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Os 5 destaques do fim-de-semana no Futebol Internacional

Diogo Ribeiro · 6 min

Foto: Fluminense FC

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11 e 12 de março foram dias recheados de futebol. O mês de março, até pela paragem de seleções é o momento que antecede o tudo ou nada. Muitos dos jogos têm redobrada importância e as lutas pelos títulos – que são o principal destaque, naturalmente – estão ao rubro.

No entanto e além do título – este fim-de-semana o destaque está em Inglaterra e na Alemanha – outras lutas acontecem de forma simultânea. Desde logo pela Champions de quem dificilmente consegue sonhar com o título – em Itália – e pela manutenção, com vários clubes a tentarem todos os esforços para continuar no primeiro patamar das ligas nacionais. Há paragem em Inglaterra para ver os aflitos.

No meio de tamanha agitação há ainda espaço para uma viagem fora da Europa. Marcelo chegou ao Fluminense e teve apresentação à altura. Foi a cereja no topo do bolo de uma semana de sonho para a equipa de Fernando Diniz.

O regresso mais esperado

Ocupou durante longos anos o estatuto de melhor lateral-esquerdo do mundo e voltou agora ao Brasil. Marcelo encantou o mundo ao serviço do Real Madrid, teve uma passagem com pouco sucesso pela Grécia e regressa ao clube onde nasceu como jogador.

17 anos depois, Marcelo voltou ao Fluminense, o clube do seu coração. Era ainda sexta-feira no Brasil, as primeiras horas de sábado em Portugal quando a presença do brasileiro encheu as ruas do Rio de Janeiro de adeptos e o Maracanã com mais de 30 000 aficionados prontos para gritar pelo maior ídolo da casa do século. Já não está no auge da forma física, mas ainda tem capacidade técnica para marcar diferenças.

A expressão do lateral-esquerdo nos últimos 20 anos é imensa. Não estamos a falar de um jogador qualquer, no final de contas. Há ainda questões sobre a posição que irá ocupar em campo, mas à partida deverá continuar a atuar pela esquerda, na posição que o consagrou na elite. Independentemente disso, é o futebol praticado pelo Fluminense que aumenta as expectativas que recaem naturalmente em Marcelo.

A equipa de Fernando Diniz procura um futebol rendilhado, saindo desde trás, concentrando jogadores em torno da bola de forma a encontrar sempre um jogador livre. Tendo em conta a quebra física de Marcelo – a idade passa por todos – o privilégio da bola e da posse traduz uma simultaneidade de perfis do clube com o jogador, que à partida estarão em perfeita sintonia. Numa época em que já levantou um título – a Taça Guanabara contra o Flamengo, eterno rival – é preciso manter o Fluminense debaixo de olho. Marcelo será mais um atrativo, seguramente.

‘Tri’ssard e o desejo de brilhar

A entrada do Chelsea no negócio de Mudryk tirou o ucraniano – visivelmente entusiasmado com essa possibilidade – do Arsenal, mas trouxe Trossard para o Norte de Londres.

O belga ex-Brighton começou como um suplente de luxo, capaz de suprir qualquer ausência nas quatro posições da frente. A lesão de Gabriel Jesus e a incapacidade de Nketiah se assumir de forma constante como referência – mostrou traços importantes e muito trabalho, mas ainda não está no nível para assumir a titularidade – precipitou a sua entrada no onze como avançado móvel. O Arsenal sentiu a sua presença e voltou a subir de rendimento.

Na deslocação sempre perigosa a Craven Cottage o Arsenal jogou contra uma das equipas revelação da temporada. Ainda que sem Palhinha – tem um impacto tremendo na maneira de jogar – o Fulham tem recursos para jogar e Solomon em ascensão depois da lesão. Nada pode fazer perante um Arsenal avassalador que resolveu o jogo na primeira parte.

Trossard não marcou, mas assistiu por três vezes. Cai para as linhas, arrasta marcações e procura associar-se com os colegas. Entende de forma perfeita o jogo, sabe onde se posicionar e que movimentação realizar, criando espaços sem bola, e dando continuidade com bola. Percebeu as dificuldades de Robinson na defesa do segundo poste e massacrou o americano. Brilha uma nova estrela na constelação londrina.

