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Depois de anos a tentar chegar à elite do futebol mundial, o Panamá conseguiu finalmente o apuramento para um Mundial e irá à Rússia com um com um misto de experiência e juventude, numa geração que tem beneficiado imenso com o desenvolvimento da modalidade nos EUA, para onde têm emigrado muitos jogadores seus. A história já se escreveu com a qualificação, é hora de aproveitar o sonho.
TRIVIA
– Esta á a primeira participação do Panamá num Mundial. Os seus melhores resultados em torneios internacionais foram a vitória na Copa Centroamericana em 2009 e as derrotas nas finais da Gold Cup em 2005 e 2013, ambas perdidas para os EUA.
– O jogador mais vezes internacional pela Seleção do Panamá é Gabriel Gómez com 138 internacionalizações. Tanto ele como os outro quatro jogadores que já passaram das 100 internacionalizações – Jaime Penedo (128), Boas Pérez (115), Román Torres (106) e Luis Tejada (104) – estão ainda no ativo e deverão estar nos escolhidos para o Mundial.
– O melhor marcador de sempre da Seleção Panamenha é Luis Tejada com 43 golos, apenas mais um que Boas Pérez, mas mais do dobro dos restantes melhores marcadores da história.
O Percurso

O Panamá, fruto do seu ranking, entrou na qualificação para o Mundial na primeira fase de grupos da CONCACAF, não necessitando de disputar as eliminarias anteriores. Aí, foi segundo do seu grupo, atrás da Costa Rica e deixando para trás Haiti e Jamaica, para se qualificar para a segunda fase de grupos, o tradicional hexagonal. Começou bem essa campanha final com vitória sobre as Honduras e um empate com o México, mas uma derrota em Trinidad e Tobago complicou as contas do apuramento.
Na partida seguinte, recebeu os EUA, empatando a uma bola. Aos 80 minutos do encontro, Amilcar Henríquez entrou em campo para fazer a sua 82.ª e última internacionalização. 17 dias depois, num evento que marcaria com tragédia esta caminhada, faleceria assassinado a tiro perto de sua casa, numa das mais perigosas localidades do Panamá.
Seguiram-se empates com Costa Rica e Honduras, derrota com o México e vitória sobre Trinidad e Tobago. Na penúltima jornada, deslocou-se a Orlando, na Flórida, par disputar nova partida decisiva com os EUA, mas não se conseguiu encontrar, perdendo por esclarecedores 4-0 e ficando sem depender de si e à espera de quase um milagre para se conseguir qualificar.
Nesse último jogo, tudo começou mal, com a Costa Rica a adiantar-se no marcador na primeira parte. Só que, em Trinidad, os americanos iam sendo surpreendidos pela seleção da casa e, talvez galvanizados por isso, os panamenhos não desistiram e chegaram à igualdade com um golo mal validado a Gabriel Torres, já que a bola não chega a passar da linha de golo. A precisar de mais um golo, foi o defesa e capitão Román Torres que apareceu na grande área aos 87 minutos para fuzilar o guardião adversário e colocar o Panamá no Mundial da Rússia.
A festa encheu as ruas do pequeno país e o Presidente da República Juan Carlos Varela declarou no twitter feriado nacional no dia seguinte, partilhando depois a foto sua a assinar o decreto correspondente.
A Estrela da Companhia

Capitão e herói da qualificação, Román Torres é figura incontornável desta seleção. O central de 32 anos começou carreira no seu país natal, mas rapidamente rumou à Colômbia onde competiu longos anos, conquistando duas Ligas Apertura, uma Liga Finalización e uma Copa de Colombia. Em 2015 rumou aos EUA para representar os Seattle Sounders, mas o começo não foi o melhor com uma lesão a deixá-lo parado durante quase um ano. Regressou para se tornar uma lenda do clube ao bater o penálti decisivo da primeira conquista da MLS pelo Seattle Sounders, onde continua a ser habitual titular. Um verdadeiro especialista em deslizar na relva para fantásticos cortes em carrinho, é um defesa muito ofensivo, não hesitando em partir para a finta e em dar uma mão ao ataque.
A Revelação

Aos 18 anos, estreou-se no futebol profissional vindo das camadas jovens do San Francisco FC, um dos mais importantes clubes do Panamá, e rapidamente se afirmou, conquistando o seu lugar no plantel e no onze inicial. Foi aí que os New York Red Bulls reparam no talento de Michael Murillo e o foram buscar por empréstimo. Mais uma vez, o panamenho não tardou em afirmar-se e foi considerado o reforço do ano na equipa americana, que não hesitou em adquirir o seu passe em definitivo. Assim, este lateral direito com muito pendor ofensivo afirmou-se como dono e senhor da posição e um dos pilares de uma das defesas menos batidas da MLS.
O Treinador

O colombiano Hérnan Dário Goméz, de 62 anos, é o timoneiro desta seleção na sua primeira ida a um Mundial. Depois de uma carreira como jogador, mudou-se para os bancos e em 1991 começa carreira como treinador principal no Atlético Nacional, vencendo a Liga. Retornaria ao cargo de adjunto para acompanhar Francisco Maturana na seleção colombiana, ficando ele com o cargo pouco depois. Como selecionador, qualificou a equipa para o Mundial de 1998, num desempenho que lhe valeu ser considerado o Melhor Treinador da América do Sul em 1996 pelo jornal uruguaio El País. No entanto, não passaria da fase de grupos e o seu desafio seguinte seria a seleção do Ecuador, que levou pela primeira vez a uma fase final do Mundial em 2002. Seguiu-se a Guatemala e o Santa Fé, antes de voltar à seleção colombiana, mas acabou por sair pela porta pequena após um escândalo com uma agressão em público a uma mulher. Depois de uma passagem pelo Independente Medellín, chegou em 2014 à Seleção do Panamá para substituir a lenda nacional Julio Dely Valdés que havia falhado a qualificação para o Mundial.
Quão alto pode sonhar?

Temos de ser realistas e, como a recente derrota por 6-0 num amigável com a Suíça demonstra, esta é uma equipa que ainda tem um longo caminho a percorrer se um dia quiser ser uma força a ter em conta em Mundiais. Por isso, num grupo com Bélgica e Inglaterra, a qualificação para a fase a eliminar é praticamente impossível e tudo aponta para que estes dois jogos sejam contados como derrotas. Restará o jogo com a Tunísia, na última ronda da fase de grupos para que os panamenhos consigam alcançar pelo menos um ponto que lhes permita sair orgulhos e de cabeça erguida da viagem à Rússia. Ainda assim, ao serem desprovidos de qualquer favoritismo, não têm nada a perder e nunca se sabe se este momento histórico não lhes dará forças para serem uma das surpresas da competição. E, cá entre nós, com o histórico recente da seleção inglesa, não seria assim tão surpreendente se se deixassem apanhar desprevenidos.
Foto de Capa: Federación Panameña de Fútbol









