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Os 3 “Underdogs” que fazem sonhar na Liga dos Campeões

Inês Figueiredo Mendanha · 6 min

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O mundo do futebol ficou encantado com a edição de 2018/2019 da Liga dos Campeões. Por entre bons jogos de futebol, jogadas de génio dos craques do costume, surgiu uma luz ao fundo do túnel para quem está cansado de ver sempre os mesmos a jogar contra os do costume e no final, a levantar a taça, tudo porque tem uma conta bancária mais recheada que os adversários.

O AFC Ajax assinou uma campanha brilhante na Liga dos Campeões, encantou os adeptos com o seu futebol mágico e acima de tudo, deu-lhes esperança de estarem a jogar um jogo não viciado, em que o talento e o futebol de equipa se sobrepõem ao dinheiro e às estrelas. Com uma defesa liderada pelo jovem De Ligt, auxiliado pelo veterano Blind, com a propensão ofensiva dos laterais, com a magia dos pés de lã de Frenkie de Jong e as bombas de Schone, complementados pela assertividade de Van de Beek, mais a fantasia dos Alas, Neres e Ziyech, mais o ponta-de-lança, Tadic, a equipa de Amesterdão assinou uma época de sonho, conquistando a Eredivisie, a Taça KNVB, e fazendo um percurso inesquecível na Liga dos Campeões, que passou por passar a fase de grupos em 2º lugar, atrás de FC Bayern Munique e à frente de SL Benfica e AEK; nos oitavos de final, eliminaram o Real Madrid CF, à data, o detentor do troféu, num agregado de 5-3, vencendo no Santiago Barnabéu por 4-1 (!).

Nos quartos de final, eliminaram a Juventus FC, num total de 3-2, vencendo em Turim por 2-1, e nas meias finais, apesar de terem vencido o Tottenham Hotspur FC no White Hart Lane por 1-0, foram derrotados na Johan Cruyff Arena, por 3-2, com o golo que selou a passagem (por mais golos marcados fora) a ser marcado aos 96’, por Lucas Moura. Foi o fim de um sonho para a equipa de Amesterdão e para os sonhadores do futebol. No entanto, inspirados pelo exemplo do Ajax, parecem ter surgido equipas dispostas a bater o pé aos grandes tubarões da Europa, ombreando com eles pelo maior troféu do futebol europeu. Nesta edição da UEFA Champions League que findou, tivemos já exemplos disso. Vejamos quem fez questão de dar esperança aos adeptos dos clubes com menos poderio financeiro nesta edição da Liga dos Campeões.

3.

Atalanta BC – Gian Piero Gasperini tem feito um trabalho absolutamente notável à frente do Atalanta. Desde a sua chegada ao clube, em 2016/2017, o pior resultado foi um sétimo lugar. Já levou a equipa de Bergamo à quarta e à terceira posição, como sucedeu esta época, somando o último lugar do pódio e 78 pontos amealhados, além da magnífica campanha na Champions e do futebol alegre da equipa. Com o desflorar de alguns talentos, como Caldara na defesa, De Roon como âncora no meio campo, mais a a imaginação de Pasalic e Papú Goméz e o sangue-frio de Ilicic, a Atalanta construiu uma equipa sólida e consistente, mas capaz de jogar bonito e de equilibrar o campeonato italiano, além de proporcionar bons espectáculos aos adeptos, com bonitos desenhos atacantes e excelente circulação de bola.

Assim sendo, lutou por passar a fase de grupos da Liga dos Campões, terminando em segundo lugar, apenas atrás de Manchester City FC. A partir daí, pareceu poder sair dali um “Ajax em potência” quando se viu a equipa de Bergamo eliminar o Valencia CF, num agregado de 8-2 (!). Os quartos de final prometiam ser um teste à equipa de Gasperini, que teria de defrontar o todo poderoso Paris SG. As coisas até começaram melhor para os italianos que após um início equilibrado, puseram-se em vantagem logo aos 27’, por Pasalic. A equipa de Bergamo aguentou bem o resultado e até podia ter ampliado a vantagem, mas com o passar dos minutos, o cansaço fez-se sentir, a equipa foi abaixo e o PSG, carregado às costas por um Neymar decidido a fazer a diferença, conseguiu dar a volta no final do jogo. Um duro golpe para a equipa de Bergamo, não só pelo jogo em si, mas por toda a época. Ainda assim, deu para sonhar. A ver se para o ano, o sonho continua.

