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Taça das Confederações ’17 (Magazine): Chile

Diogo Janeiro Oliveira · 10 min

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Cabeçalho Futebol Internacional

Neste mês de junho vai disputar-se a décima edição da Taça das Confederações, na Rússia. O representante da América do Sul vai ser o Chile, por ter vencido a Copa América em 2015, em pleno território chileno.

Atualmente, com um treinador diferente dessa altura, os chilenos são um dos candidatos à vitória nesta competição. Juntamente com Portugal, México e Alemanha, vejo os chilenos com hipóteses reais de vencerem o torneio. Com vários jogadores a atuarem nos melhores campeonatos europeus, esta seleção é bastante competitiva, ou não estivesse habituada a competir permanentemente com países como Uruguai, Brasil ou Argentina nas competições continentais.

Percurso

Fonte: Facebook de Alexis Sánchez
Fonte: Facebook de Alexis Sánchez

A seleção chilena apurou-se para esta competição devido à primeira conquista da sua história, a Copa América 2015. Com Jorge Sampaoli ao comando, os chilenos ganharam a competição que foi disputada no seu próprio terreno.

Em seis encontros disputados no torneio, o Chile não perdeu nenhum. Envolvidos numa fase de grupos com Equador, México e Bolívia, os chilenos passaram no primeiro lugar. Na primeira partida, derrotaram o Equador por 2-0 com golos de Arturo Vidal e Eduardo Vargas. Seguiu-se um encontro esquisito, em que os comandados de Sampaoli empataram a três golos com o México. Mais uma vez, Vidal e Vargas foram os autores dos golos. Na última partida, os chilenos soltaram os seus génios e golearam a Bolívia por 5-0, com Charles Aránguiz a bisar. Alexis Sánchez, Medel e Raldes, com um autogolo, completaram o volumoso resultado alcançado por La Roja.

Na fase a eliminar, os chilenos começaram por derrotar, nos quartos de final, a seleção uruguaia por 1-0, num jogo muito equilibrado que apenas foi desbloqueado por um golo do defesa Mauricio Isla, já no último quarto de hora da partida. Nas meias finais, novo triunfo pela margem mínima. Os chilenos derrotaram a surpreendente seleção do Peru por 2-1. Mais uma vez, Eduardo Vargas bisou e carimbou a passagem para o encontro decisivo.

A final disputou-se entre Chile e Argentina. O resultado final foi um nulo, sendo necessário recorrer às grandes penalidades. No desempate, os chilenos foram mais fortes, vencendo por claros 4-1. Matías Fernández (ex Sporting), Charles Aránguiz, Arturo Vidal e Alexis Sánchez marcaram, beneficiando dos falhanços de Ever Banega e Gonzalo Higuaín para conquistarem a Copa América.

Em 2016, os chilenos venceram a edição comemorativa do centenário da Copa América, derrotando novamente a Argentina na final, e novamente após marcação de grandes penalidades. Contudo, foi a conquista de 2015 que lhes garantiu esta presença histórica na Taça das Confederações.

 Figuras da Seleção

Juan Antonio Pizzi não efetuou muitas alterações em relação aos elementos que disputaram a Copa América Centenário, no verão passado. Apenas cinco jogadores são novos. Se alargarmos o espetro à Copa América 2015, apenas oito jogadores são diferentes.

Se analisarmos as três competições, existiram catorze jogadores que estiveram nas duas competições conquistadas e estão na convocatória para este torneio na Rússia. São eles os guarda redes Claudio Bravo e Johnny Herrera, e os jogadores de campo Gonzalo Jara, Mauricio Isla, Jean Beausejour, Eugenio Mena, José Pedro Fuenzalida, Arturo Vidal, Gary Medel, Francisco Silva, Marcelo Díaz, Charles Aránguiz, Alexis Sánchez e Eduardo Vargas. Ou seja, estamos perante o núcleo duro da armada chilena.

No país, sempre foi polémica a opção de Pizzi não chamar Jorge Valdivia ou Matías Fernández. Os dois históricos criativos chilenos nunca foram grande opção para o selecionador, e também não foram chamados para esta Taça das Confederações.

Claudio Bravo

Fonte: Conmebol
Fonte: Conmebol

É o guarda redes e capitão da seleção. O histórico guardião, que já leva 112 internacionalizações, é uma das figuras maiores da história do futebol daquele país.

Atualmente com 34 anos, Bravo foi formado num dos históricos clubes do país, o Colo-Colo. Depois disso, fez carreira em Espanha, com oito épocas na Real Sociedad e duas no Barcelona. Esteve na última época no Manchester City, onde teve um rendimento abaixo do esperado, tendo mesmo chegado a perder a titularidade para Willy Caballero. Agora com a chegada de Ederson Moraes ao clube, veremos como ficará a situação de Bravo no clube, sendo difícil que seja titular caso fique na equipa de Pep Guardiola.

