Às 16h desta quarta-feira, Jorge Jesus e Rúben Dias marcam presença na conferência de antevisão do Dinamarca x Portugal.
O desentendimento entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus marcou a preparação de Portugal para o duelo com a Dinamarca, na terceira jornada da Liga das Nações. A partir das 16h, o selecionador e Rúben Dias realizam a antevisão da partida em conferência de imprensa, sendo também esperado que comentem a situação do capitão. Fica com todas as declarações.
Rúben Dias foi o primeiro a responder às questões da imprensa:
«Situação de Cristiano Ronaldo? Da minha parte e da parte de todo o grupo não há pontas soltas nenhumas e estamos prontos para o jogo de amanhã».
«Como é que o grupo vê a situação? Trata-se de um momento de frustração de 10, 15, 20 segundos, que em nada beliscam o compromisso que ele (Cristiano Ronaldo) tem tido em 20 anos com a nossa seleção. No momento tens esse momento de frustração e passado cinco minutos estamos todos no balneário a celebrar juntos uma grande vitória e importante para todos nós. Não há qualquer risco de ter um impacto negativo no grupo».
«Fricção no plantel? Eu percebo a pergunta, mas hoje vocês vão ver-nos no treino com alegria e a sorrir. É um novo ciclo. Estamos todos muito contentes por estar a melgulhar nesta nova aventura. Levamos duas vitórias e estamos entusiasmado com o que aí vem».
«Próximo capitão da Seleção? Veremos com o tempo. O tempo assim o dirá. Mas mais importante que focar nessa questão, eu diria que a seleção sempre funcionou com sistema de internacionalizações, que vem com o acumular de experiência e vivências de cada um. Portanto, até hoje funcionou assim e as coisas acontecerão da maneira que tiverem de acontecer. Estou aqui hoje, como estive no passado, para defender a nossa seleção e o nosso país».
«Jogo com a Dinamarca? Aqui os jogos não são fáceis. Têm uma equipa muito eficiente, completa e perigosa. Temos perfeita consciência disso por eventos recentes e pela história da seleção deles. Sabemos que só a nossa melhor versão pode chegar aqui e vencer. É aí que está o nosso pensamento. Queremos estar fortes e desfrutar muito do jogo. É a primeira vez que podemos fazer mais jogos de uma vez só pela seleção. É um enorme prazer jogar por esta camisola e queremos fazê-lo com um sorriso na cara e a ganhar».
«Reencontro com Jorge Jesus? Foi um reencontro positivo. Mudou muita coisa. Acho que vai ser o primeiro grande passo para podermos alcançar o que nós queremos. Como o míster diz muitas vezes, uma equipa está muito mais perto de ganhar se defender bem. Acreditamos muito nisso. Bocadinho a bocadinho vai-se refletindo a importância do míster em campo. Já trabalhei com o míster no passado e acho que o que mais tenho a dizer é que é tudo mais fácil quando as coisas fazem sentido».
«A abordagem é o que tem de ser perante aquilo que encontramos. Não é mudar como jogamos, é termos consciência de contra quem vamos jogar e conhecer os perigos que cada equipa tem para nos oferecer. Saber quando temos de estar fortes e consistentes. Além disso é sermos quem nós somos, termos a nossa qualidade. Nesta fase inicial comprar essa ideia da forma mais eficiente possível. Há sempre uma adaptação e este grupo é físico, forte. Só nos deixa de certa forma entusiasmados com o desafio porque é um momento especial e importantíssimo para crescermos neste novo ciclo».
«Corte no lance com Erling Haaland? Em relação ao efeito, diria que é só o meu trabalho, é para isso que lá estou e ponto final. Em relação ao lance em si, nasce de uma imprevisibilidade, um cruzamento que o Diogo não consegue concluir tão bem e a partir daí é posicionar da melhor maneira possível para ajudar. Estamos aqui para ganhar, temos muito prazer em desfrutar. Mas quando um jogador português chega a este nível é um ganhador. Estes momentos definem-no».
De seguida, o defesa-central do Manchester City passou a palavra a Jorge Jesus:
«Quero fazer uma introdução. O mais importante é o objetivo daquilo que vivemos fazer a Copenhaga. É o respeito pelo adversário, vamos jogar com um grande adversário. Com uma missão de conquistar a Liga das Nações. Não tenho um jogador, tenho 23 jogadores. Podem pôr as questões que quiserem sobre qualquer jogador. Quanto ao Ronaldo, uma pergunta é pouco. Três é de mais. Só deixo fazer duas perguntas sobre o Ronaldo. O Ronaldo não é o principal tema de eu estar aqui. O principal é a Dinamarca e eu que sou selecionador nacional. Respondendo à tua pergunta».
