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As 5 equipas que mais surpreenderam em 2020/2021

Carlos Ribeiro · 6 min

As 5 equipas que mais surpreenderam em 2020/2021
Foto: Carlos Silva/Bola na Rede

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Comentários (1)

Depois de ter reflectido sobre as cinco equipas que me desiludiram mais durante esta época – e podiam até ter sido mais – proponho agora o mesmo exercício, mas em sentido contrário: cinco conjuntos que me surpreenderam pela positiva. O mais que provável campeão português integra, “obrigatoriamente”, esta lista.

5.

Sporting CP – O mais que provável campeão nacional 2020/21. Não devia ser uma novidade muito grande, porque o que vimos fazer Ruben Amorim com planteis de qualidade média/alta até ao momento em que chegou aos leões, estava a fazer antever que, com uma temporada planeada por ele, chegava longe. De momento, não há mais longe que isto: terminar a seca prolongada de campeonatos nacionais por parte do Sporting CP.

Ele é claramente o principal responsável por esta época bem-sucedida, onde até  já venceram uma Taça da Liga. A mim surpreendeu-me porque apesar de já esperar o Sporting CP melhor, nunca esperava que fosse desta forma. O lançamento de vários jovens na alta roda do futebol português, como Tiago Tomás, Matheus Nunes, Daniel Bragança… em conjunto com nomes mais experientes como Coates (que tem sido o melhor jogador da liga), Feddal, ou João Mário, fizeram um colectivo forte e raçudo. Quando a qualidade não abunda – como se verifica há vários jogos – chegam lá na raça e na inteligência em campo, com muito sangue frio.

4.

AC Milan – Agora ao fim é que estão a “vacilar”, mas não podia escrever este artigo sem falar nos Rossoneri. Depois de vários anos a atuar abaixo dos seus pergaminhos históricos, a equipa reforçou-se bem e arriscou nesta época ter como treinador Stefano Pioli, um homem que não tem a boa imprensa de Conte ou Alegri, por exemplo, mas que é muito competente e já tinha feito outros grandes trabalhos, nomeadamente na ACF Fiorentina e na SS Lazio.

Com o líder da equipa a ser Ibrahimovic, a ambição não podia ser fraca, mas a qualidade da equipa teria de corresponder… e correspondeu! Pelo menos, durante grande parte da temporada, estando mesmo em primeiro lugar durante várias semanas. Esta era uma situação que não esperava, mas por um lado a sagacidade da equipa no momento defensivo – que escondia algumas limitações neste capítulo – e, por outro lado, o poderio do meio-campo para a frente, tornaram este conjunto milanês um alvo a abater na Primeira Liga Italiana.

Parece que o grande AC Milan está de volta e eu, como grande fã do clube, não poderia mais satisfeito com esta notícia!

3.

AS Mónaco FC – Depois de início de época algo tremido, o AS Mónaco FC voltou a acertar o passo e está, neste momento, uma máquina bem oleada. Sem Mbappe e Bernardo Silva, a direção e o treinador depositam as suas esperanças num projeto parecido ao do Sporting CP: a experiência de Bem Yedder (capitão de equipa) e Volland, que estão em ótima forma, em conjunto com a juventude de Diatta, Golovin ou Fofana, apenas para citar alguns.

Também a escolha do treinador, Niko Kovac, demonstrou ser a acertada, depois de passar uma autêntica travessia no deserto ao longo das últimas temporadas. Com razão, a direção teve de reconstruir uma equipa para que a mesma ficasse de acordo com os pergaminhos a que os monegascos já nos habituaram, ou seja, luta por títulos e presença na Europa.

Neste momento está inclusivamente na luta pelo título, pelo que foi a equipa que mais surpreendeu pela positiva em França.

2.

Eintracht Frankfurt – Já o disse noutras alturas, inclusivamente no Bola na Rede, que sou um admirador da forma como este Eintracht Frankfurt joga. Não há mais alemão que isto: antes um 4-3 que um 1-0. Nós, os adeptos de futebol dinâmico e com golos, agradecemos, mas não era aqui que eu estava à espera que pudesse surgir um potencial membro do “top four” alemão.

Depois de uma época mais fraca, superaram todas as expectativas e, com André Silva a assumir-se como principal goleador, encontram-se em boa posição para o acesso à Liga dos Campeões. Oxalá não quebrem fisicamente, pois sabemos da exigência extra desta época.

O Eintracht Frankfurt é um exemplo claro que há alguns treinadores que não podem ser despedidos de imediato devido a mais resultados. Adi Hutter cumpriu e vai ser muitíssimo difícil de substituir. Fez de Kostic um jogador que nós pensávamos não existir, restaurou a confiança de Trapp na baliza e mostra-nos um André Silva que ainda não tínhamos visto. Tudo isto ao mesmo tempo que “lança” o japonês Kamada para a ribalta do futebol mundial.

1.

West Ham United FC – Esta foi, para mim, a maior surpresa da época. Confesso, não sou fã de Moyes e não dava nada pelos “Hammers”. Todos os anos é igual: contratações milionárias – para a realidade do futebol inglês, contratações normais –, mas sempre com treinadores que não tinham “dedos para tocar aquela guitarra”. No fim, assumiam-se como candidatos a descer, e já depois de um ou dois despedimentos ficavam na Primeira Liga Inglesa. A qualidade individual dos seus jogadores ali os mantinha, mas nunca a qualidade do coletivo, enquanto equipa propriamente dita.

Agora esqueçam isso tudo e vamos olhar para 2020/21. Desde que iniciaram esta caminhada, viam-se algumas diferenças: mais sólidos a defender (um problema recorrente neste West Ham United FC) e, apesar do fio de jogo não ser um regalo para a vista – como é por exemplo o do Leeds United FC de Bielsa –, os golos iam aparecendo, voltando a uma supremacia nas bolas paradas atacantes que já não se via desde o seu tempo a treinar o Everton FC.

À medida que as jornadas passavam, a equipa ia ficando confiante e ganhava cada vez mais, com a qualidade do futebol a aumentar significativamente. Fornals voltou ao seu melhor (ainda não se tinha visto em Inglaterra), Rice e Soucek assumiram-se no miolo com o último a ser um Fellaini nos “Toffies”, a que se juntaram os jovens Dawson e Bowen, lançados pelo técnico escocês e agora quase imprescindíveis.

No entanto, não contente com o que estava a fazer e querendo mais, reforçou-se cirurgicamente com Lingaard (a eterna promessa do Manchester United FC e meme da Internet) e ainda Benrahma, estrela do Segunda Liga Inglesa a quem se auspiciava um futuro brilhante. Apesar do ex-Brentford FC não ter pegado de estaca, Jesse Lingaard agarrou o lugar e fez uma segunda metade da época verdadeiramente fantástica, com uma preponderância tal em termos de golos e assistências, que era impossível imaginar. Inclusivamente para os técnicos de “Fantasy League”, onde me incluo.

Moyes deu uma segunda ou terceira vida ao jogador e, à boleia de uma equipa estável e goleadora, está em vias de garantir a presença ou na “Champions” ou, se o fulgor não durar até ao fim, na Liga Europa. Mais que merecido, digo eu.

Carlos Ribeiro

Redação Bola na Rede · ver artigos

Comentários 1

  1. Marta Rebelo

    Muito bom artigo!

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