Tem mais de uma dezena de títulos na sua carreira, dos quais se destacam uma Liga dos Campeões, um Mundial de Clubes e dois campeonatos espanhóis, pelo gigante catalão, e as duas Copas América que venceu nos dois últimos anos. Capitaneou a equipa nestas duas conquistas e ainda teve papel decisivo nas finais, ambas decididas no desempate das grandes penalidades. Defendeu uma grande penalidade em cada um desses dois jogos frente à Argentina. Destaca-se pela elasticidade e agilidade que apresenta na baliza e pelo excelente jogo de pés. À sua frente, terá jogadores de grande experiência como Mauricio Isla, Gonzalo Jara ou Jean Beausejour.

Arturo Vidal

Fonte: Facebook da Selección Chilena
Fonte: Facebook da Selección Chilena

Arturo Vidal é outro peso pesado desta seleção. Também formado no Colo-Colo, Vidal veio para a Europa em 2007, quando tinha apenas vinte anos. Nessa altura, já tinha ganho duas Ligas Abertura e mais duas Ligas Clausura no seu país natal. Desde esse momento, já concretizou dez temporadas no Velho Continente. Começou pelo Bayer Leverkusen, onde esteve quatro épocas. Em 2011 rumou à Juventus, onde esteve mais quatro temporadas. Nesse período, ganhou quatro “scudettos”, duas Supertaças e uma Taça, além de ter sido por uma vez vice campeão europeu.

Depois destes anos de sucesso transalpino, decidiu trocar de colosso na Europa. Transferiu-se para o Bayern Munique, onde está há duas épocas. Já venceu duas Bundesligas, uma Taça e uma Supertaça. Além disso, também foi figura de destaque nas duas Copas América ganhas pela sua seleção. Sendo médio, marcou três golos na competição de 2015 e mais dois em 2016. É um dos baluartes da equipa, ao lado de outros médios de destaque como Marcelo Díaz, Charles Aránguiz ou Gary Medel, que também pode jogar como defesa central.

Vidal é um jogador de muita entrega, um dos traços principais desta equipa. Tem boa chegada à área adversária e gosta de pressionar alto. Sendo forte também na recuperação de bolas e na visão de jogo, é um dos melhores médios atualmente no futebol mundial. Também é por isso que foi campeão nacional nas últimas seis épocas, quatro em Itália e duas na Alemanha. Podemos dizer que joga no maior colosso de cada um desses países, é verdade. Mas Vidal tem responsabilidade grande nesses sucessos.

Alexis Sánchez

Fonte: ESPN
Fonte: ESPN

Alexis é, na minha opinião, o melhor jogador chileno da atualidade. Ao contrário de Bravo e Vidal, ainda passou por outro clube, o Cobreloa, antes de jogar no Colo-Colo e sair do seu país. Ainda passou uma época nos argentinos do River Plate e depois veio para a Europa, onde já está há nove anos.

Veio para os italianos da Udinese, onde foi figura de destaque da equipa nos três anos em que lá esteve. Partiu daí para o Barcelona, onde fez sempre mais de quarenta jogos por época nas três temporadas em que lá esteve. Depois disso, foi para Londres e já há três temporadas que está no Arsenal, onde continua na média. Em três épocas, já fez mais de 140 partidas pelos “gunners”. Ganhou vários títulos no Barcelona, com destaque para dois campeonatos e um Mundial de Clubes. Também já ganhou três troféus em Inglaterra, sem nunca ter chegado à desejada Premier League. Pela seleção chilena, foi figura de destaque nas duas conquistas recentes. Marcou um golo em 2015, mais três em 2016. É a principal referência desta seleção, onde já leva 37 golos em 110 internacionalizações.

É um jogador muito disponível fisicamente, com raras lesões e muito potente com a bola nos pés. Tem uma técnica apuradíssima e é muito forte no 1×1. Não tem características para ponta de lança, mas sim para jogar numa dupla de avançados ou numa das alas do ataque. Wenger tem-no utilizado muitas vezes como figura mais solta na frente de ataque, o que não tem agradado muito ao astro chileno. Também por isso se fala numa possível transferência neste defeso, com o Manchester City e o Chelsea como potenciais interessados. Eu via com bons olhos uma mudança. Penso que Alexis Sánchez tem demasiada qualidade para estar circunscrito a este Arsenal de Wenger.

O Selecionador

Fonte: Facebook da Selección Chilena
Fonte: Facebook da Selección Chilena

Hispano-argentino de 48 anos, Juan Antonio Pizzi teve uma longa carreira de jogador antes de iniciar a de treinador. Era avançado e dividiu quase todo o seu percurso entre Espanha e Argentina.

