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Toni, Felix e Roland: A família Kroos de Rostock para o mundo

Joel Amorim · 3 min

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“O Toni Kroos é o jogador com o maior talento natural que eu já vi desde o Karl-Heinz Rummenigge.” – Werner Kern (responsável pelo departamento de formação do FC Bayern München; 2010)

 

A qualidade de Toni Kroos é irrefutável; se dúvidas restassem quanto à sua influência no sector intermédio do Real Madrid CF, os números que apresentou na noite da final da UEFA Champions League, frente à poderosa Juventus CF, desfazem qualquer interrogação que ainda pudesse ser colocada relativamente àquilo que ele é realmente capaz de fazer. Um total de 61 passes completos com uma precisão acima dos 91%, aos quais se juntam mais dois que ajudaram a criar oportunidades de golo, tornam Toni Kroos num dos jogadores mais influentes na conquista da 12.ª Liga dos Campeões pelo emblema madrileno. O médio alemão conta também ele próprio com um palmarés pessoal verdadeiramente invejável, do qual fazem parte, entre outros troféus, três Ligas dos Campeões, três Super Taças Europeias, três Mundiais de Clubes e um Campeonato do Mundo ao serviço da Mannschaft.

O nome Kroos é sinónimo de futebol na Alemanha actual, mas ao mergulharmos na história percebemos que esta ligação vem bem mais de longe, desde os tempos em que o seu pai, Roland Kroos, trabalhava como treinador nos escalões de formação e na equipa de reservas do FC Hansa Rostock. Toni Kroos nasceu em Greifswald, na antiga República Democrática Alemã, e foi no clube local que deu os seus primeiros passos no mundo do futebol.

Toni Kroos apresentado como reforço do Real Madrid CF Fonte: ndr.de
Toni Kroos apresentado como reforço do Real Madrid CF
Fonte: ndr.de

O desporto era uma parte importantíssima nas vidas da família Kroos. O seu pai Roland vivia o futebol de forma intensa e esteve ao serviço do FC Hansa Rostock, nas mais diversas funções técnicas, durante grande parte da sua vida activa. A sua mãe Birgit Kämmer era jogadora de badminton e representou a ex-RDA ao mais alto nível em diversas ocasiões. Toni e o seu irmão, Felix, seguiram a paixão do seu pai e tornaram-se jogadores de futebol.

Depois de ter dado nas vistas no modesto Greifswalder SV, Toni mudou-se para o outrora poderoso FC Hansa Rostock e ali permaneceu até 2006. Aos 16 anos de idade, a família Kroos decidiu fazer cerca de 643 quilómetros em direcção a sul para que Toni pudesse prestar provas no FC Bayern München. Foi uma decisão difícil de tomar para todos, como Roland já referiu em diversas entrevistas nos últimos anos, mas ao fim destes anos todos é fácil perceber que foi a mais correcta. A ascensão de Toni Kroos no emblema da Baviera foi feita com passos sólidos e o período que passou por empréstimo no Bayer 04 Leverkusen ajudou-o a refinar ainda mais toda a sua qualidade para depois rapidamente se tornar num jogador imprescindível aquando do seu regresso a Munique.

A par de Toni, o outro herdeiro do clã Kroos, Felix ia também construindo a sua carreira como futebolista profissional. O percurso inicial de Felix foi em tudo semelhante ao do seu irmão, passando inicialmente pelo Greifswalder SV e mudando-se para o FC Hansa Rostock em 2002. Felix permaneceu no emblema do norte da Alemanha até 2010, para depois passar seis anos ao serviço do SV Werder Bremen. Apesar de não ser tão conhecido como o seu irmão fora da Alemanha, Felix Kroos é um médio versátil de enorme qualidade e esta temporada esteve em grande destaque na formação do 1. FC Union Berlin, que lutou quase até final na 2. Bundesliga por um lugar que lhe permitisse ascender ao escalão maior do futebol alemão.

Toni Kroos a erguer o troféu da Liga dos Campeões pelo Real Madrid CF Fonte: http://www.alemanhafc.com.br/
Toni Kroos a erguer o troféu da Liga dos Campeões pelo Real Madrid CF
Fonte: http://www.alemanhafc.com.br/

Ao contrário do seu irmão, Felix não nasceu na antiga RDA, apesar de ter nascido na mesma cidade que Toni. As intermitências políticas da época, que deram origem à queda do muro de Berlim e à consequente dissolução da República Democrática Alemã, fizeram com que os dois irmãos, que nasceram na mesma cidade com diferença de um ano e dois meses, tivessem no seu passaporte diferentes países de origem, algo que, no entanto, não beliscou a possibilidade de ambos se tornarem internacionais pela Alemanha “unificada” durante a sua juventude.

No final de contas, esta história do país de origem no passaporte faz de Toni Kroos o único jogador nascido na antiga RDA a vencer um Mundial de Futebol, uma vez que outros grandes nomes como Matthias Sammer, Bernd Schneider, ou até mesmo Michael Ballack nunca conseguiram tal feito.

Foto de Capa – bild.de

 

Joel Amorim

Redação Bola na Rede · ver artigos