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Argentina: Tango difícil de aprender

João Nuno Aguiar · 3 min

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Cabeçalho Futebol Internacional

O tango argentino já conheceu melhores passos. Desde que, em Agosto deste ano, assumiu o comando da seleção das pampas, Edgardo Bauza soma apenas duas vitórias em seis jogos disputados. Recentemente, perdeu com o Paraguai em casa e sofreu uma humilhante derrota em pleno Mineirão, 3-0, com o seu rival de sempre, o Brasil. Estes dois desaires atiraram a Argentina para fora dos lugares que dão acesso direto ao Mundial de 2018.

O brilhantismo de Messi, inspirado na vitória de 3-0 frente à Colômbia permitiu, entretanto, aos argentinos atingir o quinto lugar que dá acesso ao play-off onde se disputa a presença no Mundial da Rússia. É certo que ainda faltam seis jogos, mas não se avizinha fácil a tarefa da seleção celeste, principalmente se não conseguir melhorias no futebol apresentado até agora.

Golo de Messi e os 3-0 à  Colômbia não atenuam má campanha argentina Fonte: ESPN
Golo de Messi e os 3-0 à Colômbia não atenuam má campanha argentina
Fonte: ESPN

Uma equipa recheada de jogadores de qualidade acima da média, principalmente do meio-campo para a frente, mas que depende demasiado do seu astro maior, Lionel Messi. Quem tem ao seu dispor jogadores como Di Maria, Pastore, Gaitán, Dybala, Aguero, Lavezzi, Lamela ou Higuaín, citando só alguns, não pode estar dependente de dias bons de um só homem.

Talvez na defesa estejam algumas das grandes lacunas desta seleção. Na baliza, Romero assume a titularidade, mas neste momento só joga na seleção, pois é suplente no Manchester United. Funes Mori é um dos indiscutíveis do treinador, mas também não é um titular absoluto do Everton e sempre que lhe surge pela frente um dianteiro mais rápido sente grandes dificuldades. Zabaleta já não apresenta a velocidade de outros tempos e em jogos mais complicados tem vacilado igualmente – Neymar e Coutinho deixaram-no bem claro recentemente. Uma defesa lenta e de posicionamentos duvidosos é a que tem surgido com Bauza, os 8 golos sofridos em 6 são um dos sinais.

Mas não é só no setor mais recuado que os problemas saltam à vista. Biglia e Mascherano dão a cobertura que os criativos de qualquer equipa gostam de ter. São dois médios recuados que dão liberdade aos homens que jogam à sua frente, que não só fazem as compensações e recuperações de bola, como também dão o apoio recuado nas circulações de bola. Mas a equipa não cria envolvimentos ofensivos de qualidade. Artistas não faltam, como já vimos, mas as trocas de bola não são constantes, não se utiliza as faixas laterais para progredir e joga-se, essencialmente, um jogo direto ou à espera de um rasgo individual de qualquer uma das estrelas.

Na última partida foi Pratto o jogador mais avançado da equipa, relegando Higuaín e Kun para o banco de suplentes, onde este último já tinha estado frente ao Brasil. O dianteiro do atlético Mineiro até marcou um golo, mas a sua presença privilegia ainda mais o futebol direto e sem ideias. Di Maria não tem tido a inspiração que se lhe reconhece e parece até um jogador tímido, não efetuando as explosões pela ala esquerda que lhe são características. Lamela e Dybala não estavam aptos para esta dupla jornada, mas podem ser jogadores importantes na construção de jogo a partir da zona mais adiantada do meio-campo.

Biglia e Mascherano são importantes nos equilíbrios da equipa Fonte: Esporte UOL
Biglia e Mascherano são importantes nos equilíbrios da equipa
Fonte: Esporte UOL

Com tanta qualidade à disposição, Bauza tem o dever de qualificar a Argentina diretamente para o mundial a realizar em terras russas. Mas tem também a obrigação de colocar a seleção das pampas a jogar um futebol atrativo, acutilante mas com segurança defensiva, que vença e convença. Não pode estar constantemente a depender da inspiração de Messi. Imagine-se se o astro argentino tivesse abandonado a seleção, como prometera no final da última Copa América.

 

Foto de capa: goal.com

João Nuno Aguiar

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