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Análise do Grupo E | Euro 2020

Miguel Simões · 14 min

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Um ano depois do previsto, o Euro 2020 está prestes a entrar em ação, estando ali já ao virar da esquina. Os apaixonados pelo futebol disputado entre seleções não poderiam estar mais ansiosos para que a bola comece a rolar, já partir do próximo dia 11 de junho.

Em jeito de antevisão, foram observados todos os contornos que envolvem as seleções do grupo E: Espanha, Polónia, Suécia e Eslováquia. Face ao formato do Europeu, os dois primeiros de cada grupo passam diretamente à fase seguinte da prova, aos quais se juntam os quatro melhores terceiros classificados.

Neste artigo, analisamos o momento dessas seleções, as suas estrelas e revelações, o perfil dos selecionadores e ainda aquilo que podem fazer ao longo da competição. Será este um dos grupos capaz de levar três seleções aos “oitavos” do Euro?

ESPANHA

A SELEÇÃO

A seleção espanhola parte em busca do regresso às grandes conquistas. Vale a pena relembrar que, antes de Portugal se sagrar campeão europeu em 2016, os espanhóis eram os detentores do título, com as conquistas nos Campeonatos da Europa de 2008 e 2012 e, pelo meio, o Mundial de 2010. No entanto, desde o último Europeu conquistado, a Espanha nunca mais ficou no top-8 de seleções, ora ficando afastada logo numa fase de grupos, ora não indo além dos “oitavos” de uma prova.

Em relação às últimas convocatórias de Luis Enrique, as grandes novidades são a ausência de Sergio Ramos e a inclusão de Aymeric Laporte – o primeiro devido a lesão e o segundo por se ter naturalizado espanhol, recentemente. Face à ausência do experiente central e capitão, esta será a primeira vez que a seleção roja vai disputar uma competição internacional sem um único jogador do Real Madrid CF convocado. Apesar de tudo, terão os espanhóis condições para ir longe na competição?

A ESTRELA

Koke – Entre o lote de convocados, Jordi Alba até é o jogador com mais internacionalizações pela seleção espanhola, mas o destaque vai para Koke, médio que foi uma das peças fundamentais para a conquista do título por parte do Club Atlético de Madrid. Inteligente a pensar o jogo e rápido a executá-lo, o espanhol de 29 anos parece estar quase sempre um passo à frente dos adversários.

Quando entrar pela primeira vez em campo no Europeu, Koke vai somar a 50.ª internacionalização e procurará marcar o primeiro golo de sempre pela seleção principal de Espanha. Depois da época que fez pelos colchoneros (onde se encontra desde a formação), não haverá melhor altura para dar nas vistas ao serviço do seu país.

A REVELAÇÃO

Pedri González – A escolha entre Pedri González e Rodri Hernández (Manchester City FC) não foi fácil, mas a escolha para revelação acaba por recair para o jovem do FC Barcelona por uma razão em particular: ter feito uma extraordinária época nos catalães com apenas 18 anos.

O drible imprevisível, os pormenores técnicos e a capacidade para atrair e trocar as voltas aos adversários tornam-no um dos médios mais promissores do futebol mundial, não sendo por acaso a avaliação atual de mercado em 70 milhões de euros. Pedri estreou-se pela seleção principal este ano ao ter disputado três jogos de qualificação para o Mundial 2022 e será aposta no Europeu, podendo vir a revelar-se como uma das grandes revelações da prova.

O SELECIONADOR

Luis Enrique – O técnico de 51 anos tornou-se selecionador espanhol em julho de 2018 e, depois de já ter orientado as estrelas do país na Liga das Nações e nas fases de apuramento para as provas entre seleções, terá agora a sua verdadeira prova de fogo.

Ao longo da sua carreira, Luis Enrique treinou emblemas como o RC Celta de Vigo e o AS Roma, mas o clube onde mais se destacou foi, sem dúvida, o FC Barcelona – entre 2014 e 2017 conquistou nove troféus (três dos quais a nível internacional) e foi ainda nomeado melhor treinador do mundo em 2015. Pela seleção espanhola leva 11 triunfos em 19 jogos e espera-se que, no europeu, tente implementar o seu melhor futebol, nomeadamente o célebre ‘tiki-taka’.

