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Sem mais demoras, a Diamond League avança já para Xangai com alguns novos nomes em cima da mesa, mas também com alguns duelos que já tiveram o primeiro round em Doha. Destacamos cinco provas no masculino e cinco provas no feminino que podem concentrar as atenções!
Masculino
100 Metros: Christian Coleman (USA) seria um dos nomes em destaque neste meeting, mas o atleta viu-se obrigado a desistir do mesmo devido a algumas limitações físicas. Mas nem por isso esta prova perdeu o interesse. Em pista, teremos a encabeçar (embora a IAAF nunca lhe dê qualquer destaque nas suas publicações…) o campeão mundial, Justin Gatlin (USA). Gatlin é um dos atletas que mais paixões e ódios desperta no circuito e na China viveu nos Mundiais de 2015 uma das maiores desilusões da sua carreira quando perdeu o Ouro para Usain Bolt numa prova em que era apontado como o favorito. Vingou-se em Londres e bateu o astro jamaicano na última competição do mesmo.
Aqui irá encontrar a companhia de um Andre De Grasse (CAN) claramente a tentar ainda encontrar a sua melhor forma depois da paragem prolongada e que não deverá ser uma ameaça para Gatlin. Quem poderá ser uma ameaça é o atleta da casa Su Bingtian (CHI). Com um recorde abaixo dos dez segundos, Bingtian marcou presença na final de Londres embora tenha ficado no oitavo posto. Este ano, começou a época numa forma fantástica e a temporada indoor resultou em recordes pessoais, nacionais e numa medalha de Prata nos Mundiais. Veremos o que fará aqui nos 100 metros ao ar livre. Outro nome que poderá ameaçar o norte-americano é o inglês CJ Ujah (GBR) que, se recorde, é o atual vencedor da Diamond League tendo corrido em Zurique em 9.97 nessa final do ano passado. Também com um recorde abaixo dos dez segundos, estará em pista Ramil Guliyev (TUR), ele que é o campeão mundial dos 200 metros.
400 Metros: Parece ser um dos elencos com mais estrelas do evento e promete emoção, bons resultados e surpresas. Para começar, teremos aqui os três atletas que ficaram nas três primeiras posições em Doha uma semana antes. Steven Gardiner (BAH) dominou por inteiro a prova e, com os seus 43.87, bateu o recorde do meeting e o recorde nacional da Bahamas! Estará aqui para tentar repetir o feito de forma a conseguir a qualificação para as finais o mais rápido possível. Abdalleleh Haroun (QAT) e Isaac Makwala (BOT) repetem aqui a presença, com a certeza de que principalmente para o atleta do Botswana o que se passou em Doha foi uma desagradável surpresa, depois de chegar a esse meeting como o líder mundial do ano. Mas atenção, porque em pista teremos uma das maiores promessas norte-americanas e mundiais nos 400 metros: Fred Kerley! Kerley tem um recorde pessoal de 43.70 (!) e foi o campeão norte-americano na temporada passada. Depois disso, uma série de más decisões fizeram-no falhar em momentos-chaves, mas o jovem atleta quer mostrar que está também talhado para grandes palcos. Um que está com certeza talhado para grandes palcos, embora para outra disciplina, é Christian Taylor (USA). Sim, ele mesmo! O campeão mundial e olímpico do Triplo Salto aposta numa temporada mista entre Triplo e 400, de forma a aumentar a sua velocidade para o Triplo e para se “divertir” um pouco na volta à pista. Veremos o que será capaz de fazer aqui junto de alguns nomes grandes da distância.
110 Metros Com Barreiras: A curiosidade de vermos Omar McLeod (JAM) nos 200 foi adiada depois de uma pequena dor no abdutor antes da prova de Doha, mas tal não deverá ser impeditivo de vermos o jamaicano na distância em que é especialista, sendo o atual campeão olímpico e mundial. Enfrentará um elenco de peso, mas isso não é nada que assuste o jamaicano, habituado a isso e a bater todos eles. A maior ameaça poderá ser o atleta russo, ex-campeão mundial e Prata em Londres, Sergey Shubenkov, que foi o vencedor do troféu de Diamante na temporada passada. Ainda não vimos nenhuma marca abaixo dos 13.16 nesta temporada, mas ambos os atletas ainda não competiram, portanto será de prever que esta prova traga uma nova liderança mundial. Quem também competirá em Xangai é o recordista mundial, Aries Merritt. Após o transplante de rim, o atleta norte-americano não conseguiu ainda atingir o nível de outrora e não sabendo se algum dia o atingirá, é já uma vitória continuar a competir a tão alto nível, sendo competitivo. É sempre uma ameaça, embora pareça ter começado a época de forma lenta (13.45). Em pista, também estará o recém-consagrado vencedor dos Jogos da Commonwealth, Ronald Levy (JAM) que foi também o terceiro homem mais rápido da temporada passada e Orlando Ortega (ESP), o medalhado de Prata dos Jogos Olímpicos do Rio, depois de uma época mais lenta em 2017.
