Portugal 1-0 Arménia: Vitória às três tabelas!

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Portugal alcançou hoje uma vitória tão importante quanto suada frente à Arménia. Dos arménios, que haviam estado em vantagem nos jogos diante da Sérvia (1-1) e Dinamarca (2-1), não se esperavam que facilidades. Aos portugueses pedia-se que controlassem, dominassem e ganhassem o jogo.

Fernando Santos, que continua 100% vitorioso em jogos oficiais, procedeu a três alterações em relação ao onze do jogo com a Dinamarca – o luso-francês Raphael Guerreiro saltou para o lugar do lesionado Eliseu na lateral-esquerda, Bosingwa roubou o lugar de lateral-direito a Cédric e Hélder Postiga regressou à titularidade, remetendo William Carvalho para banco. Se as duas primeiras mexidas pouco impacto tiveram na dinâmica da equipa – embora Raphael e Bosingwa pareçam melhores opções do que Eliseu e Cédric -, a substituição de um médio defensivo (William) por um ponta-de-lança (Postiga) revolucionou o esquema táctico.

Fernando Santos continua a acreditar que Ronaldo deve jogar zona central – hoje, em vez do 4-4-2 losango com Danny e Ronaldo na frente de ataque, tivemos um 4-2-4 com a dupla Tiago/Moutinho a assumir a responsabilidade de fazer o a ponte entre a defesa e um ataque em que Danny partia da esquerda e Nani da direita para apoiar os dois melhores marcadores da selecção portuguesa em actividade – Ronaldo e Postiga.

Postiga rendeu William no onze  Fonte: FPF
Postiga rendeu William no onze
Fonte: FPF

A selecção de Henrikh Mkhitaryan e companhia entrou em campo preparada para discutir o jogo e durante os primeiros vinte minutos o número de ataques, de remates e de ocasiões de perigo foi repartido. Fechando muito bem o meio, partindo com critério e velocidade para o contra-ataque e beneficiando da falta de acerto no passe dos portugueses, os visitantes começaram por chegar com bastante frequência à baliza de Rui Patrício – uma tendência que se foi esfumando ao longo da partida.

Ao intervalo, Portugal já merecia estar vantagem pelo número de oportunidades criadas e e já se podia queixar de uma grande penalidade clara que ficou por assinalar sobre Danny. Na segunda parte, o domínio de Portugal foi mais intenso, mas Portugal continuava sem conseguir encontrar-se verdadeiramente. Jamais foi avassalador, nunca conseguiu mostrar um fio de jogo, raramente construiu uma jogada com “cabeça, tronco e membros”. Nem os livres de Ronaldo – todos embatendo na barreira – davam alento às bancadas.

Quase quatro anos depois, Bosingwa regressou à selecção... e parece ter agarrado o lugar  Fonte: FPF
Quase quatro anos depois, Bosingwa regressou à selecção… e parece ter agarrado o lugar
Fonte: FPF

Foi já com Éder e Quaresma em campo que a turma de Fernando Santos se mostrou mais incisiva. O “cigano” empurrou Nani para o meio e trouxe algum rasgo ao ataque de Portugal. Foi dos seus pés que nasceu o lance do golo – investiu sobre o adversário pelo lado direito da grande área, rematou para defesa apertada do capitão arménio, a bola ressaltou nos pés de Nani e foi parar a Ronaldo, que, à segunda, acabou mesmo por apontar o 52.º golo com a camisola da selecção e o 23.º em Campeonatos da Europa, sagrando-se assim o melhor marcador de sempre da competição (incluindo fases de apuramento e fases finais), destronando o eterno ponta-de-lança dinamarquês Jon Dahl Tomasson.

Até final, nota para duas oportunidades perdidas por Éder – a primeira, a cruzamento de Ronaldo, foi tão escandalosa que não se pode falhar; a segunda, na sequência de um canto de Quaresma (sim, o Quaresma conseguiu marcar um canto soberbo!), resultou num míssil ao poste esquerdo da baliza de Berezovsky –, para a entrada de William Carvalho em campo para o lugar de Nani aos 87’ – só a partir daí Portugal começou a jogar no “antigo” 4-3-3 – e para mais dois penalties favoráveis a Portugal que o jovem árbitro grego Anastasios Sidiropoulos não viu.

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Com o golo de hoje, Ronaldo bateu mais um recorde e deu tranquilidade à equipa
Fonte: FPF

Notas finais: Ricardo Carvalho, um monstro no jogo com a Dinamarca, cometeu alguns erros e podia mesmo ter sido expulso perto dos 90′; Bosingwa continua a ser, aos 32, um autêntico “tractor” e disse “presente” de forma bastante veemente; Tiago e Moutinho, dois médios muitíssimo experientes e completos, tiveram alguma dificuldade para gerir o meio-campo, uma vez que se encontravam quase sempre em desvantagem numérica (o jogador do Atlético de Madrid falhou demasiados passes, especialmente na primeira metade), mas subiram de rendimento no segundo tempo; Nani melhorou quando passou para a zona central; Danny trata muito bem a bola e tem provado que merece ser aposta; Ronaldo, apesar do golo, esteve desinspirado, falhou muitos passes, não acertou com os remates e tomou várias decisões disparatadas; o ataque português precisa de algumas rotinas – a descoordenação entre os seus elementos foi evidente durante quase todo o jogo.

Em suma, este foi um jogo foi aborrecido e mal jogado durante a maior parte do tempo. Portugal continua inconsistente e há vários meses – porventura desde o duelo com a Suécia – que não arranca uma exibição “de encher o olho”. Valeram (novamente) os três pontos, porque, na verdade, esta foi uma vitória às três tabelas. Veremos como se comportam os “nossos” meninos contra a poderosa Argentina em Old Trafford, num jogo que nada decide.

Quaresma tem correspondido à confiança que Fernando Santos deposita em si  Fonte: FPF
Quaresma tem correspondido à confiança que Fernando Santos deposita em si
Fonte: FPF

A Figura

Ricardo Quaresma – entrou e decidiu… outra vez. Depois sair do banco para cruzar para a cabeça de Ronaldo em Copenhaga, hoje construiu a jogada que resultou no golo de recarga do capitão português. Trouxe imprevisibilidade e magia ao último terço, desequilibrou quase sempre que tocou na bola e merece, por isso, um rasgado elogio. Também o estreante Raphael Guerreiro e o regressado Bosingwa se exibiram em bom plano e merecem destaque positivo.

O Fora-de-Jogo

Hélder Postiga – ainda longe da sua melhor forma (e todos sabemos o que vale Postiga na sua melhor forma), lutou como sempre mas nunca conseguiu acrescentar grande coisa ao jogo de Portugal. Andou sempre perdido em campo. Até Éder, que tem 0 golos em 15 jogos pela selecção, fez muito mais do que o ponta-de-lança do Deportivo.

Foto de capa: Facebook das Seleções de Portugal

Francisco Manuel Reis
Francisco Manuel Reishttp://www.bolanarede.pt
Apaixonado pela escrita, o Francisco é um verdadeiro viciado em desporto. O seu passatempo favorito é ver e discutir futebol e adora vestir a pele de treinador de bancada.                                                                                                                                                 O Francisco não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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