ATÉ ONDE PODEM IR?

No grupo onde está inserida, a seleção espanhola não tem outra alternativa senão a de se assumir como principal favorita a vencê-lo, pese embora a qualidade das restantes seleções. É certo que o favoritismo nem sempre é sinónimo de sucesso garantido, mas tendo em conta a qualidade de todos os intervenientes convocados, a Espanha tem perfeitas condições para ir longe no Europeu. Dessa forma, os comandados de Luis Enrique podem ser também vistos como potenciais candidatos a regressar à final da competição, mediante os adversários ao longo do percurso.

POLÓNIA

A SELEÇÃO

A Polónia integra um grupo onde tem claras aspirações em passar à fase seguinte da prova, isto é, aos “oitavos”. Nas últimas edições do Campeonato da Europa, ao longo do século XXI, o conjunto polaco tem conseguido chegar às fases finais da competição, embora só por uma vez tenha ultrapassado a fase de grupos. Curiosamente, tal aconteceu na última participação, em 2016, na qual foi afastada nos “quartos” por Portugal (após o empate a uma bola, perdeu por 5-3 nas grandes penalidades).

A grande ausência da lista divulgada pelo português Paulo Sousa é a de Krzysztof Piatek, avançado do Hertha Berliner SC, devido a lesão. Ainda assim, o conjunto polaco conta com outras estrelas capazes de fazer a diferença. Se olharmos para a baliza, as opções Wojciech Szczesny (Juventus FC) e Lukasz Fabianski (West Ham United FC) parecem dizer tudo… Globalmente, o coletivo tem qualidade e até pode surpreender.

A ESTRELA

Robert Lewandoski – Uma escolha que não deixa margem para dúvidas, tratando-se daquele que foi eleito o melhor jogador do mundo em 2020. Lewandoski tem protagonizado temporadas soberbas – e, acima de tudo, goleadoras – ao serviço do FC Bayern Munchen. Só esta época foram 48 golos em 40 jogos, números que são possibilitados pelas habilidades técnicas do ponta de lança na hora de finalizar, bem como pela leitura dos movimentos dos colegas e consequente sentido de desmarcação.

Pela seleção polaca, o avançado de 32 anos já leva 66 golos em 118 jogos, liderando a tabela de jogadores com mais internacionalizações (e também golos). Com o faro de golo afinado, Lewandoski reúne as condições para ser um dos mais decisivos da prova.

A REVELAÇÃO

Jan Bednarek – Tem sido um autêntico central em ascensão! Depois de ter dado os primeiros passos no KKS Lech Poznan, Jan Bednarek mudou-se para o Southampton FC em 2017 (a troco de seis milhões de euros), onde tem estado em destaque no eixo da defesa. Não se trata de um central goleador, mas é seguro a defender, oportuno a intercetar jogadas de perigo e não tem medo de dar o corpo às balas.

Ainda assim, no Mundial 2018, apontou um dos dois golos da sua seleção, naquela que foi a sua estreia em provas internacionais. Desde aí tem sido sempre convocado para a Liga das Nações e fases de apuramento, tendo-se já afirmado como titular indiscutível no setor defensivo da Polónia.

O SELECIONADOR

Paulo Sousa – Na sua primeira grande experiência ao comando de uma seleção principal, o português Paulo Sousa tentará certamente incutir um grau de competitividade elevado para que a Polónia possa sonhar com voos mais altos. Curiosamente, o técnico de 50 anos passou por diversos campeonatos (destacando-se clubes como Leicester City FC, FC Basel, ACF Fiorentina ou FCG Bourdeaux), mas nunca tinha treinado em solo polaco.

Chegou ao país em janeiro deste ano, analisou os principais intervenientes tendo em conta as suas ideias de jogo e avançou para uma lista equilibrada e sem surpresas. Para já, em três jogos, experimentou todos os resultados possíveis. Poderá o treinador português brilhar logo na sua primeira aventura deste calibre?

ATÉ ONDE PODEM IR?

