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Campeonatos Mundiais Indoor (Birmingham 2018): Resumo do 3º Dia e Antevisão do 4º

Pedro Pires · 11 min

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Análise do dia 3
Num dia absolutamente fantástico, houve medalha e recordes portugueses, caíram 4 recordes dos campeonatos, houve emoção e marcas de qualidade a rodos e polémica também!

Triplo Salto Feminino

Fonte: IAAF

Yulimar Rojas (VEN), a campeã mundial indoor e outdoor, começou o concurso a marcar posição saltando logo 14.24 metros, melhorando no terceiro salto para 14.27. Mas a jamaicana Kimberly Williams começou com 14.37 e melhorou logo de seguida para os 14.41, a terceira melhor marca a nível mundial do ano e no terceiro salto aumentou para 14.48 metros, a sua melhor marca pessoal de sempre e recorde jamaicano. No quarto salto, Ana Peleteiro fazia um enorme salto para um grande recorde pessoal de 14 metros e 40 centímetros, assumindo a posição de Prata. No entanto, ao 5º salto Yulimar Rojas (VEN) assumia o comando em 14.63m, melhor marca mundial do ano. Havia mais um salto apenas para as atletas. Ninguém melhorou, Yulimar Rojas (VEN) revalidou o título, Prata com recorde jamaicano para Kimberly Williams e Ana Peleteiro conquistou a primeira medalha da história espanhola no Triplo Salto.

Lançamento do Peso Masculino

Fonte: IAAF

Havia um grande interesse português nesta prova, dada a presença de Tsanko Arnaudov (POR), que era mesmo o 7º do ranking mundial. No primeiro lançamento, o português fez um nulo, no segundo lançou 19.93 metros e no terceiro voltou a fazer nulo, longe do seu recorde pessoal, ficando pela 12ª posição do geral.

Quanto aos lugares cimeiros, o primeiro recorde de Birmingham: recorde dos campeonatos para Tomas Walsh (NZL) ao lançar 22.31 metros! Tom Walsh, tal como Rojas no Triplo, venceu antes os Indoor em Portland e depois os outdoor em Londres, não dando também qualquer hipótese à concorrência. Sem necessitar, por já ter o ouro assegurado, Walsh lançou para a glória, com os 22.31 a serem a melhor marca de sempre dos campeonatos. David Storl (GER) lançou o melhor da época em 21.44 para a Prata e Stanek (CZE) que era o lider mundial, ficou-se pelo Bronze com 21.44. Destaque ainda para o recorde brasileiro de Darlan Romani (BRA) no quarto lugar, bem próximo das medalhas, ao lançar 21.37. 10 homens passaram dos 20 metros e 7 dos 21 metros, sendo o melhor concurso de sempre em termos de densidade de resultados.

Salto Com Vara Feminino

Fonte: IAAF

Tínhamos previsto a vitória de Sandi Morris (USA) e desta vez…ela foi mesmo quem levou o Ouro! Não sem direito a drama, a mudanças na frente da competição e uma duríssima adversária russa, Anzhelika Sidorova, que dominou o concurso desde muito cedo e ficou-se pelos 5.90 metros na Prata. O Ouro de Morris foi conseguido em 5.95 metros, novo recorde dos campeonatos! No Bronze, finalmente derrotada, Katerina Stefanidi (GRE) que saltou apenas 4.80 metros hoje. Primeira medalha de Ouro global para Sandi Morris, depois de tantas ameaças.

Triplo Salto Masculino

Fonte: IAAF

Noutra final muito aguardada por nós, portugueses, Nelson Évora voltou a voar! Abriu logo as hostilidades a assumir a primeira posição do concurso no primeiro salto em 17.14. Alexis Copello (AZE) no segundo salto viria a saltar mais, em 17.17. Depois seria, o brasileiro Almir dos Santos (BRA) a assumir o comando em 17.22 metros. 3º Salto: Nelson Évora – 17.40! Liderança do ranking mundial e recorde nacional para Évora aos 33 anos…impressionante! Mas no 4º salto, Will Claye (USA), o favorito, consegue saltar mais 3 centímetros e assuma uma liderança que não mais a largou. Na quinta tentativa, ainda foi o brasileiro Almir dos Santos, com novo recorde pessoal, a passar Nelson por apenas um centímetro. A brilhante prestação de Nelson apenas dava para o Bronze, mas fica mais uma medalha para a carreira de um dos melhores atletas da história do desporto português e que parece não querer nunca deixar de ser enorme.

