Última horaJosé Mourinho elogia craque do Barcelona e Hansi Flick: «Está a fazer um excelente trabalho»
Publicidade

Argentina 0-3 Croácia: Croatas deixam Messi em maus lençóis

Gonçalo Taborda · 5 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

No jogo de abertura da segunda jornada do Grupo D, os jogadores argentinos entraram em campo sabendo que uma derrota dificultaria  imenso a passagem aos oitavos de final e sujeitaria os albicelestes a uma precoce e humilhante eliminação. Já os croatas procuravam uma vitória que asseguraria a sua continuação na competição.

E Jorge Sampaoli procurou fazer alterações que melhorassem o desempenho da sua seleção, após o sofrível empate com a Islândia (1-1). Deixou a linha defensiva de cinco homens e apresentou uma de quatro, com Salvio e Acuña a deixarem de agir como laterais para passarem a assumir a posição de alas. Di María, um dos piores em campo no primeiro jogo, fiou no banco.

Ainda assim, foi a Croácia a começar melhor, dando os primeiros sinais de perigo – ainda que mínimos – num quarto de hora inicial pouco mexido. Os europeus faziam pressão alta sobre a defensiva argentina, obrigando os latinos a fazer passes longos, com os quais os defesas croatas lidavam com facilidade.

A Argentina começou a ganhar espaço no jogo, em grande parte graças a iniciativas de Acuña, Mesa e Messi. Mas Dejan Lovren e Domagoj Vida iam lidando com as bolas que entravam na sua grande área. No centro do campo, Luka Modric ia puxando os cordelinhos da sua equipa, trabalhando tanto ofensiva como defensivamente para manter a Seleção Croata coesa.

Só aos 30 minutos é que surge a primeira grande oportunidade de golo: Acuña não desiste de uma bola que Rebic tantava guardar para Subasic agarrar, passa o esférico para Enzo Peréz e o médio do River Plate, com a baliza aberta, remata ao lado.

Daí até ao fim da primeira metade da partida, aconteceu muito pouco digno de registo: se os adeptos argentinos não tinham ficado convencidos com o jogo contra a Islândia, estes 45 minutos também não lhes tinham mudado as ideias. Os croatas voltaram aos balneários sabendo que este era um resultado mais que favorável, podendo bastar-lhes (consoante o resultado do Isândia – Nigéria, de sexta feira) apenas outro empate contra a Islândia para chegarem aos oitavos de final.

Fonte: FIFA

No início da segunda parte, a Croácia retomou a pressão alta, tomando as rédeas da partida. E, aos 53 minutos, “Willy” Caballero comete um erro impensável: após atraso de Tagliafico, o guardião argentino do Manchester City tenta picar a bola de volta para o lateral, mas faz uma rosca, deixando Ante Rebic (um dos melhores em campo da Croácia) isolado para fazer um remate de primeira, que acaba por encontrar o canto superior direito da baliza albiceleste. Estava feito o 1-0 e estava feita a cama em que a Argentina se deitava: ao não apresentar uma ideia definida de jogo, a histórica seleção sul-americana sujeitara-se a um golpe destes.

Logo após o golo, Sampaoli retirou Sergio Aguero (que aparentava estar lesionado) e fez entrar Gonzalo Higuaín, e tirou Salvio para dar lugar a Pavón.

Mas nada parecia mudar, e os rostos incrédulos e apreensivos dos adeptos argentinos espelhavam o que se passava em campo: os jogadores de azul claro e branco não conseguiam reagir, acusavam o golo e a ameaça de uma derrota que dificultaria a sua continuação no Mundial. Faziam circular a bola, mas raramente mostravam alguma intenção, perante uma Croácia que não mostrava dificuldades em conter as investidas do adversário. Modric continuava com um ritmo de trabalho impressionante, reciclando constantemente a posse de bola, encarregando-se de recuperar o esférico e de o lançar para Mandzukic ou Kramaric (que entrara para o lugar do lesionado Rebic).

