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Edin Džeko: A breve história de um bom gigante

Joel Amorim · 5 min

Edin Džeko: A breve história de um bom gigante

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Cabeçalho Futebol Internacional

Em Agosto de 2015, o poderoso avançado bósnio Edin Džeko mudou-se de malas e bagagens para a capital italiana para representar o AS Roma num empréstimo avaliado em cerca de 4 milhões de euros e uma cláusula de opção de compra a rondar os 11 milhões euros. O emblema romano estava decidido em contar com Džeko a título definitivo e, sem surpresas, acionou a cláusula de compra apenas dois meses após a sua chegada.

Poderá ser legítimo dizer-se que o famoso artilheiro bósnio não teve uma época de sonho ao serviço dos Lupi, mas para quem conhece a história estatística de Džeko, os parcos oito golos que apontou na Serie A na temporada passada não devem constituir motivo para preocupação. O próprio Džeko reconhece e brinca com os dados estatísticos que mostram a sua propensão para marcar mais golos na segunda época que faz ao serviço do clube, superando quase sempre por números largos a quantidade de golos obtidos na sua temporada de estreia. Em 2005, quando se mudou da sua cidade natal Sarajevo para o FK Teplice marcou apenas 3 golos em 13 jogos, mas na época seguinte melhorou significativamente o seu registo, apontando 13 tentos em 30 partidas.

Edin Džeko ao serviço da AS Roma na temporada passada Fonte: Gazzetta/ Alfredo Falcone
Edin Džeko ao serviço da AS Roma na temporada passada
Fonte: Gazzetta/ Alfredo Falcone

Essa dicotomia foi ainda mais notória quando Džeko se mudou para a Alemanha para representar o VfL Wolfsburg e passou de 8 golos na sua época de estreia na Bundesliga para uns estrondosos 26 golos em 32 jogos na temporada seguinte, tornando-o logo de imediato num dos avançados mais desejados no velho continente. Numa entrevista recente ao website do AS Roma, Edin Džeko abordou este paradigma com alguns sorrisos à mistura afirmando que a segunda temporada “…é sempre melhor…”, não esquecendo porém o facto de o futebol praticado na “Liga Italiana ser mais defensivo do que todas as outras ligas”, algo que, segundo o avançado bósnio, prejudica os avançados com as suas características.

Džeko é visto por muitos especialistas como o ponta-de-lança típico, muito devido ao seu porte físico (1,93m), mas, na verdade, o gigante bósnio é muito mais do que uma máquina de fazer golos e a sua elevada qualidade técnica permite-lhe ir um pouco mais além do que aquele avançado convencional, que se limita a estar na área à espera que a bola lhe seja endereçada.

Como muitos outros bósnios da sua geração, Džeko sobreviveu a custo às agruras da guerra da Jugoslávia que eclodiu no início da década de 1990 e poderá dizer-se que foi o “excesso” de zelo da sua mãe Belma, que um dia o proibiu de vir jogar à bola com outros miúdos para fora do apartamento com 35 metros quadrados que partilhava com mais 15 pessoas, que lhe salvou a vida, já que, poucos instantes após terem começado a dar uns toques da bola, uma granada explodiu nas imediações causando algumas vítimas e lançando o pânico.

O desejo de Džeko em jogar futebol era grande e, apesar de não ter tido uma verdadeira infância até aos dez de idade, como relatou a sua mãe numa entrevista a um jornal inglês há alguns anos a esta parte, o jovem Edin deu os seus primeiros passos no mundo do futebol ao serviço do histórico emblema dos Balcãs, o FK Željezničar. Džeko fez parte das fileiras dos Željo durante nove anos, um clube reconhecido pela sua capacidade de formar jovens talentos, mas curiosamente Edin não era propriamente visto como uma verdadeira pérola nas escolas de formação do clube. Ao contrário daquilo que hoje acontece, Džeko actuava como médio de ataque ou como uma espécie de armador de jogo, servindo de apoio ao ponta-de-lança da equipa. A sua altura era vista como um entrave para que prosperasse nessa posição e, embora fosse dotado de uma técnica e capacidade de passe bastante apuradas, a lentidão de movimentos deixava-o em desvantagem numa posição que requer alguma agilidade e rapidez.

