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Os 5 destaques do fim de semana no Futebol Internacional

Diogo Ribeiro · 9 min

Futebol Inglês Jorginho
Foto: Arsenal FC

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Mais um fim-de-semana de futebol de alto nível. Neste momento, difícil é desiludir. A imensidão de roteiros de cinema, de propostas interessantes, de jogos decisivos, só nos deixa a nós, adeptos deste desporto, com uma dificuldade: escolher o jogo a ver.

Infelizmente os milhões ainda não compram mais minutos no relógio para ver todo o futebol da Europa e do Mundo, mas mesmo assim há jogos a que não dá para escapar e lutas pelo título a que, inevitavelmente, dedicamos mais tempo. Ficam de fora da lista, entre outros, o super Nápoles de Osimehn e Kvaratskhelia (jogou sexta-feira) ou o Feyenoord – AZ Alkmaar, expoente do futebol neerlandês da época.

Estes são, assim, os cinco destaques do fim-de-semana no que toca ao futebol internacional.

DE VOLTA AO TOPO

Sábado às 12:30. Enquanto os olhos de muitos portugueses – e ingleses também – demoravam a abrir para saudar o fim-de-semana já se preparava um dos jogos grandes de Inglaterra. O Aston Villa em ascensão desde a chegada de Unai Emery recebeu o Arsenal de Mikel Arteta, sem vencer há quatro jogos (três no campeonato) e a querer retomar o caminho dos triunfos que alimenta o sonho da Premier League. 

O Arsenal esteve por duas vezes a perder e aos 90 minutos o placar mostrava um 2-2. Não seria um péssimo resultado se analisado individualmente, mas o contexto tornava-o perigoso. O Arsenal não podia perder mais pontos na luta pelo título. À boleia de Jorginho – assumiu a partida e desequilibrou no passe – o Arsenal cresceu na segunda parte, depois de uma primeira metade em que desiludiu pela permeabilidade defensiva. De forma quase poética, aos 93 minutos o italiano tratou-se de colocar no pé direito todas as esperanças londrinas e de atirar à baliza. A bola bateu na trave, rebateu na cabeça de Emiliano Martínez e entrou na baliza. No último lance da partida e com o guarda-redes argentino na área, esperando um milagre no canto ofensivo do Villa, o Arsenal ainda voltou a marcar. Fica na retina a temporização e o passe de Fábio Vieira, a provar que merece mais minutos em campo (especialmente em jogos em que o Arsenal precise de golos).

O final de jogo dramático pode impulsionar novamente o Arsenal na luta pelo título. A equipa deu mostras de ter estofo para ganhar, retomou o sabor da vitória e a forma como esta foi conquistada deixa no ar um cheirinho a estrelinha. Duros meses se adivinham pela frente, mas os gunners podem continuar a sonhar.

SÁBADO AOS TROPEÇÕES

O sonho do Arsenal está vivo, não só pela vitória, mas também pelo desaire do Manchester City. A bola é redonda e dá espaço para sonhar. O Nottingham Forest foi amplamente inferior, mas conseguiu resgatar um ponto importante na luta pela manutenção. Bernardo Silva voltou a fazer tudo – posicional e exibicionalmente, com um grande golo – mas não chegou. O City desperdiçou várias oportunidades, Haaland voltou a provar que é humano e que pode falhar e Chris Wood acabou por marcar o golo do empate já para lá dos 80 minutos. A equipa de Guardiola desceu novamente para a segunda posição (e tem o Manchester United a apenas três pontos).

A Premier League tem um poderio financeiro incomparável e mesmo as equipas em zona de descida conseguem atrair alguns dos melhores jogadores de outras ligas da Europa. Onuachu e Sulemana são exemplo e foram titulares no jogo que opôs o último colocado da Liga contra o Chelsea dos milhões. As contratações Badiashile, Enzo Fernandez, João Félix, Madueke e Fofana foram titulares, Mudryk ainda se juntou, mas nada corre bem ao Chelsea de Graham Potter. Os milhões ajudam, mas não compram tudo e o Chelsea está afundado numa crise de resultados no 10º lugar. E, num jogo com tantas caras novas, decidiu o mesmo de sempre: Ward-Prowse de livre direto. É um especialista neste momento e, com 17 tentos, está a um de igualar David Beckam como o melhor marcador de livres da Premier League.

