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O Brasil fechou o grupo dos qualificados para a próxima fase, já são conhecidos as oito melhores seleções dos JO. Diga-se de passagem que são as oito melhores porque de fato são as oito que melhor futebol jogaram na fase de grupos. Talvez a Dinamarca pudesse ter dado a sua vaga ao Iraque, que bem melhor jogou contra o Brasil que os ‘vermelhos’, só que nas Olimpíadas ninguém dá nada a ninguém e o Iraque dependia exclusivamente de si!
Comecemos pelo último a se classificar. O anfitrião Brasil jogou, ganhou e convenceu! Para quem vive no Brasil – como eu – dá para sentir a paixão com que este povo vibra em cada prova que a bandeira canarinha esteja presente. Não importa a modalidade, nem tão pouco importa o conhecimento do torcedor pelo desporto em questão. O que interessa mesmo é torcer, sobretudo por quem veste de amarelo (excepto se for a Colômbia!). Neste país, reina a simplicidade do que é ser torcedor: sem conhecimento de causa ou mesmo muito interesse pela modalidade, o que interessa é a paixão e a nação! A tal ponto de se virar a casaca ao bom e ao vilão, como da noite vira dia. O povo brasileiro é um povo imediatista. Quando não vencem tudo está mal, quando ganham tudo está bem! No futebol cobram muito, muito mesmo. O ego fala sempre mais alto! E lá bem no fundo o que os movimenta é a emoção. Eu divirto-me escutando os comentadores na TV. Proporcionam um espetáculo ainda mais imprevisível que o futebol dos pés dos seus meninos. A incoerência das suas palavras em três dias é gritante. Chega a ser mais temível que a saga de demissões que abraça todas as épocas os técnicos brasileiros. E sempre achando que têm razão!
Quem acordou?
Brasil! A verdade seja dita: ontem jogou e muito! Fazendo jus à qualidade do elenco que convocou para estas olimpíadas. Atrevo-me até a dizer que se jogar sempre assim, a medalha de ouro está já a li ao virar da esquina. Depois de ontem é legítimo sonhar! O Brasil acordou e acordou todo o Mundo, agora só não pode voltar a adormecer. Praticou um jogo inteligentíssimo como já não se via há alguns anos. Excelente jogo coletivo em termos ofensivos, declaradamente expôs as fragilidades da equipa Dinamarquesa: as debilidades do lado direito da defesa; e as dificuldades em defender um jogo curto, com tabelas rápidas, e cruzamentos no chão ou a meia altura. O Brasil percebeu que o seu maior argumento futebolísticos (a execução técnica em velocidade com a bola no chão, priveligiando as ações coletivas) seria o suficiente para destronar o maior argumento futebolístico da Dinamarca (o futebol longo e aéreo com as linhas defensivas demasiado baixas e demasiado estáticas). As entradas do Wallace e Luan para o onze inicial, bem como o menor individualismo de Neymar e suas constantes combinações com Douglas Santos na esquerda, deram outra face criativa ao futebol do Brasil. A Dinamarca deu a iniciativa do jogo ao adversário, com a estratégia de apenas defender. Tal e qual como muitas equipas dão o rebuçado aos meninos do Barcelona, que se divertem a saboreá-lo. Arriscou demais – inclusive a qualificação. Sorte a sua que o Iraque não foi capaz de vencer a África do Sul. Aos Brasileiros já se livraram de um peso nas costas, que o diga o Neymar, o Renato Augusto, Gabriel Jesus e Gabigol, que foram muito criticados nos jogos anteriores. Agora, resta sonhar… acordado!

Colombia! Embora tivesse empatado os outros dois jogos a duas bolas cada, não havia convencido. Ontem, beneficiou do fato da Nigéria estar já apurada na primeira posição, ter feito alguma rotatividade e demonstrarem alguma displicência em termos competitivos. Acredito que a Nigéria sabendo que haveria um baixa possibilidade de defrontar o Brasil nas quartas-de-final abordou o jogo no ‘deixa ver o que dá’! Já a Colômbia marcou os seus dois golinhos habituais e convenceu em termos defensivos. Demonstrou, inclusive, uma consistência defensiva ainda não vista perante uma Nigéria decepcionante em termos ofensivos. A Colômbia precisava de um jogo deste nível e uma vitória esclarecedora, sobretudo após a vitória convincente do Brasil e para mostrar que estão prontos para defrontar um dos sérios candidatos ao título olímpico. Creio que acordaram a tempo e certamente que irão com tudo para cima da canarinha! Se ainda não for, poderão já comprar a viagem de volta a casa para 14 de Agosto, pois a “amarelinha dourada” não será mais do que uma miragem ou um sonho perdido no sono.
