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O futebol atual cai alguma vezes naquilo que eu considero um erro de análise, relacionado com o facto de certos jogadores, ora por nunca terem jogado nas cinco principais ligas, ora porque tiveram uma passagem menos feliz por um clube “grande”, são quase de imediato rotulados como flops ou no máximo – “tem qualidade, mas não é de topo”.
No entanto, existem casos em que não existiram oportunidades certas para brilhar ao mais alto nível, ou ocorreu o abraçar de projetos errados no momento errado da carreira.
Segue a minha lista de cinco avançados de enormíssima qualidade, mas que por este ou aquele motivo, nunca tiverem o reconhecimento devido.
5.
Krzysztof Piatek (Hertha BSC) – Uma carreira de altos e baixos, mas que parece ser mais uma questão mental do que técnica.
Piatek, pelas características que tem, é um jogador que necessita de continuidade. Sempre que foi titular indiscutível, saiu-se bem. Sempre que altera entre titularidade e banco os seus números descem consideravelmente.
Como titular indiscutível, somou 21 golos na sua última época no Wisla Cracóvia SSA, seguido de 19 golos em meia época no Genoa CFC e mais 11 golos em meia época no AC Milan (ou seja, 29 golos numa só época da Liga Italiana). Na época seguinte, a inesperada chegada a Milão de Ibrahimovic retirou-lhe a titularidade e acabou emprestado ao Hertha BSC. Ao longo deste período foi somando números e exibições interessantes ao serviço da seleção polaca.
Sempre que o vejo jogar, para mim, é um avançado que não engana, com aquele “killer instinct”.
4.
— André Silva (@andrevsilva19) March 29, 2021
André Silva (Eintracht Frankfurt FAG) – Muito futebol, pouca média.
Depois de ter sido melhor marcador da Segunda Liga com a equipa B do FC Porto, na sua época a titular na equipa principal dos azuis e brancos marcou mais de 20 golos.
Emigrou para o AC Milan, no que se iria revelar um verdadeiro erro na carreira. Nessa época, o emblema Milanês contratou vários avançados e André Silva teve pouco espaço e poucos minutos, numa altura que seria fundamental para a sua afirmação.
Foi para Sevilha à procura de minutos, que começou por ter, colecionando golos nas primeiras jornadas, mas uma lesão chata colocou-o no “estaleiro” durante alguns meses, perdendo o seu espaço na equipa da Andaluzia. Quando recuperou da lesão, a equipa estava bem servida e André Silva nunca mais conseguiu recuperar a titularidade de um comboio já em andamento.
É em Frankfurt que finalmente encontra o cenário ideal, com o Eintracht Frankfurt FAG. a apostar de forma regular no avançado português, que não perdeu tempo em demonstrar toda a sua qualidade: depois de 16 golos na primeira época na Liga Alemã, este ano já vai com 24 golos, posicionando-se no segundo lugar dos melhores marcadores, à frente do fenómeno Haaland.
Rápido, inteligente, energético, é um avançado que com a conjuntura certa é garantia de golos, assistência e rendimento.
3.
🇹🇷 𝑻𝑯𝑨𝑻 Burak Yılmaz hat-trick 🎩💫#WCQ | @MilliTakimlar pic.twitter.com/l0Bt7D8yQL
— UEFA EURO 2020 (@EURO2020) March 26, 2021
Burak Yilmaz (Lille OSCM) – Este verdadeiro veterano do futebol despontou na Turquia muito novo, tendo já representado variados emblemas no seu país de origem.
Além de ser um líder nato, capitão de quase todas as equipas que representou e da sua seleção, é um jogador altamente respeitado no seu país, mas que fora dele, nem sempre teve o reconhecimento devido. Burak foi quase sempre uma máquina de fazer golos, tendo no seu currículo 5 épocas em que marcou mais de 20 golos (mais de 30 em duas delas), com passagens marcantes pelo futebol chines e francês. Pelo seu país, tem uma média de quase um golo marcado a cada dois jogos.
Além de ter sido já por duas vezes o melhor marcador da Liga Turca, tem no seu palmarés dois campeonatos turcos, cinco taças e quatro supertaças. Neste momento, é líder da Liga Francesa, abrindo aqui a perspetiva de somar mais um campeonato e o primeiro troféu fora do país natal.