Salto em Comprimento: A história e trajetória de Luvo Manyonga (RSA) merece todas as primeiras páginas de jornais e a sua recuperação foi coroada como uma sensacional temporada 2017, com Ouro mundial e vitória do Diamante nas finais da Diamond League. Este ano regressou a um elevadíssimo nível, com constantes saltos acima dos 8.30 e 8.40, mas viu-se surpreendido nos Mundiais Indoor de Birmingham quando um recorde pessoal em pista coberta de 8.44 não foi suficiente para levar o Ouro, sendo que este ficou com o jovem prodígio cubano, de 19 anos, Juan Miguel Echevarría (CUB) em 8.46! Echevarría ainda não saltou tanto ao ar livre, mas já saltou este ano 8.40 pelo que certamente está perto de ultrapassar a marca que fez Indoor. Os dois repetirão esse duelo de Birmingham, desta vez aqui em Xangai ao ar livre e as expectativas são enormes.
https://www.youtube.com/watch?v=voR6BMAy0Us
Mais ainda porque, renascido das cinzas, depois de uma dececionante temporada 2017, o campeão olímpico Jeff Henderson (USA) já saltou nesta temporada 8.44, liderando para já o ranking mundial! Os três estarão por aqui e com a companhia de um australiano que brilhou na Gold Coast na Commonwealth, ao conquistar a Prata, num evento em que saltou duas vezes acima de 8.30. Ficou apenas atrás de Manyonga, tendo-lhe dado mais luta do que o esperado e Henry Frayne (AUS) tem agora um recorde de 8.34 para apresentar.
Salto Com Vara: O evento começou o ano num nível estratosférico ao ar livre e em pista coberta e parece que nos preparamos para um daqueles anos de enormes resultados, com muita competição nivelada por cima. Renaud Lavillenie (FRA) rima com Diamond League, tendo vencido este troféu, nada mais, nada menos do que 7 vezes! É o recordista mundial, num salto que até foi conseguido Indoor, e este ano começou a época numa forma impecável, tendo já saltado 5.95 metros outdoor e tendo conquistado, mais uma vez, o título mundial Indoor. Terá a companhia de Sam Kendricks (USA), o campeão mundial de Londres que fez uma praticamente perfeita temporada 2017, mas que tem enfrentado algumas dificuldades neste começo de 2018. Ainda assim, foi Prata nos Indoor de Birmingham. Nesses Indoor, quem foi Bronze, depois da Prata nos Outdoor em Londres, foi Piotr Lisek. O polaco vem aqui a Xangai tentar subir o nível, sendo que este ano o melhor que tem para apresentar ao ar livre é um salto de 5.60 metros, bem abaixo do que nos habituou. Porém em Pista Coberta, chegou a saltar 5.91 metros… Outros dois ex-campeões mundiais estarão por território chinês e parecem ambos ter retomado à forma de outrora. Shawn Barber (CAN), o campeão de Pequim, voltou a saltar acima dos 5.90 metros nesta temporada, ao fazer 5.92 em Austin (no mesmo dia, Lavillenie também saltou 5.92). Por outro lado, Raphael Holzdeppe, campeão em Moscovo, ainda não saltou ao ar livre, mas na temporada de pista coberta chegou a saltar 5.88 metros, provando que ainda tem o que é preciso.
