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Um Bayer que dá gosto de ver jogar

João Pedro Rocha · 8 min

Foto: Bayer 04 Leverkusen

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História

O Bayer 04 Leverkusen foi fundado em 1904 por trabalhadores da farmacêutica “Bayer”. Estava a realizar uma época excecional e atravessava um ótimo momento de forma até à paragem do campeonato. Os progressos nos últimos anos são visíveis e com a chegada do novo técnico Peter Bosz a equipa está a cimentar-se como um clube alemão de topo.

Em toda a história, o Bayer conta apenas com uma Taça da Alemanha, vencida em 1992/1993, e com uma Taça UEFA, em 1987/1988. Apesar de não ter vencido nenhum troféu, a época de 2001/2002 é talvez a melhor de sempre quando num espaço de 12 dias disputaram as finais da Taça, da Liga dos Campeões e terminaram em segundo lugar no campeonato.

Vários jogadores de classe mundial já representaram a equipa, sendo que os mais notáveis foram Michael Ballack, Rudi Voller, Ulf Kirsten, o melhor marcador da história do clube, a lenda Bernd Schneider e o quarteto brasileiro composto por Zé Roberto, Emerson, Lúcio e Juan. Mais recente, destaca-se o avançado Stefan Kießling, o segundo jogador com mais golos da história da Die Werkself.

O Bayer Leverkusen tem sido consistente nos últimos dez anos no campeonato alemão. Obteve um honroso segundo lugar em 2010/2011 e conseguiu qualificar-se sempre para as competições europeias, menos em 2016/2017. À exceção dessa época, a equipa terminou sempre nos cinco primeiros classificados da liga.

Época 2019/2020

Esta temporada surge na quinta posição da tabela e a possibilidade de conquistar o título ainda não está completamente perdida, mesmo não sendo tarefa fácil. Isto porque  oito pontos separam o Bayer do líder Bayern Munique e quatro pontos de desvantagem para o segundo classificado, Borussia Dortmund.

O Bayer é orientado pelo holandês Peter Bosz, finalista da Liga Europa em 2017 com o Ajax, sucedido por uma passagem curta no Borussia Dortmund, antes de se mudar para Leverkusen, a meio da temporada transata. Treina a equipa há quase um ano e meio e tem implementado a sua ideologia de futebol ofensivo, bem correspondida pelo plantel de um modo geral.

Na reta final da temporada passada cumpriu o objetivo, que passava por uma qualificação às competições europeias. Esta temporada, o Leverkusen está a encher as medidas e encontra-se forte em todas as frentes, com destaque para a recuperação realizada no campeonato. Este está bem mais competitivo este ano, dado que no começo havia uma série de equipas muito próximas e ao longo do tempo cinco clubes foram-se distanciando e são, na prática, os atuais candidatos ao título, sendo eles o Bayern, o Dortmund, o Leipzig, o Monchengladbach e o Leverkusen, respetivamente na ordem de classificação.

O Bayer realizou uma recuperação tremenda e demonstrou-se capaz de derrotar qualquer adversário, visto que no ano civil de 2020 só não venceu duas partidas em todas as competições: um empate contra o Leipzig e uma derrota contra o Hoffenheim.

Na DFB Pokal (Taça da Alemanha) tem encontro marcado com o FC Saarbrucken, um tomba-gigantes do terceiro escalão alemão, e em caso de vitória qualifica-se para a final da competição 18 anos depois.

Na Liga Europa, o Bayer apresenta-se como um sério candidato a vencer a prova, após ter sido recambiado da Liga dos Campeões, na qual ficou em terceiro lugar no grupo da Juventus e do Atlético Madrid, o que valeu a presença nos 16-avos-de-final da Liga Europa. Nessa fase, o adversário foi o FC Porto, outro forte candidato, e o Leverkusen não teve grandes dificuldades para ultrapassar os dragões. No agregado, o resultado foi 5-2 a favor dos alemães com duas exibições sólidas, principalmente no Estádio do Dragão, sem dar qualquer hipótese à equipa da casa. A última partida da equipa antes da paragem do futebol foi a primeira mão dos ‘oitavos’ em casa do Rangers, que terminou com a vitória dos forasteiros por três bolas a uma.

Apesar de ser uma equipa consistente no que toca a participações europeias, principalmente nos últimos anos, a equipa conta apenas com cinco passagens à fase a eliminar e procura este ano repetir a conquista máxima da história do clube, em 1988. O técnico Peter Bosz sonha também alcançar a segunda final europeia da sua carreira, repetindo o feito de 2017, enquanto representava o Ajax.

Análise à equipa

O Bayer Leverkusen apresenta um plantel muito completo, forte a nível coletivo e a média de idades da equipa é de 26,3 anos. Apesar de haver um ou outro jogador com maior destaque, a equipa conta com soluções para todas as posições e caracteriza-se por ter jogadores com capacidade para fazer mais do que uma posição. Além disso, o facto de ter tantas soluções do meio-campo para a frente, a rotação e divisão de minutos é habitual neste conjunto. O banco de suplentes do Bayer é seguramente dos mais fortes da Alemanha.

A equipa joga maioritariamente num 3-4-2-1, embora consiga apresentar várias dinâmicas, devido à liberdade posicional no último terço.

