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“Desculpa, Frade, eles não sabem o que fazem”

Pedro Palma · 4 min

Fotografia: Bola Na Rede

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Numa fase em que são mais as dúvidas do que as certezas quanto ao futuro do Andebol Europeu no panorama nacional (e internacional), há cada vez mais a certeza de que a geração de 1998 está repleta de jovens jogadores com qualidade tremenda.

Esta afirmação ganhou ainda mais sentido depois de no passado dia 9 de julho o portal de andebol Handball Planet ter anunciado que Luis Frade vencera o concurso para eleger o melhor jovem andebolista do mundo na época 2019/20. Esta eleição foi realizada através dos votos de jornalistas e de visitantes do site.

No entanto, as boas notícias não ficam por aqui, já que Luís Frade também foi eleito o melhor pivot, juntamente com Diogo Silva, que foi eleito melhor lateral-direito. De realçar, ainda, que André Gomes ficou em segundo lugar na eleição de melhor lateral-esquerdo. Vamos, então, entender como estes jovens chegaram até aqui e o que ainda nos podem oferecer.

Comecemos pelo recém-eleito melhor jovem andebolista do mundo, Luís Frade. Apesar de se mostrar ao mundo no Sporting CP, Luís Frade fez toda a sua formação no Águas Santas, onde se estreou em 2015/16 no Andebol 1. Em 2018/19, mudou-se para “os leões”, onde teve a oportunidade de mostrar as suas competências nos palcos europeus, e onde conquistou o título de campeão nacional.

Na próxima época, com apenas 21 anos, vai jogar pelo colosso europeu Barcelona, onde se espera que continue o seu desenvolvimento como um dos melhores pivots do mundo. Na seleção, fez parte da equipa que alcançou o quarto lugar no Europeu de Sub-20 em 2018, o quarto lugar no Mundial Sub-21 em 2019 e o histórico sexto lugar no Europeu de 2020. Para Tierry Anti, treinador do Sporting na época 2019/20, Frade era o Ludovic Fabregas (pivot francês do Barcelona) do Sporting.

Luís Frade marcou doze golos em oito jogos do EHF Euro 2020.
Fonte: Andebol Portugal

A estatura física (194cm e 118kg) permite ao jovem português ter uma forte presença no momento defensivo, onde jogava a titular a defender no meio, quer no Sporting, quer na Seleção. Além disso, é decisivo no momento ofensivo, criando espaço para os seus colegas, e também tendo a capacidade de finalizar as oportunidades que tem.

Não é habitual um jogador de 21 anos ter tanta preponderância numa equipa como o Sporting CP e na sua Seleção, ainda mais numa posição tão específica como a de pivot. A margem de progressão ainda é enorme e com os novos desafios que irão surgir na Catalunha só podemos esperar que nos próximos anos um dos melhores pivots do mundo seja português.

Seguimos com outro membro da “equipa ideal” eleita pelo Handball Planet, Diogo Silva. O lateral-direito dividiu a sua formação entre o Colégios dos Carvalhos e o FC Porto, onde se estreou na equipa sénior em 2015/16. Na época seguinte foi emprestado à Maia/ISMAI e nas duas épocas seguintes à Artística de Avanca.

Esta época, foi emprestado à equipa eslovena do RK Celje, uma decisão um pouco surpreendente, já que muitos acreditavam que Diogo Silva teria capacidade para fazer parte do plantel do FC Porto. Durante a temporada, conquistou a Supertaça Eslovena, a Liga Eslovena e participou na Liga dos Campeões. É expectável que na próxima época regresse ao FC Porto e que seja um jogador importante no plantel.

Diogo Silva defrontou grandes clubes, como o Barcelona, na Liga dos Campeões 2019/20.
Fonte: RK Celje

Em termos nacionais, também participou no Europeu de Sub-20 e no Mundial de Sub-21, mas não fez parte dos selecionados para o Europeu de 2020. Uma decisão de que Paulo Pereira deve ter arrependido depois da fraca prestação dos laterais direitos da Seleção, principalmente João Ferraz.

Em termos defensivos, é um jogador com as competências físicas certas (198cm e 102 kg), mas que ainda tem de desenvolver a sua capacidade técnica, tendo algumas dificuldades em situações de 1×1, principalmente com jogadores mais leves e rápidos. Isto faz com que, apesar de ter potencial para defender na zona central, ainda o faça principalmente na zona lateral. Em termos ofensivos, tem um remate fácil e potente.

Certamente que esta época no estrangeiro ajudou imenso ao seu desenvolvimento, principalmente com a hipótese de defrontar grandes equipas na Liga dos Campeões, mas é dos três jogadores aqui mencionados o que menos desenvolvido está e que precisará de mais oportunidades para demonstrar a sua verdadeira capacidade.

Finalmente, temos André Gomes. O português fez toda a sua formação no ABC e estreou-se no Campeonato Nacional em 2015/2016, tendo um papel decisivo numa época histórica do clube de Braga, onde venceu a Supertaça, o Campeonato Nacional e a Taça Challenge.

Em 2016/2017, ainda no ABC, venceu a Taça de Portugal e na época seguinte assinou pelo FC Porto, onde já conquistou mais uma Supertaça, um Campeonato e uma Taça, fazendo dele o mais titulado dos três jogadores já mencionados. Tal como Luís Frade e Diogo Silva, participou no Europeu de Sub-20 e no Mundial de Sub-21 e ainda fez parte da prestação histórica da Seleção Portuguesa no Europeu de 2020.

André Gomes (27) marcou 13 golos em seis jogos no EHF Euro 2020.
Fonte: Andebol Portugal

É um jogador muito inteligente, com uma capacidade de impulsão fora do vulgar, excelente capacidade de 1×1 e com um remate muito potente. Não é um defensor de elite, mas a sua perceção do jogo permite-lhe superiorizar-se aos adversários. É um dos jogadores mais importantes do FC Porto e os principais clubes europeus devem estar atentos à sua evolução, porque já demonstrou que é um jogador de enorme qualidade.

Foto de Capa: Bola Na Rede

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Pedro Palma

Redação Bola na Rede · ver artigos