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Já 72 portugueses tiveram o privilégio de pisar o relvado da mais bem cotada liga do mundo. Contudo, e apesar de quase todas estas histórias terem conseguido um desfecho feliz, alguns dos nossos compatriotas viveram os piores anos da sua carreira em Inglaterra.
É mais fácil relembrar os casos de maior sucesso, mas esta é uma lista dos 5 maiores flops portugueses na Primeira Liga inglesa. Muito mais cruel do que falar dos cinco melhores jogadores, e, por isso mesmo, bastante mais desafiante. Antes de avançarmos, convém explicar algum do critério utilizado para fazer este top 5.
Esta não é uma listagem dos cinco piores jogadores portugueses que já jogaram na Liga inglesa, mas sim daqueles que tinham já algum prestígio e de quem se esperava muito mais do que efetivamente conseguiram provar.
O Bola na Rede quer, portanto, relembrar nomes sonantes do futebol nacional que, por uma razão ou por outra, não conseguiram vingar em Inglaterra.
Sem mais introduções, foram estes os casos que, verdadeiramente, ficarão na memória do futebol britânico. E não pelos melhores motivos.
5.
Maniche – Chega ao Chelsea de José Mourinho em janeiro de 2006, emprestado pelo Dínamo de Moscovo. Merece um lugar nesta lista pelo que se esperava dum jogador tão bem cotado, mas Nuno Ribeiro não conseguiu provar o seu valor em Inglaterra.
A lesão de Essien e saída de Tiago para o Lyon motivaram a contratação de Maniche. Juntava-se aos compatriotas Paulo Ferreira e Ricardo Carvalho, colegas que tão bem conhecia do FC Porto vencedor da Liga dos Campeões, em 2004.
Na Premier League, Maniche jogou apenas 8 vezes, com uma média de 41 minutos por jogo, sem marcar qualquer golo nem fazer uma assistência. Pese embora seja difícil juntar-se a uma equipa a meio da época, Maniche tinha 28 anos e estava no auge do seu futebol.
Perdeu a oportunidade de vingar ao serviço de uma das melhores equipas de sempre dos blues. Depois de exibições algo desapontantes, o Chelsea decidiu não acionar a opção de compra de 7,5 milhões de euros que tinha negociado seis meses antes. Maniche não voltou a ter outra oportunidade para brilhar em Inglaterra.
Voltou à Rússia para ser vendido ao Atlético de Madrid, depois saiu para o Inter de Milão, Colónia e, finalmente, transfere-se para o Sporting. Foi nos leões que pendurou as botas duma carreira recheada de qualidade, sucesso e motivos para celebrar.
4.
TRANSFER: #Swans striker Eder to join French club Lille for undisclosed fee. Full story – https://t.co/52gRkP6hvx pic.twitter.com/LxhV6dygoW
— Swansea City AFC (@SwansOfficial) May 24, 2016
Éder – Peço desculpa. É difícil. E eu não queria, juro que não queria. Mas Éder foi um flop na Premier League. E ainda bem!
Em 2015, o Swansea achava que tinha resolvido qualquer problema que pudesse surgir no ataque ao contratar Éder ao Sporting de Braga por quase 7 milhões de euros. Parecia ser o homem golo perfeito para fazer concorrência a Bafétimbi Gomis, o então titular pelos galeses.
Não correu bem. O agora herói nacional era parodiado semanalmente pela imprensa, adeptos e qualquer curioso que visse um jogo do Swansea. Disputou 15 partidas pelos swans e não marcou qualquer golo em Inglaterra.
A impressão foi tão má que acabou por ser emprestado ao Lille em janeiro de 2016.
Em França, foram precisos apenas 13 jogos para Éder conseguir reencontrar a sua melhor forma. Marcou 6 golos, fez 4 assistências e, melhor que tudo, convenceu Fernando Santos. Foi chamado à seleção nacional para disputar o Euro 2016 no país onde agora jogava.
Marcou um só golo no Europeu. O mais importante de todos, e certamente o mais importante de sempre na história do nosso futebol.
E depois… Foi feriado.
3.
Adrien Silva, proposé au PSG et à Monaco, se rapproche de Fenerbahce. pic.twitter.com/All6qMLRh5
— Leicester City France (@LCFC_FR) January 10, 2019
Adrien Silva – Esta história fez correr muita tinta nas gráficas portuguesas e inglesas. No 31º de agosto, último dia do mercado de transferências, e depois de tanto se especular, o capitão do Sporting ia deixar de vestir a verde-e-branca em busca de voos maiores. Reencontrava o ex-colega de equipa Slimani no sensacional Leicester City, que já namorava o português há mais de um ano. O problema começou, contudo, logo no primeiro minuto.
Os foxes pediram à FIFA uma extensão de duas horas para inscrever Adrien na Liga inglesa, visto que o negócio de 25 milhões de euros estava dependente da iminente transferência do internacional inglês Danny Drinkwater para o Chelsea.
Para infelicidade do médio e do clube inglês, Drinkwater assina pelo Chelsea, mas o pedido feito à FIFA acaba por ser chumbado e o Leicester falha a inscrição de Adrien por uns chocantes 14 segundos.
O ex-capitão leonino ficou impedido de jogar a primeira metade da Premier League, e só pôde ser inscrito em janeiro, 3 meses depois de ter viajado para Inglaterra.
