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O FC Porto de Mourinho entre Prso e Tristán

Pedro Fernandez da Silva · 3 min

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Cabeçalho Futebol Internacional

Apesar de não terem sido os melhores avançados da sua geração, Dado Prso e Diego Tristán são nomes incontornáveis do futebol Europeu do final da década de 90 e início do novo século. Apesar da modesta carreira, o Croata acabou por vencer vários troféus, incluindo a Liga Francesa e Escocesa, ao serviço do Mónaco e do Glasgow Rangers respectivamente. Por outro lado, “El Lagarto”, nome pelo qual era conhecido Diego Tristán, apenas conquistou uma Taça do Rei e uma Supertaça Espanhola, ambas pelo Deportivo. Logrou ainda assim ser o melhor marcador da Liga Espanhola na época 2000/2001 com 21 golos.

Foi numa das mais belas páginas da história do futebol Português que o caminho de ambos os goleadores se haveria de encontrar: a Liga dos Campeões de 2003/2004, vencida pelo Porto de José Mourinho frente ao Mónaco de Didier Deschamps

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O Mónaco, onde actuava Dado Prso, efectuou uma campanha histórica tendo eliminado o Chelsea de Ranieri (já com Roman Abramovich no comando) e o Real Madrid de Carlos Queiroz, no seu caminho rumo à final. Curiosamente, o melhor marcador da competição acabou por ser Fernando Morientes, emprestado pelo Real Madrid ao Mónaco, com 9 golos. Quis o destino que o espanhol, sem lugar no plantel de Queiroz, fosse decisivo na eliminatória entre ambos os conjuntos, apontando 2 golos e afastando os Merengues nos Quartos de Final. Dado Prso seria o segundo melhor marcador da prova com 7 golos ao passo que Tristán haveria de marcar apenas 3.

O Deportivo por seu turno fez também uma campanha memorável. Após ter eliminado a Juventus nos Oitavos de Final, a equipa de Javier Irureta haveria de efectuar uma das mais impressionantes reviravoltas da história da competição (agora superada pela reviravolta do Barcelona há dias atrás) frente ao campeão Europeu em título Milan. Após perder por 4-1 em San Siro os Galegos haveriam de vencer por 4-0 no Riazor, carimbando a passagem às meias finais. Em duas eliminatórias o Deportivo eliminava os 2 finalistas da temporada anterior: Milan e Juventus! Haveria de cair nas meias-finais perante o Porto, numa eliminatória que ficou marcada pela célebre expulsão de Jorge Andrade após o seu toque “amigável” em Deco:

A caminhada de ambas equipas parecia destinada à grande final, no entanto o Porto intrometeu-se numa história que parecia já escrita. É que meses antes, em Novembro, Mónaco e Deportivo defrontaram-se na Fase de Grupos da competição naquele que era, até ao Dortmund 8-4 Legia da presente temporada, o jogo com mais golos de sempre da Liga dos Campões no actual formato (no formato Taça dos Campeões Europeus apenas 1 jogo tinha superado esse registo).

Mónaco 8-3 Deportivo foi o resultado final desse encontro, que marcou o início do conto de fadas para ambos os clubes. Real Madrid, Chelsea, Milan e Juventus ficaram pelo caminho e o destino parecia ser a final entre ambos para que o Mundo pudesse assistir a uma “repetição” de um jogo irrepetível!  No entanto, alguém se esqueceu do Porto na equação, e os Azuis e Brancos haveriam de matar o sonho de ambas equipas.

Diego Tristán no Estádio Riazor, terreno do Deportivo de La Coruña Fonte: farodevigo.es
Diego Tristán no Estádio Riazor, terreno do Deportivo de La Coruña
Fonte: farodevigo.es

É aqui, neste célebre jogo, que os caminhos de Dado Prso e Diego Tristan se cruzam. 2 heróis improváveis que conseguiram escrever história onde parecia já não haver espaço. Prso apontou um Poker (4 golos), algo que até então, no formato Liga dos Campeões, apenas Van Basten e Simone Inzaghi (o irmão do mítico Filippo Inzaghi) haviam logrado. No entanto, o Croata foi o mais rápido de sempre ao fazê-lo em apenas 23 minutos!

Volvidos 13 anos, poucos conseguiram bater esta façanha. No que ao número de golos diz respeito apenas Messi e Luiz Adriano, com 5 golos num só jogo, superaram essa marca. Quanto ao Poker mais rápido de sempre, Mario Gomez igualou (23 min.), Cristiano Ronaldo superou (19 min.) mas é Luiz Adriano quem detém o record (16 min.) no mesmo jogo em que apontou 5 golos.

Batido na quantidade, restaria a Diego Tristán fazer a diferença pela qualidade. E que qualidade! Ao minuto 52 do encontro, o espanhol haveria de marcar um dos mais bonitos tentos da história da competição (o melhor dessa temporada) deixando na retina dos adeptos toda a sua classe, tão bem espelhada nesse golo:

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Não mais os caminhos de Prso e Tristán se voltariam a encontrar. Ainda assim, longe de estarem na primeira fila da memória dos adeptos, carimbaram a ouro o registo do seu último encontro, num jogo que figurará para sempre na história da competição.

Foto de capa: Inside Spanish Football

Pedro Fernandez da Silva

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