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Neste último fim-de-semana decorreu em Castellón, em Espanha, a edição 2019 da Taça dos Clubes Campeões Europeus de Atletismo. Sporting no feminino e Benfica no masculino marcaram presença no principal grupo desta competição, ambos acabaram no pódio, mas não conseguiram o grande objetivo que seria a vitória, descendo ambos uma posição face às classificações do ano passado.
Sporting: Boas marcas dos saltos às estafetas
O Sporting, na prova feminina, vinha de dois títulos consecutivos e aspirava, mais uma vez, a conquistar a competição. Suspeitava-se que a maior concorrência vinha, como já vem sendo habitual, dos turcos do Enka e isso veio-se a comprovar. No final do primeiro dia, as leoas dominavam, com apenas 1 ponto de avanço em relação aos turcos, com o grande destaque a serem os 6.58 metros (+1.2) alcançados por Evelise Veiga no Comprimento. Cátia Azevedo nos 400 metros, Noelie Yaringo nos 800 metros, Fancy Cherono nos Obstáculos e Irina Rodrigues (já acima dos 60) no Lançamento do Disco foram outras atletas a dar pontuação máxima ao Sporting no primeiro dia.

Fonte: Sporting CP
No segundo dia, as atletas do Sporting até tiveram algumas performances de enorme valor, no entanto, a inconsistência acabou por ditar a queda para o 2º lugar. Patrícia Mamona mostrou já uma forma muito interessante na sua estreia da temporada ao ar livre, ao saltar 14.26 metros (-0.3), uma marca que supera já qualquer marca feita pela atleta em 2018, ano que foi muito condicionado pela recuperação de uma lesão. Jéssica Augusto também venceu com muito à vontade nos 5.000 metros, mas tem que ser dado ainda um grande destaque à estafeta 4×400 (Filipa Martins, Dorothé Évora, Noelie Yarigo e Cátia Azevedo) que terminou em 3:34.29, uma marca que é a melhor nacional de sempre feita por clubes! No entanto, o Sporting não colocou algumas peças importantes no pódio de várias competições individuais (Jéssica Inchude foi 4ª no Peso, Olímpia Barbosa 4ª nos 100 Barreiras e Lorene Bazolo foi 5ª nos 200, por exemplo) e aí o Enka foi bem mais consistente. Ainda assim, o 2º lugar do Sporting é de enorme valor e se existe um pequeno amargo de boca é apenas e só porque esta equipa habituou-nos a algo fora do comum nas duas últimas temporadas. Fecharam com 127 pontos a 6 dos turcos do Enka. Distante, completando o pódio, ficou o Valencia com 102 pontos.
Benfica: Os condicionamentos condicionaram mesmo
Para vencer uma prova de clubes a este nível é necessário que tudo corra na perfeição e que até exista superação em determinados casos. Existiu essa superação por parte de elementos encarnados, mas, infelizmente, o Benfica entrou em Espanha já bastante condicionado e acabou por pagar isso caro na luta pelo título, apesar do muito honroso 3º lugar (ainda melhor se considerarmos tudo o que se passou).
Ainda antes da competição começar, o Benfica anunciava em comunicado que iria participar sob protesto, devido à decisão da Associação Europeia de não aceitar a inscrição de Pedro Pablo Pichardo como atleta português. Inicialmente, o clube ainda considerou a sua participação, mas na “hora h”, o atleta naturalizado português viria a não ser utilizado numa prova em que (quase) certamente daria os 8 pontos ao clube encarnado. Esse foi um dos condicionamentos, mas também algumas lesões de atletas fundamentais (Diogo Antunes e David Lima à cabeça), bem como uma crucial desqualificação, contribuíram para que tudo se tenha tornado mais difícil para as águias.

Fonte: SL Benfica
Edward Pingua Zakayo (5.000 metros), Ricardo de Souza (100 extra) e Francisco Belo (no Peso) venceram as suas provas no primeiro dia, no entanto, os encarnados já fecharam esse dia no 3º lugar, devido a terem alguns atletas em lugares menos pontuáveis, como Júlio Almeida no Triplo (7º), José Lopes nos 100 (6º) ou até Ricardo dos Santos nos 400 (4º). No segundo dia, sabia-se que a missão do Benfica iria ser muito difícil e a desqualificação de Abdel-Kader Hernández nas barreiras de 110, pode ter sido a machadada final, num dia em que dos atletas que terminaram, apenas dois não ficaram nos dois primeiros lugares. Edward Pingua Zakayo venceu nos 3.000, Marcos Chuva mostrou boa forma no Comprimento, a saltar 7.75 metros (+0.1), mas o grande destaque até terá sido de alguém que ficou no 2º lugar. Leandro Ramos, no Dardo, lançou o engenho a 77.52 metros, uma marca que supera o seu melhor pessoal em quase 4 cm e que destrói o anterior recorde nacional, que pertencia a Tiago Aperta desde 2012, com 75.55. Os encarnados terminaram a prova com 112 pontos, menos 9 que o Fenerbahce, que ficou a apenas um dos vencedores, os anfitriões, Playas de Castellon.

Fonte: Leandro Ramos
Foto de capa: Federação Espanhola de Atletismo











