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As competições que irão marcar 2019

Pedro Pires · 9 min

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Depois de um ano sem eventos globais ao ar livre – fenómeno que ocorre a cada 4 anos –, 2019 marca o início de mais um ciclo de 3 anos de grandes campeonatos. Mas não serão apenas os Mundiais que irão importar a nível do Atletismo de elite este ano. A nível continental, eventos como os Europeus de Pista Coberta e os Europeus ao ar livre dos escalões sub-20 e sub-23 prometem também concentrar as atenções das futuras gerações. 

1 a 3 de Março: Europeus de Pista Coberta (Glasgow) 

Nelson Évora é o atual bicampeão europeu em pista coberta
Fonte: IAAF

A temporada de Pista Coberta de 2018 foi uma das melhores da história do nosso desporto. Vários recordes mundiais, continentais, nacionais ou de competição foram batidos e será muito difícil que 2019 tenha o mesmo nível por diferentes fatores. Primeiro, porque não existindo um evento global ao ar livre em 2018, muitos atletas concentraram mais atenções na temporada Indoor. Segundo, porque sendo que a grande competição Indoor será europeia, dificilmente veremos americanos, africanos ou asiáticos tão entusiasmados com os pavilhões como vimos no ano passado. Terceiro, e por último, porque iremos ter Mundiais no final do ano e numa altura nada habitual, pelo que muitos atletas terão receio de apostar forte na pista coberta. 

Ainda assim, isto pode vir a ser algo positivo. O facto de muitos atletas de elite terem esse receio pode abrir caminho a outros atletas que usualmente não entrariam em posição de disputar finais ou mesmo medalhas – o que pode ser um fator positivo para países como Portugal, que podem ver as suas expetativas de classificações positivas aumentar exponencialmente. Pode parecer um pouco de futurologia, até porque já vimos algumas das principais estrelas europeias a afirmar que querem estar em Glasgow (Mariya Lasitskene, Laura Muir ou Renaud Lavillenie, por exemplo) e o facto dos Campeonatos se realizarem em Glasgow deverá garantir que a maioria dos atletas britânicos olhe com especial atenção para eles, o que significa de imediato a presença de uma parte significativa da elite europeia. De qualquer forma, cenários como o que irá suceder com Kevin Mayer – o recordista do Decatlo já confirmou que não irá fazer as provas combinadas em Glasgow e irá tentar o apuramento apenas no Salto com Vara – podem repetir-se, vendo alguns atletas fora do seu habitat natural, antes de verdadeiramente atacarem a temporada ao ar livre. Há dois anos, Nelson Évora foi Ouro e Patrícia Mamona foi Prata no Triplo. 

Antes destes Europeus, o pequeno circuito de meetings da IAAF deverá proporcionar os eventos mais badalados da temporada de pista coberta, mas isso não impedirá de acompanharmos com especial atenção outras ompetições. No ano passado, por exemplo, nos Universitários norte-americanos cairam alguns recordes mundiais…

O Campeonato de Portugal de Pista Coberta realiza-se a 10 de Fevereiro e a final do Nacional de Clubes uma semana depois. 

Maratonas Majors

Eliud Kipchoge procurará mais glória em 2019
Fonte: Berlin Marathon 2018

Claro que existe um especial interesse na temporada de estrada 2019 depois do que vimos em 2018. No masculino, assistimos a um estratosférico recorde mundial, assistimos à ascensão de promessas ou até à reconversão de Mo Farah para a estrada e no feminino pudemos ver algumas das melhores marcas da história e ataques a recordes em condições improváveis. Tóquio será a primeira paragem (3 de Março), depois Boston (15 de Abril) e logo a seguir vem Londres também em Abril (28) e, mesmo não sabendo, se teremos um elenco tão forte quanto em 2018, pelo menos Mo Farah estará por lá. Será também interessante notar que atletas de estrada escolherão participar na Maratona dos Mundiais de Doha, embora aos dias de hoje, não acreditemos que alguns dos maiores nomes estejam presentes devido às difíceis condições climatéticas da capital do Qatar, que irá obrigar a que se corra uma Maratona noturna. O próprio Mo Farah deixou uma porta aberta à possibilidade de voltar às pistas e fazer os 10.000 metros em Doha em vez da Maratona – recorde-se que o britânico tem a qualificação guarantida por ser o atual campeão em título do evento de 10.000. O recordista mundial da Maratona, Eliud Kipchoge, confesssou ainda não ter tomado qualquer decisão em relação aos Mundiais de Doha, afirmando que irá depender do que a sua equipa decidir ser o melhor para ele. 