Edin Džeko é o quarto menino a contar da esquerda na fila de baixo em representação da sua equipa escolar Fonte: Daily Mail
Edin Džeko é o quarto menino a contar da esquerda na fila de baixo em
representação da sua equipa escolar
Fonte: Daily Mail

Os seus tempos ao serviço do emblema de Sarajevo foram complicados, mas um dos seus treinadores da altura, de seu nome Jiri Pilsek, vi-a em Džeko algo de especial, não obstante o facto de ele não gostar de cabecear a bola, tendo conseguido levá-lo consigo para o FK Teplice a troco de cerca de 25 mil euros, valor que surpreendeu os próprios responsáveis do FK Željezničar, que na altura afirmaram terem pensado que lhes havia saído a lotaria. Na verdade, o grande prémio saiu ao próprio Džeko, que, fazendo jus às palavras da sua mãe que o considerava um aluno extremamente aplicado, subiu a pulso na carreira, para no espaço de poucos anos se tornar num dos melhores avançados do futebol europeu.

Džeko é muito mais do que um mero jogador de futebol e a sua vida fora das quatros linhas tem, ao longo dos anos, merecido a atenção dos amantes do desporto rei. O gigante bósnio é embaixador da UNICEF e é visto com muita frequência em acções desta organização mundial que se dedica exclusivamente às crianças. Džeko visita frequentemente escolas no seu país natal e não consegue esconder a frustração por aquilo que lá se passa. Numa entrevista concedida em 2011 ao Daily Mail, Džeko relatou a forma como tenta passar a sua mensagem e as suas experiências de vida àquelas crianças que também não têm uma vida fácil: “Muitas das escolas estão divididas.

É como se fossem duas escolas numa só, com bósnios de um lado e croatas do outro.” (…) “Eu vou lá para tentar os persuadir a juntarem-se, porque a guerra gerou ódio e desconfiança (…) Tento mostrar às crianças que o nome deles ou o meu nome não são importantes e que também não é importante se somos Muçulmanos, Cristãos ou Católicos (…) O que lhes tento mostrar é que o mais importante é tornar-mo-nos bons homens e boas mulheres.

Edin Džeko numa acção de campanha pela igualdade e contra a discriminação ao serviço da UNICEF Fonte: Noticias.BOL
Edin Džeko numa acção de campanha pela igualdade e contra a discriminação
ao serviço da UNICEF
Fonte: Noticias.BOL

Džeko é conhecido como Diamant, o diamante, na sua terra natal e é visto como um símbolo de união entre os bósnios. Apesar de ter vivido bem de perto o sofrimento de um dos conflitos mais sangrentos do século XX, Džeko apregoa a união entre povos e frequentemente sublinha nas suas intervenções públicas que “não importa se vimos da Croácia, do Gana, da Bósnia ou da Inglaterra, ou que é importante é o ser humano.” Para além de um homem que une credos e religiões no seu país natal, Edin é também conhecido pela sua extrema bondade, embora nunca se vanglorie das suas acções, sendo sobejamente conhecido o episódio de há uns anos, em que ofereceu um Skoda Octavia novo em folha a um taxista na Bósnia, que lhe dava boleia frequentemente quando ele jogava no FK Željezničar.

Nos dias de hoje, começa a deixar de ser comum encontrar exemplos como os de Edin Džeko, que, para além de ser um atleta de referência, é também um excelente ser humano que não olha a meios para deixar a sua marca em prol da construção de uma Bósnia com um futuro melhor e dotada de ainda melhores seres humanos.

Joel Amorim

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