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Somos demasiado bons para estes jogos

André Eusébio · 2 min

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Ainda antes do início do jogo, comecei a pensar no que poderia escrever neste artigo. Sem Cristiano Ronaldo e Pepe, Varela e Neto assumiram os lugares, Josué estreou-se a titular no lugar de Ruben Micael e Fábio Coentrão regressou ao lugar que lhe pertence. Não seria difícil acertar naquilo que foi o desenrolar dos primeiros 30 minutos de jogo, até à expulsão de Joachim, jogador luxemburguês. Oportunidades de golo desperdiçadas com a trave à mistura, passes falhados e sem nexo e um futebol desgarrado, como vem sendo habitual nos últimos jogos da Selecção. A expulsão fragilizou ainda mais o Luxemburgo, a quem a bola parece sempre ser um objecto estranho que por ali anda. Varela disfarçou mais uma exibição fraca (como, Paulo Bento, como?) e inaugurou o marcador após um bom passe de João Moutinho. Poucos minutos depois, em nova combinação com João Moutinho, Nani fez o segundo e deu alguma cor a um jogo sem ideias. Boa resposta do jogador do Mónaco após o mau jogo frente a Israel: sim, o João Moutinho fez um mau jogo.

A segunda parte nada trouxe de novo. Mais 45 minutos de um longo bocejo aqui e ali interrompidos pelo atrevido Luxemburgo, que com dez elementos conseguia chegar à baliza de Rui Patrício a seu bel-prazer. Hélder Postiga acabou por fixar o resultado final após um ressalto na grande área, aos 80 minutos. Resultado final porque Hugo Almeida decidiu rechear ainda mais a sua conta de golos-inexplicavelmente-falhados-à-frente-da-baliza-deserta.

Nani fez o melhor golo do jogo após passe genial de Moutinho / Fonte: Renascença
Nani fez o melhor golo do jogo após passe genial de Moutinho / Fonte: Renascença

Os níveis de concentração e de atitude de Portugal deixaram, uma vez mais, muito a desejar. Parece que nos consideramos bons demais para enfrentar selecções amadoras. Para quem nunca ganhou qualquer título em toda a história, revela-se, jogo após jogo, uma atitude arrogante e sem razão de ser.

Esta Selecção portuguesa parece aqueles autocarros apinhados de gente: há sempre lugar para mais um e devagar, devagarinho lá chegam ao seu destino. Há sempre espaço para Paulo Bento nos surpreender nas convocatórias, com a chamada de jogadores completamente desfasados da realidade da Selecção ou sem qualidade para sequer a integrar. Só para José Fonte, Manuel Fernandes ou Vaz Tê é que o autocarro está mesmo cheio. Mas continua tudo Sereno, ninguém levanta ondas e a coisa vai Rolando. Até há espaço para dois guarda-redes no banco deixarem Cédric e Nélson Oliveira na bancada.

Estamos no play-off e nada de novo aqui, visto que se trata de um cenário recorrente desde Scolari. Vamos lá agora quebrar tradições tão portuguesas, deixar tudo para a última é o nosso nome do meio! Portugal colheu aquilo que semeou em toda a fase de apuramento, quando não teve vontade de correr um pouco mais e mostrar que merecia (já) estar no Brasil. Quem empata com a Irlanda do Norte em casa (em rugby seria um feito) e repete a proeza duas vezes(!) com Israel, tem de se dar por contente com esta segunda “vida”.

 

André Eusébio

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