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Chelsea FC 1-0 Liverpool FC: ‘Reds’ abrandam em tarde pachorrenta

Gonçalo Taborda · 4 min

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Um Chelsea a dar os últimos cartuchos em busca de um lugar de acesso à Liga dos Campeões recebia um Liverpool ainda sob o efeito da êxtase que fora a passagem à final dessa mesma competição. De um lado havia Giroud e Hazard, do outro havia o trio mortífero de Salah, Mané e Firmino.

E o resultado foi um jogo… aborrecido. Os primeiros 30 minutos foram parcos no que toca a oportunidades de golo: destaque para uma confusão na grande área do Liverpool, onde, após cruzamento rasteiro de Moses, Bakayoko prepara o remate mas Giroud acaba por “roubar” a bola ao companheiro de equipa; na outra baliza, uma perda de bola de Kanté leva a contra ataque liderado por Mané, que ainda consegue um bom remate, mas Courtois defende. Após insistência, o senegalês volta a tentar o golo, mas o guardião belga segura com facilidade.

No geral, o Liverpool era quem estava mais confortável no jogo. Tinha assumido as rédeas da posse de bola, dominando o meio campo graças a uma exibição segura de James Milner e Wijnaldum, porém o Chelsea fechava-se muito bem lá atrás, anulando o trio atacante dos reds.

Mas aos 32 minutos, os blues, que haviam vindo a crescer no jogo, fizeram uma belíssima jogada: Bakayoko – que tantas críticas recebeu esta época – abre a defesa do Liverpool com um passe para o flanco direito, onde está Moses. O nigeriano bate Andrew Robertson no duelo individual, cruza e Giroud cabeceia para o canto esquerdo da baliza, não dando hipóteses a Karius. 1-0.

Com este golo, o Chelsea ganhou confiança: três minutos depois, Fàbregas aparece na área do Liverpool e remata cruzado a partir da direita, mas a bola acaba por ir para fora. A equipa de Antonio Conte parecia ter virado o rumo do jogo repentinamente.

Até ao fim da primeira parte, o Liverpool ainda voltou a encostar o Chelsea à sua grande área, mas acusou o tento de Giroud e pouco mais fez até ao regresso aos balneários.

Ao intervalo, nenhum dos treinadores sentiu a necessidade de fazer alterações.

Os blues entraram na segunda parte muito melhor, parecendo a equipa mais solta e criativa no ataque, com alguns toques absolutamente deliciosos de Hazard. O Liverpool tentava ser mais direto, mas a solidez defensiva do Chelsea mantinha-se. Salah, Mané e Firmino estavam a ser marcados na perfeição: apenas o senegalês tinha algum espaço, e era quando vinha atrás buscar jogo.

Aos 56 minutos, há um momento fantástico de Hazard: no meio de três defesas do Liverpool, consegue entrar na área a partir do flanco esquerdo e remata, para defesa apertada de Karius. No canto consequente, Antonio Rüdiger ainda marca com um cabeceamento, mas o golo é anulado por fora de jogo, que as repetições confirmam.

Até aos dez minutos finais, tivemos um jogo… aborrecido. Novamente. Os únicos da equipa dos reds que pareciam procurar ativamente o empate eram Mané, que nunca parou de correr e de tentar, com grande dificuldade, encontrar espaço, e Jürgen Klopp, que tirou Nathaniel Clyne e Andrew Robertson (dois defesas) para fazer entrar Jordan Henderson e Dominic Solanke (ex-Chelsea). Este último foi particularmente importante, já que o treinador alemão o fez entrar pelo seu porte físico e pela sua altura. Quer isto dizer que os últimos dez minutos do Liverpool se resumiram a cruzamentos para a área do Chelsea, onde Azpilicueta, Rüdiger e Cahill lidaram com os perigos de forma exímia.

Aos 79 minutos, Marcos Alonso quase deu a esta tarde em Stamford Bridge algo verdadeiramente memorável: Moses bate Milner no flanco direito, faz o cruzamento e o lateral esquerdo espanhol aparece ao segundo poste fazer um espetacular remate de primeira. A bola vai cruzada e passa a centímetros da baliza de Karius.

Infelizmente, não tivemos um dos golos do ano: tivemos um Chelsea à la época 2016/2017, que soube anular o ataque adversário e teve em Kanté um dínamo incansável; tivemos, também, um trio atacante do Liverpool anormalmente apagado, em grande parte devido à excelente cobertura dos defesas da equipa londrina, e talvez também em consequência da emoção vivida a meio da semana, com a passagem à final da Liga dos Campeões.

À entrada para a última jornada, o Chelsea mantém vivo o sonho de atingir o acesso à liga milionária, enquanto o Liverpool terá de esquecer essa mesma competição e focar-se na partida contra o Brighton se quiser manter a terceira posição.

Foto de capa: Chelsea FC


A FIGURA

Fonte: Chelsea FC

Eden Hazard – Com as exibições de Kevin de Bruyne e Mohamed Salah nesta época, o extremo belga perdeu algum protagonismo no panorama da Liga Inglesa. Mas hoje deu-nos uma recordação daquilo que pode fazer: toques de calcanhar, fintas, passes, remates. Fez de tudo um pouco. No fim, os jogadores do Liverpool já se afastavam dele sempre que pegava na bola. Isso diz tudo. Aos 85 minutos foi substituído e merecidamente aplaudido de pé pelos adeptos de Stamford Bridge.

FORA-DE-JOGO

Fonte: Liverpool FC

Mohamed Salah – Toda a gente tem maus dias no trabalho. Mas ter um mau dia quando os olhos do mundo estão posto em si e está a ser comparados com Cristiano Ronaldo e Lionel Messi é algo que poucos têm de suportar. O mágico egípcio não tirou nada da cartola hoje, até porque Gary Cahill não o deixou. Sabe, pode, deve e certamente irá fazer melhor. Outra mancha na sua exibição foi a simulação de penálti na primeira parte, que lhe valeu um cartão amarelo.

Artigo revisto por: Jorge Neves

Gonçalo Taborda

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