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FC Bayern de Munique 2-1 Club Atlético de Madrid: O ano da morte do tiki-taka

Eduardo Botelho · 2 min

FC Bayern de Munique 2-1 Club Atlético de Madrid: O ano da morte do tiki-taka

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O tiki-taka morreu.

Tal como a morte simbólica do catenaccio ocorreu no dia 31 de maio de 1972, hoje foi o dia da morte do tiki-taka. Naquela altura, depois de ter dado tão bons resultados ao Inter de Helenio Herrera, o estilo de jogo defensivo parecia ter vindo para ficar na Europa. No entanto, um grupo de holandeses tinha ideias diferentes. Com Rinus Michels no comando e Cruyff dentro de campo, o Ajax venceu a Liga dos Campeões frente ao Panathinaikos em 1971 e, no ano seguinte, voltou a vencer, mas frente ao Inter. Aí, já sem Michels no banco, mas com Cruyff a comandar a equipa no relvado, o confronto de estilos não podia ser mais evidente. E foi o próprio Cruyff, com dois golos, que matou o catenaccio naquele dia, dando início à era do futebol total.

Em 2016, ano da morte de Cruyff, também o tiki-taka morreu. Foi Diego Simeone quem acabou com ele. O Atlético de Madrid eliminou, consecutivamente, Barcelona e Bayern de Munique, os dois mais fiéis representantes da filosofia de Cruyff e do estilo tiki-taka, jogando um futebol totalmente oposto àquele. No tiki-taka, é no centro do terreno que estão as maiores estrelas. No estilo que hoje é vencedor as estrelas estão nos extremos: na baliza, Oblak foi enorme; na frente, Griezmann foi letal como habitualmente (enquanto Torres perdoou, também como habitualmente). Os médios são fundamentais, mas mais pelo trabalho sem bola do que com ela. Este estilo implica também sofrimento. Suportar as investidas de Alaba, que devia jogar sempre a lateral e nunca a central – foi ele que sofreu a falta para o golo de Xabi Alonso e foi ele que cruzou para o golo de Lewandowski; travar Ribery e Douglas Costa; estar preparado para os remates de Vidal; e tentar anular Müller, esse jogador tão difícil de definir como de marcar. Até na imagem dos seus ideólogos os estilos são contrastantes. Aos românticos Cruyff e Guardiola, opõe-se o pragmático Simeone.

Comandante Simeone: o homem que derrubou o tiki-taka Fonte: Atlético de Madrid
Comandante Simeone: o homem que derrubou o tiki-taka
Fonte: Atlético de Madrid

Na semana passada, a 29 de abril, a capa do La Gazzetta dello Sport mostrava uma montagem de Simeone no estilo Che Guevara, sob o título: “Comandante Simeone. Il Cholismo e la rivolta contra il Tiqui Taca.” É verdade que os italianos são suspeitos nesta coisa de apoiar o futebol defensivo, mas o aviso estava dado. De resto, o Leicester de Ranieri também deu um pequeno contributo para a morte do tiki-taka. É que o estilo de que Guardiola tanto gosta implica muito tempo de posse de bola, mas o Atlético e o Leicester não estão nada preocupados com isso.

O tiki-taka morreu. Pode ser que renasça, em Manchester, já daqui a uns meses. Hoje, saibamos apreciar o espírito de sacrifício, a organização e a eficácia do Atlético de Madrid (e do Leicester, já agora).

Eduardo Botelho

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