800 Metros Masculino

Fonte: IAAF

Sem surpresas, Adam Kszczot (POL) sagrou-se mesmo campeão mundial, como havíamos previsto, depois de várias ameaças com Pratas e Bronze ao ar livre e indoor. Correu em 1:47.47 numa final muito tática até à entrada para a última volta. No segundo lugar, com a Prata, o norte-americano Drew Windle (USA) em 1:47.99 e o Bronze foi para Espanha, com Saúl Ordoñez a surpreender, com um lugar no pódio em 1:48.01.

Heptatlo

Fonte: IAAF

Com uma prova final emocionante, a ordem manteve-se a mesma do final do primeiro dia, apesar do esforço de Warner (CAN) nos 1000 metros finais. Kevin Mayer (FRA) é agora campeão mundial indoor e outdoor e ontem fez 6348 pontos no Heptatlo (a melhor marca do ano), com apenas mais 5 pontos do que Damian Warner, em novo recorde nacional canadiano. Na terceira posição, com o Bronze, Maicel Uibo (EST) com novo máximo pessoal de 6265, ele que é…o marido de outra campeão, Shaune Miller!

400 Metros Feminino

Fonte: IAAF

A nossa dúvida era entre as duas norte-americanas e foi Courtney Okolo (USA) que parecia uma motorizada a vencer a final em 50.55, uma marca que a coloca como a 4ª norte-americana mais rápida de sempre na distância indoor! Shakima Wimbley (USA) conseguiu a Prata em cima da meta em 51.47, ultrapassando a britânica Eilidh Doyle que correu em 51.60, a sua melhor marca do ano.

400 Metros Masculino

Fonte: IAAF

“Contra todas as expectativas, caiu um recorde nos 400 masculinos! O espanhol Oscar Husillos já tinha sido a nossa arriscada aposta para o Ouro, mas nunca havíamos pensado que batesse o recorde dos campeonatos em 44.92! Enorme recorde espanhol também (indoor e outdoor), recorde europeu indoor e entra directamente para o 6º melhor de sempre na distância!”

Era assim que ia ser o nosso texto. Mas Husillos foi desqualificado já depois de posar para a foto com a indicação de recorde dos campeonatos. Desqualificado também foi o que era o segundo classificado (no que seria um recorde cubano) Lugelin Santos. Ambos por pisarem fora do seu corredor. Dessa forma, Pavel Maslak (CZE) subiu da medalha de Bronze para o Ouro (!) e conquistou o seu terceiro título mundial indoor consecutivo em 45.47, seu melhor da temporada. Michael Cherry (USA) ascendeu à Prata, com 45.84 e Deon Lendore (TTO) foi Bronze com 46.37, mesmo que tenha terminado a prova pensando ser 5º (numa final a 6).

1500 Metros Feminino

Fonte: IAAF

Dibaba! Dibaba! Dibaba! Dibaba! Dibaba! 5 Ouros Mundiais em Pista Coberta, este o segundo nos 1500 e a primeira dobradinha da carreira (1500/3000)! A corrida começou de forma bastante lenta, totalmente tática, mas quando Genzebe Dibaba assumiu o comando, nunca mais o largou e venceu em 4:05.27 ! O pódio que havíamos dito que poderia ser o mesmo dos 1500 foi mesmo, mas desta vez com a Prata invertida com o Bronze. Laura Muir (GBR) conseguiu aqui o Bronze em 4:06.23 e Sifan Hassan (HOL) levou a Prata, ao correr em 4:07.26. Dibaba tornou-se apenas o 4º atleta da história (masculino ou feminino) a ganhar, pelo menos, 5 medalhas individuais em pista coberta. Os outros foram Maria Mutola (MOZ), Ivan Pedroso (CUB) e Stefka Kostadinova (BUL).

