As polémicas alterações da IAAF

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  • Porquê a polémica em relação ao sistema misto?

Muitos foram os atletas que se manifestaram contra, incluindo Paul Chelimo, o norte-americano medalhado de Prata olímpico no Rio, que não cumpria, antes desses Jogos, com os novos mínimos estabelecidos e que afirmou que o “Atletismo está a matar-se a si próprio, sem piedade”.

Paul Chelimo foi um dos mais expressivos críticos das alterações da IAAF
Fonte: IAAF

A verdade é que as intenções da IAAF podem ser boas, mas o sistema parece apresentar muitas falhas que podem descredibilizar todos os objetivos do sistema de qualificação e os rankings em si, que são uma boa ideia, caso sejam corretamente implementados. 

  • Um dos objetivos da IAAF é o aumento de participação de atletas de elite nos meetings internacionais, promovendo os confrontos diretos mais emocionantes. Acontece que, ainda que fosse possível que tal objetivo pudesse ser alcançado com um sistema único de ranking, tal não irá acontecer com este sistema misto. Continuando os atletas de elite a ter a possibilidade de se qualificar com apenas uma única marca mínima, será bastante provável que até ao final de Junho deste ano, a maioria dos principais atletas estejam já qualificados para Tóquio, podendo por isso evitar todos esses “head-to-head”!
  • Esses atletas poderão qualificar-se cedo porque os “mínimos” podem ser obtidos para a maioria das provas já a partir de 1 de Maio. No entanto, esta é também uma situação considerada injusta por muitos, uma vez que as provas feitas em Maio e Junho deste ano não irão contar para o ranking no momento da qualificação para Tóquio (relembramos que o ranking analisa as prestações num período de 365 dias), contando apenas para quem obtenha a marca mínima.
  • A disparidade entre o rendimento de atletas poderá também aumentar devido às obrigatoriamente diferenças na preparação de cada atleta. Caso um atleta tenha marca mínima obtida este ano, poderá começar a temporada 2020 quando e como quiser, sem qualquer tipo de pressão, podendo evitar todos os grandes confrontos. Já um atleta que esteja no “limbo” e que procure a qualificação pelo ranking deverá estar sempre a competir para poder aumentar a pontuação e a sua posição no ranking. Tal facto deverá influenciar toda a preparação da época, pois se os atletas de elite podem apontar o seu pico de forma para Agosto de 2019, todos os outros atletas tentarão estar sempre na máxima força para melhorar o ranking, o que poderá ser negativo a nível de lesões (o exemplo do ténis nos anos recentes prova-nos isso mesmo) e de temporização dos picos de forma. 
  • Há também quem não concorde com os pontos bónus por competição, que podem fazer com que uma marca de 9.64 nos 100 metros valha menos pontos que uma marca de 9.9 noutras competições. A IAAF pretende que, com isto, os atletas procurem brilhar nos palcos onde isso mais interessa, mas é algo que pode prejudicar bastante os mais jovens atletas – por exemplo – uma vez que meetings universitários têm um peso pouco significativo, sendo  que quem se encontra no modelo norte-americano é obrigado a participar nesses meetings, não existindo alternativa. Estaremos a forçar a antecipação do profissionalismo? Estaremos a prejudicar a possibilidade de termos mais jovens a estrear-se em grandes competições.
Será mais difícil para um atleta universitário estar presente em grandes competições
Fonte: IAAF
  • O poder dos agentes sai claramente reforçado e pode ser prejudicial para o desporto. Os agentes são responsáveis pelas negociações de quais os meetings em cada atleta participa e a verdade é que os conhecimentos e influência podem fazer toda a diferença. Analisando por exemplo, os meetings da Diamond League, que contam inclusive mais que campeonatos continentais (!), estes são apenas por convite, podendo ser convidados atletas abaixo no ranking apenas para melhorar a sua classificação. Sendo que muitos agentes de atletas são também eles organizadores de meetings internacionais…percebemos que existe um claro potencial conflito de interesse.
  • É um sistema que beneficia as nações europeias e os EUA. Países como Cuba ou a maioria das nações africanas não têm eventos suficientes dos níveis mais avançados que permitam fazer tantos pontos no ranking, como têm por exemplo os atletas suíços, que praticamente não precisam de sair de casa. 

As regras do ranking podem ser consultadas aqui: https://www.iaaf.org/world-ranking-rules/basics 

Pedro Pires
Pedro Pireshttp://www.bolanarede.pt
O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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