Portugal 1-1 Espanha (5-4 g.p.): Podemos acreditar

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Cabeçalho Seleção Nacional

Do Fontelo à Bakcell Arena distam: 64 horas de carro se apanharmos a E80, 6045 quilómetros… e 13 anos. Como em 2003, no estádio do Académico de Viseu, a selecção portuguesa bateu a Espanha na final do Campeonato da Europa de Sub-17, desta vez nas grandes penalidades após um empate a um golo nos 80 minutos regulamentares. Fez-se história.

Ambas as equipas começaram o jogo com a noção do que a outra poderia fazer. Nenhum do futebol associativo dos dois conjuntos foi posto em prática e só mesmo o rasgo pelas laterais ofensivas portuguesas ia dando algum colorido ao jogo, com os alas Diogo Dalot e Ricardo Vinagre em destaque na equipa lusa… aliás, foram estes dois os obreiros do golo inaugural do encontro, com Vinagre a ganhar uma bola no centro do terreno, a fletir para o lado esquerdo e cruzar, fazendo a bola passar toda a área espanhola, até chegar a Dalot que, com um forte disparo, fez o 1-0 para Portugal. Antes disto, porém, Quina já tinha dado um aviso, servido pelo central Diogo Queirós, tirando um adversário do caminho e disparando à trave da baliza espanhola naquele que foi o maior lance de perigo não concretizado em todo o jogo.

A Espanha reagiu e cresceu no encontro, marcando cinco minutos depois, num lance onde Schumi ganhou entre os centrais portugueses, servindo Díaz para o chapéu a Diogo Costa, e o empate na partida. As equipas voltaram a encolher-se, não conseguindo desfazer o nulo no marcador nem criar supremacia sobre a outra até ao final da primeira parte.

Dalot abriu o marcador Fonte Seleções de Portugal
Dalot abriu o marcador
Fonte Seleções de Portugal

No segundo tempo, voltou a verificar-se o marasmo, mas a pouco e pouco a Espanha foi conseguindo criar superioridade, praticando o futebol associativo que tanto lhe é característico, tendo como principal figura Diaz, o autor do golo, que por mais que uma vez furou pela defesa portuguesa, estranhamente permissiva e com muitas dificuldades em bascular jogo desde trás, socorrendo-se muitas vezes do jogo directo.

Não aproveitou a Espanha esta passividade, e pareceu conformar-se com a igualdade, quando Portugal, movido pelos repelões de Quina e de João Filipe (ainda que inconsequentes), conseguiu ganhar algum domínio territorial. A prova disso está na substituição do guarda-redes à entrada para os minutos de compensação.

Terminado o tempo regulamentar, tempo para os penalties, e aí, com Portugal a marcar primeiro, a pressão sentir-se-ia, teoricamente, com mais intensidade no lado espanhol. Do lado nacional, marcaram todos, do lado espanhol, marcaram os quatro primeiros. Morianes atirou ao poste da baliza de Diogo Costa, e a bola foi para fora, consagrando Portugal como campeão europeu em Sub-17.

A simbologia do remate ao poste tem muito que se lhe diga. Foi o poste que tirou Portugal do Euro 2012, ajudando o remate de Fabregas a confirmar a presença espanhola na final do certame. Mas o que o poste (e a sorte) dá, o poste (e a sorte) tiram. Desta vez, sorriu-nos, com a vantagem de, com esta conquista, nos dar boas perspectivas para o futuro do futebol nacional. Não tanto pelo que se fez neste jogo, mas pelo que se fez ao longo do Europeu, consagrando José Gomes como o melhor marcador de sempre, confirmando dois laterais excelentes que completam uma defesa quase irrepreensível e um meio-campo com muita criatividade.

Com uma estrutura diferente da 2003, menos talentos serão, agora, perdidos. Há motivos legítimos para acreditar num triunfo futuro numa grande competição.

Foto de capa: Seleções de Portugal

Pedro Machado
Pedro Machado
Enquanto a França se sagrava campeã do mundo de futebol em casa, o pequeno Pedro já devorava as letras dos jornais desportivos nacionais, começando a nascer dentro dele duas paixões, o futebol e a escrita, que ainda não cessaram de crescer.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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