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Os 5 melhores momentos do Académico Viseu FC x Póvoa AC | Andebol

Pedro Filipe · 10 min

Académico
Foto: Pedro Filipe Silva / Bola na Rede

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O Académico Viseu conseguiu vencer o Póvoa AC por 26-25. No Pavilhão Cidade de Viseu, os anfitriões tiveram bastantes dificuldades para finalizar na primeira parte. Ao intervalo, o Póvoa vencia por cinco golos de diferença (14-9).

Na segunda parte, os viseenses melhoraram ofensivamente e conseguiram reduzir paulatinamente a diferença. Só perto do final, a equipa da casa chegou pela primeira vez à vantagem e a poucos segundos do final garantiu o triunfo.

António Ventura do Póvoa AC foi o maior concretizador do jogo com nove golos e do lado dos viseenses foi Miguel Cortinhas que se destacou com seis.

Com este resultado, o Académico de Viseu consegue pela primeira vez, na Primeira (I) Divisão, duas vitórias consecutivas e mais importante subiu ao antepenúltimo lugar por troca com o ADA Maia. Desse modo, a formação em estreia na competição está agora em posição de playoff de manutenção.

Já o Póvoa está no nono lugar três pontos acima dos lugares de playoff, mas em igualdade pontual com Marítimo e Vitória FC, sétimo e oitavo, respetivamente.

O Bola na Rede acompanhou o jogo ao vivo traz-te os cinco momentos do jogo.

MAIS DE 2 MINUTOS PARA UM GOLO…

Mais de dois minutos foi o tempo necessário para que acontecesse o primeiro golo da partida. Defesas dos guarda redes e faltas ofensivas levaram a que o primeiro golo demorasse a aparecer. A equipa da casa foi a primeira marcar por Miguel Vieira.

CAMPOS EM GRANDE

Na primeira parte, o Académico de Viseu só conseguiu concretizar por nove vezes e muito deveu-se ao guarda redes do Póvoa, António Campos.

O guardião teve cerca de uma dezena de defesas e levou a que os visitantes se distanciassem no marcador especialmente nos últimos dez minutos do primeiro tempo. Paralelamente no ataque António Ventura era o pêndulo dos nortenhos com a equipa a utilizar muito a capacidade de impulsão dos seus jogadores para finalizar ao meio.

No segundo tempo, António Campos não conseguiu ter a mesma eficácia na baliza e acabou por não fazer os últimos minutos da partida, onde o Póvoa acabou por perder a vantagem.

DESQUALIFICAÇÃO DE MOGA

Não foi por o internacional congolês estar a ser dos melhores do Póvoa porque nem sequer estava a ser muito utilizado na partida. No entanto, Christian Moga que já tinha sofrido uma exclusão e levado um cartão amarelo na primeira parte acabou por ser desqualificado por uma dupla exclusão aos 12´ da segunda parte.

Com menos um, o treinador do Póvoa Jorge Carvalho abdicou do guarda redes em momento ofensivo para ter igualdade numérica no ataque. Contudo, a estratégia funcionou ao contrário para os visitantes com a vantagem a encolher de cinco para dois golos (18-20). O Póvoa não conseguiu concretizar nesses dois minutos em vantagem numérica.

 FOI A VEZ DE SILVA BRILHAR

Na segunda parte, o guarda redes do Académico de Viseu apareceu mais na partida e foi um dos elementos importantes para segurar os viseenses em jogo.

António Silva que fez a partida completa acabou por ser fundamental para a reviravolta com várias intervenções de qualidade. O atleta experiente foi também uma das vozes de comando da formação treinada por Rafael Ribeiro.

FINAL IMPRÓPRIO PARA CARDÍACOS

Fonte: Pedro Filipe Silva / Bola na Rede

A menos de oito minutos para o fim, o Académico conseguiu chegar à vantagem pela primeira vez no jogo (23-22). O resultado oscilou a partir daí entre a igualdade e a vantagem mínima dos anfitriões.

Depois de um desconto de tempo pedido pelo banco da formação visitante já a menos de dois minutos do final do jogo, o Póvoa em situação de ataque conseguiu que Eduardo Almeida fosse excluído e os viseenses ficassem com menos um até ao final. A seguir mais uma má noticia para os da casa, o reforço poveiro Maximilian Johnson restabeleceu a igualdade (25-25).

O Académico tinha provavelmente a última situação de ataque no jogo e, como seria de esperar, Rafael Ribeiro abdicou de António Silva na baliza para ter mais um jogador de campo no ataque.

