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Mor, Duda, Nágy e Kapustka – os talentos do Euro’2016

Tomás da Cunha · 4 min

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Cabeçalho Futebol Internacional

É difícil, no contexto actual, haver uma grande competição sem que a maior parte dos jogadores sejam conhecidos pela maioria do público. Ainda assim, há sempre jovens que demonstram potencial e que, por actuarem em campeonatos periféricos, merecem um destaque especial antes de saltarem para os grandes palcos.

Adam Nágy

O Benfica pode ser o próximo clube do talentoso húngaro Fonte: Facebook de Nagy
O Benfica pode ser o próximo clube do talentoso húngaro
Fonte: Facebook de Nagy

É um dos jogadores mais cobiçados pelas exibições que fez na prova. O jovem húngaro, que até pode vir parar à Luz, não desperdiçou a oportunidade de se valorizar na montra de uma grande competição e vai certamente experimentar outro patamar competitivo. Na primeira e única temporada que fez ao mais alto nível, Nágy teve um papel decisivo no título do Ferencváros, assumindo-se como a maior revelação da liga nacional.

À frente da defesa, o jogador impressionou pela inteligência notável no posicionamento, que lhe permite antecipar a maioria dos lances para interceptar ou desarmar, e por uma qualidade técnica muito acima da média. O facto de ter passado pelo futsal reflecte-se no seu jogo, tendo um controlo de bola fantástico com os dois pés.

Chegar à selecção foi perfeitamente natural e Nágy conquistou de forma rápida um lugar cativo no meio campo magiar. É o chamado “jogador completo”, pela qualidade que revela em todos os momentos do jogo. Apesar do enorme potencial que apresenta, o médio do Ferencváros é bastante discreto e dispensa o protagonismo. Privilegiando sempre o colectivo, tem um perfil de decisão muito desenvolvido e percebe o que o jogo pede. É muito forte ao nível do passe (curto e médio, sobretudo) e tem capacidade de assumir acções de condução.

Podendo jogar como 6 ou 8, o talentoso húngaro seria uma aquisição de peso para o meio campo encarnado, embora não se possa falar num substituto directo de Renato Sanches. Tendo outras características e um jogo mais cerebral do que o português, não deixaria de ser um reforço que se enquadra na habitual política dos encarnados.

Ondrej Duda

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A maior promessa eslovaca da actualidade
Fonte: Facebook de Ondrej Duda

Começou como suplente, mas não demorou a conquistar um lugar na selecção eslovaca. Mesmo fora de posição, jogando como falso 9, provou ser suficientemente talentoso para ser uma das figuras da equipa a curto prazo. O jovem de 21 anos não fez exibições deslumbrantes no Europeu, até porque não teve as condições ideais para isso, mas a inteligência que demonstra em todas as suas acções leva a crer que estamos perante um jogador com potencial para outros voos.

Seja como médio, a sua posição de origem, ou com este papel de falso 9, de Duda podemos esperar as melhores decisões para o colectivo. É um daqueles jogadores que cria para si e para os outros, tendo uma visão distinta dos demais. Com uma qualidade técnica excepcional, o jovem do Legia de Varsóvia lida muito bem com situações de pressão, tentando sempre jogar de forma criteriosa.

Além dos atributos no capítulo do passe, tem facilidade de remate e de chegada à área contrária. Duda não deverá ficar muito mais tempo na Polónia, onde está há três temporadas. É um dos jogadores com mais projecção do campeonato e está referenciado por diversos clubes de topo. Hamsik terá um parceiro de elite.

Bartosz Kaputska

Kaputska mereceu a confiança de Adam Nawalka Fonte: Facebook de Kapustka
Kaputska mereceu a confiança de Adam Nawalka
Fonte: Facebook de Kapustka

A inesperada titularidade no primeiro jogo foi a oportunidade de que o jovem precisava para demonstrar o seu talento. Tem tudo para ser uma das figuras do futuro da Polónia.

Depois de uma época muito interessante ao serviço do Cracóvia, Kapustka conquistou o seleccionador Adam Nawalka e foi aposta inicial em detrimento de Grosicki, acrescentando virtuosismo e capacidade de desequilíbrio. Jogando do lado esquerdo, criou sempre perigo com movimentações que privilegiavam o corredor central, até por ser destro. Com excelentes atributos técnicos, qualidade no passe e na condução e uma visão bastante acima da média, foi sempre o principal agitador do jogo polaco.

Saiu do 11 para o jogo com a Alemanha, apesar de ter sido um dos melhores no primeiro encontro. A provável justificação é o facto de ainda ser algo indisciplinado do ponto de vista táctico, levando o seleccionador a preferir um jogador mais experiente e disponível defensivamente como Grosicki.

Numa altura em que o futebol polaco vai recuperando o fulgor de outros tempos, o aparecimento de jovens talentos como Kapustka, Linetty ou Zielinski dá garantias de continuidade.

Emre Mor

Emre Mor é um dos destaques da prova Fonte: Facebook BVB Dortmund
Emre Mor é um dos destaques da prova
Fonte: Facebook BVB Dortmund

Contratado pelo Dortmund antes da prova, o jovem turco era à partida um dos grandes talentos a seguir. A exibição frente à República Checa foi uma bela demonstração de potencial por parte de um jogador que já tem o rótulo de “mini-Messi”.
Esquerdino, ágil, habilidoso e forte no drible. Nos últimos anos, sempre que surge um jovem com estas características é de imediato catalogado como o novo Messi. A necessidade de catalogar tudo e mais alguma coisa é quase tão grande como a de encontrar um jogador que se aproxime do argentino.

Emre Mor, nascido e formado na Dinamarca, entre Lyngby e Nordsjaelland, tem de facto um talento distinto e bastam uns minutos para o perceber. Mais do que a qualidade técnica, é a extrema imprevisibilidade do seu jogo que o diferencia. Actuando em qualquer posição do meio campo ofensivo, procura quase sempre zonas interiores e tem enorme facilidade em provocar desequilíbrios na estrutura adversária, seja em condução acelerada ou através do passe.

Aos 18 anos, o diamante turco tem naturalmente aspectos por limar. Com um estilo desregrado e um futebol puro, quase de rua, importa evoluir ao nível da compreensão do jogo, perceber que o talento individual está sempre ao serviço do colectivo. Tuchel poderá dar-lhe isso, mas sem o formatar ao ponto de lhe tirar aquilo que tem de melhor.

                                                                                                                                                                                             Foto de capa: Facebook do Dortmund

Tomás da Cunha

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