Touré e a Teoria do Caos

- Advertisement -

cab premier league liga inglesa

É intrigante e apaixonante verificar como uma pequena mudança numa peça de um sistema complexo pode alterá-lo de forma tão drástica… para o mal ou para o bem. Desde o início dos tempos que isso acontece, mas só Edward Lorenz teve o fascínio suficiente para desenvolver essa ideia,  tornando-se o pai da Teoria do Caos.

Esta aplica-se e abrange vários campos de estudo mais susceptíveis a mudança (pela sua interacção com fenómenos sociais), como a Economia ou a Sociologia, ou outros mais deterministas, como a Engenharia ou a Física. Uma alteração ínfima nas condições iniciais de um sistema dinâmico pode provocar alterações tão grandes que tornam praticamente impossíveis as tomadas de decisão baseadas em previsões de longo prazo.

O futebol também é “atingido” pela teoria do caos. Não pela interacção com o seu ambiente externo, mas sim pelo seu núcleo. Um sistema tático e respectivos princípios de jogo, trabalhados durante centenas de treinos, ao sofrer uma ligeira alteração no seu dinamismo no meio de uma época pode causar mossa e colocar em “cheque” os objectivos que uma equipa possa ter, sejam eles a manutenção ou a conquista de um título.

É, portanto, crucial, no futebol tal como em outras áreas, estar preparado para eventuais contrariedades, e o orçamento estabelecido terá de contemplar isso mesmo – a lesão ou o castigo de um jogador fundamental ou a adaptação a um adversário com um estilo de jogo radicalmente diferente daquele com que a equipa habitualmente se depara.

A avaliar pelas exibições anteriores ao encontro com o Stoke, na jornada anterior à deste fim-de-semana, parecia não exisiir um plano de contingência para a mudança dentro do sistema de jogo do Manchester City. Saiu uma única peça do seu onze, e as coisas alteraram-se drasticamente – Yaya Touré seguiu para a CAN, e a equipa, sem a ajuda do costa-marfinense, perdeu dois jogos e empatou três, cedendo muito terreno para o Chelsea e saindo da Taça de Inglaterra.

A vitória no Britannia Stadium aconteceu diante de um Stoke fragilizado (e que fora goleado, dias mais tarde, pelo Blackburn, de escalão inferior) e que, por isso, ainda não convencera os mais cépticos sobre a forma de jogar do City e do regresso às boas exibições da equipa…

… porém, o encontro com o Newcastle terá desfeito essas dúvidas. A equipa voltou a ser esmagadora no seu processo ofensivo e o Etihad voltou a assistir a um Manchester City alegre no seu futebol, com grande envolvência dos laterais no processo ofensivo e a genialidade de peças como David Silva, Agüero ou Nasri a emergirem, proporcionando, outra vez, o entusiasmo há muito desaparecido dos olhos e das bocas dos adeptos dos citizens.

Com Yaya, a equipa parece outra Fonte: Facebook do Man City
Com Yaya, a equipa parece outra
Fonte: Facebook do Man City

O que mudou? Exactamente. Yaya Touré. Entrou o costa-marfinense, e o processo ofensivo voltou a ser o rolo compressor que se fizera respeitar perante a Europa inteira. A frente de ataque ganhou um guarda-costas, a defesa ganhou o equilíbrio, o sistema voltou às suas configurações originais … e voltou a funcionar como antigamente, porque regressou Touré. Com ele, Dzeko, Agüero, Nasri e Silva, os quatro homens da frente, marcaram e assistiram, voltaram àquilo que era suposto ser, Fernandinho, Kompany e Mangala equilibraram-se tactica e emocionalmente, e Zabaleta e Kolarov puderam subir desalmadamente, como tanto gostam.

Touré voltou. Uma peça, somente, em onze, mas muitas dinâmicas a ela associada. O sistema City voltou a funcionar com Touré e, aproveitando o deslize caseiro do Chelsea, ameaça seriamente relançar o campeonato inglês.

Foto de Capa: Facebook do Man City

Pedro Machado
Pedro Machado
Enquanto a França se sagrava campeã do mundo de futebol em casa, o pequeno Pedro já devorava as letras dos jornais desportivos nacionais, começando a nascer dentro dele duas paixões, o futebol e a escrita, que ainda não cessaram de crescer.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Imprensa epanhola rendida Pau Víctor: «O segundo ano não podia ter começado melhor a nível individual»

O jornal espanhol Sport elogiou Pau Víctor, destacando que o avançado bracarense está a brilhar no segundo ano após sair do Barcelona.

Estreia de sonho para Andreas Samaris: Sub-16 do Benfica goleiam AD Oeiras por 7-2 sob olhar muito especial nas bancadas

Os sub-16 do Benfica golearam a AD Oeiras por sete a dois na estreia de Andreas Samaris como treinador. Pizzi assistiu ao encontro na bancada.

Champions League: Árbitro da final do Mundial 2022 apita FC Porto x Manchester City

O árbitro polaco Szymon Marciniak foi nomeado para dirigir o jogo entre FC Porto e Manchester City na 1.ª jornada da fase de liga da Liga dos Campeões.

FC Porto: baixa no ataque para o Manchester City

Oskar Pietuszewski está a recuperar de lesão, mas não vai ser opção para a partida entre o FC Porto e o Manchester City.

PUB

Mais Artigos Populares

Carlos Vicens responde ao Bola na Rede: «Na segunda parte insistimos, mas sem atacar apenas por um lado»

Carlos Vicens respondeu a uma questão do Bola na Rede após a vitória do Braga sobre o Alverca por 3-1.

Alexander Bah pode desfalcar Benfica: Marco Silva com uma alternativa direta e de olho em possíveis adaptações

Alexander Bah saiu lesionado do encontro entre o Benfica e o Marítimo e pode ser obrigado a falhar algumas partidas.

Wolverhampton de César Peixoto e Birmingham empatam em jogo com primeira parte louca

O Wolverhampton de César Peixoto e o Birmingham empataram a duas bolas durante o começo de tarde deste domingo.