Depois de várias interrupções por faltas defensivas, a equipa técnica viseense ainda pediu um time out para serem dadas as últimas indicações aos jogadores no minuto derradeiro. A seguir, boa combinação entre os vários elementos do Académico com Cortinhas a tentar enganar a defesa de Póvoa ao se aproximar da linha defensiva adversária. A seguir, o organizador do jogo ofensivo dos anfitriões atrasou o esférico para André Lima que se ergueu para atirar para o fundo da baliza adversária e dar a vitória final ao Académico.

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Académico Viseu FC

BnR: A equipa venceu, mas na primeira parte apenas fez nove golos e foi a perder por cinco para o intervalo. Como se explica este fraco rendimento no primeiro tempo?

Rafael Ribeiro [técnico principal]: Não considero que tenha sido fraco porque os primeiros dez ou 15 minutos estivemos relativamente bem, mas chegou a uma altura que o António Campos tudo o que ia à baliza, ele fechava ou tocava.

Depois houve descontrolo por não marcar apesar de as coisas estarem a sair. Sofremos golos na defesa que não devíamos ter sofrido. Por isso, ir a perder por cinco ao intervalo era mentiroso para aquilo que foi a primeira parte, na minha opinião. Acho que o Póvoa pode ter estado melhor na parte final do primeiro tempo, mas não justificava os cinco golos de diferença.

Nos dez, 15 minutos estivemos bem, estivemos à frente do marcador, criámos situações e finalizámos, o que não finalizámos foi por mérito do guarda redes do Póvoa. Na defesa, estivemos menos assertivos.

BnR: O que tentaram mudar ao intervalo para conseguirem alterar o rumo do jogo e vencerem?

Rafael Ribeiro: Já não é a primeira vez que vamos a perder com uma desvantagem considerável de quatro ou cinco golos numa I Divisão com equipas experientes como o Póvoa. Nós não temos as armas que o Póvoa tem. Aliás, estamos super limitados. Um dos nossos primeiras linhas fez uma rotura de ligamentos.

Tem sido uma constante aqui em casa. Foi com o ABC por cinco, com o ADA Maia a mesma casa. Temos de ido para o intervalo a perder e, depois temos conseguido aproximar. A diferença é que hoje conseguimos estar à tona. Conseguimos passar e conseguimos manter. Nas outras vezes, conseguíamos passar e íamos a baixo. Foi isso que aconteceu.

Não mudou nada. Obviamente que a nível defensivo, houve a questão do 5+1 sobre o António Ventura que era o jogador que estava a desbloquear todo o jogo do Póvoa. As coisas no ataque foram saindo, mas a nível defensivo que depois começámos a recuperar bolas.

Marcaram 14 na primeira e 11 na segunda, a diferença é de três golos. Conseguimos acertar no ataque, mas as dificuldades que nós criámos na defesa ao adversário permitiu-nos passar para a frente.

BnR: Na segunda parte, houve a aposta no André Lima ao contrário do primeiro tempo. Qual foi o motivo?

Rafael Ribeiro: Foi por uma questão de gestão. O André defende um bocadinho melhor que o Benjamin [João]. O facto do Benjamin estar do lado do banco permite fazer a troca. Se estivesse do lado contrário, não podia fazê-la.

Os extremos fizeram 30 minutos. O Benjamin falhou a única bola que teve, mas foi frente ao António Campos que é um guarda redes top para a nossa realidade. O Lima não falhou, mas não foi por aí.

BnR: O Académico conseguiu duas vitórias consecutivas neste regresso do Campeonato. Como está a equipa em termos de confiança?

Rafael Ribeiro: Tem de estar bem. Ficam a faltar 11 jogos. Tínhamo-nos proposto a ganhar estes dois jogos contra o Santo Tirso e o Póvoa. Se queremos lutar pela manutenção, temos de ganhar. Sabemos que recebíamos em casa a equipa do Póvoa que é superior à nossa.

Tentámos durante a semana procurar e trabalhar os pontos fracos e explorar isso. Sabíamos que, se não ganhássemos hoje, começava a ser muito, muito difícil porque são muitos jogos sem ganhar em casa contra equipas que estão a um nível superior ao nosso, mas que num dia bom ou numa segunda parte boa, conseguíamos anular. Foi isso que aconteceu e era isso a que nos dispusemos.

Sabemos que agora qualquer jogo, excetuando contra os três grandes porque estão numa realidade acima e mesmo assim vamos fazer o nosso melhor, temos de nos transcender sobretudo aqui em casa e vamos ter jogos interessantes. É isso que vamos ter de fazer se quisermos mantermo-nos ou, pelo menos, ir ao playoff que foi ao que nos propusemos na primeira fase.