Feminino
200 Metros: Tal como Coleman no masculino, a desistência de Elaine Thompson (JAM) poderá ter causado algum desapontamento, mas em nada inferioriza a qualidade desta prova. Teremos aqui a dupla campeã mundial Dafne Schippers (HOL) depois de ter começado a meio-gás a temporada nos 100 metros de Doha. Aí quem venceu foi Marie-Josée Ta Lou (CIV), ela que é a vice campeã mundial em ambas as distâncias e que vem aqui à procura de fazer o mesmo que fez em Doha. Começar a época a vencer uns 100 metros recheado de estrelas é um prenúncio muito bom, mas fazê-lo nos 100 e nos 200 poderia ser algo que iria pautar a época de Ta Lou. Mas aqui encontrará aquela que foi a vencedora da edição 2017, que vem defender o diamante dos 200 metros e que também é a campeã olímpica dos 400: Shaune Miller-Uibo (BAH). Miller, nessa final da Diamond League, não só bateu um elenco recheado de estrelas (Thompson, Ta Lou e Schippers presentes) como o fez com um grande recorde pessoal e nacional das Bahamas (21.88). Veremos o que fará aqui, poucas semanas depois de ter voltado a vencer uma importante final, com um elenco de luxo nos 200 metros dos Jogos da Commonwealth.
https://www.youtube.com/watch?v=IlQsLBoH1Pw
Quanto ao restante elenco, a Prata da Commonwealth, Shericka Jackson (JAM) e Deajah Stevens (USA), finalista nos últimos Mundiais e Jogos Olímpicos são alguns dos nomes a ter em conta.
100 Metros Com Barreiras: É um elenco muito semelhante ao que vimos em Doha, mas nunca nos podemos queixar quando temos duas “finais” de elite em pouco mais de uma semana num dos eventos mais excitantes do momento. Mais uma vez a campeã olímpica, Brianna Rollins-McNeal (USA), regressada à competição, procurará bater a recordista mundial Kendra Harrison (USA). Em Doha, Brianna esteve bastante melhor durante dois terços da prova, mas embateu contra a penúltima barreira, o que lhe fez perder o ritmo e a prova. Kendra correu em 12.53 para levar a vitória, mas a própria não terá ficado agradada com a sua performance que lhe pode ter relembrado fantasmas de outrora. Brianna, apesar desse encontro contra a barreira, tem razões para sair satisfeita por ainda ter terminado em 12.58 e com a sensação que poderia ter ganho esse duelo, depois de tão longa ausência. Quererá fazê-lo aqui em Xangai, empatando o head to head com Kendra no que diz respeito a 2018. Sharika Nelvis (USA) que foi terceira em Doha também aqui estará e atenção à estreia nesta temporada da alemã Cindy Roleder, Prata nos Mundiais de Pequim. Duas estrelas de um passado muito recente, Daniele Williams (JAM) e Dawn Harper-Nelson (USA) procuram aqui objetivos diferentes: se Williams busca a glória de outrora, Nelson prepara-se para terminar a carreira no final desta temporada. Mas até pensa num recorde pessoal ainda!
400 Metros Com Barreiras: É a prova que irá iniciar a transmissão televisiva, mas esconde alguns motivos de interesse. O principal será mesmo ver o que poderá fazer a campeã olímpica Dalilah Muhammad (USA).

Fonte: IAAF
A norte-americana viveu um 2017 de altos e baixos. Começou de forma lenta e a perigar a presença nos Mundiais, mas viria nos Nacionais a bater o seu recorde pessoal naquela que, para muitos, foi considerada a melhor prova de sempre desta disciplina (três mulheres abaixo dos 53 segundos e seis abaixo dos 54 segundos), deixando até indicações que pode ameaçar bater o recorde mundial. Mais tarde em Londres, falhou o objetivo de conquistar o seu primeiro título mundial, voltando a repetir a medalha de Prata. Semanas depois, conquistou o troféu da Liga Diamante em Bruxelas. Este ano, Muhammad já perdeu uma prova para Georganne Moline (USA) que também estará aqui presente! Moline parece ter recuperado algo que andava perdido e no ano passado chegou a correr próximo dos 53 segundos naquela fantástica corrida de Sacramento. Este ano, bater a campeã olímpica serve para já de cartão de visita. Também em Xangai competirá aquela que tem dois dos três tempos mais rápidos desta temporada até ao momento, a jamaicana Janieve Russell. Vem fresca do duplo Ouro na Commonwealth (Individual e 4×400) e parece pronta para disparar para os patamares que um dia prometeu quando se sagrou campeã mundial júnior em Barcelona em 2012. Já andou muito próxima de bater o seu recorde pessoal neste início de temporada e não surpreenderá se tal acontecer na China. Por fim, destaque ainda para a medalhada de Prata nos Jogos do Rio e atual campeã europeia, Sara Petersen (DEN) que fará aqui a estreia em 2018, depois de um decepcionante ano de 2017.