Fora do top 4 depois da derrota está também o Newcastle. Há uns meses um jogo entre os magpies e o Liverpool teria favorito claro: os reds. Todavia, nesta fase da época o Newcastle era favorito e também perdeu. A equipa de Eddie Howe não costuma tremer atrás, mas foi um dia em que a Lei de Murphy deu provas da sua existência. Dois golos e Nick Pope expulso por mão fora da área aos 21 minutos. O Liverpool manifestou a sua resistência – Arnold por dentro, Gakpo e Darwin a atacar o espaço – e o Newcastle acabou por cair. A expulsão de Pope abre também alas a Karius para ser o titular na final da EFL Cup (Dubravka, o suplente, já atuou pelo Manchester United, o adversário).

CONTINUA O BAILE

O Liverpool-Real Madrid é um dos encontros mais aguardados da próxima semana. Antes disso, tanto os reds como os merengues tiveram provas de fogo. Se o Liverpool a passou com distinção, o Real Madrid sofreu bastante para vencer o Osasuna. Um desaire neste momento pode ditar o afastamento da equipa de Ancelotti da luta pelo título. A queda de rendimento coletiva e as lesões de jogadores importantes não ajudam a tranquilizar, mas a vitória pode ajudar a tranquilizar o Real Madrid antes da Champions (uma competição à parte para os merengues).

O Osasuna é uma das equipas interessantes da La Liga. Sem ser muito ousada com bola, gosta de ter o controlo das partidas e sabe tratar o esférico. Com os laterais e centrais abertos, Moi Gómez teve espaço para receber orientado, virar-se para jogo e colocar o passe no sítio certo. Os apoios frontais e a capacidade de ganhar bolas de Budimir ajudaram a aproximar o clube basco da baliza e durante 75 minutos a equipa de Arrasate foi superior. Capaz de ultrapassar com facilidade a pressão merengue e recuperando muitas bolas em terrenos altos o Osasuna trouxe problemas ao Real Madrid que, com exceção dos primeiros minutos de cada parte, não dava boas sensações. Com exceção de um jogador: Vinícius Júnior.

As vaias da bancada – a La Liga continua a ignorar o elefante na sala – fizeram-se ouvir desde o início e alimentaram o brasileiro para mais uma noite de magia e irreverência no seu futebol. A subida de rendimento de Alaba – atraía o extremo – libertou Vini Jr para duelos com Moncayola, o médio adaptado a lateral por necessidade. Saiu quase sempre por cima o brasileiro que fez a assistência para o primeiro dos merengues. Ainda marcou um segundo, anulado por fora de jogo, mas o jogo deixou outro menino brilhar. Álvaro Rodriguez brilhou no Sudamericano Sub-20, entrou aos 87 minutos e fez duas assistências (apenas uma contou). Tem 18 anos e mostrou um discernimento e leitura de jogo incomuns tendo em conta o contexto. Para observar de perto, bem como a luta pelo título (o Barcelona fez a sua parte pelo que o Real Madrid continua oito pontos atrás do maior rival).

JOGO DE LOUCOS

Se sábado abriu com um jogo de loucos, domingo não se deixou ficar atrás. A Ligue 1 marcou o encontro entre PSG e Lille para a hora de almoço e muitas refeições foram atrasadas certamente. Impossível retirar os olhos do ecrã num jogo que foi um autêntico buffet para os amantes de futebol: golos, reviravoltas, polémicas, drama e um golo no último minuto. 

