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Maratona ou Sprint? | A reta final na corrida pelo título nas cinco principais ligas europeias

Diogo Ribeiro · 7 min

O Besiktas pretende assegurar a contratação de um jogador do Arsenal.
Foto: Arsenal FC

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Findada a primeira paragem para seleções de 2023, os olhos voltam a virar-se para os campeonatos nacionais que entram na fase de todas as decisões, com destaque para a luta por cada título.

A maratona está praticamente a terminar e há vários cenários a descortinar nos principais campeonatos da Europa. Se há clubes que aproveitaram os vários quilómetros até à meta para construir uma vantagem que permite olhar para os últimos dois meses da temporada com tranquilidade, outros decidirão ao sprint o título de campeão. Cada ponto conta neste momento.

É então a altura perfeita para olhar para trás para o caminho de cada um dos candidatos, mas também perspetivar o futuro que cada um terá até ao dia da consagração… ou da morte na praia.

FRANÇA: CONSOLAÇÃO INSUFICIENTE

Com sete pontos de vantagem seria uma hecatombe o PSG não ser campeão. Um prémio insuficiente para um projeto do Qatar que ambiciona a Europa e que só se consegue contentar com a França.

Anos e anos de investimento contínuo transformaram o clube parisiense numa potência nacional e continental. O campeonato francês é neste momento encarado como uma certeza – oito títulos em dez anos – e a época do PSG tem no máximo sete jogos: a fase final da Liga dos Campeões.

Eliminado de forma precoce da competição, o clube arrastar-se-á até ao final da temporada. É notória a forma como encara com olhos diferentes a Ligue 1 – a mudança de mindset de França para a Europa deve ser vista como um dos fatores que explicam o insucesso continental – jogando sem alma, sem coração e arrastando-se em campo, perfeitamente consciente de que com mais ou menos esforço as partidas serão ganhas com base na qualidade individual tremenda do plantel.

A vantagem não é curta o suficiente para alugar autocarros, mas é praticamente impensável imaginar um cenário em que o PSG perde sete pontos para o Marselha ou nove pontos para o Lens, principais adversários. O mês de abril reserva para os parisienses as partidas (em teoria, naturalmente) mais difíceis – Lyon, Nice e Lens – e a existir alguma surpresa, esta será construída a partir daqui. Se tudo correr dentro dos naturais, o PSG será campeão sem suar demasiado e sem celebrar em demasia – afinal a época já é encarada na capital como um fracasso.

ITÁLIA: UMA QUESTÃO DE TEMPO

Com 19 – não é erro de digitação – pontos de vantagem é já claro que as ruas de Nápoles celebrarão. Mais de 30 anos depois, os adeptos fervorosos da cidade do Sul – rivalidade a todos os níveis com o Norte – vão finalmente soltar o grito entalado na garganta desde 1990, para alegria e júbilo de Maradona que, no altar dos deuses, está certamente a sorrir com a campanha do Nápoles.

Spalletti rejuvenescido trouxe as bases relacionais do futebol das interações a um Nápoles que se via sem alguns dos ídolos recentes – Koulibaly, Insigne ou Mertens. Com um mercado cirúrgico, apostando em mercados e jogadores alternativos e com a proposta de Spalletti perfeitamente adequada à equipa, o Nápoles voou. Osimhen e Kvaratskhelia são a dupla sensação da temporada e os representantes máximos do Nápoles que voltará ao topo.

Em Itália, mais do que no título, a principal luta está no acesso à Liga dos Campeões do próximo ano. Lazio, Inter e Milan partem à frente, mas Roma, Atalanta e Juventus – a quem foram subtraídos 15 pontos – têm condições para sonhar realisticamente. Com vários confrontos entre si, todas as jornadas apresentarão mudanças na tabela. Há uma competitividade muito grande na Liga Italiana fruto do trabalho tático extensível a vários clubes na última década que finalmente tem recolhido os frutos. 

Itália é hoje lugar de vanguarda no que ao plano tático diz respeito. As marcações predominantemente individuais e muitas vezes no campo todo obrigaram muitos treinadores a arranjar novas maneiras de as superar, saindo curto e procurando superá-las. Spalletti, De Zerbi, Italiano, Inzaghi, Sarri, entre outros foram e são nomes de luxo que refletem a qualidade do futebol em solo transalpino que já há muito abandonou os vários rótulos associados ao futebol extremamente defensivo. Não é obra do acaso termos três equipas italianas nos quartos da Champions.

ESPANHA: REGRESSO A BARCELONA

O Dia do Pai tratou de acabar com as dúvidas: o Barcelona regressou ao topo de Espanha e embalou para o título. A vitória no El Clássico abriu um fosso de 12 pontos de distância para os eternos rivais de Madrid que é, à partida, suficiente para os culés garantirem o título.

