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De tudo um pouco

Pedro Pires · 8 min

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Entre sábado e domingo decorreram os Campeonatos de Portugal em Pista Coberta, com algumas surpresas e boas marcas, mas não foi só isso que aconteceu no Atletismo. Num dos fins-de-semana mais preenchidos da temporada de pista coberta, já se esperavam marcas de relevo, lideranças mundiais e ataques a recordes e… foi precisamente isso que aconteceu!

Campeonatos de Portugal em Pista Coberta

Nos Campeonatos de Portugal, foram consagrados os novos campeões nacionais de Pista Coberta. Em termos desportivos, salientam-se algumas marcas de valor, várias surpresas e ausências muito sentidas em determinados eventos.

No que diz respeito às marcas, no primeiro dia do evento temos a destacar os 6.46 metros de Evelise Veiga no Comprimento, um novo recorde pessoal em pista coberta e a apenas 4 centímetros dos mínimos para os Europeus de Glasgow. Na velocidade, houve também quem ficasse perto dos mínimos – 3 centésimos foi o que separou Frederico Curvelo da qualificação, numa prova marcada por sucessivas falsas partidas – desde cartões verdes, a duplas desqualificações, de tudo houve. Na velocidade feminina, foi a vez de Lorene Bazolo voltar a mostrar a sua boa forma e fiabilidade ao correr em 7.33 segundos, atleta que já se encontra qualificada para Glasgow. De referir ainda a boa marca de Salomé Afonso nos 1.500 metros, totalmente dominadora, num recorde pessoal de pista coberta.

As provas do primeiro dia podem ser vistas aqui:

Já no segundo dia, destaque para a prova de Cátia Azevedo, que, não tendo participado na sua especialidade, correu os 800 metros em 2:05.96, sagrando-se campeã nacional, com um grande recorde pessoal, a menos de um segundo da marca de qualificação para Glasgow.

Nos Saltos, destaque para o regresso de Marcos Chuva no Comprimento, depois do período de suspensão, sagrando-se já campeão nacional ao fazer como melhor 7.86 metros, a mesma marca que deu o segundo lugar a Ivo Tavares (o 2º maior salto decidiu) e ambos a 9 centímetros de Glasgow. Já no Triplo, grande vitória de Susana Costa, a única acima dos 14 metros, derrotando a favorita Patrícia Mamona, com um novo recorde pessoal em pista coberta. O grande destaque, no entanto, terá sido a vitória de Francisco Belo no Peso, com marca (20.15) para os Europeus de Glasgow, batendo Tsanko Arnaudov no Pombal.

As provas do segundo dia:

Quanto a surpresas, além da já referida vitória de Susana Costa no Triplo e de Belo no Peso, João Coelho foi o surpreendente vencedor dos 400 metros e tão surpreendente foi ver Ricardo dos Santos fora do pódio (o atleta depois partilhou nas redes sociais que não estava nas melhores condições físicas). Diogo Antunes ficou de fora de uma final em que provavelmente seria o maior favorito. Com a ausência de Carlos Nascimento e Eliana Bandeira, bateu finalmente Jéssica Inchude.

Belo foi um dos grandes destaques e estará em Glasgow
Fonte: FPA

No que diz respeito às ausências, estas foram mais do que as desejadas. Embora seja um fenómeno que não é exclusivamente português – na verdade, os únicos países que evitam isto a 100% são os que optam pelo modelo de Trials de qualificação – os regulamentos da Federação são claros a referir que, além da marca de qualificação, os atletas têm de participar no Campeonato de Portugal na prova em que obtêm esses mínimos. As únicas ausências justificáveis são, por motivo de doença, o que obviamente não terá acontecido em muitos dos casos, como é facilmente constatável, uma vez que alguns atletas até participaram em outros eventos/meetings durante o fim-de-semana.

Noutro campo, destaque ainda para o excelente trabalho da Federação na transmissão e cobertura do evento em várias redes sociais e até estações televisivas, com direito a uma cobertura que não fica nada atrás do melhor que se faz nos campeonatos nacionais dos países europeus que também transmitem os seus eventos. Esperemos que seja algo para ficar e, para já, o mesmo é esperado no Nacional de Clubes da próxima semana.

Lista de Campeões Nacionais

Primeiro dia:

60m (M): Frederico Curvelo (6.75)

60m (F): Lorene Bazolo (7.33)

400 (M): João Coelho (47.70)

400 (F): Carina Pereira (56.28)

1500 (M): Nuno Pereira (4:04.40)

1500 (F): Salomé Afonso (4:25.74)

Altura (F): Anabela Neto (1.82m)

Vara (M): Diogo Ferreira (5.50m)

Vara (F): Eleonor Tavares (4.20m)

Comprimento (F): Evelise Veiga (6.46m)

Triplo (M): Carlos Veiga (16.25m)

Peso (F): Eliana Bandeira (16.34m)

3.000 Marcha (F): Ana Cabecinha (12:49.83)

5000 Marcha (M): João Vieira (19:47.38)

Segundo dia:

800 (M): Paulo Rosário (1:51.61)

800 (F): Cátia Azevedo (2:05.96)

3.000 (M): Eduardo Mbengani (8:06.15)

3.000 (F): Susana Godinho (9:45.39)

60m (M): Rasul Dabó (7.88)

60m (F): Olímpia Barbosa (8.30)

Altura (M): Tiago Pereira (2.15m)

Comprimento (M): Marcos Chuva (7.86m)

Triplo Salto (F): Susana Costa (14.13m)

Salto em Altura: Tiago Pereira (2.15m)

Heptatlo (M): Manuel Dias

Pentatlo (F): Marisa Vaz Carvalho

4×400 (M): SCP (3:20.44)

4×400 (F): SCP (3:52.87)

