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Portugal 0-0 Áustria: Se as estatísticas ganhassem jogos

Pedro Machado · 4 min

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A FIGURA

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

Baumgartlinger – Foi figura omnipresente do meio-campo austríaco. Começou discreto, é certo mas, aos poucos, foi impondo a sua influência, cortando linhas de passe com um sentido posicional notável, sendo ainda capaz de construir jogo com clarividência, ficando na retina um lance em que se livrou de Nani e Moutinho, em drible, para sair com a bola jogável.

Foi o melhor amigo da defesa e a base do ataque. Principal responsável pela neutralização do jogo português.

O FORA-DE-JOGO

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

Cristiano Ronaldo – Dos melhores, espera-se o melhor. Do melhor jogador da competição, espera-se ainda mais. E Ronaldo não correspondeu às expectativas. Não foi o que teve pior desempenho em campo, mas foi o que apresentou maior nível de sub-rendimento.

Falhou um penalty e outra oportunidade flagrante (de cabeça, atirou à figura de Almer). Mas não é só por isso que merece este “prémio”. Durante a primeira parte deu-se muito à marcação e deixou-se antecipar com uma facilidade incrível para quem conhece a sua faceta competitiva.

A nível físico revelou-se um portento, mas um jogador não é só corpo, também é mente… e é ela que, muitas vezes, influencia exibições.

PORTUGAL

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

Fernando Santos prometeu mudanças, mas referiu que a revolução ficara em 1974. E cumpriu com a sua palavra. William entrou para o lugar de Danilo, de forma a dar mais qualidade de passe na saída de bola e Quaresma substituiu João Mário em busca de maior profundidade. O 4x4x2 manteve-se inalterado.

As coisas não começaram da melhor maneira, sobretudo no lado esquerdo da defesa, com muito espaço vazio nas suas costas. Porém, isso foi, aos poucos, corrigido com o avolumar do caudal ofensivo português. Nani deu o mote, ao brilhar num gesto técnico que o isolou mas a falhar na altura da finalização. Logo a seguir, Vieirinha obrigou Almer a defesa apertada e na sequência de um canto, William obrigou o guardião a ir ao chão com bom cabeceamento.

A densidade do meio-campo austríaco ia sendo diluída com os rasgos nacionais. Raphael Guerreiro subiu de produção e ofereceu um golo a Ronaldo que, em zona prometedora, atirou ao lado. Logo depois, canto curto, Nani, de cabeça, ao poste a confirmar a vontade nacional em assumir o jogo, indo para o intervalo a sufocar o adversário.

Na segunda parte, Portugal voltou a demorar a entrar no jogo, mas quando “pegou” nele, não o largou, revelando excelente circulação de bola, com William Carvalho a assumir papel de destaque nesse particular, começando nele muito do jogo ofensivo nacional.

Até Pepe dava o seu contributo, antecipando-se ao meio-campo austríaco e funcionando como uma espécie de homem a mais no meio-campo contrário. Num desses raides, a bola chegou a Cristiano Ronaldo, que disparou de longe para grande defesa de Almer. Na sequência do canto, cabeceamento do tri-Bola de Ouro, nova defesa do guardião austríaco. Portugal ia forçando, e beneficiou mesmo de uma grande penalidade. Mas Cristiano Ronaldo… falhou.

A equipa não perdeu a fé, manteve o discernimento na circulação da bola, sufocando a Áustria no seu próprio meio-campo.

Rafa e João Mário (substituíram Nani e Quaresma) deram frescura ao ataque, e conseguiam trazer a equipa consigo, mas faltou a concretização. Parecia que o golo ia aparecer não tarda… mas o jogo “só” teve 90 minutos.

Segundo jogo do Euro. Portugal totaliza 50 remates, 21 cantos, 1 grande penalidade… 1 golo. Se as estatísticas ganhassem jogos, já estaríamos apurados.

Notas aos jogadores:

Rui Patrício – 6

Vieirinha – 6

Pepe – 5

Ricardo Carvalho – 6

Raphael Guerreiro – 5

Quaresma- 6

William – 7

Moutinho – 6

André Gomes – 6

Nani – 6

Ronaldo – 6

Éder – 4

João Mário – 5

Rafa – 5

ÁUSTRIA

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

Em relação ao duelo com a Hungria, Koller foi forçado a fazer algumas alterações. Preferiu fazer avançar Alaba para o lugar do organizador Junuzovic, fazendo entrar Ilsanker para formar duplo-pivô com Baumgartlinger. Na defesa, face ao castigo de Dragovic, fez entrar Prodl. No ataque, decidiu tirar Jank, oferecendo mais mobilidade com a entrada de Sabitzer.

Esperar-se-ia uma Áustria a jogar no erro. E assim foi. Embora o primeiro sinal de perigo tenha pertencido à Das Team, com Sabitzer a ganhar espaço nas costas da lateral esquerda portuguesa e a cruzar ao segundo poste, onde apareceu Harnik a cabecear perto da baliza de Rui Patrício.

Estava dado o aviso, e sobre ele se construiu alguma confiança, que, por sua vez, serviu de baseao controlo do domínio territorial. Porém, esse, durou pouco mais de 10 minutos. É que as sucessivas situações de perigo de Portugal foram “despindo” as fragilidades austríacas, num domínio que só conheceu interrupção quando Alaba, num livre lateral, executou belíssimo cruzamento remate, que ia direitinha para a cabeça de ?? , mas Vierinha salvou.

Entretanto, a Áustria foi sustendo o perigo português e conseguiu escapar incólume ao primeiro tempo.

O segundo tempo começou como o primeiro, com a Áustria a assustar, num remate de Ilsanker. A partir daí, foi recuar linhas e aguentar a pressão portuguesa, quase abdicando de atacar, como comprovou a substituição de Alaba por Schopf, retirando a peça principal da criatividade da sua equipa.

A partir daí, a Áustria foi capaz de controlar o jogo (ainda que auxiliada por alguma sorte) e contentou-se com o pontinho… que muito jeito pode dar para a última jornada.

Notas aos jogadores:

Almer – 8

Klein – 4

Prodl – 6

Hinteregger – 4

Fuchs – 6

Ilsanker – 7

Baumgartlinger – 8

Sabitzer – 7

Alaba – 5

Arnautovic – 5

Harnik – 6

Schopf –5

Hinterseer – 4

Wimmer- 4

Pedro Machado

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