Triplo Salto: Aos 34 anos, já podemos considerar Caterine Ibarguen (COL) uma veterana, sendo de esperar que o seu percurso termine nos Jogos de Tóquio, onde competirá com 36 anos. A colombiana é um exemplo de longevidade e consistência ao mais alto nível, além de nunca ter perdido aquela atitude e jovialidade que mostrava desde o início da sua carreira.

Fonte: IAAF
O testemunho parece estar a mudar de mãos, mas para já Ibarguen ainda é a campeã olímpica em título, sendo que já venceu o Diamante por 4 vezes. Iniciou a época a saltar acima de 14.50 metros, o que dá claramente a entender que a colombiana não dá o seu tempo por terminado e vai voltar a realizar uma temporada de elevado nível. Terá aqui a companhia de duas jamaicanas que já demonstraram um excelente nível nesta temporada. Uma delas é Kimberly Williams (JAM), que começou a época com uma medalha de Prata nos Mundiais Indoor de Birmingham e logo a seguir foi à Gold Coast conquistar o Ouro na Commonwealth em 14.64! Bateu nestes poucos meses de 2018, o seu recorde pessoal indoor e outdoor e lidera para já o ranking mundial. Shanieka Ricketts (JAM) foi segunda na Gold Coast também acima dos 14 metros e meio e poderá ser outra ameaça a Ibarguen. Presente também estará alguém que tem um recorde pessoal de 14.78 metros, marca que na altura lhe valeu a Prata nos Mundiais de Pequim. Ela é Hanna Minenko (ISR), que perdeu o Ouro para Patrícia Mamona (POR) nos Europeus de Amesterdão em 2016, mas que tem demonstrado uma consistência impressionante com sucessivas marcas acima de 14.40.
Lançamento do Peso: Se os lançamentos estiveram em grande destaque em Doha, aqui não se espera menos desta prova com um elenco fortíssimo. Depois de quatro medalhas em Mundiais e dois em Jogos Olímpicos (além de um quarto lugar), Lijiao Gong (CHI) conseguiu finalmente a tão ambicionada medalha de Ouro nos Mundiais de Londres. Este ano já anda acima dos 19.50 e competindo em casa, não quererá deixar a vitória fugir. Mas para tal terá que bater várias adversárias de elite, entre elas a dupla campeã olímpica em 2008 e 2012, Valerie Adams (AUS), que também conquistou por quatro vezes o título mundial. Adams parece longe da forma de outrora (perdeu o título da Commonwealth!), mas é uma das atletas mais importantes da história e com certeza sempre uma adversária que impõe respeito. E falando de respeito, porque não falar de Anita Márton?! A atleta húngara conseguiu finalmente um título mundial, com o Ouro alcançado nos Mundiais Indoor de Birmingham este ano, ao lançar um melhor pessoal indoor de 19.62 metros. Nesses mundiais, a segunda classificada, também aqui presente, foi Danniel Thomas-Dodd (JAM). Não é o tipo de disciplina onde esperamos ver jamaicanos a brilhar, mas Dodd tem claramente conquistado o seu espaço. Há um mês, foi ela que conquistou a medalha de Ouro nos Jogos da Commonwealth com o lançamento que lhe deu o seu atual recorde pessoal, a 19.36. Por último, não deixar de referir aquela que é a líder mundial no momento, Raven Saunders (USA). A jovem que irá completar 22 anos dentro de poucos dias, lançou em Abril por duas vezes acima dos 19.50 metros, aproximando-se do seu recorde pessoal de 19.76, alcançado no ano passado quando se sagrou campeã nacional norte-americana. Esperam-se marcas de elevado nível e uma nova liderança mundial.
Nas restantes provas, teremos mais estrelas presentes como Mariya Lasitskene (RUS) na Altura ou Abdelaati Iguider (MAR) nos 1500 Metros, mas um dos grandes destaques até pode vir de uma prova de 5000 metros no masculino, que não entra para a contabilidade da Diamond League. Essa prova contará com nomes como Muktar Edris (ETH), Dejen Gebremeskel (ETH) Paul Chelimo (USA), Hagos Gebrhiwet (ETH) ou…Conseslus Kipruto (KEN)! Sim, sem obstáculos…

Fonte: Shanghai Diamond League
A prova terá transmissão em direto para Portugal na Sport TV 3, a partir das 12 horas de sábado, com os habituais comentários do António Fernandes.
Foto de Capa: IAAF
Artigo revisto por: Rita Asseiceiro