Pode não ser a principal candidata a ocupar o primeiro lugar do grupo, mas a Polónia é a seleção que estará teoricamente mais perto de dar luta à seleção espanhola pela liderança. De qualquer das formas, o objetivo mínimo passará por “agarrar” a segunda posição, evitando eventuais contas rigorosas no caso de ficarem apenas pelo terceiro lugar (dado que só passam os quatro melhores classificados). Olhando para a lista de convocados e respetiva qualidade, em caso de passagem aos “oitavos”, crescerão as esperanças de poder dar mais um passo em frente e, na verdade, o cenário nem é sequer descabido.

SUÉCIA

A SELEÇÃO

Quando se fala do conjunto sueco é praticamente impossível não associar imediatamente a Zlatan Ibrahimovic, embora desde 2016 este só tenha somado mais sete internacionalizações e sem qualquer golo apontado. No entanto, o ponta de lança de 39 anos está a contas com uma lesão e é a grande ausência da lista definitiva dos convocados.

Apesar de tudo, as mais recentes prestações da seleção azul e amarela deixam boas perspetivas daquilo que pode acontecer nesta edição, destacando-se nomeadamente os apuramentos para os “oitavos” do Euro 2016 e, mais recentemente, para os “quartos” do Mundial 2018.

O capitão Andreas Granqvist não reúne totais condições para dar o seu contributo, mas o selecionador não hesitou em integrá-lo na comitiva sueca, principalmente tendo em conta a importância que tem dentro do balneário. E quem sabe se a Suécia não será um forte exemplo de que as palavras dos mais experientes podem ter realmente um impacto gritante no seio do plantel…

A ESTRELA

Emil Forsberg – Logo a seguir ao ponta de lança Marcus Berg, é Emil Forsberg quem aparece como jogador da convocatória com mais internacionalizações, contabilizando já 56 jogos e oito golos. O extremo de 29 anos transferiu-se do Malmö FF para o RB Leipzig em 2014 e, desde então, não só se tornou uma peça-chave do conjunto alemão, como ainda passou a ser uma das principais figuras da sua seleção, para a qual tem sido constantemente convocado e regularmente utilizado de início.

O avançado já mostrou que, além dos passes teleguiados, não tem receio de rematar de fora da área (de onde muitas vezes faz golo) e com a frieza necessária para ferir o adversário. Os livres, muitas vezes, são por conta dele e os adversários terão isso em atenção!

A REVELAÇÃO

Dejan Kulusevski – Escolher entre o extremo da Juventus FC e o ponta de lança Alexander Isak (Real Sociedad de Fútbol) para a categoria de revelação não foi uma tarefa nada fácil, dado que ambos, com os seus 21 anos, têm protagonizado “brilharetes” nos respetivos clubes.

Ainda assim, o destaque recai sobre Dejan Kulusevski que é visto como um extremo desequilibrador, com boa condução de bola e detentor de uma grande capacidade para desmarcar os colegas, podendo vir a revelar-se como uma arma secreta nas ocasiões em que entrar em campo na condição de suplente utilizado. Chamado pela primeira vez em 2019, o jovem avançado conta com onze jogos na seleção, cinco deles a partir do banco de suplentes, tendo já marcado um golo.

O SELECIONADOR

Janne Andersson – Selecionador sueco desde 2016, Janne Andersson ganhou metade dos 56 encontros que realizou, ou seja, 28 triunfos. Além disso, contrariamente a anos anteriores, o treinador de 58 anos conseguiu levar a Suécia a ultrapassar as fases de grupos das provas internacionais em que esteve inserido, com percursos muito positivos e de bom futebol.

Até chegar à liderança da comitiva sueca, Anderson passou apenas por emblemas do seu país, tais como o Halmstads BK e o IFK Norrköping, tendo conquistado o campeonato de 2015 neste último, algo que fez certamente despertar a curiosidade dos dirigentes máximos da Suécia. Estará à altura de repetir os feitos dos últimos anos?

ATÉ ONDE PODEM IR?

A Suécia terá uma palavra a dizer na luta pelas duas primeiras posições, de modo a evitar as contas afetas aos terceiros classificados que podem ou não seguir em frente. Teoricamente (embora no futebol tudo seja possível), o duelo com a Polónia poderá ser decisivo para sonhar com a segunda posição, isto partindo do cenário mais provável de ver a Espanha arrecadar a liderança do grupo. Ainda assim, vale a pena frisar que a Suécia esteve no mesmo grupo de qualificação dos espanhóis e foi uma das duas equipas a travá-los na sua série vitoriosa. Caso se apure para os oitavos, restará fazer o melhor possível e tentar surpreender.

