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Vencedor da liga espanhola seis vezes nas últimas oito edições da prova, o Barcelona atravessa uma fase menos boa na temporada e as vozes de contestação continuam a aumentar semana após semana. Apesar de ter um dos melhores plantéis dos últimos anos – houve uma clara preocupação dos blaugrana em aumentar a profundidade do elenco às ordens de Luis Enrique -, a verdade é que o conjunto do treinador espanhol vive dias conturbados e já há quem peça uma troca no comando técnico da equipa.
Depois de um verão em que o Barça atacou o mercado de transferências em força com o intuito de apetrechar um plantel já por si só cheio de bons valores, o principal clube da Catalunha juntou quantidade à qualidade, mas os resultados não têm sido os melhores. Luis Enrique viu chegar ao seu plantel Cillessen, Umtiti, Digne, Denis Suárez, André Gomes e Paco Alcácer, ficando com praticamente duas opções para cada posição, excetuando o posto de lateral direito que viu sair Dani Alves e que conta com um Vidal que não se tem mostrado uma alternativa credível ao adaptado Sergi Roberto. Todos sabemos que jogadores como Messi ou Iniesta nunca têm substitutos à altura, mas esperava-se muito mais de um plantel com estes recursos.

Fonte: SportSkeeda
Na La Liga, o Real Madrid tem cinco pontos de vantagem (que podem ser oito se vencer o jogo em atraso) e como as coisas estão, dificilmente o Barça conseguirá alcançar o título do qual tem sido o crónico vencedor no passado recente. A equipa tem demonstrado dificuldades em jogos que, à priori, deveria ganhar com relativa facilidade – principalmente em Camp Nou – tal é a diferença de qualidade para os seus oponentes, e nos momentos decisivos com os seus oponentes tem vacilado – cedeu empates em casa com o Real e o Alético de Madrid.
A cumprir a terceira época ao serviço do clube catalão, Luis Enrique já afastou um bocado a equipa da identidade tiki taka – os intérpretes também são outros -, e depois de duas bocas épocas, principalmente a primeira, a equipa parece agora algo agastada com as ideias do seu treinador. Com um jogo menos trabalhado e mais objetivo, o campeão espanhol parece bloquear quando encontra adversários que jogam com um bloco muito baixo e denso, e tem dificuldades em contrariar esse mesmo bloco. Costuma dizer-se que água mole em pedra dura, tanto bate até que fura, mas esse não tem sido o caso do Barça muitas vezes esta época. Se não marcar cedo, o adversário fecha-se cada vez mais e a equipa tende muitas vezes a entregar o rumo do jogo aos três da frente, como se a responsabilidade recaísse toda naquele sector. Bem sei que a qualidade da MSN obriga sempre a responsabilidades acrescidas, mas não explica tudo. Um conjunto deste gabarito não pode estar dependente da capacidade de desequilíbrio de Neymar, do killer instinct de Suárez ou da genialidade de Messi. Pede-se mais, muito mais.
A juntar a todo isto, há outro problema que tem assolado por aqueles lados, e mais uma vez, as responsabilidades recaem sobre Luis Enrique- o da gestão de alguns ativos do plantel. Aleix Vidal, por exemplo, vinha bem cotado de Sevilla, mas o treinador espanhol não está a conseguir espremer a qualidade do lateral direito e o jogador praticamente não conta. Em jogos em que a tal água mole não fura a pedra, o pendor ofensivo de Vidal podia ser importante para quebrar algumas muralhas defensivas, já que Sergi Roberto, apesar de estar a demonstrar ser uma excelente adaptação, é um jogador mais técnico e cerebral, e em alguns jogos pede-se um lateral capaz de desequilibrar e dar largura à lateral, um pouco à imagem do que fazia Dani Alves.
Outro caso mais recente e mais gritante é o de Rakitic. Indiscutível nas duas últimas temporadas, o croata tem vindo a perder espaço – para alguns, e não são poucos, de forma inexplicável – e já nem tem sido convocado nos últimos jogos para o campeonato espanhol. Ora, além de perder um excelente médio que consegue aliar a sua capacidade criativa à capacidade de trabalho defensivo que permite equilíbrio do meio-campo, os escolhidos para desempenharem a sua função não têm correspondido da melhor forma. André Gomes, o jovem português contratado no verão ao Valência, apesar de toda a qualidade que lhe é reconhecida, está ainda muito preso e muito “verdinho” para este tipo de andanças e Denis Suárez, outro dos substitutos também ainda não demonstra a consistência necessária para ser titular nesta equipa.
Não deixa de ser verdade que a equipa ainda está em todas as frentes, mas é ainda mais verdade que em nenhuma a situação é muito favorável.
A situação na La Liga já foi aqui referida e na Taça do Rei está em desvantagem na eliminatória com o Athletic, e embora a desvantagem seja mínima e a segunda mão seja disputada em casa, o conjunto de Bilbao é sempre um oponente difícil de ultrapassar. Na Champions vai defrontar o Paris Saint Germain que apesar de também não estar arealizar uma boa temporada, tem Emery no comando que é um especialista em competições a eliminar e tem um elenco capaz de se bater com qualquer equipa do mundo.
Não se adivinha uma segunda metade da temporada fácil para os lados da Catalunha e se Luis Enrique e companhia não alterarem alguns dos seus métodos, podem acabar a temporada sem nenhuma conquista relevante, algo que tem sido muito raro por aqueles lados nos últimos anos.