60 Metros com Barreiras Feminino

Fonte: IAAF

Era uma das finais mais aguardadas dos campeonato e nas meias-finais a eliminação de Sally Pearson (AUS), em terceiro lugar da sua série (com 7.92) e no tempo mais rápido de sempre a ficar de fora da final, acabou por significar total favoritismo para as três norte-americanas, ainda que Sharika Nelvis tenha sido surpreendida na sua série pela holandesa Nadine Visser (HOL) em 7.83, novo recorde nacional holandês. Pouca gente, porém, acreditou que aquele era o melhor que Sharika tinha para apresentar aqui em Birmingham.
Na final…Kendra Harrison!!! Finalmente o primeiro título global da norte-americana e logo com recorde dos campeonatos, em 7.70! Igualou também o recorde norte-americano de Sharika Nelvis (USA), embora desta vez sem a altitude de Albuquerque. Kendra Harrison é, agora, a presente detentora do recorde mundial dos 100 metros barreiras, detentora do recorde dos campeonatos dos 60 metros e detentora do recorde norte-americano dos 60 metros! Nelvis desiludiu na final, ficando na quarta posição, mostrando que afinal não era bluff o seu tempo das semi-finai. Com a Prata, Christina Manning (USA), correu em 7.79, na que é a sua primeira medalha global e com o Bronze ficou a surpreendente holandesa Nadine Visser, que correu a distância m 7.84 segundos, próxima do recorde conseguido duas horas antes.

60 Metros Masculino

Fonte: IAAF

Na última final da noite, era muito aguardado também o que Christian Coleman (USA) poderia fazer, ele que detém o recorde mundial da distância desde o mês passado. Coleman não desiludiu e alcançou o Ouro e seu primeiro título global, com direito a recorde dos campeonatos, em 6.37 segundos! Coleman detém agora os 3 tempos mais rápidos da história, todos alcançados nesta temporada indoor. No segundo lugar, com a medalha de Prata, recorde asiática para Su Bingtian (6.42)…apenas 4 homens correram mais rápido do que ele na distância. E um deles é Ronnie Baker (USA) que aqui foi terceiro, no Bronze, ao fazer a distância em 6.44! É a primeira medalha global de ambos os atletas, apesar de Bingtian ter andado lá próximo anteriormente (4º e 5º em Mundiais Indoor em 2014 e 2016).

Nas restantes provas do dia, destaque para a estafeta 4×400, com presença portuguesa e…recorde nacional! Numa série rapidíssima, as portuguesas ficaram na quinta posição, mas conseguiram por larga margem, em 3:35.43, bater o recorde português! Parabéns a Cátia Azevedo, Filipa Martins, Rivinilda Mentai e Dorothé Évora!

Antevisões do 4º e último dia

Salto Com Vara Masculino

Renaud Lavillenie (FRA), Sam Kendricks (USA), Thiago Braz da Silva (BRA), Piotr Lisek (POL), Shawn Barber (CAN) Kevin Menaldo (FRA), Axel Chapelle (FRA) Armand Duplantis (SWE). É preciso dizer alguma coisa mais? Entre campeões mundiais, ao ar livre ou em pista coberta, campeões olímpicos, recordistas mundiais e quase todo o elenco da melhor prova de sempre em densidade de resultados do Salto Com Vara (que ocorreu há duas semanas) teremos muita animação no pavilhão e muitas possibilidades para as medalhas. Uma final de luxo. Do melhor que a história da disciplina já viu.

Previsão para o Ouro: Renaud Lavillenie (FRA)

Fonte: Zimbio

Salto em Comprimento Feminino

A campeã mundial e alguém que já podemos chamar de lenda do Salto em Comprimento, Brittney Reese (USA) frente à atleta que venceria em Londres não fosse o dorsal, Ivana Spanovic (SRB), com uma das revelações da temporada e que até já liderou o ranking, Khaddi Sagnia (SWE). Tem tudo para dar num concurso de alto nível. E por lá ainda andarão Sosthene Moguenara (GER) e Quanesha Burks (USA) à procura de entrar na luta pelas medalhas.

Previsão para o Ouro: Ivana Spanovic (SRB)

Fonte: european-athletics

3000 Metros Masculino

Uma final entre etíopes e quenianos, em que os primeiros parecem levar o claro favoritismo. Selemon Barega (ETH) é o líder mundial do ano e aos 18 anos procurará fazer história em Birmingham, depois dos títulos mundiais nos escalões mais jovens. Pela frente, terá outro jovem compatriota, de 20 anos, que é…o actual campeão mundial indoor: Yomif Kejelcha! Os dois, aliás, têm um passado, muito semelhante no que diz respeito a títulos jovens com idade bem prematura face ao escalão. Mas atenção que anda por ali Hagos Gebrhiwet (ETH). Sem ter um grande historial Indoor, ele já foi Bronze e Prata ao ar livre e Bronze também nos Olímpicos do Rio nos 5000 metros. Será que a maior experiência falará mais alto? Os quenianos estão representados por Davis Kiplangat, que é atleta do Sporting e Birgen. Se alguns deles falharem, haverá um espanhol a espreitar as medalhas…Adel Mechaal.