De qualquer forma, o calendário das Maratonas tem sempre as suas particularidades e este ano terá a particularidade da Maratona de berlin se realizar a 29 de Setembro, em plena época dos Mundiais de Doha, o que deverá afetar o elenco de ambas as provas. Muita curiosidade para percebermos as confirmações, relembrando que em ano de eventos mundiais, a prova da Maratona da competição (neste caso, a dos Mundiais de Doha) contará para as Majors. 

Entre 3 de Maio e 6 de Setembro: Circuito Diamond League

Echevarría irá ter mais tempo para voar em 2019
Fonte: IAAF

Embora as atenções ao ar livre se centrem mais para frente, a verdade é que a edição 2019 da Diamond League promete bastante. Devido ao facto dos Mundiais se realizarem numa fase tão tardia da temporada, os wild card para os vencedores da Diamond League serão atribuídos nesta edição e portanto será do interesse de todos os atletas – principalmente das grandes potências que têm maior concorrência interna – primeiro garantir a presença nas finais de Zurique/Bruxelas e depois fazer boa figura nessas finais. Fazer boa figura nessas finais pode significar diferentes coisas e pode ter diferentes objetivos: a Liga Diamante, terminando depois dos Campeonatos Nacionais, inverte totalmente o cenário a que estamos habituados, e poderá servir de tábua de salvação a atletas que não conseguiram a qualificação interna (falando mais em concreto para os países que utilizam o sistema de Trials, mas não só). Por outro lado, quem já tem essa qualificação assegurada, pode ter dois tipos diferentes de abordagem: existirão os atletas que até podem saltar essas finais para se guardarem para Doha e não mostrarem já o “plano A”; mas a abordagem que nos parece mais recomendada é a de utilizar essas finais para testar já os seus níveis bem como os dos rivais, uma vez que estaremos a apenas poucas semanas dos Mundiais. 

Por outro lado, deverá ser nos vários meetings da Diamond League que iremos ver pela primeira vez alguns duelos que prevemos que sejam explosivos, como o de Michael Norman vs Wayde van Niekerk nos 400 metros, Rai Benjamin frente a Abderrahman Samba na distância com barreiras ou a estreia internacional de Sydney McLaughlin frente a Dalilah Muhammad. E, claro, queremos ver mais de duelos já apaixonantes como Luvo Manyonga frente a Echevarría no Comprimento; Shaunae Miller-Uibo e Salwa Eid Naser nos 400 metros ou Yulimar Rojas e Caterine Ibarguen no Triplo. 

Europeus Sub-23 (11-14/07) e Sub-20 (18-21/07):

Mariana Machado é uma das maiores promessas nacionais
Fonte: FPA

Em dois fins-de-semana consecutivos, as novas gerações europeias terão um espaço para brilhar na Suécia, nas cidades de Gävle e Borås. É difícil perceber que atletas estarão presentes numa altura em que algumas das principais estrelas destes escalões (Armand Duplantis, Jakob Ingebrigtsen, Elvira Herman, Alina Shukh…) já brilham ao mais alto nível em eventos seniores. Se é verdade que participando poderão, provavelmente, enriquecer o seu palmarés, também é verdade que poderão estar focados em outros objetivos para esta temporada. 

A nível nacional, as gerações presentes nos Europeus Sub-18 e Mundiais Sub-20 do ano transato deverão compor grande parte dos nomes presentes nos dois eventos, o que permite sonhar com bons resultados de alguns jovens que se destacaram em 2018 – sim, Mariana Machado, olhamos para ti. O Campeonato de Portugal Sub-20 realiza-se a 7 de Julho, mas o Campeonato sénior realiza-se a 21 de Julho, pelo que atletas elegíveis para os Europeus Sub-20 e com aspirações no Campeonato de Portugal terão que fazer uma escolha. 

