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Diamond League – Londres: A mamã mais rápida da história

Pedro Pires · 3 min

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Londres voltou a receber uma constelação de estrelas para o seu meeting anual da Diamond League, que, uma vez mais, voltou a prolongar-se por dois dias. E nós estivemos por lá!

Londres voltou a receber a Diamond League, que teve a cobertura do Bola na Rede ao vivo
Fonte: IAAF
No primeiro dia do evento, existiam grandes expectativas entre os portugueses para mais um duelo entre Nelson Évora e Pedro Pablo Pichardo no Triplo, com o favorito a ser o campeão mundial e olímpico, o norte-americano Christian Taylor. Os ventos irregulares na capital britânica poderão ter afetado um pouco as marcas, mas isso não impediu Pedro Pablo Pichardo de saltar 17.53 metros ao 4º ensaio, marca que lhe deu a vitória no meeting. Foi a primeira vitória na Diamond League nesta temporada, competição que Pichardo venceu em 2018. Christian Taylor ficou no 2º lugar com 17.19 e Nelson Évora ficou-se pela 6ª posição, com 16.37 metros.

O destaque, no entanto, foram as barreiras. Nos 400 metros com barreiras, o norueguês Karsten Warholm, o campeão mundial, não só confirmou que este estádio é um talismã para ele, como que está pronto para lutar com Samba e Benjamin pelo Ouro em Doha – quem sabe, o recorde mundial. Desta feita e mesmo com dificuldades na última barreira, terminou em 47.12 segundos, uma marca que é um novo recorde europeu, recorde do meeting e o tempo mais rápido no mundo em 2019!

Pouco depois, nos 100 barreiras, a jamaicana Danielle Williams correu em 12.32 segundos, o melhor tempo em todo o mundo em 2019 e um novo recorde nacional jamaicano. E há a curiosidade de Danielle Williams ter feito falsa partida nos Trials jamaicanos, ter causado polémica ao recusar-se a abandonar a pista e não fazer parte dos planos da Federação Jamacaina para os Mundiais! Agora resta-lhe vencer a Diamond League para obter um wild card. Caso não o faça, mesmo com a marca líder mundial, poderá ficar de fora de Doha!

 

No segundo dia do evento, a velocidade feminina dominava as atenções com um elenco de luxo e podemos dizer que os 100 metros não desapontaram. Logo nas meias-finais, a britânica Dina-Asher Smith (com 10.91) e a jamaicana Shelly-Ann Fraser-Pryce em fáceis 10.95 deram sinais de força, sendo que a costa-marfinense Ta Lou também baixou logo dos 11 segundos, com 10.96.

A final, essa, começou com uma falsa partida (e desqualificação) para a holandesa Dafne Schippers. Depois seguiu-se mais uma demonstração de explosão e potência por parte da “mamã mais rápida do mundo”, como já é apelidada a jamaicana Fraser-Pryce, que voltou a provar estar na sua máxima força e correu a final em 10.78 segundos, tornando-se na atleta com mais sub-10.8 da história! Dina Asher-Smith, a estrela da casa e campeã europeia, chegou em 2º com 10.92 e Ta Lou voltou a correr rápido, em 10.98.

Também no masculino, a velocidade esteve em destaque, que mesmo sem os principais nomes, deu-nos uma enorme surpresa com os 19.88 segundos de Zhenye Xie, que tornaram o chinês no novo recordista asiático!

Nos 5.000 femininos assistimos a outra prova fantástica, com 15 (!) atletas abaixo dos 15 minutos, igualando o máximo de sempre numa prova. Foram batidos 11 (!) recordes pessoais, 2 recordes nacionais e a vencedora foi a queniana Hellen Obiri (a campeã mundial) que correu em 14:20.36. Com uma ponta final demolidora, regressou à melhor forma com marca líder mundial deste ano e recorde do meeting. A holandesa Sifan Hassan melhorou ainda o recorde da Europa no 3º lugar, com 14:22.12. Numa prova em que 8 das 9 primeiras foram quenianas, o que faz antever uma fantástica prova nos próximos Trials da potência africana.

Outras marcas de destaque em Londres foram outros dois recordes do meeting, com o sueco Daniel Stahl a lançar 68.56 metros no Disco e a alemã Malaika Mihambo a saltar 7.02 metros no Comprimento, batendo a campeã mundial e olímpica, a norte-americana Brittney Reese. Ambos os atletas são os atuais líderes mundiais das suas disciplinas.

Em relação à organização, mais uma vez nada a apontar, como é habitual, em Londres. Tudo afinado ao pormenor e com um público à altura do desafio sempre bastante entusiasmado e conhecedor do que se ia passando em pista. Ainda assim, na nossa opinião, o Meeting ganharia mais em condensar os principais eventos num único dia de evento. Criando um programa tão forte como os melhores meetings para esse dia, deixando o formato de 2 dias, que espaça bastante os eventos de pista. Quem sabe se não será esse o caminho a seguir já no próximo ano, com as remodelações da Diamond League previstas para 2020.
A organização do meeting de Londres não voltou a falhar e estava tudo preparado ao pormenor
Fonte: Anniversary Games

Foto de Capa: IAAF

Pedro Pires

Redação Bola na Rede · ver artigos