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As 5 despedidas mais emotivas do futebol

Francisco Grácio Martins · 5 min

As 5 despedidas mais emotivas do futebol

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Desrespeitando qualquer regra de bom jornalismo que assente na recusa do sensacionalismo, cada uma destas despedidas aqui recordadas reveste-se de incomensurável e indescritível carga emotiva. Em representação de um clube, de uma cidade, do sucesso ou de um estilo, estes nomes prevalecerão para sempre guardados num cantinho no coração de quem com eles travou batalhas, de quem os viu crescer e aplaudiu os seus sucessos e de quem os admira. Cada um dos nomes aqui apontados saiu pela porta grande, entre lágrimas e arrepios, porém com a certeza de que o futebol é efémero, mas a glória é eterna.

5.

Alex Ferguson – Foi o treinador que mais tempo esteve no comando do Manchester United FC, tendo ultrapassado o registo de Matt Busby. Foram 27 épocas, 1500 jogos e 895 vitórias ao serviço dos red devils. Durante esse período, conquistou 38 troféus o que, juntando aos que ganhou na Escócia, com o Aberdeen, fizeram dele o treinador mais titulado de sempre. Com o lapidar da Class of 92, que incluía Gary Neville, Phil Neville, Ryan Giggs, Paul Scholes, Nicky Butt e David Beckham, e com outros talentos que foi descobrindo (que o diga Cristiano Ronaldo), trouxe um sucesso sem precedentes para Old Trafford. Para além dos 13 títulos de campeão nacional, venceu o primeiro triplete da história do futebol inglês, em 1998/1999, vencendo a Liga dos Campeões, a Liga Inglesa e a FA Cup. Este feito levou a Rainha Isabel II a condecorá-lo com o título de Cavaleiro do Império. Desde aí, intrinsecamente ligado ao seu nome, está o título de Sir. Em 2013, deixou os red devils, após conquistar o vigésimo título de campeão inglês para o clube.

4.

Iniesta – O espanhol marcou uma era no FC Barcelona. Personalizava, em conjunto com Xavi, o que era o futebol de posse, toque e requinte. Fazia com ele uma dupla magnífica, embora muitos não considerassem o talento de ambos compatível, mas, segundo diz Xavi, eles sempre souberam que não eram “cromos repetidos”. Iniesta marcou a era do tiki- taka com a sua classe e elegância. Nunca precisou de grandes correrias ou de um físico imponente para deixar que o seu jogo fluísse. Bastava-lhe pensar antes dos outros, ver o que os outros não viam e, depois, os seus pés executavam com mestria. Deixou o Barça em 2018, após 22 anos no clube, com o epíteto de Don Andrés a pesar-lhe nos ombros. Foi homenageado por um Camp Nou cheio, mas o momento mais marcante e que não deixa ninguém indiferente deu-se quando se sentou no relvado do estádio onde brilhou toda a sua vida e admirou as bancadas vazias que puderam, ao longo dos anos, apreciar o seu talento. Foi ali que teve consciência de que era o fim. Rendeu-se a ele próprio.

3.

Torres – Foi niño a vida toda, mas para os adeptos do Club Atlético de Madrid foi El Niño. Deixou definitivamente o clube de Madrid em 2018. Chegou à equipa principal dos colchoneros com 17 anos, numa altura em que o clube não era o que conhecemos hoje. Fez parte da sua ascensão e foi sempre o menino querido. Andou por várias paragens, umas com mais sucesso do que outras, mas regressou ao seu clube do coração onde, numa fase descendente da carreira, ainda conseguiu ter uma despedida em grande. Fernando Torres marca também o fim de um ciclo. Em 2017, o Atlético despediu-se do Vicente Calderón, depois de Torres, Godin, Juanfran e Filipe Luís, o que demonstra um processo de renovação. El Niño deixou os rojiblancos com a conquista de uma Liga Europa, o seu único título relevante pelo clube. Nunca precisou de taças para ser admirado pelos adeptos que o viram crescer “de niño a leyenda” (de menino a lenda) e que o homenagearam em pleno Wanda Metropolitano, onde se despediu em lágrimas. “Para todos los niños, nada es imposible y si eres Atlético, menos” (para todos os meninos, nada é impossível e se és do Atlético, menos), disse nas celebrações da conquista da Liga Europa.

2.

Gerrard – 17 temporadas e mais de 700 jogos pelo Liverpool FC, erguendo a braçadeira de capitão em muitos deles. Foi adorado pelos adeptos dos reds e, no dia da sua despedida, teve direito a um You’ll Never Walk Alone só para ele. Na volta que deu ao estádio no dia do seu último jogo em Anfield, foi-lhe reconhecida a dedicação e amor ao clube através das palmas e cânticos que os seus fãs lhe dedicaram. Conquistou todos os troféus europeus e todas as taças internas. Faltou-lhe apenas uma coisa: a Premier League.

1.

Totti – Houve quem pensasse que morria antes de o ver deixar a AS Roma. Totti é o ídolo máximo da cidade, sendo quase endeusado pela lealdade que mostrou ao clube. É o único desta lista que só conheceu uma equipa, levando uma vida dedicada aos giallorossi. No entanto, ser romano e romanista é bem diferente, mas Totti é a simbiose perfeita entre os dois: Totti e Roma são um só. Quem diria que, em jovem, esteve prestes a ir para a SS Lazio, o outro clube da cidade? E quantos têm a coragem de rejeitar o Real Madrid CF por pelo menos duas vezes? Encantava-o jogar num clube onde se sentia importante e em que se celebravam os títulos, pela sua escassez, de uma maneira invulgar. Fez parte da equipa que, em 2000/2001, conquistou a Serie A. Em 2017, os adeptos da Roma choraram a sua partida, num Estádio Olímpico a rebentar pelas costuras. Dois anos depois, foi De Rossi quem disse adeus em mais uma despedida dura, em que até o imperador Totti se emocionou.

 

 

Francisco Grácio Martins

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