A orquestra do PSG começou afinada e construiu um resultado confortável logo aos 17 minutos. 2-0, o trio da frente a bom nível e tudo parecia estar controlado. Mas o Lille de Paulo Fonseca, sem os mesmos valores individuais obviamente, é capaz de competir. E, se os parisienses se fazem valer pelas individualidades, o clube do Norte de França é uma orquestra que faz prevalecer o coletivo e conseguiu virar a partida. André Gomes – um dos cinco portugueses titulares – assumiu a batuta e regeu a turma de Paulo Sousa. Diakité, David e Bamba cantaram os agudos e o PSG ficou em complicações. Não eram notas, mas destroços graves e o alarme começou a fazer-se ouvir mais alto que a música.

O caso parecia malparado e o caos instalou-se. Luís Campos deixou as bancadas e juntou-se a Galtier – segundo Pedro Granger o elo mais fraco – vociferando palavras para os representantes da Liga e para dentro de campo. O certo é que é no meio do caos e da desordem que surgem as maiores estrelas. E regressando à música, do campo do PSG soltaram-se o barítono e o tenor, capazes de atingir as notas – e as performances – mais altas. Mbappé empatou – é, neste momento, o jogador mais impactante do mundo – e Messi deu o seu toque com um livre direto irrepreensível. 

Só não acabou tudo com uma valente vénia de agradecimento porque a terceira grande voz – Neymar, pois claro – saiu lesionada (além de Nuno Mendes). Seria fácil voltar a entrar no campo do conspiracionismo e relembrar que estamos na altura do Carnaval. Mas a sina de Neymar é inexplicável. Pode ficar de fora muito tempo e falhar o decisivo confronto da segunda mão da Liga dos Campeões – a quarta vez consecutiva que estaria de fora em pelo menos um confronto nesta fase. Mais do que caso médico, é caso de bruxaria.

LIDERANÇA A TRÊS

É impossível falar no confronto do PSG na Champions sem falar do adversário: o Bayern de Munique. Por muito complicado que seja enfrentar o gigante parisiense, para os bávaros não há adversário mais temível que o Borussia Monchengladbach (bem ilustrativo o meme do Gladbach). Nos últimos cinco confrontos que opuseram as duas equipas o Bayern de Munique não venceu e este fim-de-semana perdeu 3-2. Nem Sommer – noutras ocasiões vilão para o Bayern – foi capaz de salvar os bávaros. Importa relembrar que a equipa de Nagelsmann não perdia desde setembro e que, apesar do bom futebol, o Gladbach está em oitavo lugar no campeonato alemão. Outro caso de bruxaria? A qualidade de Itakura, Koné, Stindl, Hofmann e Pléa discorda.

O Union Berlim poderia ultrapassar o Bayern mas não foi além de um empate a zeros contra o Schalke 04. O lanterna vermelho vem de uma sequência de quatro jogos consecutivos com o mesmo resultado e especialistas garantem que a sequência só será travada quando apostares nesse resultado. Num tom mais sério, é evidente que a proposta do Union não é de domínio e que os berlinenses se sentem mais confortáveis noutro registo onde não tenham de assumir o controlo da partida. A aventura europeia – aguarda-se o confronto em casa com o Ajax com muita expectativa – deixa marcas e o misto de titulares e suplentes também explica o jogo adormecido do Union. Igualou o Bayern no primeiro lugar e continua a construir uma bonita história de amor (sobe de forma sustentada patamares num clube que é muito mais que 90 minutos de futebol todas as semanas).

Como todas as histórias de amor de Hollywood, no futebol alemão também há um terceiro elemento na relação de Bayern e Union pelo título: o Borussia Dortmund. Não é tão entusiasmante como em outros anos, mas finalmente deixou de lado alguma da instabilidade tão característica. À boleia de Reus, Adeyemi ou Brandt a equipa de Terzic venceu de forma categórica o aflito Hertha e juntou-se ao primeiro lugar. Com o Friburgo a três pontos, o Leipzig a quatro e o Frankfurt a cinco, a Bundesliga está muito imprevisível. O desfecho até pode ser o mesmo de sempre, mas o roteiro está destinado a Hollywood. O desenlace final clarificará se se trata de um romance apaixonante ou de uma trágica comédia. A avaliação depende da cor da camisola vestida.

Diogo Ribeiro

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