Seja feita justiça: o Leicester comportou-se da melhor forma possível com o médio português. Assumiu toda a responsabilidade da falha, colocou à sua disposição os melhores instrumentos de treino, pagou ao Sporting todo o dinheiro devido pela transferência do campeão europeu bem como os salários deste tempo sem competir. Mas o mal estava feito.
Apesar de todos os esforços, Adrien perdera o ritmo de alta competição a que se habituou em Alvalade, onde jogava nunca menos de 35 jogos por época. Aquando da sua estreia em janeiro, a lentidão do internacional português era evidente. Ainda para mais num futebol novo. E indiscutivelmente mais competitivo.
Nesta época, Adrien Silva acaba por jogar 12 jogos, muitos dos quais como suplente utilizado. Neste período, não marca qualquer golo e faz apenas uma assistência. No ano seguinte, Adrien pisa os relvados ingleses apenas em 5 ocasiões, até ser emprestado por um ano e meio ao Mónaco.
Em França, voltou ao seu melhor futebol.
Finda a época na Ligue 1 devido ao panorama atual da COVID-19, resta um ano de contrato para o campeão europeu ao serviço do Leicester City. Nos últimos tempos tem sido, inclusive, noticiado um eventual regresso ao Sporting. Algo que só o tempo desvendará.
O período de Adrien Silva. em Inglaterra, fica inegavelmente marcado pelo número que levava às costas pelos foxes – o 14. Tivesse tudo acontecido 14 segundos mais cedo, e a história que acabo de escrever podia ser completamente diferente.
2.
Tottenham Hotspur FC
Helder Postiga pic.twitter.com/04v5VgXt3Y— Superb Footy Pics (@SuperbFootyPics) August 4, 2018
Hélder Postiga – Titular na fantástica primeira época do FC Porto de José Mourinho, foi um dos jogadores chave daquela campeoníssima equipa. Vence o campeonato e a reformada Taça UEFA. É um dos melhores marcadores de ambas as competições. Tudo isto com apenas 20 anos.
Assim chega ao Tottenham Hotspur o muito promissor Hélder Postiga. Tinha tudo para dar certo… Mas não deu.
No escalão máximo do futebol inglês, o ponta de lança entrou em campo 19 vezes. E se um avançado vive de golos, não se pode dizer que a sua vida em Londres tenha sido muito feliz, visto que encontrou o fundo das redes apenas uma vez.
Conseguiu ainda marcar um golo na Taça da Liga, mas dois golos numa época inteira e com estas credenciais não foi o suficiente para justificar o investimento de 9 milhões de euros feito pelos londrinos.
Na época seguinte, o Tottenham acaba por vender Hélder Postiga de volta ao FC Porto, mas já com prejuízo.
Depois disto, Postiga ainda vai jogar a França ao serviço do Saint Étienne, na Grécia pelo Panathinaikos, voltou a Portugal para vestir o verde e branco do Sporting e do Rio Ave, em Espanha no Saragoça, Valência e Deportivo La Coruña e em Itália pela Lazio.
Relembramos o avançado pela sua feliz carreira ao serviço da seleção nacional, onde marcou 27 golos em 71 jogos. E, por isso, estaremos sempre gratos pela benção que foi ver o Postigol a jogar futebol.
1.
Bebe outlandishly compares himself to a Manchester United great https://t.co/Tu4ODrdqko #mufc pic.twitter.com/aZBGuXYti4
— Man United News (@ManUtdMEN) November 18, 2015
Bebé – Como não o colocar nesta lista? Numa altura em que o Manchester United achava que tinha descoberto na Liga Portuguesa uma mina de ouro – depois de Cristiano Ronaldo e Nani – tentaram pela terceira vez a sorte com o lisboeta Tiago Correia, também conhecido como Bebé. Mas Sir Alex Ferguson aprendeu que, afinal, e ao contrário do que nos diz o ditado, há duas sem três.
Bebé achava que tinha tido um bom verão de 2010 quando, com apenas 20 anos, se transferiu do Estrela da Amadora para o Vitória Sport Clube por 50 mil euros. Mais interessante ficou quando o telefone toca em Guimarães e é o diretor desportivo do Manchester United a oferecer quase 9 milhões de euros pelos seus talentos. Eu faço as contas: Os vimaranenses lucraram quase 18.000% no espaço de um mês, e Bebé ia cumprir o sonho de qualquer miúdo.
Esteve aqui, talvez, o melhor negócio da história do Vitória. Bebé nem sequer chegou a vestir a camisola dos vitorianos em partidas oficiais, e o encanto dos conquistadores foi tão grande como a desilusão dos Red Devils.
O avançado português jogou apenas 7 partidas pelo Man. United, onde até conseguiu marcar dois golos, mas não foi o suficiente para convencer o gigante de Inglaterra. Acabou por ser um reforço maior para a equipa sub-23 do vermelhão de Manchester, onde marcou 6 golos nas 17 ocasiões em que os representou.
A bom rigor, podemos dizer que esta transferência lhe dificultou muito a carreira. Depois do Man. United, Bebé foi um misto de displicência e inconsistência. Jogou no Besiktas, fez uma boa época ao serviço do Paços de Ferreira que lhe valeu uma transferência para o Benfica, onde nunca se conseguiu ser feliz.
Hoje, com 29 anos e depois de muitos empréstimos consecutivos, defende as cores do Rayo Vallecano na segunda divisão espanhola.
Artigo revisto por Joana Mendes