Além da sua qualidade enquanto goleador, é um jogador de futebol com um perfil mental muito forte.
2.
Eran Zahavi (PSV Eindhoven) – O caso clássico do jogador que teve oportunidade num clube complicado, dentro das cinco principais ligas, e como não se conseguiu impor, nunca surgiu a possibilidade de mostrar toda a sua qualidade num clube de topo.
Depois de ter brilhado no Hapoel Tel Aviv, os seus quase 20 golos na época 2010/2011 chamaram à atenção da Unione Sportiva Città di Palermo, um clube bastante complicado na sua organização interna, o que não ajudou na sua adaptação. Além disso, tratava-se de um jovem israelita de 24 anos que emigrava pela primeira vez, tendo no plantel a concorrência de jogadores como Miccoli, Pinilla ou Abel Hernandez. Regressou ao país de origem e, a partir desse momento, é como o algodão.
São números incríveis de um avançado de topo, com um faro de golo impressionante: desde 2013/14 que marca 15 ou mais golos por temporada (com exceção do atípico 2020, em que marcou quatro golos em sete jogos). A estes números, junta ainda mais 25 golos pela sua seleção. Uma pena nunca ter tido a oportunidade de se mostrar ao mundo de outra forma.
1.
The more you give a king , the more he wants 😡 pic.twitter.com/4EgZeOqtOV
— Josef Martinez (@JosefMartinez17) August 28, 2018
Josef Martinez (Atlanta United FC) – Um motor de golos, que se converteu num dos meus jogadores preferidos do futebol atual.
Um jogador que vem de um país onde poucos ou nenhuns atletas conseguem singrar ao mais alto nível. Com 19 anos, emigrou da quente Venezuela para a fria Suíça, para jogar no BSC Young Boys, tendo depois sido emprestado a um clube da Segunda Divisão Suíça. Apesar da conjuntura difícil, deu nas vistas e recebeu o convite do Torino FC, onde não se adaptou. Teve alguns momentos bons, marcou 13 golos, mas a concorrência de Maxi Lopez, Quagliarella, Amauri, Ciro Immobile e Belotti retiram-lhe minutos e margem de manobra, acabando por jogar muitas vezes como extremo, dada a sua velocidade elevada.
Foi perante este cenário menos positivo que apareceu o clube certo no momento certo – Josef Martinez assinou pelo recém-criado Atlanta United dos Estados Unidos da América, treinado na altura por Tata Martino. Além de ter conseguido vencer títulos coletivos internos, foi eleito melhor marcador e MVP do campeonato no ano de 2018.
Os números pessoais desde que chegou a Atlanta, no que a golos diz respeito, são absolutamente impressionantes: em 2017, marcou 19 golos; em 2018, “faturou” por 35 vezes; já em 2019, apontou 32 tentos; por fim, em 2020, devido a uma lesão grave que o retirou dos relvados até ao início de 2021, apenas disputou três jogos, tendo marcado dois golos.
Em 2018, Josef Martínez tornou-se o jogador mais titulado de uma só época desportiva na história do campeonato americano, ganhado o prémio de MVP do campeonato, MVP do jogo All-Star, bota de ouro do campeonato e MVP da final do play-off, que deu o título a Atlanta.
No dia 24 de agosto de 2018, bateu o recorde individual de golos do campeonato americano. Em 2019 bateu mais um recorde, tornando-se o primeiro jogador da história do campeonato americano a marcar em 9 jogos consecutivos, recorde esse que continuaria a aumentar até aos 15 jogos consecutivos, alcançando a terceira maior série de jogos consecutivos a marcar no futebol mundial, apenas atrás de Messi e Tor Henning Hamre. Detém igualmente o recorde de jogador com mais hat tricks na história do campeonato norte americano.
Um jogador rápido, inteligente, agressivo, que chuta bem com os dois pés e com um sentido de baliza fantástico. Quando decidi escrever sobre este tema, não tive qualquer dúvida sobre o meu primeiro lugar. Um regalo para os olhos e um pesadelo para qualquer defesa.