BnR: Faltam cinco jogos para o Académico em casa e dois são contra candidatos ao titulo, FC Porto e Sporting CP. É suficiente amealhar os pontos em casa para concretizar o objetivo?

Rafael Ribeiro: Também vamos receber o [Artística de] Avanca, o Vitória FC e o Águas Santas em casa.

Temos de ir buscar pontos fora, claro. Vamos ter confrontos diretos com o FC Gaia e com o ADA Maia fora com quem perdemos em casa e agora temos de ir buscar pontos lá. No entanto, se não fizemos o nosso trabalho em casa se só fizermos fora…

Hoje quem esteve na bancada notou que o ambiente era diferente, também apelámos que as pessoas viessem e é sempre diferente. No momento decisivo, o barulho e a pressão vindos da bancada dão sempre jeito.

BnR: Na pausa de inverno, o Académico foi buscar o atleta José Crespo para o plantel. O que pretendiam com esta adição à equipa?

Rafael Ribeiro: Estávamos com algumas dificuldades na ponta esquerda e foi uma solução que arranjámos. É um miúdo de 20 anos, primeiro ano de sénior que jogava numa Segunda Divisão [no Alavarium]. Não está habituado a este patamar, mas veio para crescer.

Aliás, se olharmos para a nossa equipa, tirando o Tiago Heber que é um bocadinho mais experiente, uma grande parte tem menos de 30 anos, atletas que nunca jogaram na I Divisão. O Zé é mais um para ajudar. Tínhamos uma lacuna e vem-nos ajudar com certeza.

Póvoa AC

BnR: O Póvoa conseguiu uma vantagem importante ao intervalo, mas acaba por perder o jogo. Como explica esta diferença de rendimento da equipa entre as duas partes?

Jorge Carvalho [treinador principal]: Deixámos de defender. Depois tivemos algumas dificuldades no ataque. A diferença foi por aí. Eles quiseram ganhar a partida muito mais do que nós.

Nós tivemos uma primeira parte muito boa e, na segunda não defendemos, deixamos de defender e eles estiveram sempre a marcar golos e a recuperar. No ataque, eles marcaram-nos um jogador e nós falhámos nos remates com o guarda redes [António Silva] a ser o melhor em campo.

Se estivéssemos bem na defesa como na primeira parte…. Na segunda, mal na defesa e mal no ataque e, por isso, eles conseguiram marcar mais seis golos do que nós.

BnR: A desqualificação de Christian Moga acabou também por complicar a partida na segunda parte?

Jorge Carvalho: Claro que acaba por complicar e o adversário resolveu o jogo. Não concordo [com a decisão da equipa de arbitragem] porque entrou uma vez por dentro de área, na outra não sei o que fez, na primeira é bem excluído. Quantos jogadores entram por dentro de área e não levam nada?

Não é fácil e tiraram-nos um jogador importante em termos defensivos e a defesa começou a claudicar na segunda parte completamente.

BnR: Em algumas alturas em que o Póvoa esteve em superioridade numérica por exclusões de jogadores do Académico, acabou por se reduzir a vantagem do Póvoa. Houve desconcentração dos jogadores?

Jorge Carvalho: Não. Se temos os atletas a falhar diante do guarda redes, é o remate e aí têm de trabalhar mais para rematar com maior eficácia. Isso tem a ver com a eficácia.

Estamos em superioridade, ganhámos vantagem e o jogador não marca, a culpa é minha. Como é lógico, sou eu que os treino. Eu estava preocupado se rematássemos sempre com dificuldade. Não, nós tivemos muitas bolas aos 6 metros e falhámos. 

BnR: O facto de a equipa ter derrotado o Artística de Avanca [23-21] no regresso do Campeonato não levou a excesso de confiança por parte dos atletas?

Jorge Carvalho: Acho que não. Nós também ganhámos ao Águas Santas e também podíamos ter excesso de confiança a seguir. Temos de ver o que é que se passou no jogo. Claro, é o que vou fazer.

Temos de melhor para o próximo jogo [frente ao Santo Tirso] e continuar a nossa caminhada.

BnR: Quais são os objetivos do Póvoa neste regresso da I Divisão?Jorge Carvalho: Para mim e para o clube, o objetivo é ficar nos seis primeiros. Se conseguirmos, é o que vamos fazer. Este jogo foi um percalço. Se calhar, mais alguém vem cá perder. Agora é olhar para a frente. Sobre este jogo, só dá para tirar ilações e não se pode fazer mais nada. Já acabou. Já perdemos.

Pedro Filipe

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