Na Argentina, representou clubes como Rosario Central e River Plate. Em Espanha jogou no Tenerife, Valencia, Barcelona e Villarreal. Além deste emblemas, ainda teve uma fugaz passagem por Portugal, onde marcou quatro golos em dezasseis jogos no FC Porto. Apesar de ter nascido na Argentina, Pizzi escolheu jogar pela seleção espanhol, ao serviço dos quais ainda disputou o Euro’96 em Inglaterra e o Mundial’98 em França. Ao todo, disputou 22 partidas com a equipa de “nuestros hermanos”.

Após este breve resumo da sua carreira como jogador, vamos ao seu percurso como treinador principal. Juan Antonio Pizzi começou a carreira de técnico em 2004/05, tendo feito quase toda a carreira na América do Sul. Esteve na Argentina, onde treinou o Colón, o Rosario Central e o San Lorenzo. Pelo meio, ainda treinou os peruanos do Universidad San Martín e os chilenos do Santiago Morning e da Universidad Católica. Em 2013/14, teve a sua única experiência na Europa, no Valencia, mas não correu da melhor forma, com apenas doze triunfos em mais de trinta partidas. Ainda esteve no Club León, do México, antes de assumir a seleção chilena no ano passado, tendo já sido ele o responsável pela conquista da segunda Copa América conquistada por “La Roja” na sua história, a de 2016.

Apesar de ter vencido a Copa América Centenário em 2016, Pizzi não tem sido unânime no seio do Chile. O hispano-argentino não alterou muito as bases que tinham sido utilizadas por Jorge Sampaoli, o responsável técnico pela conquista da Copa América 2015 e que foi recentemente anunciado como novo selecionador argentino, após uma temporada bem sucedida no Sevilha. Contudo, o facto de praticamente não contar com dois dos maiores criativos do futebol de La Roja nos últimos anos (Jorge Valdivia e Matías Fernández) gera algumas críticas em torno do selecionador. Veremos o que este Chile terá para dar sem os seus dois criativos, depois de já não os ter tido também em 2016.

Com uma defesa agressiva mas baixa em estatura, este Chile pode ser vulnerável no jogo aéreo, mas pela relva é uma equipa difícilima de bater. Tem um meio campo composto por jogadores muito agressivos sobre a bola, com um grande espírito de sacrifício e de luta, como os exemplos de Marcelo Díaz, Arturo Vidal ou Charles Aránguiz. No ataque, Alexis Sánchez é a estrela da companhia, sempre bem secundado por Eduardo Vargas, um avançado de quem eu gosto bastante, mas que faz sempre melhores exibições nas seleções do que nos clubes.

Palmarés

Fonte: Conmebol
Fonte: Conmebol

A seleção chilena tem apenas duas competições internacionais ganhas no seu palmarés do futebol sénior. Essas foram precisamente as duas últimas Copas América, em 2015 e 2016.

De resto, os chilenos já estiveram presentes em nove fases finais de Campeonatos do Mundo. A melhor prestação alcançada foi no único destes torneios que foi disputado em casa. No já longínquo ano de 1962, os chilenos ficaram no terceiro lugar do Mundial que organizaram. Depois de, na fase de grupos, terem derrotado Itália e Suíça e terem perdido frente à Alemanha, La Roja derrotou a União Soviética nos quartos de final e apenas viria a ser derrotada nas meias finais pela super equipa do Brasil que viria a ser campeã do Mundo nesse ano. No jogo de atribuição dos terceiro e quarto lugares, os visitados acabariam por derrotar a Jugoslávia por 1-0.

Depois de 43 edições da Copa América sem chegar ao almejado título, os chilenos venceram as últimas duas edições. Vão-se estrear na Taça das Confederações neste mês.

Expetativas

Fonte: Facebook da Selección Chilena
Fonte: Facebook da Selección Chilena

As expetativas, são, na minha ótica, altas para a equipa chilena. Para mim, os chilenos são, juntamente com Portugal e Alemanha, as seleções mais fortes. Sabendo nós que os germânicos vão apresentar uma equipa jovem, desfalcada das principais estrelas, diria até que os chilenos estão entre os maiores candidatos à vitória final, juntamente com a equipa das quinas. Envolvidos na fase de grupos com Austrália, Alemanha e Camarões, os chilenos têm francas hipóteses de chegarem às meias finais e, aí, tudo poderá acontecer. Tal como Portugal, La Roja descobriu recentemente o que é a sensação de ganhar torneios importantes no futebol sénior e a Taça das Confederações seria uma bela oportunidade para aumentar a lista de troféus conquistados.

Os chilenos vão-se estrear frente aos Camarões, defrontando em seguida a Alemanha e terminando a fase de grupos frente à Austrália. Penso que os chilenos têm francas hipóteses de passar no primeiro lugar do agrupamento. Como já disse, penso que Chile, Portugal e Alemanha são os grandes favoritos à vitória final na Taça das Confederações.

Foto de Capa: Facebook da Selección Chilena

Diogo Janeiro Oliveira

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