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Liga Alemã | O “top 4” em 2021/22

Marta Rebelo · 5 min

Foto: FC Bayern

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Recordo o ano de 2013, em Lisboa, e um dos sonhos de uma miúda anónima. Nessa altura, voltava à esplanada com faculdade onde havia concluído a licenciatura para, finalmente, estudar a língua que mais queria aprender: o alemão.

Entre isso e o trabalho louco de tentar ensinar adolescentes que pareciam ter a sua idade, arranjava sempre tempo para ir à bola. O Hugo, fiel benfiquista, acompanhava-a tanto nos estudos como na paixão pelo futebol e pela cultura alemã. Com as férias quase à porta, marcar viagem para Munique foi como somar um e um e escrever dois.

Ao terceiro dia, um sábado, o Hugo sugeriu ir visitar a Allianz Arena. O dissabor causado pela falta de bilhetes para o FC Bayern München x Hamburger SV não tinha sido esquecido, mas a necessidade de sentir a mística do estádio foi, como tem de ser, consideravelmente mais forte.

Ao seu lado, o Hugo apanhou-a distraída e de boca entreaberta, focada na intensidade daquele vermelho quente que o estádio emanava. Com toda a naturalidade do mundo, a olhar na mesma direção, passou-lhe um envelope para as mãos e disse: “Quis fazer-te a surpresa e correu exatamente como esperava. Vamos lá entrar e ver o jogo!”

O choque foi total e as lágrimas saltaram-lhe pela janela, encavalitando-se umas nas outras sem medo de cair.  Até hoje, não sei descrever bem o que a miúda sentiu. Por isso, foco-me em acompanhar a Liga Alemã todas as semanas e escrever com a alma a espreitar por cima da caneta. Fica aqui a minha previsão daquilo que vai acontecer com os primeiros quatro lugares na próxima época.

4.

VfL Wolfsburg – Alcançou o quarto lugar nas últimas duas épocas e acredito que consiga manter a fasquia neste patamar. Por muito que tenha perdido um ótimo treinador, a entrada de Mark van Bommel parece-me um bom contra-ataque.

À partida, o conjunto da cidade da Volkswagen irá conseguir manter os jogadores que permitiram criar uma estrutura estável: Baku, o “lateral endiabrado”, Schlager e Arnold, os “papás” do meio-campo, e aquele que considerei um dos eixos centrais mais interessantes da última época, John Brooks e Maxence Lacroix.

A isto, o Wolfsburg junta duas apostas de luxo nos jovens Aster Vranckx, do campeonato belga, que já nos vai acostumando à qualidade da sua formação, e Lukas Nmecha, alemão de quem infelizmente nos lembramos bem da final do europeu de sub-21. A pré-época não está a correr de feição, mas fiquem atentos porque vem aí mais uma temporada feliz para os lobos.

3.

Eintracht Frankfurt – Não tendo nomes propriamente sonantes, o principal clube da capital financeira da Alemanha está munido de alguns jogadores que praticaram vários dos melhores minutos de futebol que tive o prazer de ver em 2020/2021.

Encarregues da defesa, Tuta, Hinteregger e N’Dicka são ótimos parceiros que, na minha opinião, necessitam apenas de mais algumas rotinas para elevar o nível da retaguarda, não esquecendo que têm costas largas com um dos melhores guarda-redes da Liga Alemã, Kevin Trapp.

Na frente, espero que as contratações sejam suficientes para fortalecer um meio-campo que precisou de mais opções na época passada e, claro, para substituir o nosso André Silva. Por muito que considere uma afronta não poder continuar a contar com a simbiose mágica entre o português e Filip Kostic, acredito que este último irá protagonizar muitos bons momentos, auxiliado pela incansável vontade e pés de algodão de Daichi Kamada, e pelo pequeno Younes que, com a oportunidade certa e uma dose extra de consistência, pode oferecer muito mais ao jogo.

Os investimentos no holandês Jesper Lindström e no colombiano Rafael Borré, juntamente com o “roubo” do técnico Oliver Glasner ao Wolfsburg, são com certeza bons indicadores de que poderemos continuar a ver futebol atacante de qualidade na próxima época.

2.

RB Leipzig – Saem Nagelsmann, o “Mourinho Alemão”, e Upamecano e Konaté, os centrais que menos golos concederam na época passada. Hoje em dia, se perder um jovem central francês é mau, que dizer de perder dois. Ainda assim, nas últimas seis épocas, os “Touros Vermelhos” ficaram sempre nos primeiros três classificados e não têm razões para ter medo de perder a estrutura eficiente que começaram a criar na última década.

Dos reforços fazem parte o técnico Jesse Marsch, antigo adjunto que já conhece os cantos à casa, André Silva, o segundo melhor marcador da época passada, e Angeliño, a oficialização de um amor correspondido; além destes, dou destaque à aquisição de quatro jovens com enorme potencial de valorização: o avançado Brian Brobbey, das escolas do Ajax FC, o lateral direito Benjamin Henrichs, do AS Monaco, e uma futura dupla de centrais de sucesso: o croata Josko Gvardiol e, como não poderia deixar de ser, um francês, Mohamed Simakan.

1.

FC Bayern München – Que dizer da potência do futebol alemão? Fora aquilo que considero um dos melhores casamentos no futebol, entre Julian Nagelsmann e os bávaros, não há muito.

A saída de Alaba provocou algumas lágrimas, mas as saídas de Boateng e Javi Martínez dificilmente farão mossa nos planos do campeão alemão.

A próxima época na Liga Alemã será, a meu ver, marcada pelo décimo título consecutivo para o gigante de Munique, que se concretizará através da prática de um tipo específico de futebol espetacular a que Nagelsmann nos irá habituar, e pela ativa valorização dos jovens que tem ao seu dispôr, com destaque para Tanguy Nianzou e Jamal Musiala.

MENÇÕES HONROSAS

Não obstante o domínio dos bávaros, a Liga Alemã não deixa de ser uma das ligas mais competitivas e, portanto, é inevitável a presença de atores prontos a fazer cócegas nos calcanhares de Aquiles dos favoritos. Cá estaremos para ver se serão capazes de protagonizar histórias à “David e Golias”.

Borussia Dortmund – Jason Sancho já emigrou, Erling Haaland para lá corre, e não são campeões desde Jürgen Klopp. Não deixam de contar com Marco Reus, o maestro amaldiçoado pelas lesões, o experiente e fiel Hummels, o lutador Raphaël Guerreiro, o pêndulo entre setores Thomas Delaney e as futuras estrelas de qualquer meio-campo, Jude Bellingham e Giovanni Reyna.

Bayer 04 Leverkusen – Das melhores camadas jovens da Alemanha e um conjunto deslumbrante que dificilmente passa despercebido, formado por nomes como Edmond Tapsoba, Moussa Diaby, Patrik Schick, Leon Bailey e Florian Wirtz.

VfB Stuttgart – Ando há duas épocas a acreditar que vão fazer melhor. A ver se é desta!

Marta Rebelo

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