Previsão para o Ouro: Hagos Gebrhiwet (ETH)

Fonte: Wikipedia

800 Metros Feminino

Tem sido opinião generalizada pelas redes sociais o favoritismo de Francine Niyonsaba (BUR), a campeã de há 2 anos em Portland e medalhada de Prata ao ar livre em Mundiais e Jogos Olímpicos. Mas confesso que a forma de Ajee Wilson (USA) me tem enchido as medidas. A norte-americana parece controlar como quer todas as provas onde participa, ajustando a estratégia às suas adversárias e poderá desta vez bater Niyonsaba depois de ficar a sua atrás em Portland (Prata) e em Londres (Bronze). Na luta pelas medalhas, deveremos ver ainda mais um duelo entre Oskan-Clarke (GBR) e Raevyn Roger (USA), onde a britânica levou a melhor nas eliminatórias e, claro, atenção à mais rápida em pista este ano e líder mundial, Habitam Alemu (ETH).

Previsão para o Ouro: (muito arriscada) Ajee Wilson (USA)

Fonte: Team USA

1500 Metros Masculino

Abdelaati Iguider (MOR) tem uma longa história indoor – um Ouro, uma Prata e um Bronze – mas também o que contar ao ar livre, com um Bronze em Mundiais e outros em Jogos Olímpicos. Vincent Kibet (KEN) tem-se apresentado em boa fora e pode ser uma ameaça, mas atenção também ao jovem de 19 anos, Samuel Tefera (ETH), que já conseguiu este ano bater o recorde mundial júnior. Aman Wote (ETH) volta aqui a marcar presença numa grande final, embora seja uma incógnita que nível será capaz de apresentar. À espreita de entrar no pódio, poderemos ter um dos dois britânicos (Chris O’Hare e Jake Wightman). De fora, por problemas com o visto, ficou o que seria um dos grandes favoritos, Ayanleh Souleiman (DJI).

Previsão para o Ouro: Abdelaati Iguider (MOR)

Fonte: IAAF

60 Metros com Barreiras Masculino

Na única prova de amanhã que ainda terá uma semi-final antes, os norte-americanos reúnem o maior favoritismo. Jarret Eaton (USA), o campeão norte-americano, é o mais rápido por Birmingham, mas muito próximo dele está a grande estrela das barreiras, Aries Merrit (USA), que já foi campeão mundial indoor, campeão olímpico e é o recordista mundial dos 110 com barreiras. Por lá andarão outros atletas que se poderão transcender. Temos o medalhado em Londres, Baji (HUN), temos Auriel Manga (FRA) que começou muito bem a temporada, temos o sempre competitivo atleta da casa e campeão europeu indoor, Andrew Pozzi (GBR), Ronald Levy (JAM) ou Martinot-Lagarde (FRA), por exemplo. Mesmo sem a presença de McLeod, a prova pode vir a ferver.

Previsão para o Ouro: Aries Merrit (USA)

Fonte: rackcdn

4×400 Feminino

Caso não aconteça algo de muito anormal, as norte-americanas irão vencer confortavelmente. Apenas devem ter atenção com as passagens, porque já vimos que os juízes em Birmingham não estão para brincadeiras…de resto, e apesar da ausência de Phillys Francis (por problemas físicos), o Ouro não deverá fugir ao quarteto norte-americano. Nas restantes medalhas, será uma luta que prevemos que seja entre Jamaica, Grã-Bretanha e Ucrânia.

Previsão para o Ouro: EUA

Fonte: IAAF

4×400 Masculino

Mais uma vez o favoritismo norte-americano é total e até podem ameaçar recordes. Nos restantes lugares, a Bélgica e a Grã-Bretanha parecem bem posicionadas, mas atenção ao que a Polónia poderá fazer.

Previsão para o Ouro: EUA

Fonte: IAAF
Pedro Pires

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