«É verdade que eu combinei com ele, criámos um plano como com o Bruno Fernandes e disse ao Cris que o jogo na Noruega e o jogo da Dinamarca ele não iria jogar. Porque eu trabalhei um ano com o Cris. Não cheguei há 3 meses à Seleção e conheci o Cris. Conheço completamente as condições físicas do Cris e sei, porque já o fazia na Arábia Saudita, quando havia jogos de 3 em 3 dias, raramente o Cris jogava. Além disso, o Cris nunca treina no primeiro nem no segundo dia apos o jogo. Nunca. Combinei isso com ele. No jogo disse-lhe, quando tivemos a primeira conferência de imprensa em Portugal, falou sobre isto, ‘se é para jogar jogo, se é para ficar no banco fico, o que o míster quiser’. Nunca se negou a nada. Foi isso que aconteceu. Só que eu sou um treinador que vou para o banco a penasr que aos 60 minutos vou tirar o Carlos Daniel. Não é assim que funciono no banco. O jogo é que me vai dizer o que vou fazer. Tinha combinado com ele que não jogava os dois primeiros jogos, mas se calhar até ia precisar dele nos últimos minuot.s Mas o jogo disse-me outras coisas e eu não o coloquei no jogo. Isto é o ponto verdadeiro».
«Já agora, vou dizer. Estive um ano a trabalhar com o Cris. Não há caso nenhum, pá. Já tive casos com muitos jogadores. Não queriam fazer disto um caso que não existe. Tinha um plano com o Bruno, tudo igual. Isto para vos dizer que o estatuto é uma coisa. As regras é igual para todos. Agora o estatuto permite ao jogador, pelo passado, o treinador ter cuidado com as decisões antes de o jogo acontecer. Depois de o jogo acontecer é a mesma coisa. O treinador tem de decidir e decide sempre em função do objetivo que é o melhor para a equipa e respeito sempre os jogadores. Disse ao Bruno Fernandes a mesma coisa. Depois do jogo de Gales ele vinha tocado, só que eu conheço o Bruno, ele trabalhou comigo. Perguntei o que se passa? Não és o Bruno que conheço. Ele abriu-se comigo. Disse no próximo jogo não jogas. Vais jogar no outro jogo na Dinamarca se recuperares. Exatamente o que fiz com o Ronaldo. O Bruno vai jogar na Dinamarca. O estatuto do jogador não dá direitos que sejam diferenciados. O estatuto é o respeito pela carreira deles, como faço com todos, com o Cris, com outros que tive na carreira. Coloco sempre a questão do que quero fazer, do plano que traçar com o jogador e depois quem decide sou eu. Eles sabem, todos sabem que trabalharam comigo. Até os presidentes sabem. Num clube manda um presidente. Na equipa mando eu. Em tudo o que eu estiver. Com os jogadores é igual».
«Não se recusou a treinar. Não treinou o Francisco Conceição, que estava lesionado, o Félix, porque tentámos descarregar a fadiga e vamos ver amanhã. E o Cris fez trabalho de ginásio. Fez mobilização no campo e depois fez trabalho de reforço para o hotel. Não recusou. Ele hoje vai treinar. É o quarto dia, portanto vai treinar. E não se recusou treinar. É impossível. Vocês acham? Não é o Cris. Acham que algum jogador de uma Seleção se recusa a treinar? Não é de Portugal. De outra Seleção. Só se se quiser ir embora e tiver outras ideias. Ninguém se recusa a treinar».
«Não é que tenha problema de responder, mas o foco é a Dinamarca. Parece que vimos aqui fazer um jogo amigável, sem interesse nenhum. Esse é o foco principal até para mim e para os meus jogadores. É mais importante que o que estás a dizer. Não houve caso nenhum. Já expliquei por que é que foi o caso. Vou explicar outra vez. Não tenho problema nenhum em ter casos. Tive tantos ao longo da minha carreira. Mas não queiram fazer um caso. Eu disse ao Cris que ele não ia jogar estes dois jogos. Pensei durante o jogo se calhar vou precisar e vai aquecer. E depois não o pus no jogo. Qualquer jogador, quando andamos ali a aquecer 20 ou 30 minutos, e depois não entra. Não há nenhum que fique contente. Quanto mais o Cris. Quanto mais se fosse o Pelé, o Maradona. 30 minutos eu, Pelé ou Maradona? É esse o estatuto. Os direitos são iguais e como treinador eu decidi que não entrava. Obrigaram-me a falar com o Cris de um caso que não havia caso. Cris, em Portugal está a falar-se tanto que temos falar, não estou a perceber o que está a acontecer. Não havia nada para falar. O que falámos é o que ele disse na conferência. Ele disse, estou aqui para tu decidires. Queres que eu jogue, eu jogo. Queres que eu vá para bancada, eu vou. O presidente veio, é óbvio, tem de estar aqui, com a equipa. Falando o que se estava a falar em Portugal, quis saber o que se passou. Mas depois de jantar já tínhamos resolvido o problema que não era problema».
