentina ser afastada ou, quiçá, da Arábia Saudita voltar a fazer história nesta competição, desta vez conseguindo o apuramento para os “oitavos”. Ainda assim, na verdade, nem a Argentina foi eliminada, já que bateu a Polónia por 2-0 num duelo que dominou a seu belo prazer, nem a Arábia Saudita avançou no Mundial, já que foi derrotada por 1-2 frente ao México que discutiu até ao último suspiro a presença na próxima fase.

 

O JOGO DO DIA

Não pela qualidade do jogo em si, mas sim por toda a enoção que o envolveu, a nossa escolha terá de ser o Arábia Saudita 1-2 México que, até ao último segundo, suscitou em nós a expectativa de tentar perceber como acabaria, afinal, este Grupo C.

À partida para a última jornada, liderava a Polónia com quatro pontos e, logo a seguir, surgiam Argentina e Arábia Saudita com três, sendo que o México, com um só ponto, ainda tinha algumas hipóteses de seguir em frente. Deste modo, o jogo escolhido não deixava de ser uma espécie de “mata-mata”, já que uma das equipas ficaria de fora ou, tal como acabou por acontecer, poderiam ficar as duas.

Perante esta conjetura, surgiu um México que, na primeira-parte, foi capaz de criar mais que o seu adversário, mas que, mesmo assim, acabou por não ser capaz de concretizar, estando tudo na mesma ao intervalo, bisto que, no outro jogo, também se mantinha o nulo inicial.

No segundo tempo, o México consegue celebrar pela primeira vez na partida, recebendo também a notícia de que, no outro jogo do grupo, a Argentina também já vencia. Assim, neste momento, a duas vezes campeã do mundo liderava o grupo, a Polónia caía para segundo com os mesmos pontos que o México que, de acordo com os critérios de desempate, era terceiro e, por fim, surgia a Arábia Saudita que, naquele momento, tinha de efetuar uma reviravolta frente a uma seleção mexicana que estava a ser muito mais forte.

Consequência dessa força mexicana foi o golaço de Luis Chávez que, aos 52’, parecia resolver a partida, mas mais importante que isso, dava esperança para conquistar a qualificação, tendo o segundo golo da Argentina gerado ainda mais crença de que seria possível subir mais um degrau neste Campeonato do Mundo. Por outro lado, os homens de Hervé Renard estavam cada vez mais distantes do seu objetivo, sendo compreensível o pouco entusiasmo que, desta vez, investiam no interior das quatro linhas.

Com a Arábia Saudita praticamente eliminada deste Mundial, o que ditava a diferença entre os estatisticamente equilibrados México e Polónia era, somente, o critério disciplinar até que, perto do final da partida, numa altura em que os jogadores de Gerardo Martino apostavam tudo para fazer um golo que também lhes daria vantagem para atingir a segunda posição, acabam por ser surpreendidos pela seleção saudita que consegue reduzir a diferença no marcador, ditando assim o resultado final de 2-1 para o México e, claro, a eliminação das duas equipas.

 

A FIGURA DO DIA

Mathew Leckie ficará, para sempre, na memória dos adeptos australianos, pois foi o jogador de 31 anos que, frente a uma Dinamarca que, é bom recordar, foi semifinalista no Campeonato da Europa do ano passado, conseguiu fazer o golo que fez diferença no jogo e, claro, na classificação final do Grupo D, conseguindo a Austrália, pela segunda vez em toda a história, avançar para os oitavos-de-final, repetindo o feito de 2006.

 

O FORA DE JOGO DO DIA

Depois de um Euro 2020 que foi jogado no ano passado e que nos mostrou uma Dinamarca com um  nível bastante elevado, desde o estilo de jogo atrativo até a uma consistência de resultados assinalável que levou a seleção nórdica até à semifinal onde só seria batida pela Inglaterra no prolongamento, esperava-se mais da seleção dinamarquesa neste Mundial.

Feitas as contas, apenas conseguiu empatar com a Tunísia na jornada inaugural, celebrando apenas um golo que acabou por surgir na sequência de uma bola parada. De facto, esperava-se mais.

 

A CURIOSIDADE DO DIA

Esta foi a oitava participação consecutiva do México no Mundial (soma dezassete no total) e, nas últimas sete edições, chegou sempre aos oitavos-de-final, embora também seja justo dizer que foi sempre eliminado nessa mesma fase. Com base nestes e noutros dados, podemos dizer que estamos perante a pior participação dos mexicanos num Campeonato do Mundo nas últimas décadas, já que temos de recuar até 1978 para encontrar uma prestação semelhante, isto tendo apenas em conta as edições em que marcou presença.

RESULTADOS 

GRUPO C

Polónia 0-2 Argentina

Arábia Saudita 1-2 México

GRUPO D

Austrália 1-0 Dinamarca

Tunísia 1-0 França

 

Artigo com a opinião de Orlando Esteves, comentador BnR TV.
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