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O novo e difícil mundo do ‘Bulo’

João Nuno Aguiar · 3 min

O novo e difícil mundo do ‘Bulo’
Foto: Facebook Oficial de Renato Sanches

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Cabeçalho Futebol InternacionalRecuemos a Setembro de 2015: na equipa B do Benfica e na Youth League despontava um miúdo de tranças que prometia vir a dar que falar, o ‘Bulo’ Renato Sanches. Marcava alguns golos, mas essencialmente empolgava pela pujança que colocava em cada lance disputado. Rui Vitória, habituado a promover jovens por onde vinha passando, não o deixou fugir mais de vista e, numa altura em que a equipa principal vivia tempos algo atribulados, chamou o miúdo e lançou-o às feras.

O resto da história já é conhecido. Ele foi o dínamo da equipa encarnada para a conquista do tricampeonato, foi chamado por Fernando Santos para o Euro’2016, onde se sagrou campeão europeu e foi contratado pelo colosso Bayern de Munique por 35 milhões de euros, numa das transferências mais caras de sempre do futebol português.

Renato Sanches foi transformado quase em herói nacional e as grandes potências do futebol europeu só falavam desta pérola negra. A Federação Portuguesa de Futebol via nele um jogador com carisma, capaz de suceder a Ronaldo no mediatismo além-fronteiras. Mas importava não esquecer algo relevante: o menino tinha apenas 19 anos. É neste contexto que chega a Munique, com tenra idade, mas já com o peso dos 35 milhões que fez os bávaros desembolsarem.

Renato carrega em si o peso dos 35 milhões que custou Fonte: Bayern de Munique
Renato carrega em si o peso dos 35 milhões que custou
Fonte: Bayern de Munique

Chega a um Bayern que, depois de conquistar um inédito tetracampeonato, quer ir a todo o gás para o penta. E o grande rival, Dortmund, em boa forma, não deixa espaço para deslizes. Carlo Ancelotti, treinador experiente, sabe disso. Os adeptos bávaros esperam que o ‘Bulo’ pegue na bola, cavalgue metros e adversários e desfira o potente remate de que é senhor. Era exatamente isto que fazia muitas vezes no Benfica.

Mas este Bayern não é o Benfica na forma de jogar, nem pouco mais ou menos. Os alemães assumem o jogo seja em que campo for, ou contra que adversário for. Quase todos os jogos têm mais de 65% de posse de bola e chegam-se à frente em constantes passes curtos. Pouco espaço há entre a zona onde atuam os médios e a zona dos avançados – área tantas vezes explorada por Renato no Benfica. É um futebol que privilegia mais a técnica e a visão de Thiago Alcântara ou Xabi Alonso. Renato, sempre que tem sido chamado, parece algo nervoso, a falhar inúmeros passes e sem a capacidade de explosão e de trabalho que o caracterizam.

Depois de uma pequena lesão que o afastou durante algum tempo e lhe retirou parte da confiança que trazia, uma concorrência apertada é o que espera o português no campeão alemão. Para além dos dois acima mencionados, Vidal e um Kimmich em grande forma atrasam a afirmação de Renato pela Baviera.

A sorte também não tem sorrido ao médio luso, pois os melhores períodos do Bayern têm surgido quando este já foi substituído ou quando se encontra no banco de suplentes. Será certamente uma coincidência que está a dar que pensar aos adeptos e dirigentes bávaros. Ancelotti saberá moldar o diamante que tem em mãos e não se esquecerá, certamente, de que este só possui 19 anos. Aos adeptos, esperem pelo meio da época e pelos grandes embates, onde o jogo será disputado taco-a-taco. Aí, a força do ‘Bulo’ vai voltar a aparecer e vão ver de que fibra é feito um jogador da Musgueira.

 

Foto de Capa: Bayern de Munique

João Nuno Aguiar

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