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De bestial a besta: a atípica época do Arsenal FC de Mikel Arteta

Gabriel Henriques Reis · 3 min

De bestial a besta: a atípica época do Arsenal FC de Mikel Arteta
Foto: Arsenal FC

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Podemos considerar que o Arsenal FC foi do céu ao inferno em poucos meses. O clube vive momentos especialmente conturbados e a crise parece, definitivamente, instalar-se em Londres. Se o final da época anterior e o início desta ainda iludiu os adeptos, com as conquistas da FA Cup e posteriormente da Supertaça, diante do Liverpool FC, o mesmo não se pode dizer do arranque na Premier League. Os Gunners não vencem há seis jogos e na tabela classificativa aparecem num (penoso) 15º lugar, cinco pontos apenas acima da linha de água.

Se os pupilos de Mikel Arteta parecem teimar em não encontrar o rumo certo nos jogos caseiros, fora de portas, a história é outra. A equipa londrina passou a fase de grupos da Liga Europa com distinção: seis jogos, seis vitórias. Passagem sólida, mas expectável, num grupo constituído por equipas nitidamente inferiores. Molde FK, Rapid Viena e Dundalk FC não conseguiram assustar o Arsenal FC, que terá agora pela frente o SL Benfica, nos dezasseis avos de final da competição.

Fora de campo a situação parece cada vez mais descontrolada. O treinador espanhol, que há bem pouco tempo era bastante admirado, começa a sentir contestação. Da imprensa inglesa surgem notícias de que o seu lugar pode mesmo estar em risco. Praticamente um ano depois de ter iniciado funções, Mikel Arteta parece não conseguir dar a volta aos maus resultados e pior… às más exibições. As variações táticas entre a defesa a quatro ou a três não tem tido efeito e a equipa parece sempre bastante débil no momento defensivo, seja em 3-4-3, seja em 4-2-3-1.

O ambiente no balneário não parece saudável: David Luiz e Dani Ceballos foram notícia em Inglaterra por alegados desentendimentos durante um treino, entretanto negados e desvalorizados pelo técnico espanhol. A atitude complacente e despreocupada dos jogadores tem sido amplamente criticada pela massa adepta. Granit Xhaka foi expulso na derrota caseira frente ao Burnley FC, por conduta violenta. O central Gabriel Magalhães levou o segundo amarelo no mais recente empate,1-1, perante o Southampton FC, complicando ainda mais a vida aos Gunners. Bernd Leno, guarda-redes alemão, veio a público desresponsabilizar o treinador pelas más exibições, pedindo mais aos colegas de equipa.

Ainda assim, talvez o maior quebra-cabeças do emblema londrino resida mesmo nos excedentários, que não jogam e que não são opção para Mikel Arteta. Mesut Özil não participa numa partida oficial pelos Gunners desde dia sete de março de 2020, num jogo em que até fez uma assistência, no tento solitário, que deu a vitória frente ao West Ham, por 1-0. O médio de 32 anos é um dos jogadores mais bem pagos da Premier League. O internacional germânico, com descendência turca, aufere 365 mil euros, por semana.

Outros jogadores parecem também descontentes e surgem já rumores de possíveis transferências num futuro próximo. Sead Kolasinac, Sokratis, David Luiz e William Saliba, francês que custou 30 milhões de euros aos cofres do Arsenal FC e pouco tem jogado, juntam-se ao médio alemão nos jogadores na linha de saída.

A pandemia da Covid-19 tem agravado a condição financeira dos clubes, um pouco por todo o mundo, e os londrinos não são exceção. O Arsenal FC anunciou em agosto, o despedimento coletivo de 55 funcionários, incluindo a mascote Gunnersaurus, no clube há 27 anos. Mesut Özil prontamente se encarregou de pagar o salário da mascote e Jerry Quy foi autorizado a regressar ao trabalho.

É imperativo que dirigentes, treinadores e jogadores resolvam os problemas fora do campo para que a tranquilidade e harmonia possam regressar, dentro dele.

 

Artigo com opinião redator de futebol Gabriel Henriques Reis

Gabriel Henriques Reis

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