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O FC Internazionale Milano tem duas facetas no decorrer deste século, que podem ser divididas entre as duas décadas passadas. A primeira é repleta de títulos e com destaque para os anos orientados por José Mourinho, cujo domínio ultrapassou as fronteiras italianas e resultou em conquista europeia. Desde a viragem do século, a equipa venceu cinco campeonatos seguidos, desde 2006 a 2010, quatro Taças e outras tantas Supertaças de Itália.
Desde a saída do Special One, o Internazionale conseguiu vencer apenas uma Taça de Itália, um Mundial de Clubes e uma Supertaça Italiana, sendo que os dois últimos se sucederam na época seguinte à saída do técnico português.
O Inter não vence um título desde 2011 devido a uma má gestão na revolução da equipa, visto que a grandiosa equipa de 2009/2010 era muito experiente – tinha uma média de idades bem alta – e o clube não conseguiu aguentar essa estrutura.
Posto isto, o Bola na Rede realizou o melhor 11 do século do Inter de Milão, com o curioso detalhe de que nenhuma das escolhas se encontra no ativo. Acompanhe nas páginas seguintes.
GUARDA-REDES
Júlio César – Defendeu a baliza nerazzurri durante o período mais bem-sucedido do clube. Foi o número 1 durante os cinco campeonatos seguidos conquistados, coletou mais três Taças de Itália, um Mundial de Clubes e o mítico triplete em 2010, com nota especial para a Liga dos Campeões. Nessa campanha sofreu apenas três golos nas fases a eliminar, incluindo apenas dois sofridos contra o poderoso Barcelona nos dois jogos das meias-finais. No auge da carreira, competia com Casillas e Buffon na discussão de melhor do mundo da posição. No total, foram 300 jogos com a camisola do Internazionale.
DEFESA-DIREITO
Maicon – Representou o Inter durante seis anos magníficos, nos quais foi sempre primeira opção na lateral direita. Durante esse período coletou quatro scudettos, mais duas Coppas, um Mundial de Clubes, e ainda esteve presente na melhor época da história do clube. Em 2009/2010 jogou um total monstruoso de 52 jogos e ainda marcou por sete vezes. Era um dos intocáveis de José Mourinho e destacava-se na manobra ofensiva, devido à velocidade e capacidade de subir e descer aquele corredor direito de forma incansável durante os 90 minutos. Fica só a pena do seu auge ter coincidido com o de Dani Alves, o que não lhe dá todo o valor merecido.
DEFESA-CENTRAL
Marco Materazzi – Considerado um futebolista agressivo não só pelas entradas duras, mas também pela forma como encarava o jogo e o adversário, sendo por vezes menos respeitador em alguns momentos. Mas foi assim que ficou caracterizado e venceu nada mais nada menos do que cinco campeonatos seguidos, mais quatro taças e supertaças italianas, a par da proeza europeia frente ao Bayern de Munique. Esteve dez épocas ao serviço do Internazionale, alinhando em mais de 200 partidas e com destaque para a época de 2006/2007, na qual foi autor de 10 tentos. Nada mau para um defesa… Para a memória, fica a despedida de José Mourinho, marcada por lágrimas e por um abraço sentido.
DEFESA CENTRAL
Iván Córdoba – Seria crucificado se não colocasse Córdoba no melhor 11 do século, mesmo com a quantidade de opções para a zona defensiva. Um pequeno, mas poderoso central de apenas 1,73m que usava toda a energia e atleticíssimo para negar as investidas adversárias. O colombiano era um dos mais acarinhados no Giuseppe Meazza e foi parte integral da defensiva do Inter durante os anos de ouro. Ficou reconhecido como um símbolo do clube e no último jogo em casa todos os colegas usaram o número 2 nas costas em sua homenagem.
Córdoba fez 455 jogos pelo Internazionale, venceu uma série de títulos e formou uma dupla de centrais assustadora com Materazzi durante vários anos.
DEFESA CENTRAL
Lúcio – Foi um dos melhores centrais do mundo durante praticamente uma década e foi na Alemanha que se afirmou, antes de José Mourinho o contratar para o Inter de Milão. Participou em 48 jogos na época do triplete e foi um dos jogadores mais importantes nas conquistas dessa temporada, anulando avançados como Drogba, Zlatan, Messi, Muller e Mario Gomez. A força física, a liderança dentro e fora de campo e a capacidade de iniciar ataques caracterizavam o defesa brasileiro. Nesta era do Internazionale, Lúcio estava no auge da sua carreira e denotava uma experiência formidável. Infelizmente não é exceção e sentiu, dois anos mais tarde, que as condições físicas pioraram, e teve de partir para um desafio no Brasil. Na retina, ficam apenas três épocas que chegaram para a inclusão na melhor equipa nerazzurri do século XXI.