Campeonatos Nacionais (a maioria irá realizar-se na segunda quinzena do mês de Julho)

Um trio que se poderá ver nos…Trials norte-americanos!
Fonte: Brussels Diamond League

Já aqui falámos do Campeonato de Portugal, que se realiza uma semana antes da final do Nacional de Clubes, sendo um dos pontos altos da temporada para a maioria dos atletas nacionais. No entanto, em ano de evento global, torna-se imperativo acompanhar campeonatos que servem de apuramento para os Mundiais. Se na Grã-Bretanha, entre outros países europeus, utiliza-se um sistema misto, com algumas vagas diretas para os campeões nacionais (desde que tenham mínimos) e outras vagas através das marcas de qualificação; nos EUA, na Jamaica ou no Quénia, utiliza-se o sistema puro de Trials para a maioria das disciplinas, onde um dia mau significa “a morte do artista”. É comum vermos surpresas a acontecerem principalmente no país norte-americano numa noite que é de tudo ou nada. Este ano, os Campeonatos Nacionais norte-americanos realizam-se também mais tarde do que o habitual, acontendo no último fim-de-semana de Julho (25 a 28), de forma a estarem mais próximos dos Mundiais de Doha. 

Mundiais de Doha (27/09 – 06/10)

A competir em casa, Mutaz Essa Barshim será um dos favoritos no Salto em Altura
Fonte: IAAF

Devido ao facto dos Mundiais se realizarem numa fase tão tardia (em que normalmente a temporada já terminou), até foi criada uma nova competição que é uma espécie de Ryder Cup para o Atletismo, um duelo entre EUA e Europa, que se irá realizar a 9 e 10 de setembro. O evento realizar-se-á em Minsk (na Bielorrúsia), mas é pouco claro, para já, se é algo para continuar ou se será um evento único apenas para preencher mais o calendário até ao ponto alto da temporada. 

Esse ponto alto será mesmo em Doha com os Mundiais ao ar livre. A polémica escolha de Doha, no Qatar, ainda continuará a dar muito que falar, mas se dúvidas persistem quanto a alguns aspetos como a adesão do público local, poucas dúvidas persistem em relação à esperada qualidade do evento. O ano de 2018 serviu de antecâmara para o que se perspetiva ser um dos melhores ciclos da história do Atletismo e Doha deverá ser palco de muitos eventos apaixonantes. O estádio, com um sistema especial de ar condicionado, irá estar preparado para auxiliar atletas e público a gerir as difíceis condições climatéricas da cidade e o mesmo fator levou à alteração dos horários das provas de estrada que se irão realizar de madrugada. 

Irremediavelmente, teremos que referir que serão os primeiros Mundiais da era pós-Bolt, pelo que será especialmente interessante perceber como as audiências globais irão seguir o evento, que ainda por cima se irá realizar numa altura em que irá já colidir com a temporada futebolística europeia. De resto, duelos apaixonantes são esperados em praticamente todos os eventos, que deverão contar com a presença da maioria dos atuais campeões mundiais e olímpicos e também com a presença de jovens que prometem mesmo abalar com o desporto – começando em Armand Duplantis, passando por Juan Miguel Echevarría e terminando em Sydney Mclaughlin. 

Será para esta competição que todos os atletas de elite irão apontar baterias e a data da realização do evento implicará também diferentes e interessantes abordagens para a obtenção dos picos de forma no final de Setembro. No que diz respeito aos atletas portugueses, a mais de 9 meses da competição, existem alguns atletas com legítimas aspirações de medalha (os campeões europeus Nelson Évora e Inês Henriques e o vencedor da Diamond League Pedro Pablo Pichardo serão as maiores possibilidades) e outros poderão aspirar a surpreender. Relembramos que os rankings IAAF não irão ainda contar para a qualificação para os Mundiais de Doha e por isso as exigentes marcas de qualificação – popularmente chamadas de “mínimos” – serão a principal forma de garantir presença em Doha.

Irá Inês Henriques repetir o título mundial?
Fonte: IAAF

Foto de Capa: IAAF

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Pedro Pires

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