ESLOVÁQUIA

A SELEÇÃO

A História da Eslováquia mostra-nos que, em algumas das ocasiões em que chegou às fases finais das principais competições internacionais, acabou mesmo por surpreender os adversários. Os dois melhores exemplos são o Mundial de 2010 e o Europeu de 2016.

No primeiro, a seleção eslovaca ficou à frente da Itália e apurou-se para os “oitavos” da prova, caindo depois aos pés da Holanda. Já no segundo, a Eslováquia beneficiou do facto de ter sido uma das melhores terceiras classificadas, mas acabou travada pela Alemanha, também nos “oitavos” da competição europeia.

Para já, o selecionador eslovaco conta com uma lista provisória alargada, em que grande parte dos nomes não atuam nos melhores campeonatos da Europa e é precisamente aí que entra o fator surpresa, envolvendo mais jogadores com dinâmicas competitivas diferentes.

A ESTRELA

Milan Skriniar – Pelo percurso histórico, não hesitaria em colocar o nome de Marek Hamsík (atualmente nos suecos do IFK Goteborg), desde logo pela liderança na tabela de internacionalizações, contabilizando já 126 duelos. No entanto, olhando para o momento atual, não há jogador que mais se destaque senão o central Milan Skriniar.

O defesa do FC Internazionale Milano revela ter um posicionamento seguro, bom timing de corte e uma elevada capacidade aérea, algo que até lhe permitiu marcar dois golos nos últimos dois jogos da seleção eslovaca, ao fim de 39 internacionalizações. Além disso, Skriniar foi preponderante na conquista do campeonato italiano por parte do Inter e poderá ser a chave para estabilizar a defesa da Eslováquia, sendo um dos ativos europeus mais valorizados no momento a nível defensivo.

A REVELAÇÃO

Lubomir Satka – Mantemo-nos na posição de defesa central e olhamos agora para a forma como Lubomir Satka tem vindo a revelar-se ao longo dos últimos meses. Desde finais de 2018, o defesa de 25 anos somou 12 internacionalizações, com a interessante particularidade de a seleção raramente ter perdido e de poucos golos ter sofrido nessas ocasiões.

Com formação no Newcastle United FC, Lubomir tem-se destacado ao serviço do KKS Lech Poznan desde a temporada passada, afirmando-se como titular indiscutível no eixo da defesa. O central mostra que não tem medo em avançar no terreno quando o jogo “pede” isso mesmo e revela ser intransponível no um para um.

O SELECIONADOR

Stefan Tarkovic – Com uma curta carreira enquanto treinador principal, Stefan Tarkovic chegou ao comando da seleção eslovaca em 2019, sendo que exercia funções de técnico adjunto desde 2013. Antes disso, teve breves passagens por clubes da Liga da Eslováquia, nomeadamente o MSK Zilina e o HT Tatran Presov.

Em sete jogos, conquistou três vitórias, a última das quais frente à Rússia no apuramento para o Mundial 2022. Apesar de jovem, já mostrou que gosta de trabalha até ao mais ínfimo pormenor, prova disso é que foi dos poucos selecionadores que ainda não anunciou a convocatória oficial de 26 jogadores, tendo apenas uma lista provisória alargada, com 23 titulares e 28 suplentes.

ATÉ ONDE PODEM IR?

Entre as quatro seleções do grupo, a Eslováquia é a que menos possibilidades tem de passar para a fase seguinte, mas nem por isso deixará de sonhar, pelo menos, com o terceiro lugar. Numa fase de grupos com apenas três jogos para cada equipa, um triunfo “inesperado” pode perfeitamente baralhar todas as contas do grupo. Aliás, até mesmo um empate pode neutralizar a luta de duas equipas por um objetivo. Apesar dos adversários que tem pela frente, é expectável que a Eslováquia lute até à exaustão para conseguir pontos e, assim, fazer o melhor possível para se apurar para os “oitavos” do Europeu. Haverá surpresa?

Artigo revisto por Joana Mendes

Miguel Simões

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