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As coisas não estão a correr bem para José Mourinho. Parece que tem perdido a essência e aquilo que nos habituou ao longo dos tempos (vitórias e títulos) se tem desvanecido. Não significa que não continue a ser um treinador de sucesso, é sem dúvida o melhor treinador que Portugal já gerou. No entanto, este oitavo lugar na Premier League deixa a direção um tanto desagradada. Também se fala que vários jogadores estão contra Mourinho e que há um ambiente negativo no balneário, o que poderá contribuir também para o insucesso desportivo. Posto isto e tendo em conta que há muitos rumores da saída de Mourinho do Manchester United FC, há outros dois portugueses em muito boa posição para ocupar esse cargo, sendo eles Marco Silva e Leonardo Jardim.
Têm ambos um percurso muito idêntico, vamos analisar a evolução de cada um e medir prós e contras para eleger o melhor treinador português de atualidade a seguir ao “Special One”.

Leonardo Jardim- A sua grande evolução é quando passa de treinador do Camacha para treinador do GD Chaves em 2008. Após uma prestação favorável no clube flaviense, Jardim ruma ao Beira-Mar onde se torna campeão da segunda liga em 09/10. Já na principal divisão de futebol português, acaba por ser contratado ao SC Braga. Este foi o clube que começou a trazer reputação internacional ao treinador, com uma época de sucesso desportivo a nível nacional e mesmo internacional onde deixou o SC Braga com o estatuto definitivo de quarto principal clube de Portugal. Começou a chamar a atenção de clubes estrangeiros e tal como alguns colegas seus, ruma à Grécia, tornando-se assim campeão grego e vencedor da Taça da Grécia em 2012/2013. No entanto começa a maré de injustiças que tendem acompanhar a carreira do treinador. É despedido por alegadamente se ter envolvido com a mulher do presidente do clube.
A sua carreira cada vez mais emergente fez com que surgisse uma proposta de um clube em crise a nível nacional, o Sporting CP. Leonardo Jardim abraça o desafio e consegue até ter bastante sucesso. Levou o clube ao segundo lugar do campeonato, garantindo assim acesso à Liga dos Campeões, bem como teve uma média de 2.20 pontos por jogo (algo dificilmente visto no clube nas últimas épocas) mas, mais uma vez, desacordos com a direção afastam Leonardo Jardim do comando técnico dos leões, no entanto, quem tira proveito disso é o AS Mónaco que vai resgatar o treinador leonino por 3 milhões de euros. O Mónaco tinha um projeto aliciante e milionário. A contar com jogadores como Moutinho, James Rodriguez ou Falcão faltava um treinador de calibre para conseguir vencer a liga francesa e capaz de competir com o temível Paris Saint-Germain pela liderança. No entanto, ainda na pré-época o projeto altera-se devido ao presidente do AS Mónaco ter perdido metade da sua fortuna e foi obrigado a vender e emprestar as suas estrelas, alterando assim o panorama para um cenário de formar novos jogadores. Este cenário só mostrou como Jardim pode ser maleável. O Mónaco foi o clube onde Leonardo se manteve mais tempo, completando 233 jogos no comando dos monegascos. Foram mais de quatro anos que Jardim esteve no clube. Foi campeão francês em 2017, o que é uma coisa realmente extraordinária se verificarmos o valor do plantel do Paris Saint-Germain por exemplo. Este ano, recentemente, foi despedido do clube mais uma vez pela situação mais injusta possível. Ora vejamos, o AS Mónaco contou com grandes jogadores no plantel, muitos deles formados no clube. O clube exigiu o mesmo nível de performance ao mesmo tempo que vendeu as suas peças-chave: Mbappé ou Lemar são dois dos casos mais flagrantes. Conseguiria Jardim construir uma casa sem os alicerces? Foi isso que lhe foi pedido e não foi cumprido. Jardim encheu o banco do AS Mónaco com receita, mas não conseguiu (obviamente) dar sucesso desportivo em simultâneo. Sendo que neste momento está desempregado, pode muito facilmente ingressar num clube de topo mundial.

Marco Silva- Acabou a carreira como futebolista no Estoril, foi também no Estoril onde começou a sua carreira como treinador. Desde logo mostrou bastante potencial. Foi campeão da segunda liga (primeira coincidência com a carreira da Jardim) elevando os canarinhos ao escalão máximo do futebol nacional. Na época seguinte conseguiu logo o apuramento para a Liga Europa garantindo um quinto lugar no campeonato. Os resultados cada vez mais positivos começaram a surgir e o Sporting CP viu em Marco Silva o ideal substituto para o recém-saído Leonardo Jardim (segunda coincidência com a carreira de Jardim). Ganha a Taça de Portugal pelo Sporting CP e em 2015 ruma ao principal clube grego o Olympiacos (terceira coincidência com a carreira de Jardim). Na Grécia, Marco Silva foi muito similar a Leonardo Jardim com o lema “Veni, Vidi, Vici” ambos chegaram e no primeiro ano foram campeões gregos. Ambos também tiveram discordâncias com a direção do clube, o que levou também à rescisão do contrato de Marco Silva no fim da época. Os percursos idênticos de Jardim e Silva, divergem-se aqui.
O que estaria no caminho de Marco Silva era uma viagem pelos palcos Ingleses e aí sim vincou-se como um treinador de renome internacional. Em janeiro de 2017 assina pelo Hull City a sua primeira experiência na Premier League e até nem correu mal, mas foi no ano seguinte, no Watford que Marco Silva escalou a sua fama. Arrancou de uma forma impressionante chegando a estar nos lugares cimeiros da tabela da Premier, algo que superou as espectativas de todos. No entanto, Marco Silva mostrou interesse em treinar o Everton, algo que não caiu bem na direção do clube e terminou mesmo com o desvinculo ao treinador. No entanto, tanto quis que conseguiu ter. Marco Silva na presente época treina o Everton e está no oitavo lugar da Premier League (curiosamente atrás do Watford).

Posto isto e tendo em conta a realidade dos factos, são dois treinadores portugueses que estão cada vez mais reconhecidos e são cada vez mais bem-sucedidos no panorama Internacional. Têm carreiras muito idênticas e ambos ambicionam destronar José Mourinho. Ambos são nomes apontados para substituir Mourinho no Manchester United caso venha mesmo a surgir o despedimento do “Special One”. Mesmo que tal não aconteça, estes dois promissores treinadores são os treinadores nacionais com mais potencial para superar Mourinho a nível de sucesso desportivo e reputação. Veremos que destino se reserva e se os grandes clubes europeus se renderão a eles como as tendências apontam.
Foto de capa: FIFA
Artigo revisto por: Jorge Neves