«Posso prometer o que eu quiser. Sou treinador. Isto é muito confuso para a tua cabeça (direcionado ao jornalista que colocou a questão). Sou o treinador, disse ao jogador não era para jogar. Vou levar-te para o banco. Se precisar de ti 30 minutos vais jogar, se não, não vais jogar. Nunca nenhum jogador vai mudar as minhas ideias. Nem ele nem ninguém no futebol. Nem nenhum presidente. Nunca, zero».
«Vou fazer alterações. Fiz sempre 3 ou 4 em todos os jogos. É obrigatório os treinadores que estão nesta competição, com 4 jogos em 11 dias, praticamente 3 em 3, tens de mexer naqueles jogadores que dão indicações de estarem mais fatigados ou não. Amanhã vou fazer igual. 3 ou 4 jogadores vão entrar de novo. O maior desafio que tive foi quando comecei a minha carreira a trabalhar com jogadores de nível inferior. O mais difícil é jogadores de nível médio que julgam que são grandes Com grandes jogadores é fácil por tudo. Percebem melhor o jogo, o que o treinador quer. É tudo mais fácil. O difícil são os que julgam que são grandes jogadores mas esses é que são mais difíceis de trabalhar».
«Às vezes fazem casos que eu fico maluco. O Félix ainda não treinou. Vou ver como é que ele está. Está muito carregado nos dois soleares, é um músculo enganador. Estou à espera do treino de hoje e depois do treino vou ver. Se estiver bom, vai jogar. Pondo sempre alguma percentagem de pensar, está bom, mas vai jogar e depois não pode jogar no Dragão? Neste contexto temos de tomar decisões e são do treinador. O menino, o Conceição, vai estar fora. Ele gostava muito de estar bem nas Antas. Vamos ver. No Dragão!».
«Estatuto é uma carreira. Uns maiores, outro menores. Há outros que têm estatuto nas equipas e nunca atingiram níveis tão altos. Com esses jogadores, mantenho a mesma ideia. No ano passado, jogo do Al Nassr, meias-finais da Champions. Sadio Mané é um jogador com estatuto. Chamei-o: ‘Mané, não te vou pôr a jogar por isto’. Claro que ele não aceitou bem. Pronto, só para dar a entender o que defino por estatuto. Estatuto não tem regras diferentes dos outros. É igual nas minhas decisões de jogar, mandar para a bancada, igual. O que prometi? Como disse, não ia lançá-lo no jogo, mas percebi, antes de irmos para o jogo, Cris se eu precisar de ti vais jogar 20 ou 30 e ele disse tudo bem. Chegou ao jogo mandei aquecer aos 45, eu não sabia o que ia fazer. Isso foi o que fiz mal, devia tê-lo metido a aquecer uns 15 minutos mais tarde. Não sabia o que ia acontecer, comecei a ver o jogo e não o pus no jogo. O presidente Proença falou comigo e com o Cris porque é o papel de um presidente. Falar com capitão, com o treinador quando há ruídos. Se não houvesse esse caso ele vinha na mesma, mas estivemos a falar os três. Já tinha falado com o Cris depois do jantar. Ele não veio resolver nada porque não havia nada para resolver».
«Quem vai ser titular no ataque? Hoje vão treinar. Se tudo acontecer normalmente, é o Gonçalo (Ramos) que vai jogar».
«Cristiano Ronaldo vai jogar? Não sei o que vai acontecer no jogo. Sei lá. Se precisar dele, entra. Se não precisar, não entra. O Bruno Fernandes também sabem que já foi meu jogador. Comigo fez três posições: segundo médio, segundo avançado e um extremo meio mascarado a jogar por dentro, pela esquerda ou direita. Sei que ele faz estas três posições relativamente bem. A posição que melhor faz será como segundo avançado, mas também sei que há várias formas de jogadores com um extremo-médio, há jogadores que têm umas características e tem uma forma de olhar diferente. Se o Bruno fizer essa posição comigo, é um meia. Só que é um meia que quando não tivermos bola tem de defender a bola mais longe da baliza do adversário. Não vai jogar comigo como extremo. Joga como meia. Eu jogo com dois meias, um pela direita e outro pela esquerda, quando tenho Bruno Fernandes e João Félix. Quando não tenho, temos de nos adaptar às características dos jogadores. Procuro sempre ligar a qualidade individual dos jogadores com as ideias que tenho para a equipa».
«Isso traz outra coisa atrás. O pouco tempo que tivemos para treinar, há momentos de jogo que ainda não treinei. Ainda não trabalhei bola parada ofensiva. Não há tempo, então digo ‘o que vocês faziam, façam’. Defensivamente, temos trabalhado, aí, sim. Ofensivamente ainda não trabalhei, são eles que vão decidir».