Madrid Meeting (IAAF World Indoor Tour)

A nível internacional, existiram meetings de elevada qualidade, tanto na Europa, como nos EUA. Logo na sexta-feira, em Madrid, mais uma etapa da IAAF World Indoor Tour, com um grande concurso do Triplo, onde a portuguesa Patrícia Mamona saltou 14.44 metros, alcançando um novo recorde pessoal e nacional em pista coberta. Na mesma prova, a atleta bateu o “seu” recorde nacional por duas vezes, uma vez que antes já havia saltado 14.38 metros. Numa prova de nível elevadíssimo que veio precisamente confirmar o tema do nosso artigo da semana transata, a vitória foi para a venezuelana Yulimar Rojas, a campeã mundial, que saltou 14.92 metros, o maior salto indoor no mundo desde 2010. Rojas alcançou também um novo recorde nacional indoor. No segundo lugar, ficou Tori Franklin, que bateu, também ela, o recorde indoor norte-americano com 14.57 metros, sendo agora a detentora do melhor norte-americano, tanto a nível indoor, quanto outdoor. De resto, o evento teve 6 mulheres acima de 14.37 metros, o que apenas aconteceu por 3 vezes na história e sempre em finais de Mundiais (99, 04 e 06), sendo ainda de destacar os recordes pessoais de Rouguy Diallo (14.39) e Kristiina Makela (14.38).

Em Madrid, assistimos ainda a um outro novo recorde português de pista coberta: nos 400 metros masculinos, onde o ex-cubano Raidel Acea correu em excelentes 46.74, um novo recorde nacional que suplanta a marca de Carlos Silva (46.80), que durava desde 1998. O jovem Marcelo Pereira também participou na prova de 1500 metros, terminando em 1:54.72.

No mesmo meeting, a polaca Ewa Swoboda continuou o seu domínio nos 60 metros (voltou a bater Dafne Schippers) correndo em 7.11, e a russa Anzhelika Sidorova saltou alto na Vara, ao fazer 4.91, assumindo a liderança mundial.

Millrose Games New York

Sabe-se da tradição do meeting que habitualmente apresenta bons resultados e ataques a recordes nacionais e mundiais e o mesmo voltou a não desiludir. O momento mais esperado estava reservado para a última prova, a histórica Milha, com a presença de Yomif Kejelcha, que iria procurar o recorde mundial da distância em pista coberta. Correu em 3:48.45, recorde etíope, a apenas um centésimo do recorde de El Guerrouj. No final, a expressão facial do atleta dizia tudo!

https://www.youtube.com/watch?v=dLsmR_5po1s

Nos 800 metros, o queniano Michael Saruni fez uma marca absolutamente espantosa, que mais parece marca ao ar livre, com os seus 1:43.98, tornando-se no segundo atleta mais rápido da história a correr a distância. No segundo lugar, Donavan Brazier, em 1:44.71, bateu o recorde norte-americano, o que demonstra bem o nível da frente da prova. Também nos Lançamentos houve marcas incríveis, com os 22.33 metros de Ryan Crouser no Peso a representarem o maior lançamento indoor no mundo nos últimos 11 anos, subindo ao 4º lugar do top mundial da história!

No feminino, uma série de bons resultados, incluindo o recorde norte-americano indoor dos 800 metros por Ajee Wilson (1:58.60) e um regresso triunfal de English Gardner na velocidade – depois de um período de problemas físicos e psicológicos –, que correu e venceu os 60 metros em 7.10 segundos.

Outros meetings

Num dos fins-de-semana mais preenchidos da temporada de pista coberta, outras marcas de enorme valor, incluindo lideranças mundiais, apareceram um pouco por todo o mundo.

O jovem norueguês Jakob Ingebrigtsen continua a destruir recordes e correu, em Baerum, os 1500 metros em 3:36.21, um novo recorde norueguês em Pista Coberta e recorde europeu sub-20. Na verdade, a marca deverá vir a ser homologada como recorde mundial sub-20, pois a marca de Samuel Tefera do ano passado nunca foi homologada (por não haver controlo anti-doping naquele dia).

Nas Barreiras, Grant Holloway correu em 7.43 segundos no Tyson Invitational, marca líder mundial para o jovem norte-americano, que provavelmente garante assim que, por dois anos consecutivos, é o líder da disciplina no mundo. Tendo em conta os atletas que se encontram neste momento a fazer a Pista Coberta, caso esta marca seja ultrapassada, só parece que seja possível por… Grant Holloway.

Na Altura, no feminino, Mariya Lasitskene continua o seu impressionante domínio, apesar de este ano a concorrência parecer mais forte. A russa voltou a passar os 2 metros, no Banska Bystrica, e é a grande favorita para os Europeus de Glasgow.

Na Vara masculina, voltamos mais uma vez a ter líderes por apenas algumas horas, sendo provavelmente a disciplina onde é mais difícil acompanhar as alternâncias de líder neste momento. Na madrugada de sexta para sábado, o norte-americano Andrew Irwin saltou 5.88 em Fayteville e, poucas horas depois, em Rouen, o compatriota Sam Kendricks saltou 5.90 metros e passou para a liderança mundial.

Nos Saltos horizontais, no Triplo masculino, o brasileiro Almir dos Santos voltou disposto a mostrar que o 2018 não foi um acaso: saltou 17.46 metros em Ohio, 2ª melhor marca do ano. E quem pensava que o Triplo feminino tinha parado a loucura em Madrid, desengane-se, pois a alemã Kristin Gierisch foi a Chemnitz, no domingo, saltar 14.59 metros, assumindo também a sua candidatura a Glasgow, com um novo recorde pessoal absoluto e recorde nacional em pista coberta.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: NY Millrose Games

Pedro Pires

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