Os minutos passavam e o discernimento dos argentinos diminuía. E se a situação já era má, aos 81 minutos piorou: Luka Modric recebe a bola de Brozovic, dança à frente de Otamendi e, de fora da área, desfere um verdadeiro foguete com o pé direito. Caballero havia errado no primeiro golo da Croácia, mas desta vez pouco podia fazer. Estava feito o 2-0 e consumada uma derrota que confirmava a situação extremamente precária da Argentina neste Mundial.

Antes do fim, a miséria dava lugar à humilhação: contra-ataque rápido da Croácia, que termina com Kovacic a dar calmamente a bola para Rakitic – numa imagem assutadoramente parecida à de um golo da Alemanha contra o Brasil em 2014 – e o médio do FC Barcelona faz o 3-0.

Quando o árbitro apitou, acabou por parecer mais um golpe de piedade para os argentinos, que, de cabeça perdida, começavam a ser cada mais faltosos e a arriscar uma ou outra expulsão.

A Croácia vai para o último jogo desta fase de grupos, contra a Islândia com o apuramento para os oitavos de final garantido, enquanto uma Argentina de orgulho ferido terá de enfrentar a Nigéria, num jogo que decidirá o seu futuro na competição.

A FIGURA

Fonte: FIFA

Luka Modric – Hoje tivemos dois números 10 em campo, e cada um teve uma história completamente distinta. Do lado da Croácia, Modric fez o que sabe fazer melhor: encher o campo. Cansa ver este jogador a correr constantemente, com esforço e suor nas ações defensivas e classe pura a levar a equipa para a frente. Soube conter os argentinos quando o jogo ainda estava em aberto e mantê-los em baixo quando a partida já parecia decidida. Coroou uma exibição de luxo com um golo para recordar.

O FORA DE JOGO

Fonte: Selección Argentina

Lionel Messi – Ao contrário de Modric, este número 10 quererá apagar este jogo da sua memória o mais depressa possível. Na verdade, os adeptos argentinos têm razão para apontar o dedo a todos os jogadores que hoje presidiram a uma das maiores humilhações da história da sua seleção em grandes competições. Mas Messi tinha a obrigação de mostrar mais, especialmente depois de um jogo tão negativo contra a Islândia. Foi anulado ao longo do jogo por Brozovic e Modric. Ao contrário do que acontecera na partida anterior, não veio buscar a bola à defesa, não tentou levar a equipa para a frente e raramente tentou rematar. Quando o seu legado e o orgulho da sua seleção estão em jogo, Messi sabe que tem de fazer mais.

Foto de Capa: Hrvatski Nogometni Savez (Associação Croata de Futebol)

Gonçalo Taborda

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Michael Carrick e o festejar antes da festa | Manchester United

Não é a primeira vez que abordo este assunto. A primeira foi um pouco depois da contratação de Michael Carrick, na época passada, em que os foguetes já iam no ar e o clima era de festa. Falava-se do culminar do ADN United, com um futebol apaixonante de vertigem, capaz de conquistar os títulos que eram, até então, uma memória vaga de outros tempos. Nessa altura, o meu ceticismo já era elevado em relação ao treinador inglês, não por despeito, mas por descrença num eventual aumento de qualidade em comparação com o seu antecessor, Rúben Amorim. Ora, o tempo deu razão aos críticos de Carrick. Gary Neville, o seu antigo colega de equipa e um dos que pediam um treinador com o ADN do clube, mostra hoje com Carrick uma paciência que não teve com Amorim. Acontece: os momentos alteram-se e a opinião pode mudar. Apesar disso, não deixa de ser irónico. O treinador que melhor representava o que era ser “United” e que chegava com o objetivo de “limpar” o mau trabalho deixado por Amorim já é contestado, após uma série de maus resultados. Os adeptos que viam com bons olhos a chegada do inglês, que até afirmavam que, se tivesse vindo desde o início da época, teriam ganho a Premier League, agora fartaram-se do treinador.

José Vale · 3 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.