Depois da tempestade – maus resultados na Europa (ainda a serem resolvidos), grave crise financeira, saída de Messi, perda de identidade – a bonança parece estar mesmo para chegar e o barco do Barcelona navega em águas mais calmas. A formação voltou a dar frutos – Baldé e Gavi são titulares indiscutíveis (além do menino Pedri, atormentado por lesões) – e Xavi tratou-se de dar ao clube uma nova identidade.

Não é o Barcelona de Guardiola. Entre a euforia importa manter alguma clarividência e deixar bem claro que o Barça de Xavi está ainda bem longe do que tinha Xavi no meio-campo – qualidade, regularidade, consistência e brilhantismo. Mas também não tem de o ser. Com Xavi o Barcelona não é tão dominador, não é um rolo compressor nem vence todos os jogos de goleada. É o clube da consistência defensiva – ajuda ter Ter Stegen numa forma tremenda – da chegada por fora de Baldé e Dembelé/Raphinha e do quadrado do meio-campo com Gavi a partir da esquerda para o centro. São apenas nove golos sofridos em vinte seis jogos. 

Ainda com a segunda meia-final da Copa do Rey em andamento (vitória do Barcelona fora por 1-0 na primeira mão), o Barcelona não tem um calendário fácil: Atlético de Madrid, Bétis, Real Sociedad e Celta de Vigo. No entanto, o Real Madrid também tem um calendário apertado ao qual se juntam os confrontos para a Liga dos Campeões, competição primordial dos merengues. Depois da destruição, Xavi voltou a unir os cacos e o Barcelona já tem de novo corpo e competitividade. Aos poucos vai-se reerguendo.

ALEMANHA: DER KLASSIKER A ABRIR

Não é preciso esperar muito para o jogo do ano (e talvez do título) na Alemanha. Um Bayern mais fragilizado que nunca contra um Borussia Dortmund moralizado que chega à 25ª jornada na liderança.

A paragem de seleções foi atribulada para o Bayern que viu Nagelsmann sair pela porta dos fundos – sem grandes explicações, numa jogada de bastidores – e Tuchel a chegar. Não estava a ser a temporada mais vitoriosa da história para os bávaros, mas a um ponto do primeiro lugar e nos quartos de final da Liga dos Campeões não era previsível uma saída a meio da época, especialmente num clube cuja gestão tem sido criteriosa.

É a oportunidade de ouro para o Borussia Dortmund. Terzic tem uma equipa bem encaixada e com alternativas na maioria das posições. Há jogadores de classe mundial consolidados – Hummels, Reus, Haller – e jovens com estatuto – Bellingham, Schlotterbeck, Adeyemi – e uma equipa que acredita e que já deu provas de superação. Não entusiasma todas as semanas, mas tem conseguido resistir às constantes perdas de pontos de forma surpreendente que se repetem temporada após temporada.

E, se o Bayern assumira a liderança, voltou a perdê-la e a muralha amarela está na dianteira. Este sábado joga-se a liderança. Ou tudo se mantém igual, ou o Dortmund ganha um enorme balão de oxigénio ou Tuchel inicia de forma perfeita a caminhada em Munique. Depois ainda há oito jogos – ambas as equipas com um calendário propício a percalços – até à decisão. Na discussão mais aberta das cinco ligas pode ser quebrada a hegemonia do Bayern.

INGLATERRA: MESTRE OU APRENDIZ?

Arteta ou Guardiola? Arsenal ou Manchester City? Um dos dois vencerá o título em Inglaterra. Neste momento, o Arsenal lidera com oito pontos de vantagem, mas com mais um jogo que o rival. 

A sequência de fevereiro – derrotas com Everton e Manchester City e empate com o Brentford – foi um baque na temporada do Arsenal e deixou a equipa de Guardiola mais perto dos gunners. A vitória nos descontos contra o Aston Villa devolveu a estrelinha ao Arsenal que desde então só sabe ganhar na Premier League. Foi eliminado por um Super Sporting da Liga Europa o que até pode vir a ser positivo, permitindo à equipa concentrar o foco exclusivamente na Premier League.

Já o Manchester City tem sido algo irregular na temporada, mas tem em Haaland uma garantia de golos. A meias com a Liga dos Campeões – objetivo principal de Guardiola – a Premier continua a ser uma prioridade para Guardiola que vê o antigo adjunto à sua frente. Já tropeçou várias vezes, mas é uma equipa cuja regularidade lhe permitiu ganhar a maioria dos títulos nos últimos anos.

26 de abril é o dia do grande jogo, o dia em que o Arsenal se desloca a Manchester. Muito se desenrolará até lá e depois desse jogo ainda faltarão outros cinco na decisão do campeão inglês. O tempo e a consistência ditarão se Guardiola se voltará a superiorizar ou se Arteta levará o Arsenal quase vinte anos depois ao título. Qualquer que seja o desfecho, perspetivasse uma luta bem divertida de assistir.

Diogo Ribeiro

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