DEFESA ESQUERDO
Javier Zanetti – Sempre com o seu perfil discreto, Zanetti terminou a carreira como um dos melhores jogadores da história do futebol. Ao serviço do clube durante praticamente duas décadas, aos 40 anos ainda jogava ao mais alto nível e com uma garra invejável, tornando-se no jogador com mais partidas realizadas na história do clube – 819.
Agarrou a braçadeira de capitão quatro anos após a sua chegada e nunca mais a largou até ao final da carreira. Coletou 16 troféus com esta camisola, desde taças internas a várias conquistas europeias, e acompanhou os anos de glória do clube.
Destacava-se pela sua versatilidade e capacidade de atuar em múltiplas posições. Zanetti atuava na lateral-direita, por vezes na esquerda quando fosse necessário, e com a chegada de Maicon adaptou-se a um papel mais defensivo no meio-campo. A ética, cultura tática e a paixão empregue dentro e fora das quatro linhas eram fora do comum, e estamos a falar, possivelmente, do melhor jogador da história deste gigante clube.
MÉDIO DEFENSIVO
Estebán Cambiasso – Tal como o colega Zanetti, os resultados sobrepunham-se a tudo o resto. Nunca ganhou prémios pelo futebol bonito, mas fazia parte da alma da equipa que dominou Itália na primeira década deste século. Discutivelmente um dos melhores médios defensivos que já passou no campeonato italiano pela sua perceção do jogo, inteligência e capacidade de proteger o setor defensivo.
Alinhou nos nerazzurri durante 10 anos seguidos e tornou-se um dos jogadores mais condecorados da história do clube. Participou em 430 jogos e ao longo do tempo foi aumentando a sua chegada à área, o que resultou em 51 golos marcados com a camisola do Internazionale.
MÉDIO CENTRO
Wesley Sneijder – Ainda hoje persiste a discussão de que Sneijder seria o justo vencedor da Bola de Ouro em 2010, mesmo ficando de fora dos três candidatos. Nessa temporada, o holandês venceu o triplete com o clube e chegou à final do Mundial pela Laranja Mecânica. Mesmo só estando pouco mais de três anos ao serviço do clube, teve uma contribuição fundamental na época de sonho, o que lhe vale uma entrada garantida neste onze. Sneijder fazia magia com a bola nos pés, tinha um QI futebolístico acima da média e assumia-se como um organizador e criador de jogo excecional no Inter de Milão.
Usando uma expressão clássica… Pouca media, muito futebol!
AVANÇADO
Samuel Eto’o – Apesar da passagem pelo Inter de Milão ter sido breve, foi igualmente soberba e vitoriosa. Proveniente do Barcelona, alinhou duas temporadas em Itália, marcando 53 vezes em 101 jogos, em todas as competições. Foi um dos marinheiros que conduziu o clube à conquista do triplete e sem ter uma posição definida, teve um papel fundamental para José Mourinho, devido aos movimentos de rutura e qualidade nas desmarcações, e no um para um.
Ainda que a época 2009/2010 tenha sido esplêndida para o avançado camaronês, foi na temporada seguinte que se destacou a nível individual, quando compensou a seca de golos do companheiro Diego Milito. Só nesse ano, Eto’o marcou um total de 37 golos.
AVANÇADO
Diego Milito – O avançado argentino ficou marcado como um símbolo do Inter de Milão, clube que representou durante cinco épocas e marcou 75 golos em 171 jogos. Milito assinou em 2009, após uma época goleadora em Génova, e que grande época de estreia teve. Foi o herói da final da Liga dos Campeões, marcando os dois golos do triunfo sobre o Bayern de Munique, que garantiu a conquista da primeira “orelhuda” no futebol moderno e do primeiro triplete da história do Internazionale.
Esteve também presente nas conquistas da Taça de Itália e do Mundial de Clubes na época seguinte.
AVANÇADO
Christian Vieri – Representou uma série de clubes durante a carreira, mas foi no Inter de Milão onde esteve mais tempo. Chegou mesmo na viragem do século, em 1999, e tornou-se o jogador mais caro da história do futebol à data. Durante as seis épocas, Vieri marcou um total de 123 golos em 190 jogos pelo clube italiano.
Em 2002/2003, foi o melhor marcador da liga, mesmo tendo sofrido uma grave lesão nos quartos-de-final da Liga dos Campeões, que o impediu de alinhar na derrota do Inter contra o rival de Milão nas ‘meias’. Os problemas físicos continuaram e Vieri nunca mais foi o mesmo, embora continuasse a faturar regularmente.
Um avançado centro puro… Possui o recorde de golos de cabeça na história da liga italiana e é considerado um dos melhores italianos de sempre, embora estivesse na sombra de Totti e Del Piero neste período.
Artigo revisto por Joana Mendes














