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As 5 equipas que mais desiludiram nesta temporada

Carlos Ribeiro · 7 min

Foto: Diogo Cardoso / Bola na Rede

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Estamos na reta final da época 2020/21. Por isso mesmo está na altura de se olhar em retrospetiva o que se passou dentro das quatro linhas, o exercício que aqui me proponho a fazer é o de enumerar as cinco equipas que mais me desiludiram, que por uma razão ou várias – que talvez até possa desconhecer – nunca conseguiram afirmar o potencial que lhes apontavam. Tomei a liberdade de escolher conjuntos de ligas diferentes, de forma a abranger várias realidades.

5.


Rio Ave FC- Começaram quase a eliminar o colosso – pelo menos em historial – AC Milan da Liga Europa. Em termos de expectativa, não há muito mais a dizer sobre este Rio Ave FC, o que se esperava era a continuação de um bom projeto desportivo em Vila Conde, com um treinador jovem (Mário Silva) ao leme.

Não foi a isso que assistimos. A equipa demonstrou uma incapacidade total para marcar golos ao longo das primeiras jornadas, ao mesmo que se sentia bem em não sofrer. Não chegava e o coro de críticas subiu de tom, com razão. Mário Silva tinha de seguir as pisadas de Carlos Carvalhal, porque o Rio Ave FC tem sempre um plantel muito equilibrado e habituou-nos “mal”, ou seja, normalmente joga bem à bola. António Silva Campos enganou-se no perfil de treinador e tentou emendar a mão, algo que já tinha acontecido há pouco tempo com Daniel Ramos, por exemplo.

Neste momento é uma das equipas que luta para não descer na Primeira Liga Portuguesa, algo que nos últimos anos não tem sido frequente nos vila-condenses.

4.


Olympique de Marselha- De França, a equipa que mais me desiludiu numa Primeira Liga Francesa que vai ter emoção na luta pelo título até ao fim – uma novidade, para variar um pouco – é o Olympique de Marselha. Penso que não há dúvidas que naquele plantel a qualidade abunda. Certo, poderão dizer-me que não é um PSG, mas tem grandes jogadores, como Payet, Thauvin, Mandada, Benedetto, ou até mesmo a partir do mercado de janeiro nomes como Milik e Lirola, que reforçaram ainda mais a equipa.

No entanto, mesmo tendo feito um arranque de campeonato com algum fulgor “resultadista”, esse mesmo fulgor não se notava em termos exibicionais. Qual era o problema? Para mim, era claro: André Villas-Boas. Acabou por sair em litígio com o presidente do clube devido à contratação, em janeiro, de N’cham, mas foi a melhor coisa que aconteceu ao clube marselhês.

Não sou apreciador do futebol praticado pelas equipas do treinador português e penso até que neste momento da sua carreira, os seus interesses passam por outro tipo de função enquanto dirigente de futebol. Nada contra, são opções e são válidas. Mas um dos grandes de França merecia estar naquela luta que se verifica pelo título e, face ao futebol “preso” e sem ideias do ponto de vista ofensivo – principalmente tendo os executantes que já citei acima – isso não acontece. Mesmo com isto, a que acresce uma instabilidade grande entre os adeptos, estava à espera de mais.

Posto isto, penso que Sampaoli é uma melhoria em relação ao técnico português e, apesar de já vir tarde, já se começam a perceber várias diferenças. Por exemplo: quando perdem. Podem não vencer, mas aquela bitola de qualidade, de movimentos constantes e de ataque à baliza adversária está bastante patente.

3.


Tottenham Hotspur FC- Em Inglaterra, esta foi mesmo a equipa que mais me desiludiu. Muitos atribuem um “atestado de incompetência” a José Mourinho, “perdeu o jeito”, dizem. Eu não entro por aí. Para mim, José Mourinho continua a ser um dos grandes treinadores da actualidade, o problema é que tem um estilo de jogo – do qual não gosta de abdicar e está nesse direito – que se depara com muitas dificuldades frente a equipas que jogam “sem medo”. Passa demasiado tempo a defender e, por isso, depois não consegue ter um volume de futebol atacante que decida jogos.