Alemanha! Os alemães depois de estarem a perder com a República da Coreia e México, conseguiram manter-se (d)espertos e garantir dois pontos que lhe valeram a classificação. Acordar contra as Ilhas Fiji poderia não ter sido suficiente. Os 10-0 aos “amadores” fijianos é daqueles resultados que se têm de dividir por 5 e ainda assim dar umas palmadas na cara e atirar água fria para que se mantenham acordados. Portugal será osso difícil de roer! Sobretudo se dão a vantagem como deram aos Coreanos e Mexicanos. Portugal trata a bola e os momentos do jogo de uma forma diferente. Os lusitanos não vieram para entreter o torcedor brasileiro. E, para quem esteve dormindo durante o Europeu Sub21 de 2015 – que é o torneio que classifica as 4 equipas participantes para os JO do Rio de Janeiro, não viu Portugal “espetar” a chapa 5 aos alemães nas meias-finais do torneio. Então a Alemanha que se cuide, pois se ainda sonha com dar a possibilidade de desforra dos 7 a 1 ao Brasil terá que se manter acordada. Sèrge Gnabry e Max Meyer estão a ser os timoneiros desta armada. Nils Petersen foi o coroado já esperado da goleada às Ilhas Fiji (já se sabia que um marcaria 5 golos, só não se sabia qual!).
Quem adormeceu?
Nigéria! É certo que passou em primeiro. É certo que não precisava nem de se preocupar com o resultado. Mas, é preciso ter consciência que em competições com formato curto como as Olimpíadas é necessário ter os níveis de confiança sempre em alta. E isso só se consegue com os resultados. Depois de surpreender com o desempenho audaz e acutilante frente ao Japão, no jogo de abertura, com 5 golos marcados, juntando o fato de o terem feito apenas 7 horas depois de terem aterrado no Brasil fez pensar que a Nigéria vinha com tudo! Só que Obi Mikel, Etobo, Umar e companhia mostraram uma vez mais o lado habitual do futebol africano nestas competições internacionais: são capaz do surpreendente para o melhor e para o pior. Sabemos do que são capazes, só não sabemos se estarão acordados ou adormecidos. Ainda assim acredito que estarão presentes nas meias-finais, pois a Dinamarca, após o jogo que fez ontem frente ao Brasil, não mostra ser adversário para as oscilações de desempenho Nigerianas.
Suécia! Os suecos vieram para esta Olimpíada? Se vieram, vieram de travesseiro e nem despiram o pijama. Esperava mais, muito mais da seleção que levou de vencido Portugal e conquistou o Europeu Sub21 do ano passado. Embora, eu tivesse referido que alguns dos jogadores campeões não haviam sido chamados para esta olimpíada, há uma coisa que é importante para qualquer campeão: a consistência vencedora e a defesa de um estatuto. O grupo era difícil, muito equilibrado por sinal. Mas, a Suécia ficou à quem das expectativas: 1 ponto apenas é participação – com todo o respeito – para equipas como Iraque, a África do Sul, as Honduras e a Argélia, que estiveram até melhor que a Suécia. Supreendente, tal e qual como foi ver o camisola 10, Tankovic do PSV, começar no banco os três jogos. Foi uma boa prova para trocar galhardetes, colocá-los debaixo da almofada e adormecer de camisola de jogo vestida, repletos de orgulho, sonhando com a experiência olímpica!

Fonte: Trivela
México! Se achavamos que aquele 2 a 2 de abertura com a Alemanha prometia de novo um México competitivo e em busca de repetir a medalha de ouro dos JO de Londres em 2012, o méxico tratou de nos esclarecer com a derrota frente à República da Coreia no último jogo. Honestamente, entendi que era a equipa mais fraca das três logo após o jogo com as Ilhas Fiji – estar quase a perder ao intervalo e só ter vencido por 5 a 1 ditou o elo mais fraco. Os Coeranos até podem ter os olhos fechados, mas quem adormeceu precisamente no jogo mais importante, foi a equipa do México! ‘Buen viaje chicos’ foi talvez a frase que os Coreanos aprenderam a dizer em espanhol.