O dono da baliza é o finlandês Lukas Hradecky, de 30 anos, já com experiência no campeonato alemão. Demonstra segurança entre os postes e níveis elevados de concentração, embora tenha falhas nas saídas pelo ar.

O trio defensivo mais regular é composto por Jonathan Tah, Edmond Tapsoba e Sven Bender, embora Aleksandar Dragovic também seja opção. O primeiro é um internacional alemão de apenas 24 anos, no entanto já conta com quase 200 jogos pelo clube. Tapsoba mostrou-se no Vitória de Guimarães e durou apenas meia época na equipa principal até ser transferido no mercado de inverno. Aos 21 anos, é uma das maiores promessas na sua posição. Bender tem muitos anos deste campeonato e é um médio defensivo de raiz que foi adaptado a defesa central com sucesso.

Nas alas, a equipa tem opções viáveis para ambos os lados. Na direita o titular é Lars Bender, irmão gémeo de Sven e é o líder do plantel. Também era médio defensivo de raiz e foi-se adaptando a esta nova posição de forma competente. Mitchell Weiser é outra opção para este corredor.

Do lado esquerdo, o clube tem o privilégio de ter mais duas opções de qualidade. O titular é Wendell, que está no clube desde 2014 e é bem mais ofensivo do que o seu colega do corredor oposto. Daley Sinkgraven tem 24 anos, faz parte da fornada de talentos do Ajax dos últimos anos, e é um lateral criterioso, que pode também atuar no meio-campo.

No centro do terreno, Peter Bosz tem uma série de jogadores disponíveis. Charles Aránguiz raramente é preterido do onze inicial. A dupla proveniente do Hoffenheim, Kerem Demirbay e Nadiem Amiri, também conta com muitos minutos esta temporada e são jogadores à medida do clube. O Bayer conta ainda com Exequiel Palacios, uma das estrelas do futebol sul-americano. Chegou em janeiro, foi um investimento forte e é um dos craques a acompanhar no futuro.

Para o último terço, Peter Bosz deve ter dores de cabeça na hora de seleção. O Leverkusen atua geralmente com dois jogadores em apoio ao avançado e com forte liberdade de movimentos e para essa função tem como opções Kai Havertz, uma das maiores promessas do futebol europeu, Moussa Diaby, de apenas 20 anos, com escola do PSG e com traços de Sadio Mané, Karim Bellarabi, extremo com muitas épocas no clube, Leon Bailey, jamaicano potente e veloz, e Paulinho, uma grande promessa dispendiosa do futebol sul-americano.

Kevin Volland e Lucas Alario são as opções para avançado e contam praticamente com o mesmo tempo de jogo, sendo que o primeiro era uma das baixas da equipa devido a lesão.

Em função da divisão de minutos, reflete-se a produtividade ofensiva desta equipa em todas as competições.

Lucas Alario – 10 golos e 1 assistência

Kevin Volland – 11 golos e 7 assistências

Leon Bailey – 7 golos e 1 assistência

Nadiem Amiri – 4 golos e 4 assistências

Charles Aránguiz – 3 golos e 7 assistências

Kerem Demirbay – 1 golo e 4 assistências

Karim Bellarabi – 5 golos e 5 assistências

Moussa Diaby – 5 golos e 5 assistências

Kai Havertz – 10 golos e 7 assistências

Estrela


Kai Havertz é a grande figura desta equipa. Tem apenas 20 anos e é uma das maiores promessas da Europa, tendo já um valor de mercado a rondar os 80 milhões de euros. É um médio ofensivo que aparece em zonas de finalização, tem remate forte e colocado, mas também sabe orientar e criar chances de perigo. A maneira como trata a bola não engana e a equipa alemã dificilmente o conseguirá aguentar por muito mais tempo.

Estilo de jogo

Peter Bosz teve efeito imediato nesta equipa, visto que desde a sua chegada aumentou o número de remates e passes por jogo, a percentagem de posse de bola e de passes completos e diminuiu o número de remates contra a sua baliza.

A filosofia de Bosz baseia-se num futebol ofensivo e atrativo, rendendo ao máximo os jogadores mais produtivos da equipa, colocando-os nas posições onde podem fazer mais a diferença. A equipa é fiel aos seus princípios e apresenta várias dinâmicas. A chave da produtividade baseia-se nas alterações posicionais, na procura do jogo entre-linhas de Havertz e na exploração da profundidade de Diaby ou Bailey. A equipa percebeu rapidamente as ideias do treinador, parecendo que muitos jogadores estão perfeitamente moldados para o modelo aplicado.

Além de se caracterizar pela objetividade, a melhoria a nível defensiva não surgiu do acaso e talvez os jogadores com a função mais importante nesse processo sejam os mais avançados no terreno. O Leverkusen é a segunda equipa que menos passes permite à equipa adversária por cada ação defensiva, segundo dados do GoalPoint. Curiosamente, essa estatística é liderada pelo FC Porto e as duas defrontaram-se recentemente. O Bayer pratica uma pressão alta e intensa de forma a condicionar a saída de bola ao adversário e é das melhores equipas a fazê-lo.

A época ainda está longe de terminar e o Bayer mantem vivas as esperanças de obter conquistas e pôr fim ao “Neverkusen”, um termo dado pelos rivais em alusão à seca de títulos do clube.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

João Pedro Rocha

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