No Tottenham Hotspur penso que foi vítima disso e, não estando com isso a dizer que não teve as suas culpas, a defesa dos “Spurs” é mediana, um pouco à semelhança do que se passou no Manchester United FC. Falhou nesse aspeto, não se reforçou nesse setor – com jogadores de qualidade “top four” – e por isso nunca conseguiu brilhar, tendo apenas alguns “rasgos” durante a temporada, como aquele 1-6 em Old Trafford.

Sublinho, mais uma vez, que apesar de tudo isto, este Tottenham Hotspur tinha de ter rendido mais, podendo mesmo ficar, pelo segundo ano consecutivo, fora da “Champions”.

2.


Borussia Monchengladbach- Quando isto começou, em Setembro de 2020, o “Gladbach” era uma das minhas equipas favoritas para manter o seu lugar nos melhores quatro da Primeira Liga Alemã, mas não assistimos a isso. Têm uma excelente equipa, com nomes que não são “muito conhecidos” mas que funcionam sobretudo por esse fator: a equipa. E o treinador, claro. Marco Rose é excelente e a prova disso mesmo é que apesar da época mais abaixo das expetativas – das minhas, pelo menos – vai dar o salto para o rival Borussia Dortmund.

O futebol jogado nunca foi mau, era até bastante vistoso, mas creio que esta quebra em relação ao ano passado poderá ter a ver com dois fatores. O primeiro, na minha opinião, é a irregularidade de alguns dos “craques”, nomeadamente Plea e Thuram, sendo que este último até esteve envolvido num caso de indisciplina grave. Se faltarem os golos, as dinâmicas deste Borussia Monchengladbach não são as mesmas.

O segundo fator tem a ver com a participação na Liga dos Campeões. Como sabemos, para uma equipa fazer uma época sólida em duas competições tão exigentes como Primeira Liga Alemã e a “Champions”, é precisa uma preparação mental e uma disponibilidade física que este clube não demonstrou, talvez pela inexperiência nestas andanças.

Ainda assim, registo com agrado o facto de terem conseguido ultrapassar a fase de grupos, deixando aí uma belíssima imagem, onde tinha como adversários Inter de Milão ou até o próprio Real Madrid CF, atual semi-finalista da prova milionária. Ponto positivo também para a forma como comunicam nas redes sociais, sempre com humor, desportivismo e proximidade com o adepto. Um facto que é, na verdade, replicado por grande parte das equipas alemãs. Nós agradecemos, “admin”.

1.


ACF Fiorentina- Por último, viajo até Florença. A equipa local, longe de tempos onde brilharam Batistuta e Rui Costa, não pode ser considerada “coitadinha”. Ribery é a estrela mais conhecida, apesar de já estar na fase final da carreira, Martin Cáceres, Pulgar, Callejon, ou as jovens estrelas Gastrovilli e Vlahovic.

Face a isto, seria de pensar que estivessem a lutar pelos lugares da Liga Europa, mas isso não acontece. À data que este texto está a ser escrito, a equipa está em 14º lugar com 33 pontos, apenas cinco acima da “linha de água”, uma posição que não é compatível com a qualidade do plantel.

Ao longo da época, Iachini (o treinador que a começou) foi despedido devido a maus resultados e para o seu lugar chegou o experiente Cesare Prandelli. Quando a ACF Fiorentina estava a estabilizar, a fazer até grandes exibições, Prandelli demitiu-se alegando “questões pessoais”, naquela que, segundo a carta que o próprio dirigiu aos adeptos, pode mesmo ter sido a sua última aventura como treinador de futebol. Ora, para o seu lugar, o presidente foi buscar… Iachini, novamente. Uma instabilidade que não traz nada de bom.

Depois, a saída da maior estrela para a Juventus FC – Chiesa – deixou a equipa órfã da sua referência, algo que nunca é fácil de ultrapassar. Se são razões suficientes? A mim parece-me que sim, mas pode até ter a ver com mais que isto. Para já, as boas notícias são o regresso às vitórias. Veremos se assim continuam e não vemos mais um histórico a descer de divisão, um destino ao qual o Schalke 04 sucumbiu e ao qual outros parecem não estar a resistir.

Carlos Ribeiro

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