Argentina! Aquela que se pensava ser a dor de cabeça de outros candidatos ao ouro olímpico foi a maior decepção deste torneio. A albiceleste decidiu não apostar tanto no elenco como o Brasil, ainda assim reservou algumas dúvidas para aquela que se diz ser o futuro do futebol Argentino! Na minha opinião, melhores jogadores não foram convocados, à imagem do que aconteceu com a maior parte das seleções presentes nas olimpíadas. A derrota com as Honduras deixou todo os argentinos frustrados, desde os próprios jogadores às figuras emblemáticas do futebol Argentino. No entanto, cedo se percebeu que a Argentina não tinha futebol para as quartas-de-final da competição. É só ver os jogos com a Argélia e as Honduras. A menos que estivessem num grupo com outras equipas de pijama e travesseiro debaixo do braço, como os casos da: Suécia; África do Sul; e o “bombo da festa” Fiji.
Por fim, as únicas equipas que naturalmente também sonham com as medalhas olímpicas, mas a seriedade e a leveza com que abordaram todos os jogos fazem passar despercebido os momentos em que estão acordados e adormecidos são Républica da Coreia, Portugal e Honduras. O foco no apuramente foi bem evidente nesta fase de grupos.
República da Coreia foi a equipa que mais me surpreendeu em termos de futebol jogado. Eles jogam bem. São rápidos, inteligentes, bem posicionados defensivamente e com excelente dinâmica ofensiva. E mostraram isso com clareza frente ao atual campeão Olímpico e à sempre temível Alemanha. Até no jogo com Fiji marcaram 8 golos, mas poderiam ter sido uns 14 se não fosse o guarda-redes adversário. A frente de ataque da Coreia com o Son Heung-min (7), Hwang Hee-Chan (11), Ryu Seung-woo (10), Kwon Chang-Hoon (16) e Suk Hyun-jun (9) é desequilibradora e bem entrosada. Penso que as Honduras não são obstáculo à altura dos Coeranos e o Brasil será a prova de fogo para a afirmação desta nação asiática. Se não acusarem a pressão talvez conseguirão pelo menos repetir a medalha de bronze de 2012 em Londres.

Fonte: Seleções de Portugal
Portugal passeou de pantufas nos ‘gramados’ brasileiros, mas nem por isso se deitou na caminha. Bem pelo contrário, passeou classe e adormeceu os adversários como num conto de fadas. Sem se sobrepôr, mas também sem se amedrontar, falou de fininho e apresentou um jogo inteligente, consistente e competitivo. Recebeu elogios da candidata Argentina, da crítica brasileira, mas ainda assim não se enfeitiçou com os elogios e se manteve acordado. Alternou entre o fato e gravata com o fato de macaco e embora não tenha contado com mais de 20 das primeiras escolhas, não se escondeu, assumiu as despesas dos jogos, a ambição dos objetivos e reconheceu que qualidade de jogo não depende do nome nas camisolas. Portugal vale pelo coletivo, por isso não destaco nenhuma individualidade. Aqui falam muito do Paciência, mas é para quem não conhece a qualidade dos jogadores portugueses. Portugal se quer chegar na final terá desafios de fogo, mas é assim que se testa a fibra de um campeão e se chegar terá tudo para vencer. Pois, quem vence Argentina, Alemanha e possivelmente Nigéria tem legitimidade para vencer até o Brasil na final!
Honduras é até ao momento a equipa sensação da prova. Depois de ter garantido a vaga na próxima fase, foi quem eliminou a Argentina. Certo que o futebol não é o desporto rei nas Honduras, o que engrandece ainda mais o feito, mas diga-se de passagem mereceram. Deram trabalho a Portugal, venceram a Argélia marcando três golos e foram superiores à Argentina pois nunca poderiam jogar de igual para igual, mas apresentaram-se com humildade e com um jogo sólido defensivamente e objetivo em termos de ataque. Sabia que o empate chegava, mas abordaram o jogo com a mentalidade de marcar golos. Por exemplo, ao contrário da Dinamarca com o Brasil. Quando se subestimam adversários dá nisto! Choco Lozano tem brilhado nesta competição.
A chama olímpica continua acessa. Oito equipas continuam no sonho olímpico, mas depois de dia 13 só quatro continuarão a sonhar! Resta saber quem se manterá acordado e quem decidirá adormecer…