A outra luta em Inglaterra

A vitória do Everton impediu o Bournemouth de respirar acima da linha de água, mas a vitória sobre o Liverpool pode vir a revelar-se decisiva. A luta pela manutenção está ao rubro na Premier League. Do 12º ao último há apenas cinco pontos de diferença e ninguém está a salvo. Esta jornada, entre os aflitos, o Bournemouth foi o destaque.

Aproveitou a baixa de forma do Liverpool – que até parecia demonstrar sinais de recuperação – e expôs as fragilidades dos reds. Virgil Van Dijk está uma sombra do passado e sofreu muito com Outtara da direita para dentro. Teve problemas em lidar com a profundidade e foi incapaz de acompanhar as mudanças de velocidade do reforço ex-Lorient.

O Bournemouth continua aflito, mas ganhou consistência defensiva com Senesi, Neto tem sido importante e além de Outtara – entrou de rompante e chamou a sim protagonismo – sinónimo de verticalidade e velocidade, há Biling na ligação entre meio-campo e ataque e Solanke como referência capaz de jogar de costas.

Triunfou o Bournemouth, mas não foi o único felizardo da jornada. O Everton também ganhou e Leeds e Southampton empataram (contra Brighton e Manchester United respetivamente). Está bem animada a luta pela permanência na Premier League.

Quatro por três

Não há grandes dúvidas sobre o próximo campeão em Itália. Até estar matematicamente assegurado tudo pode acontecer, mas o Nápoles já está com uma mão e meio no Scudetto. 

Apesar disso vislumbra-se uma grande luta pelo top 4 que garante a presença na Liga dos Campeões da próxima temporada. Há muitos tropeções entre as quatro equipas (mais duas) que lutam pelos três lugares que asseguram. Atalanta e Juventus – teve 15 pontos subtraídos fora de campo – estão atrás, mas podem sonhar com um lugar nos quatro primeiros. 

Ainda assim, é em Milão – Inter e Milan – e na capital – Roma e Lazio – que estão os focos principais na luta pelo palco máximo na Europa. Tirando o Milan – joga hoje com a Salernitana – todos perderam pontos. A Lazio empatou a zeros com o Bologna; o Inter (ainda na sexta-feira) perdeu com o Spezia; e a Roma, num jogo de loucos perdeu com o Sassuolo.

Falamos de Musa Barrow como referência ofensiva do Bologna, de Dragowski na baliza do Spezia ou de Laurientié, variável tanto associativa como disruptiva do Sassuolo. Conseguiram apagar o brilho de jogadores como Luís Alberto, Barella ou Dybala e abrilhantaram a jornada transalpina.

Revierderby

“Dortumundar”. Verbo que traduz o ato de falhar nos momentos decisivos quando nada o fazia prever. E o Dortmund “dortmundou”. 

Nos dois primeiros meses de 2023 nenhum clube sorriu tanto como o Dortmund. Foram dez vitórias consecutivas que se estenderam até ao início de março. Com a liderança partilhada da Bundesliga e em vantagem na eliminatória da Liga dos Campeões, o Dortmund entrou numa fase decisiva da temporada.

Passada uma semana o clube continua a ser o mesmo. Mas perdeu a sequência de vitórias, foi eliminado da Liga dos Campeões e a liderança da Bundesliga. Raphael Guerreiro fez um grande jogo como médio – coroado com um golo – Schlotterbeck mostrou garantias atrás e à frente – uma dupla de centrais com boa capacidade de sair – mas o Dortmund acabou por permitir por duas vezes o empate. 

Sorriu o rival local que com o empate largou o posto de lanterna vermelha, agora reservado ao Hoffenheim que depois de um bom início de época está numa fase tenebrosa (não ganha – em partidas oficiais – desde 18 de outubro). Há jogos que vão além da tendência e aqueles que envolvem a mesma cidade têm um poder especial.

Além do Schalke, também o Bayern sorriu, assumindo a liderança isolada da Bundesliga a 10 jornadas do fim. Ainda há esperanças para a muralha amarela que tem dado provas de superação e de melhoria e tem qualidade no plantel para disputar cada ponto (além dos já mencionados há Bellingham, Haller ou Malen, por exemplo). As próximas semanas ditarão se será mesmo até ao fim. 

Diogo Ribeiro

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