2.

RB Leipzig – Existe há 11 anos e pode-se gabar de nesse tempo, ter já atingido um patamar que para muitos históricos ainda é uma miragem. Tendo já ficado em segundo lugar na época de subida à Bundesliga, ficou em terceiro nas últimas duas, o que lhe garante acesso à Liga dos Campeões. Com um plantel que combina experiência com a irreverência dos jovens jogadores, o Lepizig, comandado por um jovem treinador, Nagelsmann, o Leipzig joga um futebol corrido, fantasioso e muito matreiro, que lhe valeu o já referido terceiro posto da Bundesliga, e o início de uma quase campanha de sonho na Liga dos Campeões.

Após vencer o seu grupo na fase de grupos, eliminou o Tottenham de José Mourinho com estrondo, por um agregado de 4-0, vencendo e convencendo o mundo de futebol. A etapa seguinte, os quartos de final, puseram-no frente a frente com o Atlético de Madrid, claro favorito na eliminatória. Qualquer adepto de bom futebol digno desse nome, não gosta do futebol colchonero. Uma equipa com nomes tão mágicos como João Félix, Koke ou Morata e que defende com os 11 jogadores, não pode praticar um bom futebol. Isso viu-se bem nesse jogo, com os alemães a dominar por completo as dinâmicas de jogo. Os golos só vieram na segunda parte, com Dani Olmo a pôr os alemães em vantagem, com toda a justiça. A entrada de João Félix equilibrou as contas e o jovem prodígio acabou por fazer o empate, mas mesmo ao cair do pano, a superioridade do futebol alemão, cheio de fantasia, mas clarividência, fez toda a diferença e Tyler Adams carimbou o 2-1 final que apurou o Leipzig para as meias-finais. Nas meias-finais, houve já uma maior diferença de qualidade, com os alemães sem conseguir importunar o PSG nem sequer ligar o jogo. Os franceses acabaram por esmagar a equipa, com um convincente 3-0. Foi o final do sonho do Leipzig, mas mais uma vez, deu a ideia de que há muito de bom por vir daquele jovem clube alemão.

1.

Olympique Lyonnais – O Lyon dispensa apresentações nos palcos europeus. Depois de dominar a Ligue 1 na primeira década deste século, vencendo o campeonato francês sete vezes seguidas, de 2001-2008, e tendo já vencido a taça Intertoto, em 1997. Nos últimos anos, a equipa tem tentado fazer frente ao todo poderoso PSG, mas todos sabemos que não é fácil. Nesta época atípica, o campeonato francês foi decidido por eliminatórias, com o Lyon a chegar à final e a perder nos penáltis com o PSG. Um excelente segundo lugar a coroar uma época fantástica da equipa com Rudy Garcia ao comando.

Na Liga dos Campeões, talvez o trajecto tenha sido ainda mais surpreendente. Após o apuramento para a fase a eliminar da prova em segundo lugar do grupo, os franceses eliminaram a Juventus em Turim. Nos quartos de final, com muita competência e com alguma sorte à mistura, venceram o Manchester City por 3-1, com Dembelé a sair do banco para ser o herói. Nas meias-finais, frente ao Bayern, os franceses caíram com estrondo, sendo esmagados por 3-0 pelo colosso alemão; se compararmos com o 8-2 ao Barcelona, eu diria que o Lyon se portou muito bem. Nunca deixou de importunar os bávaros, mas a superioridade do adversário foi manifesta e cortou pela raiz o sonho dos franceses. A caminhada do Lyon tem sido ascendente; veremos se continua assim.

Inês Figueiredo Mendanha

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